segunda-feira, janeiro 12, 2026

GLOBO DE OURO 2026



Estava há pouco procurando meu texto sobre o Globo de Ouro do ano passado, o que contou com a vitória de Fernanda Torres por AINDA ESTOU AQUI, e vi que não escrevi o texto. Devia estar mais ocupado do que estou neste início de ano, então. De todo modo, acho importante deixar registrado um pouco da alegria que foi a noite do dia 11 de janeiro, especialmente para o Brasil, com os dois prêmios que O AGENTE SECRETO ganhou: melhor ator, para Wagner Moura, e melhor filme em língua estrangeira. Essa premiação é fundamental para que o clássico moderno de Kleber já ganhe força para chegar ao Oscar, pois é a partir de hoje que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas começam a votar.

Para mim, especialmente, foi muito gostoso ver a festa ao lado da Giselle, meu amor, agora que moramos juntos. Foi a primeira vez dela vendo uma premiação integralmente, e inclusive já tendo visto alguns dos filmes indicados junto comigo. E ter essa participação do Brasil, e ainda fazendo bonito, faz também uma diferença enorme no que às vezes é apenas uma sucessão de prêmios, um atrás dos outro, sem ter nenhuma apresentação além do discurso do host. Aliás, não sei se gostei da host deste ano, Nikki Glazer, que eu desconhecia. Deu saudade do Ricky Gervais e da dupla Tina Fey e Amy Poehler. Essa última, aliás, ganhou prêmio de melhor podcast (deve ser bem bacana o podcast dela).

De todo modo, até um ator meio sem graça que foi escolhido para apresentar os vencedores de melhor filme estrangeiro, Orlando Bloom (esse sim, um picolé de chuchu) junto com Minnie Driver, deram sorte e ganharam nossa simpatia. Principalmente Driver, por ter dito “parabéns” em português, antes de anunciar, em inglês, o nome do filme (“The Secret Agent”). Ela agora se converteu numa querida dos brasileiros, só por esse gesto.

E aí veio Wagner Moura, com todo seu charme, receber, lá do fundão, o seu prêmio, como se fosse uma espécie de intruso naquela cerimônia, já que as pessoas que estavam nas mesas da frente eram velhos figurões de Hollywood – estavam lá Spielberg, Julia Roberts, George Clooney, Leonardo DiCaprio, entre outros jovens atores e também realizadores dos Estados Unidos. Então, ver Wagner desbancando caras como Joel Edgerton, Michael B. Jordan e Oscar Isaac é de dar orgulho. Claro que se ele estivesse no grupo de melhor ator (comédia ou musical) seria muito mais difícil vencer nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet, Ethan Hawke e Jesse Plemons, mas vamos com calma. Baby steps. Foi bonito ver Colman Domingo recebendo Wagner com dancinha e tudo.

Destaquemos outros momentos muito bons da festa: a quantidade incrível de prêmios que a minissérie ADOLESCÊNCIA ganhou. Trata-se de fato de um dos trabalhos para a televisão mais incríveis deste século. Os prêmios de atuação e de melhor minissérie foram mais do que justos, servindo para coroar um trabalho feito fora de Hollywood. Fico pensando o quanto de ótimos trabalhos ingleses são feitos e não conseguem furar a bolha do Reino Unido.

Outro prêmio de destaque foi o de Rhea Seehorn, por PLURIBUS. Eu já era fã dessa mulher desde BETTER CALL SAUL e vê-la finalmente sendo reconhecida é muito bom. A série, só comecei a ver agora, e estou adorando. Também no campo das atrizes, gosto muito de Rose Byrne e Jessie Buckley, e, embora não tenha visto ainda seus respectivos filmes, tenho certeza de que são trabalhos incríveis. 

Falando em atrizes, que lindo foi o gesto de Julia Roberts quando, ao entregar o prêmio de melhor filme (comédia) para UMA BATALHA APÓS A OUTRA, um prêmio, aliás, já esperado, fez a gentileza de pedir para que as pessoas que ainda não viram SORRY, BABY que o vissem, o que deixou Eva Victor muito emocionada.

No mais, senti muita falta de um discurso mais politizado, ainda mais com a atual situação muito grave que os Estados Unidos estão vivendo. Ninguém teve a coragem nem a disposição de enfrentar Donald Trump. Acredito que enfrentam fazendo cinema, fazendo cinema humanista e muitas vezes progressista, abraçando cineastas como Kleber Mendonça Filho e Jafar Panahi. Só no tapete vermelho que vi Mark Ruffalo com um bottom em lembrança à morte de Renee Macklin Good pelos agentes da ICE de Trump. Quem sabe no Oscar haja mais coragem por parte dos artistas. Ou será que há alguma imposição por parte da organização ou das redes de televisão?



Prêmios da Noite

Cinema

Melhor Filme (Drama): HAMNET – A VIDA ANTES DE HAMLET
Melhor Filme (Comédia/Musical): UMA BATALHA APÓS A OUTRA
Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (UMA BATALHA APÓS A OUTRA)
Melhor Ator (Drama): Wagner Moura (O AGENTE SECRETO)
Melhor Ator (Comédia/Musical): Timothée Chalamet (MARTY SUPREME)
Melhor Atriz (Drama): Jessie Buckley (HAMNET - A VIDA ANTES DE HAMLET)
Melhor Atriz (Comédia/Musical): Rose Byrne (SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA)
Melhor Ator Coadjuvante: Stellan Skarsgård (VALOR SENTIMENTAL)
Melhor Atriz Coadjuvante: Teyana Taylor (UMA BATALHA APÓS A OUTRA)
Melhor Roteiro: Paul Thomas Anderson (UMA BATALHA APÓS A OUTRA)
Melhor Trilha Sonora: PECADORES
Melhor Canção Original: "Golden" (GUERREIRAS DO K-POP)
Melhor Animação: GUERREIRAS DO K-POP
Melhor Filme em Língua Estrangeira: O AGENTE SECRETO (Brasil)
Melhor Realização Cinematográfica e em Bilheteria: PECADORES

Televisão

Melhor Série (Drama): THE PITT
Melhor Série (Comédia/Musical): O ESTÚDIO
Melhor Minissérie, Séria de Antologia ou Telefilme: ADOLESCÊNCIA
Melhor Ator de Série (Drama): Noah Wyle (THE PITT)
Melhor Ator de Série (Comédia/Musical): Seth Rogen (O ESTÚDIO)
Melhor Ator em Minissérie, Série de Antologia ou Telefilme: Stephen Graham (ADOLESCÊNCIA)
Melhor Atriz de Série (Drama): Rhea Seehorn (PLURIBUS)
Melhor Atriz de Série (Comédia/Musical): Jean Smarts (HACKS)
Melhor Atriz em Minissérie, Séria de Antologia ou Telefilme: Michelle Williams (MORRENDO POR SEXO)
Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Owen Cooper (ADOLESCÊNCIA)
Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Erin Doherty (ADOLESCÊNCIA)
Melhor Stand-up na TV – RICKY GERVAIS – MORTALITY
Melhor podcast – GOOD HANG WITH AMY POEHLER



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