sexta-feira, dezembro 31, 2010

TOP 20 2010 E O BALANÇO DO ANO



1. TROPA DE ELITE 2, de José Padilha
2. A FITA BRANCA, de Michael Haneke
3. À PROVA DE MORTE, de Quentin Tarantino
4. DEIXA ELA ENTRAR, de Tomas Alfredson
5. VINCERE, de Marco Bellocchio



6. A CAIXA, de Richard Kelly
7. FAÇA-ME FELIZ, de Emmanuel Mouret
8. UMA NOITE EM 67, de Ricardo Calil e Renato Terra
9. AS MELHORES COISAS DO MUNDO, de Laís Bodanzky
10. SALT, de Phillip Noyce



11. A REDE SOCIAL, de David Fincher
12. O LIVRO DE ELI, de Albert e Allen Hughes
13. A ESTRADA, de John Hillcoat
14. CORAÇÃO LOUCO, de Scott Cooper
15. O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS, de Lírio Ferreira



16. O ESCRITOR FANTASMA, de Roman Polanski
17. O FIM DA ESCURIDÃO, de Martin Campbell
18. UTOPIA E BARBÁRIE, de Silvio Tendler
19. MINHAS MÃES E MEU PAI, de Lisa Cholodenko
20. PONYO - UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR, de Hayao Miyazaki

Foi um ano mais estranho do que eu imaginava. E nem me refiro às coisas da vida, mas ao cinema mesmo. Em que outro ano filmes de Clint Eastwood, Martin Scorsese e Woody Allen seriam preteridos numa lista final por mim? Sem falar em Shyamalan, mas aí já estamos entrando num terreno mais complicado.

E se foi um ano de menos filmes e falta de tempo, paradoxalmente foi um ano em que as viagens ganharam mais destaque, inclusive, aqui no blog. O inesquecível e emocionante show do Paul McCartney, as duas viagens maravilhosas e o encontro com vários amigos em São Paulo, a aventura que foi ir para Recife de carro num fim de semana para um festival de rock e mais uma ida para Jericoacoara com os amigos daqui, tudo foi devidamente registrado. E isso me deu muito prazer. De vez em quando eu releio esses relatos, depois de passados anos do acontecido e é quase como viajar no tempo. Foi um ano também de valorização maior das amizades. Não sei o que seria de mim sem meus amigos.

Mas falemos dos filmes escolhidos. O critério para a escolha dos filmes é a mesma de todos os anos. É simples: são filmes vistos de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2010 apenas no cinema. Os vistos em casa têm que rivalizar com filmes antigos numa lista à parte, numa disputa nem sempre justa, mas prefiro assim. Se eu fosse levar em consideração a data de lançamento em São Paulo, estaria perdido. Por isso na lista tem um filme que entrou no circuito brasileiro no ano passado, mas que só chegou aqui no começo deste ano (DEIXA ELA ENTRAR); e tem filme que eu vi numa mostra de cinema francês e que acabou não entrando no circuito (FAÇA-ME FELIZ). Por outro lado, teve um filme que teria boas chances de estar aí, mas só porque eu já tinha visto em casa em 2009 e eu não revi no cinema, não rolou de entrar. Refiro-me a GUERRA AO TERROR.

2010 foi um ano feliz para o cinema brasileiro. Finalmente um filme conseguiu bater o recorde de maior bilheteria, ultrapassando DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS. E que bom que foi um puta filme, pra mim o melhor do ano: TROPA DE ELITE 2, o retorno do Capitão Nascimento numa obra que calou a boca dos detratores do primeiro filme. E em comparação com a lista do ano passado, que só tinha um único representante nacional, desta vez tem cinco! Da onda de documentários, três deles me conquistaram: UMA NOITE EM 67, O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS e UTOPIA E BARBÁRIE, cada um à sua maneira e com propostas totalmente distintas. E fechando o bloco nacional, tivemos a felicidade de ver uma obra que finalmente respeita o jovem: AS MELHORES COISAS DO MUNDO.

Da Europa, pudemos testemunhar mais uma vez o grande talento de Marco Bellocchio com outro projeto que trata de fatos históricos: VINCERE. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes, A FITA BRANCA, também foi um dos grandes destaques do ano. Coincidentemente é também um filme que faz refletir sobre a História. No Festival Varilux de Cinema Francês finalmente tirei a cisma que eu tinha dos franceses como comediantes. FAÇA-ME FELIZ é simplesmente genial. E seu diretor, Emmanuel Mouret, é provavelmente o grande nome da comédia mundial. DEIXA ELA ENTRAR é uma história de vampiros como há muito não se via. De uma beleza rara. E finalmente, temos O ESCRITOR FANTASMA, que nem é bem um caso de filme europeu, mas internacional, como praticamente todos os de Roman Polanski, o mais cosmopolita dos cineastas.

Do cinema americano, no meio de tanto lixo lançado pelas distribuidoras, salvaram-se algumas pérolas. Os favoritos da casa foram: A CAIXA, um filme de terror que resgata o prazer de ver um ótimo episódio de ALÉM DA IMAGINAÇÃO; SALT, com Angelina Jolie chutando traseiros num dos thrillers mais divertidos do ano; A REDE SOCIAL, com Fincher mais sóbrio e contando a história por trás do Facebook, num filme que ainda vai dar muito o que falar; duas produções que lidam com um cenário apocalíptico de maneira inspirada: O LIVRO DE ELI e A ESTRADA; um comovente retrato de um cantor em fim de carreira com Jeff Bridges em estado de graça – CORAÇÃO LOUCO; Mel Gibson de volta com O FIM DA ESCURIDÃO; e um belo exemplar do cinema indie americano: MINHAS MÃES E MEU PAI. E antes que eu me esqueça: finalmente alguma distribuidora lançou nos cinemas À PROVA DE MORTE. Foi com três anos de atraso e não foi lá uma grande distribuição - eu ainda por cima vi numa cópia digital tosca -, mas pelo menos está valendo para constar na lista. Porque o filme merece!

Fechando o balanço, mais uma vez fomos agraciados com a oportunidade de ver uma obra de Hayao Miyazaki no cinema, com o belo conto infantil PONYO – UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR. Foi feito para os pequenos, mas suspeito que os adultos tenham gostado ainda mais, com suas imagens delirantes como um sonho bom.

