segunda-feira, março 16, 2026

OSCAR 2026



Na melhor das hipóteses, pensando agora com meus botões (embora não esteja usando nada que tenha botões no momento), podemos dizer que o Oscar 2026 foi uma celebração de certo passado de Hollywood. Mais especificamente os anos 1970. Senão vejamos: o grande vencedor da noite foi UMA BATALHA APÓS A OUTRA, de Paul Thomas Anderson, filme que se passa nessa década e que deve muito ao cinema daquele período. Até o nosso O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, também destaca TUBARÃO e aquele momento mágico para o cinema americano, embora muito difícil politicamente para os países da América Latina.

Quando assistimos ao In Memoriam, o quadro tradicional que homenageia os atores, atrizes, diretores e outros artistas e técnicos relacionados ao cinema (principalmente o americano), notamos que os dois astros mais celebrados foram Robert Redford, que até ganha uma canção na voz de Barbra Streisend, com quem contracenou em NOSSO AMOR DE ONTEM, de Sydney Pollack; Diane Keaton, que ganha uma fala de destaque de Rachel McAdams, e também Robert Duvall, outro ator importantíssimo, curiosamente colega de elenco de Keaton em O PODEROSO CHEFÃO.

Porém, voltemos para o presente. Um duro presente em que tivemos uma cerimônia tão morna quanto acovardada. Os Estados Unidos atacando o Irã, ajudando no genocídio da Palestina, invadindo a Venezuela para roubar petróleo e fazendo do próprio país um inferno com sua polícia anti-imigração e o máximo que se vê são piadas muito sutis por parte de Conan O’Brien e um “não à guerra” e “Palestina Livre”, por parte de Javier Bardem. Foi ele quem anunciou, ao lado de Priyanka Chopra, o prêmio mais aguardado para os brasileiros, o de melhor filme internacional, o que mais o Brasil teria chance de ganhar, repetindo o feito do ano passado, já que na categoria de ator estava concorridíssimo – até Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet saíram de mãos abanando, vencendo Michael B. Jordan, por PECADORES.

A noite começou até bem animada, com o prêmio de atriz coadjuvante para Amy Madigan, por A HORA DO MAL, que poderia ter sido um filme indicado nas categorias principais, se a academia não tivesse tanto preconceito com filme de terror. Sabemos que PECADORES conseguiu essa vaga tão difícil, mas aconteceu porque metade do filme é sobre a questão da apropriação cultural e do racismo sistêmico nos Estados Unidos. Então, havia ali um tema considerado de prestígio.

Sobre a derrota de O AGENTE SECRETO, já é uma alegria que o filme tenha ganhado tal visibilidade e tenha chegado até entre os dez da categoria principal, como aconteceu no ano passado também com AINDA ESTOU AQUI. Ou seja, aos poucos o cinema brasileiro vai ganhando uma penetração maior num território que costuma ser muito resistente ao cinema que não é produzido nem nos Estados Unidos nem no Reino Unido. Havia no passado alguns casos de indicações de filmes de outra língua que não o inglês às categorias principais, mas era um fura-bolha ocasional. Neste ano, no entanto, outro conseguiu também furar a bolha, VALOR SENTIMENTAL, de Joachim Trier, que eu considero um sub-Bergman bem desavergonhado, mas que acabou agradando muitos espectadores. Além do mais, ter uma atriz de Hollywood no elenco (Elle Fanning) é meio que marmelada, hein.

No mais, deixo aqui meu beijo para meu grande amor Giselle. Foi a primeira vez que assistimos juntos a cerimônia. Ela estava preocupada com a qualificação de mestrado (que foi um sucesso, a próposito), e não viu com tanta atenção assim, mas estava lá do meu lado. Também contei com gente muito legal nos grupos de bolão, que não deixaram o sono chegar. O fato de a premiação ter começado bem mais cedo desta vez, aliás, foi um diferencial e tanto. Terminou antes de meia-noite, fato inédito até então.



Os Premiados

Melhor Filme – UMA BATALHA APÓS A OUTRA
Direção – Paul Thomas Anderson (UMA BATALHA APÓS A OUTRA)
Ator – Michael B. Jordan (PECADORES)
Atriz – Jessie Buckley (HAMNET – A VIDA ANTES DE HAMLET)
Ator Coadjuvante – Sean Penn (UMA BATALHA APÓS A OUTRA)
Atriz Coadjuvante – Amy Madigan (A HORA DO MAL)
Roteiro Original – PECADORES
Roteiro Adaptado – UMA BATALHA APÓS A OUTRA
Fotografia – PECADORES
Montagem – UMA BATALHA APÓS A OUTRA
Trilha Sonora Original – PECADORES
Canção Original – “Golden” (GUERREIRAS DO K-POP)
Som – F1 – O FILME
Efeitos Visuais – AVATAR – FOGO E CINZAS
Direção de arte – FRANKENSTEIN
Figurino – FRANKENSTEIN
Maquiagem e cabelos – FRANKENSTEIN
Seleção de elenco – UMA BATALHA APÓS A OUTRA 
Filme Internacional – VALOR SENTIMENTAL (Noruega)
Longa de Animação – GUERREIRAS DO K-POP
Curta de Animação – THE GIRL WHO CRIED PEARLS
Curta-metragem (live action) – OS CANTORES e TWO PEOPLE EXCHANGING SALIVA (empate)
Documentário – UM ZÉ NINGUÉM CONTRA PUTIN
Curta Documentário – QUARTOS VAZIOS



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