sábado, junho 28, 2014

SEGREDOS DE SANGUE (Stoker)



O primeiro momento de encantamento de SEGREDOS DE SANGUE (2013) acontece logo nos créditos de abertura. Todo o cuidado plástico que testemunhamos na direção de arte e na fotografia das produções sul-coreanas de Chan-wook Park pode ser percebido já nesses momentos iniciais. O diretor de fotografia, Chung-hoon Chung, é o mesmo de outras obras de Park. Isso já ajuda a manter as características autorais do diretor nesta sua estreia em uma produção em língua inglesa.

O outro elemento de encantamento do filme está na presença de Mia Wasikowska, essa garota de uma beleza toda especial e com uma força no olhar e na interpretação que vem conquistando mais e mais fãs desde, pelo menos, sua aparição na primeira temporada da série EM TERAPIA (2008), muito embora ela tenha feito antes outros trabalhos menos conhecidos em seu país natal, a Austrália.

A personagem India Stoker parece ter sido feita pensando nela. Mia interpreta uma garota pouco sociável que perdeu o pai em um acidente de carro, não consegue ter um bom relacionamento com a mãe (Nicole Kidman) e fica incomodada com o surgimento de um tio que ela não conhecia até então (Matthew Goode).

A personalidade do tio, de nome Charles, deixa India com um misto de atração e repulsa. Ele é um sujeito que a princípio tem interesse em sua mãe, mas que se mostra cada vez mais interessado nela. Os sentimentos contraditórios de India são muito bem incorporados por Mia, em especial no momento em que ela flagra a mãe e o tio em momentos de intimidade e foge de casa como uma forma de se vingar.

Isso acaba resultando em uma situação que fará com que India se torne não apenas cúmplice de Charles, como também mais próxima dele. Curiosamente, a persona dele é próxima da de uma vampiro, o que, junto com as mortes que aparecem durante a narrativa, acabam por aproximar o filme bastante do gênero horror, embora Park consiga, como sempre, se afastar dos clichês mais manjados do gênero.

Talvez porque o cineasta esteja mais interessado na forma do que no conteúdo, mas é o tipo de caso em que a forma é tão boa que compensa qualquer problema eventual no conteúdo, o que nem é o caso de SEGREDOS DE SANGUE. Ao contrário, há uma tal profundidade na criação da protagonista que devemos louvar também o roteiro, que curiosamente é de Wentworth Miller, o ator principal da saudosa série PRISON BREAK (2005-2009), em seu primeiro trabalho como roteirista. Tem sensibilidade, o rapaz.

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