Os piores

Até que este ano eu fui um pouco mais criterioso. Ou então tive sorte de não ver tantas tranqueiras. Mas foi uma pena eu não ter gostado do filme do Stallone, sujeito de quem eu gosto bastante. Os demais foram odiados sem decepção ou culpa nenhuma mesmo. Por ordem de "ruindade" e sem precisar destacar os nomes de seus diretores:

1. PRECIOSA - UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA
2. FEDERAL
3. SHERLOCK HOLMES
4. OS MERCENÁRIOS
5. CONTATOS DE 4º GRAU

As séries

2010 foi um ano bem hardcore para mim. Nunca trabalhei tanto. Nem dei continuidade a séries que queria e que vi em 2009 eu fiz – refiro-me às ótimas MAD MEN e BREAKING BAD. Também não finalizei outras temporadas de séries queridas, como HOUSE, FAMÍLIA SOPRANO e SEINFELD. Isso em se tratando de séries que estão em andamento ou já acabaram.

A novidade de 2010 esteve na opção por ver séries brasileiras que me despertaram o interesse, como AS CARIOCAS e AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?. Outras novidades tentadoras chegaram por conta dos melhores canais adultos americanos da atualidade (AMC e HBO): THE WALKING DEAD e BOARDWALK EMPIRE.

Das séries que eu já acompanho, a minha favorita no ano foi ENTOURAGE. Pena que foi uma temporada bem curtinha. Eu me delicio com as aventuras desses personagens. O mesmo não posso dizer de THE OFFICE, que tem perdido cada vez mais o rumo, e TRUE BLOOD, que se transformou num verdadeiro lixo neste terceiro ano. Já BIG BANG THEORY voltou à boa forma e se impõe como a série mais engraçada da atualidade. DEXTER conseguiu se manter bem neste quinto ano, assim como IN TREATMENT, que ganhou sobrevida, apesar de ter cara de última temporada.

E falando em última temporada, já estava me esquecendo de LOST, uma das séries mais importantes desta década e que contribuiu muito para a era dos downloads. Se a última temporada não foi tão boa quanto o início de tudo, pelo menos a season finale foi digna. Valeu.

Top 5 "Musas do Ano"

Foi quase um repeteco do ano passado: nenhuma brasileira na lista, duas musas de Tarantino e uma estrela francesa.

1. Mary Elizabeth Wisted (À PROVA DE MORTE)
2. Sydney Poitier (À PROVA DE MORTE)
3. Demi Moore (AMOR POR CONTRATO)
4. Marion Cotillard (NINE)
5. Abbie Cornish (BRILHO DE UMA PAIXÃO)

Melhores vistos em DVD, DIVX ou VHS

Apesar de não ter sido exatamente um ano em que eu tive tempo para ver os filmes que queria, até que foi doloroso ter cortado alguns títulos para enxugar e ficar essa listinha de apenas vinte preciosidades, que só foram crescendo na memória com o passar do tempo. A novidade é a presença de um filme pornô contemporâneo, que eu fiz questão que fizesse parte da lista. Em ordem alfabética:

A GAROTA DE TRIESTE, de Pasquale Festa Campanile
A MULHER PÚBLICA, de Andrzej Zulawski
A NOITE DO DEMÔNIO, de Jacques Tourneur
A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO, de Hou Hsio-hsien
AS FILHAS DO FOGO, de Walter Hugo Khouri
AS SAFADAS, de Carlos Reichenbach, Inácio Araújo e Antônio Melliande
CARTA DE UMA DESCONHECIDA, de Max Ophüls
DIRIGIDO POR JOHN FORD, de Peter Bogdanovich
DO MUNDO NADA SE LEVA, de Frank Capra
FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO, de Greg Mottola
GRADIVA, de Alain Robbe-Grillet
LES AMOURS D'ASTRÉE ET DE CÉLADON, de Eric Rohmer
O AMANTE DE KATHY TIPPEL, de Paul Verhoeven
O APOCALIPSE DE UM CINEASTA, de Fax Barh e George Hickenlooper
O OLHO MÁGICO DO AMOR, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
ONDA NOVA, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
PAIXÃO E SOMBRAS, de Walter Hugo Khouri
REVEALING SASHA, de Viv Thomas
REBUILD OF EVANGELION 2.22 - YOU CAN (NOT) ADVANCE, de Masayuki e Kazuya Tsurami
SEM SAÍDA, de James Watkins

Revisões

É como eu falei no ano passado. A cada ano que se passa, aumentam os filmes revistos. Seja para seguir uma revisão da obra de um diretor específico, seja para homenagear algum outro, seja para se preparar para um remake ou continuação, os filmes revistos totalizaram 18. Três a mais do que no ano passado. Em ordem mais ou menos cronológica de revisão.

O TERCEIRO TIRO, de Alfred Hitchcock
MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, de Pedro Almodóvar
CIDADÃO KANE, de Orson Welles
A HORA DO PESADELO, de Wes Craven
CONTOS DE NOVA YORK, de Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen
MINHA VIDA, de Bruce Joel Rubin
CAMERA, de David Cronenberg
ATA-ME!, de Pedro Almodóvar
NA HORA DA ZONA MORTA, de David Cronenberg
HOT SPOT – UM LUGAR MUITO QUENTE, de Dennis Hopper
O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III, de Francis Ford Coppola
DE SALTO ALTO, de Pedro Almodóvar
A BELA DA TARDE, de Luis Buñuel
JORNADA NAS ESTRELAS II – A IRA DE KHAN, de Nicholas Meyer
A ESTRELA NUA, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
A MOSCA, de David Cronenberg
KIKA, de Pedro Almodóvar
GÊMEOS - MÓRBIDA SEMELHANÇA, de David Cronenberg

Feliz ano novo!

E encerro este post de fim de ano desejando um feliz 2011 para todos nós. Que seja um ano de grandes realizações, muito amor, prosperidade, saúde e muitas surpresas bem-vindas! Até lá!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

BELLE TOUJOURS – SEMPRE BELA (Belle Toujours)



Pelo menos uma coisa muito boa este BELLE TOUJOURS – SEMPRE BELA (2006) provocou em mim: uma vontade imediata de rever o célebre A BELA DA TARDE (1967), de Luis Buñuel. A revisão da obra há alguns meses foi recebida com entusiasmo por mim. Entendi melhor o filme. Ou pelo menos acho que entendi – a caixinha misteriosa é feita para não ser entendida mesmo, creio eu. Pois bem. Eis que, ao ver BELLE TOUJOURS encabeçando a lista de favoritos do Tiago Superoito e percebendo que as chances de esse filme chegar aos cinemas de Fortaleza eram mínimas, resolvi ver logo em casa mesmo na noite de natal.

Conheço pouco do cinema de Manoel de Oliveira. Só havia visto antes o excelente UM FILME FALADO (2003) e um filme que me confundiu talvez por eu não ser católico e não me identificar com a personagem – ESPELHO MÁGICO (2005). Ainda assim é um filme que tem o seu encanto. O mesmo eu poderia dizer de BELLE TOUJOURS, mas a minha queixa com o filme é o fato de ele passar a impressão de tentar explicar o que não precisava ser explicado. De mexer com algo que já era perfeito e completo, por mais sutil e respeitador da obra original que Oliveira seja.

Michel Piccoli está tão idoso e com o rosto tão inchado que mal consegue expressar o cinismo de Husson, seu personagem no original de Buñuel. Ele é o único ator do filme original que volta para essa continuação/homenagem. Catherine Deneuve não aceitou reviver Severine. E algo me diz que ela tomou a decisão acertada. A substituta até que funciona, já que, durante o jantar, ela diz ser outra mulher, que deseja esquecer o passado. BELLE TOUJOURS é um filme sobre a obsessão de um homem por uma mulher, mas também do quanto o sadismo e a perversidade não necessariamente morrem com a idade.

Interessante a extrema falta de pressa do diretor para contar o seu filme. A imagem de Paris à noite, por exemplo, é fixada na tela, como se o diretor quisesse que nós apreciássemos cada detalhe, como se estivéssemos dentro de um museu de arte. E o jantar é outro exemplo disso: os dois comendo em silêncio. Os atores mais conhecidos da filmografia de Oliveira aparecem no bar, onde o agora alcoólatra Husson pede avidamente as suas doses duplas de uísque. Estão lá Ricardo Trêpa, como o garçom, e Leonor Baldaque, como uma das prostitutas.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

A LOUCURA DO VAMPIRO (Le Frisson des Vampires / The Shiver of the Vampires)



O ano de 2010 foi cruel para o cinema. Muitos cineastas de renome foram levados para o outro lado. Eric Rohmer, Blake Edwards, Mario Monicelli, Claude Chabrol, Dennis Hopper, Satoshi Kon, Arthur Penn, Irvin Kershner e, mais recentemente, e pouco noticiado pela mídia, até por ser um cineasta mais marginal, o mestre dos filmes de vampiras Jean Rollin. Tendo visto poucos filmes de Rollin – até então, apenas FASCINAÇÃO (1979) e LÁBIOS DE SANGUE (1975) –, aproveitei a listinha publicada por quem conhece o trabalho do homem (Leandro Caraça) para escolher uma obra, a fim de fazer uma espécie de homenagem, assim como fiz com Rohmer, Chabrol, Penn, Hopper e Kon. Peço desculpas aos demais por não ter feito o mesmo.

A LOUCURA DO VAMPIRO (1971) é um dos mais incensados filmes de Rollin. Considerados por muitos como o seu melhor trabalho, entre tantos seguindo a mesma temática. Seus filmes têm um grande apelo popular por juntar elementos que chamam a atenção do público: mulheres nuas, vampiros (principalmente vampiras, na verdade), sangue e cenários góticos.

No caso de A LOUCURA DO VAMPIRO, a trama se passa nos anos 1970, mas há um castelo gótico decorado com caveiras e outros objetos sinistros, o que faz com que ele adquira uma atmosfera atemporal. No lugar, não há energia elétrica e a iluminação é natural. Há uma cena em que a câmera dá um giro de 360 graus para nos mostrar a decoração do lugar.

Na trama, dois jovens recém-casados vão parar no castelo dos tios da moça (Sandra Julien). Assim que eles chegam, recebem a notícia de que os tios dela estão mortos. Mesmo assim, eles são convidados a ficarem. Duas das empregadas da casa – as mesmas que costumam sair à noite quase nuas, vestindo apenas roupas transparentes – pedem para que eles fiquem. O casal fica, mas a jovem prefere não dormir na mesma cama do noivo. Assim que ele sai do quarto, ela recebe uma companhia bem estranha: uma vampira que a hipnotiza e suga um pouco de seu sangue. Os tais tios dados como mortos aparecem. São dois vampiros que preferem não contaminar muitos com suas maldições e por isso vivem matando suas vítimas numa espécie de ritual de magia negra.

Ainda que em A LOUCURA DO VAMPIRO haja uma trama bem conduzida, a história não importa muito, como em geral ocorre nos filmes de Rollin, que se destacam mais pelo erotismo, pelos cenários, pela atmosfera de mistério e principalmente pelas imagens. Um dos momentos mais memoráveis e imagéticos do filme, por exemplo, é o que mostra Isolde, a vampira, saindo de dentro de um relógio. Destaque também para a trilha sonora rock da banda Acanthus, que em alguns momentos faz lembrar os filmes da era de ouro de Dario Argento.

terça-feira, dezembro 28, 2010

AMOR POR CONTRATO (The Joneses)



Um típico exemplo de filme que começa bem, mas que vai deslizando até cair no lugar comum e ter uma conclusão totalmente sem graça. Assim é este AMOR POR CONTRATO (2010), que parte de um ótimo argumento e ainda conta com a presença deslumbrante de Demi Moore (aliás, o que é que esta mulher faz para continuar tão linda?). E há que se dar o devido crédito também a David Duchoviny, que conseguiu sair da pele do agente Fox Mulder (ARQUIVO X), fez sucesso na televisão com outra série (CALIFORNICATION), mostrando versatilidade também para comédias e de vez em quando se sai bem no cinema.

AMOR POR CONTRATO é filme de um diretor estreante (Derrick Borte), que já errou a mão logo em seu primeiro trabalho. E como ele também é roteirista do filme, podemos pôr a culpa de todas as falhas nele. Sua obra de estreia traz uma família bem diferente. Para quem entra “virgem” no cinema, isto é, sem ter visto o trailer nem ter lido nada a respeito, deve a princípio estranhar o comportamento da família em sua intimidade. Pra começar, o marido não dorme na mesma cama da esposa. Se bem que isso é bem comum. O que não é comum é a filha adolescente (Amber Heard) entrar nua no quarto do "pai" para seduzi-lo. Mas a essa altura até o espectador mais avoado deve estar sabendo que aquela família é fake.

A função deles é vender. Não exatamente objetos, mas um estilo de vida. Assim, eles se exibem como uma família bela e perfeita, com roupas, perfumes, bebidas, tacos de golfe, aparelhos celulares etc, a fim de que todos naquela cidade fiquem seduzidos a ponto de comprarem tudo que eles endossam. O filme até daria um belo estudo de marketing ou do consumismo americano, se não tivesse um final capenga. Infelizmente, o diretor erra a mão ao apelar, sem sucesso, para clichês de comédias românticas. Ou tentou uma variação da fórmula que não funcionou.

Entre os coadjuvantes, destaque para o personagem de Gary Cole, que já havia feito um papel meio loser na série ENTOURAGE.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

O ASSASSINO EM MIM (The Killer inside Me)



A essa altura muita gente, até mesmo aqueles que não viram O ASSASSINO EM MIM (2010), já devem ter ouvido falar ou lido a respeito da polêmica sequência em que Casey Affleck espanca Jessica Alba de tal maneira que seu rosto fica parecendo uma bola de carne. E por mais que se esteja preparado, é difícil não se sentir intoxicado. Pode-se dizer que esse é um dos momentos em que o cinema contemporâneo se mostrou mais violento. Segundo o diretor Michael Winterbottom, a intenção foi traduzir da maneira mais próxima possível para as telas o romance de Jim Thompson, escrito na década de 50.

Outro elemento perturbador é o fato de Lou Ford, o xerife psicopata de Casey Affleck, narrar em voice-over, numa boa utilização do recurso, pois o filme a princípio não entrega o caráter do personagem, o que gera um clima de dúvida sobre suas reais intenções. Aliás, se o sujeito é mesmo um psicopata fica bem difícil entender a sua mente, por mais que o filme tente pôr um pouco de lógica na trama.

E a trama tem os seus mistérios, lembrando muito o ciclo do film noir dos anos 40 e 50, em que muitos eventos ficam sem solução. É o caso de O ASSASSINO EM MIM, que deve muito de seu valor à ótima interpretação de Casey Affleck. Curiosamente, seu personagem lembra um outro de mesmo sobrenome que ele interpretou poucos anos atrás: em O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD. Trata-se de um personagem que aparentemente não faz mal a uma mosca, mas que surpreende no que é capaz. E o mais interessante disso tudo é que a gente acredita quando ele diz que ama de verdade a personagem de Jessica Alba. O que só aumenta a complexidade da mente do indivíduo. A dor que sentimos, por exemplo, é nossa ou é também dele?

A trama ainda conta com outros grandes nomes de importância e destaque, como Kate Hudson, a noiva que quer saber por que o rapaz anda se comportando tão estranhamente ultimamente. Elias Koteas é o sujeito que mais suspeita da culpa de Ford. Outros personagens, como os de Ned Beatty, Tom Bower e Simon Baker só ajudam a tornar o enredo mais complicado. O que não deixa de ser uma de suas qualidades. Faltou pouco para ser um grande filme.

sábado, dezembro 25, 2010

EM TERAPIA – A TERCEIRA TEMPORADA COMPLETA (In Treatment – The Complete Third Season)



Se eu fiquei desapontado com a insossa segunda temporada de IN TREATMENT (coloco o título nacional na parte superior porque assim a nomearam na HBO brasileira, mas prefiro tratar a série pelo título original), esta terceira (2010) me agradou bem mais. Ter a presença radiante de Debra Winger, no papel de Frances, uma das pacientes do Dr. Paul Weston (Gabriel Byrne), já é um baita de um incentivo para eu continuar vendo a série, que tem diminuído cada vez mais o número de episódios por temporada – a primeira teve 43, a segunda, 35 e esta terceira, apenas 28.

O primeiro episódio apresenta Sunil, um indiano que inicia o tratamento meio que empurrado pelo seu filho e sua nora. A princípio, eu não gostei muito do personagem, mas aos poucos ele se torna o mais importante da temporada. Até porque ele é completamente diferente de qualquer outro paciente que já passou pelo consultório de Paul. Cheio de mistérios, é um homem que a cada sessão vai se mostrando cada vez mais interessante. Suas sessões são as que mais têm pausas e silêncios.

Já Frances é o oposto: uma personagem que começa muito bem, mas que vai perdendo um pouco da força no decorrer da temporada. Nos primeiros episódios Debra Winger parecia dar mais de si na interpretação. E como ela ainda continua bela depois dos cinquenta, hein. Frances é uma atriz que está tendo basicamente dois problemas: está esquecendo as falas durante a peça e tem uma irmã que está com câncer em fase terminal. Some-se a isso o fato de ser desprezada pela filha adolescente.

O terceiro paciente é novamente um garoto. Jesse é um garoto gay que já está há algum tempo falando de seus problemas para Paul. São basicamente problemas ligados aos pais e a sua sexualidade. Nada assim de muito especial, mas a interpretação de Dane DeHaan no papel do garoto faz a diferença. As sessões são bem intensas. Até porque o garoto não é nada calmo.

Quanto a Paul, ele deixa de visitar Gina e procura outra terapeuta, Adele (Amy Ryan). Ainda bem, pois eu não aguentava mais a cara de coruja da Dianne Wiest. E se na primeira e na segunda temporadas havia duas pacientes apaixonadas por Paul, agora é a vez de ele provar desse fel. Mas isso é o menor dos problemas de Paul, que está com suspeita de estar com o Mal de Parkinson e cada vez mais infeliz e sozinho, ainda que esteja com uma namorada.

Paul é mais uma vez o protagonista trágico. Um homem que chegou aos 57 anos e está completamente perdido. Desencantado cada vez mais com o seu trabalho e questionando a própria capacidade de ajudar as pessoas, ele se encontra num inferno astral que parece não ter fim. Um dos recursos que essa temporada mais explicitou para tornar alguns momentos mais intensos foi o uso do close-up ainda mais acentuado, com o rosto de Paul preenchendo toda a tela. Isso acontece mais nos episódios com Sunil. Como é possivelmente a despedida de Gabriel Byrne para a série, ele deu mais de si, principalmente nos episódios finais. Faltaram lágrimas, mas deu pra sentir algo como um buraco no coração em vários momentos. Parabéns a Paris Barclay e sua equipe. Eles conseguiram manter a série, mesmo com a saída de Rodrigo Garcia.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

72 HORAS (The Next Three Days)



E Paul Haggis está de volta à cadeira de diretor. Já não mais tão odiado como na época de CRASH – NO LIMITE (2005), já que seu drama de pós-guerra do Iraque NO VALE DAS SOMBRAS (2007) até que foi bem recebido, embora não exatamente ovacionado. 72 HORAS (2010) não é um filme tão sóbrio quanto o anterior, já que Haggis não hesita em usar clichês tanto de melodramas quanto de filmes de suspense. É a história de um homem que planeja tirar a esposa da prisão. Lembra PRISON BREAK, nesse sentido, mas Russell Crowe não é nenhum supergênio, como na série, mas um homem comum, um professor de Literatura, que precisa agir como um fora da lei.

Na trama, Elizabeth Banks é Laura, uma mulher que tem um casamento feliz e um filho que a ama, embora o menino pareça, desde o início, ter mais carinho pelo pai (Russell Crowe). Ela tira fotos da família todos os dias pela manhã, para registrar o crescimento do filho. Está tudo muito bom, está tudo muito bem, até que a polícia invade a casa deles e leva a mulher à força, acusada de homicídio premeditado. Ela teria matado a própria chefe com um extintor de incêndio. Não fica claro se ela é culpada ou inocente, mas o importante é que o marido acredita em sua inocência e depois que ela tenta suicídio, ele começa a agir, procurando a ajuda, por exemplo, de um ex-presidiário (Liam Neeson), que lhe ajuda a montar seu plano, contando a ele vários detalhes de como fugir da cidade, do estado e do país, já que, segundo ele, a polícia de Pittsburgh é uma das melhores dos Estados Unidos.

O filme "ensina" outros crimes também, como fazer uma chave que sirva para qualquer fechadura ou arrombar um carro usando uma bola de tênis. Aliás, não é o filme que faz isso, onde personagem de Crowe pesquisa tudo. E não deixa de ser interessante ver esse tipo de coisa num filme hollywoodiano, por mais que no final, o filme se torne um pouco mais politicamente correto. O fato é que a televisão tem sido mais ousada do que o cinema em muitos aspectos – vide séries como BREAKING BAD e DEXTER -, mas pelo visto vai continuar sendo assim por algum tempo.

No entanto, isso não diminui o valor de 72 HORAS, que funciona muito bem, tanto no começo, dramático, com um ritmo um pouco mais lento para mostrar o estrago que a prisão fez na vida daquela família, quanto, principalmente, quando se transforma num thriller de deixar o espectador se segurando na cadeira. Um bom exemplo da tensão registrada é a cena em que o personagem de Crowe rouba traficantes de drogas para conseguir dinheiro. Sem falar em toda a expectativa de como ele vai conseguir tirar a mulher da cadeia, que também desperta muito interesse. É um filme que tem os seus problemas, mas que está acima da média dos exemplares do gênero.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

AS CARIOCAS – A TRAÍDA DA BARRA



E chega ao fim essa divertida série de Daniel Filho, que teve a boa ideia de criar, a partir do divertido texto de Sérgio Porto, uma série recheada de beldades. E que beldades! Claro que nem sempre os episódios foram lá grande coisa, mas no geral, eu diria que AS CARIOCAS (2010) foi um sucesso. E eu estava mesmo curioso para conferir o episódio da Angélica, que é a primeira que aparece nos créditos, mas seu episódio acabou sendo o último. E felizmente dirigido pelo próprio Daniel Filho, que sabe dar vitalidade aos seus trabalhos.

E mesmo a Angélica não sendo grande atriz, ela se saiu bem nesse divertido episódio sobre as desventuras de uma mulher à procura de um homem para se vingar do marido (Luciano Huck). Ela acabou de pegá-lo com outra na cama justo no dia do aniversário de casamento. Queria fazer uma surpresa. E fez mesmo. E a noite foi uma surpresa pra ela também, sem muita experiência em catar homem por aí. E Angélica caiu bem na personagem. E ainda tem uma vantagem: ela se tornou uma mulher muito mais atraente e bonita depois que casou e teve filhos.

Quanto ao episódio, nem sempre ele consegue ser engraçado o suficiente, principalmente quando se percebe que a intenção da roteirista Adriana Falcão era de causar risos. Falha do diretor, da roteirista, do elenco? Ainda assim, não deixa de ser um episódio divertido. E quando termina, com a voz já familiar do narrador se despedindo nos créditos finais, até que deixa saudade, hein. Será que vem por aí uma segunda temporada?

Segue meu ranking de favoritos, com suas respectivas protagonistas. Houve surpresas.

1. A SUICIDA DA LAPA (Deborah Secco)
2. A NOIVA DO CATETE (Alline Morais)
3. A ADÚLTERA DA URCA (Sônia Braga)
4. A ILUDIDA DE COPACABANA (Alessandra Negrini)
5. A VINGATIVA DO MÉIER (Adriana Esteves)
6. A TRAÍDA DA BARRA (Angélica)
7. A ATORMENTADA DA TIJUCA (Paola Oliveira)
8. A INTERNAUTA DA MANGUEIRA (Cíntia Rosa)
9. A DESENIBIDA DO GRAJAÚ (Grazi Massafera)
10. A INVEJOSA DE IPANEMA (Fernanda Torres)

terça-feira, dezembro 21, 2010

RED - APOSENTADOS E PERIGOSOS (Red)



Mais um filme que vi por ocasião das indicações do Globo de Ouro e também porque eu já tinha passado duas semanas sem ir ao cinema e já estava sofrendo com a abstinência. RED – APOSENTADOS E PERIGOSOS (2010) foi uma das surpresas entre as indicações. Dirigido pelo alemão Robert Schwentke, que havia assinado o bom thriller PLANO DE VOO (2005) e a história de amor com viagens no tempo TE AMAREI PARA SEMPRE (2009), o filme é uma adaptação de uma HQ de Warren Ellis, que foi relançada recentemente no Brasil pela Panini. Não li a obra de origem, mas pelo que dizem é bem mais violenta do que o filme, que opta mais pelo humor.

E pode-se dizer que RED é eficiente nesse aspecto. Bruce Willis continua sempre interpretando o mesmo personagem, mas ele é cool o suficiente para segurar o filme, ainda mais quando esse filme é cheio de coadjuvantes de luxo. Ele é um ex-agente da CIA que tem uma fixação por uma funcionária da previdência social (Mary-Louise Parker). Costuma rasgar os cheques da aposentadoria e diz que não os recebeu só como desculpa para papear com a moça pelo telefone. Ela adora ler uns romances vagabundos. E ele lê também, só para estar em sintonia com ela.

Mas como não se trata de uma comédia romântica, mas de um filme de ação com humor, as coisas mudam bastante na vida do protagonista quando sua casa é invadida por dezenas de homens. Ele mata alguns, consegue fugir são e salvo e vai parar na casa de seu interesse amoroso. A reunião da velha trupe de amigos - com os personagens de Morgan Freeman, John Malkovich e Helen Mirren - é só questão de tempo para acontecer.

O filme ainda conta com participações de Ernest Borgnine (nem sabia que ainda estava vivo) e Richard Dreyfuss (como um vilão bem estereotipado). No entanto, no fim das contas, tirando ver Helen Mirren disparando uma submetralhadora e um ensandecido John Malkovich mostrando o dedo médio para os inimigos e dizendo "old man, my ass", o filme não passa de uma diversão descartável e fácil de esquecer.

RED – APOSENTADOS E PERIGOSOS foi indicado apenas em uma categoria no Globo de Ouro: a de melhor filme (comédia).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Alice in Wonderland)



Devo confessor que foi a indicação de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2010) à categoria melhor filme (comédia) no Globo de Ouro que fez com que eu finalmente tomasse coragem para ver mais essa obra de Tim Burton contando mais uma vez com o amigo Johnny Depp e a esposa Helena Bonham Carter no elenco. E levando em consideração a cisma que eu venho tendo com os últimos trabalhos de Burton, até que eu gostei dessa sua visão bem própria do clássico de Lewis Carroll. Muito por causa da protagonista, que sempre me desperta interesse e simpatia: Mia Wasikowska.

E eu sou um tarado ou mais alguém achou as sequências de aumentar e diminuir o tamanho, em que a personagem fica sem roupas, de um erotismo ousado para um filme que também se dirige ao público infantil? Vai ver eu precise naturalizar a nudez em vez de erotizá-la, mas quem disse que eu quero isso? No mais, independente desse aspecto, digamos, erótico, também achei muito interessante essa brincadeira de diminuir e aumentar de tamanho e os efeitos que isso gera no quadro geral. Por exemplo, quando ela fica grande, dentro do palácio da Rainha Vermelha (Bonham Carter), não fica aquela impressão de efeito especial mal executado. E menos ainda quando ela está pequenina, a ponto de caber na cartola do Chapeleiro Louco (Depp).

Como eu tenho percebido, nos últimos anos filmes de fantasia têm me provocado sono. ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS não chegou a ser exceção, mas ver em casa me trouxe a vantagem de poder ver em "fascículos" e apreciar de maneira mais racional o filme, que tem uma beleza plástica fantástica, com o seu colorido vibrante e sua direção de arte espetacular. Há um cuidado especial para deixar cada lugar com uma tonalidade própria. Assim, o lugar habitado pelo Chapeleiro Louco tem aquela imagem mais caótica, enquanto que o palácio da Rainha Branca (Anne Hathaway) chega a ser quase monocromático de tão branco que é.

Na trama, Alice é uma moça que já está na idade de casar (para os padrões da sociedade inglesa de sua época) e que no passado costumava sonhar com pessoas e bichos muito estranhos, como um gato que sorri, por exemplo. Ao crescer, continua sendo uma garota que não é igual às outras, mas que esqueceu desse mundo fantasioso que um dia visitou. Até o dia em que ela foge de um pedido de casamento, segue um coelho de jaqueta e cai dentro de um buraco, indo parar novamente nesse mundo fantástico, povoado por criaturas estranhas. Mais tarde ela ainda descobrirá que terá que matar uma espécie de dragão, o Jabberwocky (voz de Christopher Lee). Como fazer isso, nem ela mesmo sabe. Mas até lá, outras aventuras a aguardam.

Se o filme de Tim Burton não chegou a me empolgar de verdade, pelo menos posso dizer que é o trabalho que eu mais gostei do diretor desde PLANETA DOS MACACOS (2001).

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS concorre ao Globo de Ouro nas categorias melhor filme (comédia), melhor ator (Johnny Depp) e melhor trilha sonora (Danny Elfman). Aguardemos as indicações da Academia.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

AS CARIOCAS – A SUICIDA DA LAPA



Este A SUICIDA DA LAPA (2010), dirigido pelo próprio Daniel Filho, o pai do projeto, está entre os mais saborosos episódios da série/antologia AS CARIOCAS, destacando-se dos demais por ter um aspecto mais teatral. Os únicos atores vistos em todo o episódio são Deborah Secco e Cassio Gabus Mendes, numa história de amor que lida com suicídio e morte de uma maneira tão mórbida quanto divertida.

O episódio começa com o personagem de Gabus Mendes tentando pular desajeitadamente da sacada de um edifício numa noite de natal. Até que ele é flagrado por uma moça estranha, que percebe suas intenções. Os dois começam a conversar, ela sempre sorridente lhe oferece um cigarro, ele verifica se a sua esposa não está vendo aquilo. Nota-se logo que, apesar de ser casado com uma mulher rica, mas que tem idade de ser sua mãe, ele não é feliz. Ela também diz ser casada e infeliz e até mostra as marcas da tentativa de suicídio em seus pulsos. Os dois ficam muito interessados um pelo outro e se encontram em outras ocasiões, mas a intenção dela é que os dois cometam suicídio juntos.

Como praticamente todas as cenas são feitas em interiores, o forte do filme está no diálogo, no timing dos atores - que, aliás, estão ótimos - e na voz do narrador, que nunca esteve tão espirituosa e poética. Ao falar de morte, o episódio acaba lidando com a beleza e a importância dos grandes momentos da vida. Confesso que fiquei emocionado com o final, como já confessei aqui o meu respeito por Daniel Filho, que com sua economia na direção e seu domínio no trato com os atores, é um dos melhores, mais experientes e mais subestimados diretores do cinema e da televisão brasileiros.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

DEXTER – A QUINTA TEMPORADA COMPLETA (Dexter – The Complete Fifth Season)



Algumas séries chegam a momentos tão delicados que cada episódio passa a sensação de se estar pisando em ovos. DEXTER, que teve uma segunda e uma terceira temporadas apenas razoáveis, ganhou uma sobrevida com a excelente quarta temporada, em que o nosso anti-herói ganhou um antagonista à altura, interpretado brilhantemente por John Lithgow.

Nesta quinta temporada (2010), DEXTER mantém-se de pé de maneira impressionante. Quando eu achava que a série ia derrapar, eis que os roteiristas trazem uma nova carta na manga. A temporada começa imediatamente após os eventos trágicos da anterior. Com a morte de Rita e todas as investigações e o inferno que se transforma a vida de nosso "psicopata do bem", os primeiros episódios diferiram bastante dos tradicionais, trazendo um colorido novo para a série.

Um desses, inclusive, tem um tom bem intimista. Mesmo a subtrama envolvendo um assassino que corta a cabeça de suas vítimas e que tem mais a ver com Debra, Maria, Baptista e Quinn, quer dizer, com os policiais da delegacia, do que exatamente com Dexter, foram bons, tiveram seus momentos de tensão. Até que chega o tão esperado momento da temporada: a participação especial de Julia Stiles no papel de Lumen, uma das vítimas de um psicopata executado por Dexter.

Aliás, uma boa a série convidar astros de cinema para importantes personagens. Lumen é salva por Dexter e cria-se um interessante elo entre os dois. Ela guarda em si um desejo de vingança e diz que o assassino morto não era o único que estava presente enquanto ela era torturada. Em paralelo, há uma subtrama envolvendo o detetive Quinn, que suspeita que Dexter tem algo a ver com o assassinato de sua esposa e contrata um sujeito para investigá-lo. As coisas se complicam quando Quinn passa a se envolver afetivamente com Debra.

Ainda que o final seja um tanto desapontador e covarde – sempre arranjam um jeito de não descobrirem o segredo de Dexter -, diria que a série se manteve bem durante quase toda a temporada. Alguns episódios que saíram da trama principal - como aquele do retorno da filha de Rita - são muito bons. Além do mais, o personagem do guru de autoajuda foi uma bela sacada dos roteiristas, por mais que ele tenha ficado caricato no final.

Nada garante que DEXTER continue a ser um bom entretenimento na temporada seguinte, mas o mesmo se dizia dessa quinta. Tudo é possível. E tudo depende da equipe criativa da série, que continua ganhando indicações em prêmios respeitados como o Globo de Ouro.

terça-feira, dezembro 14, 2010

VINCERE



No momento mais emocionante de VINCERE (2009), Ida Dalses, a personagem de Giovanna Mezzogiorno, assiste no hospício onde está presa a O GAROTO, de Charles Chaplin, e, sentindo a imensa falta do filho que lhe foi arrancado, chora copiosamente. E devo confessar que o mesmo ocorreu do lado de cá da tela. O amor de mãe, associado às convicções de uma mulher que se recusa a aceitar as imposições de um sistema sujo e cruel, torna esse momento particularmente especial.

Marco Bellocchio, possivelmente o maior dentre os diretores italianos vivos, parte mais uma vez para o cinema-denúncia, ou melhor, para um cinema que provoca reflexões sobre a História. Em particular, a história de uma mulher apaixonada por Benito Mussolini, o líder fascista que mais tarde se aliaria a Hitler na Segunda Guerra Mundial, mas que antes de ter a imagem que tem hoje era idolatrado pelo povo da Itália, como se pode ver nas impressionantes imagens de arquivo enxertadas no filme.

Com o maravilhoso BOM DIA, NOITE (2003), Bellocchio já havia lidado com assuntos de interesse histórico, mas o que ele faz com esses dois exemplares do que há de melhor no hoje cambaleante cinema italiano não é apenas refletir sobre momentos importantes da História, mas enfatizar o quanto é importante nos lembrarmos - ou descobrirmos - de certos eventos, a fim de evitar que eles não ocorram novamente. Sem falar que no caso de VINCERE dá para fazer um claro paralelismo com o atual líder italiano.

Interessante que, no começo do filme, até pensei que Bellocchio fosse retratar um lado simpático de Mussollini. "Talvez ele não seja esse monstro que a História o transformou", eu pensei, mas à medida que vemos o drama de Ida, na melhor performance de Mezzogiorno, não nos resta dúvida de que o sujeito era de fato uma criatura malígna. A paixão que se transforma em ódio profundo ao ditador -que a partir da segunda metade do filme não aparece mais na pele de Filippo Timi, mas em imagens de arquivo ou fotografias - faz de VINCERE uma espécie de horror psicológico. Tanto que em alguns momentos eu mesmo estava duvidando da sanidade mental de Ida. Impressionante. VINCERE é, sem dúvida, um dos grandes filmes do ano.

domingo, dezembro 12, 2010

PSYCH – DUAL SPIRES



Não tenho o costume de ver episódios soltos de séries. Ou eu vejo a série inteira - ou pelo menos uma temporada inteira - ou não vejo nada. Mas sempre há exceções. Como quando eu fiz questão de ver o episódio dirigido por Quentin Tarantino para C.S.I. E como resistir à tentação de rever parte do elenco de TWIN PEAKS num episódio que a turma de PSYCH fez em homenagem aos vinte anos da série que mudou a televisão americana?

Antes de mais nada, é bom avisar que eu nunca havia visto PSYCH. Não sabia que era uma série de comédia e obviamente não tenho a menor intimidade com os personagens para me sentir à vontade com o senso de humor deles. Mas também não chega a ser uma série tão fechada a quem acompanha desde o início. Mas DUAL SPIRES (2010), o episódio de número 12 da quinta temporada da série, é especial. Até os créditos iniciais brincam com TWIN PEAKS, com a participação de Julee Cruise cantando com todo aquele jeitão misterioso próprio da série de David Lynch e Mark Frost.

Os atores de TWIN PEAKS que participam como convidados especiais são Dana Ashbrook (o Bobby, que aqui é um atendente de lanchonete); Sheryl Lee (a eterna Laura Palmer, que aqui é uma médica legista); Sherilyn Fenn (a Audrey, no papel de uma bibliotecária); Ray Wise (o pai de Laura, que faz o papel de um padre); Robyn Lively (Lana, uma personagem pouco expressiva da série, no papel da esposa de Bob); Lenny Von Dohlen (Harold, outro coadjuvante pouco lembrado, no papel do xerife); e Catherine E. Coulson, mais conhecida como "a senhora do tronco".

É ao mesmo tempo curioso e triste ver o que esses vinte anos causaram nos rostos dos personagens, principalmente em Sheryl Lee e Sherilyn Fenn, que há vinte anos estavam no auge da beleza e por mais que tenham feito uns filmes interessantes nunca conseguiram emplacar no primeiro escalão de Hollywood. Se bem que o efeito do tempo até que não foi tão cruel com Sherilyn, que não exibe rugas.

A trama é uma paródia de TWIN PEAKS, com direito a uma menina sendo encontrada morta enrolada num plástico, como Laura Palmer, e todo aquele arroubo dramático, que aqui vira comédia. Um dos protagonistas tem dons psíquicos e os utiliza para solucionar os mistérios. Interessante a utilização da música como tema para alguns personagens, imitando Angelo Badalamenti. E há detalhes que poderiam ser esquecidos mas que são homenageados, como um dos rapazes latindo como Bobby na cadeia num dos episódios-chave da série original. Infelizmente, a brincadeira toda se mostra sem muita graça e o resultado é bem abaixo do esperado. Mas valeu a intenção.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

AS CARIOCAS – A ILUDIDA DE COPACABANA



Falta pouco para acabar AS CARIOCAS (2010). E sabe que apesar de alguns episódios fracos essa série em forma de antologia produzida por Daniel Filho foi uma das coisas mais interessantes surgidas na televisão brasileira nos últimos anos? Este episódio, A ILUDIDA DE COPACABANA, ainda nos presenteia com a presença luminosa de Alessandra Negrini, que ultimamente estava se dedicando mais ao cinema do que à televisão. Sorte nossa, já que ela se mostrou pra lá de desinibida nos dois filmes que fez sob a batuta do grande Julio Bressane – CLEÓPATRA e A ERVA DO RATO. E poderá ser vista em breve em OLHOS NOS OLHOS, o novo trabalho de Karim Aïnouz.

Em A ILUDIDA DE COPACABANA, ela é uma professora de hidroginástica que odeia a babá, que só quer saber de ouvir funk e não dá a mínima para o trabalho. Mas o marido (Thiago Lacerda) não tem a mesma opinião e ela precisa aturar a moça atrevida. Complicando ainda mais a sua vida, o marido não comparece na cama há um tempão, o que deixa a mulher louca, a ponto de se deixar seduzir pelo amigo do marido (Eriberto Leão).

Lá pelo meio, a trama passa a se parecer bastante com a de "O Primo Basílio", de Eça de Queiroz, que o próprio Daniel Filho soube transpor para as telas muito bem e com ares rodriguianos. Mas felizmente há uma solução final bem diferente para A ILUDIDA DE COPACABANA. Diferente e coerente com o tom do episódio, que está longe de ser uma tragédia. Como, aliás, todos os episódios de AS CARIOCAS. A intenção é mesmo trazer para o espectador um entretenimento leve. E eu diria que, dessa vez, eles acertaram a mão.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

KIKA



Curioso o fato de KIKA (1993), um dos filmes menos incensados de Pedro Almodóvar, ser um dos que mais renderam páginas de conversa no livro "Conversas com Almodóvar", de Frederic Strauss. KIKA foi um dos filmes que eu deixei passar nos cinemas e só vi em vídeo. Não lembro porque razão não assisti. Se por falta de interesse ou porque ele não chegou nas salas daqui. A imagem do filme que mais ficou guardada em minha memória foi a sequência do estupro de Paul Bazzo (Santiago Lajusticia) em Kika (Verónca Forqué), seguido da ejaculação na janela, com o esperma respingando no rosto da repórter sensacionalista Andrea (Victoria Abril).

Aliás, falando em janelas, um dos aspectos do filme e que eu não percebi nem na revisão, mas que na entrevista é destacada, é o fato de que KIKA é um filme onde todas as janelas e portas estão abertas. No momento do estupro, por exemplo, há pelo menos uma pessoa que vê tudo de outro prédio. Os próprios relacionamentos são abertos. O marido de Kika sabe que ela tem um caso com Nicholas, o personagem de Peter Coyote, embora ela não saiba que ele sabe. E a personagem, em si, é aberta ao novo, como se pode notar ao longo do filme. O que talvez não conte pontos a favor é o fato de que Kika não é uma personagem boa o suficiente para nos identificarmos. Ela é muito doce e muito passiva diante de tudo.

E embora Almodóvar tenha o cuidado para trazer o mínimo de naturalismo nos diálogos e na encenação, seus personagens são todos abstratos, não parecem reais. Parecem, inclusive, com exageros de outros já apresentados em outros filmes do diretor. Victoria Abril, por exemplo, já havia feito uma repórter de televisão em DE SALTO ALTO (1991) e o personagem do estuprador lembra Antonio Banderas em ATA-ME (1990), só que sem o mesmo brilho ou o mesmo interesse por parte da trama para aprofundá-lo. Aliás, é impossível aprofundar os personagens, já que eles são tantos e tão cercados de redes de intrigas.

O filme é interessante por ser uma mistura de gêneros que o torna inclassificável. O ato final até lembra MATADOR (1985), o trabalho de Almodóvar que mais se aproxima de um thriller. E sabe-se o quanto o cineasta é apreciador do cinema americano dos anos 40, de mulheres fatais e de crimes mostrados de maneira estilizada. A diferença é que Almodóvar troca o preto e branco pelas cores quentes. Ainda assim, continuo achando KIKA um dos menos interessantes filmes da filmografia do diretor, um dos que eu menos gosto. O legal é que na entrevista, como KIKA é um dos filmes de Almodóvar que mais bebem da fonte de JANELA INDISCRETA, há um gostoso papo sobre a obra de Hitchcock e suas mulheres neuróticas.

terça-feira, dezembro 07, 2010

THE WALKING DEAD – 1ª TEMPORADA COMPLETA (The Walking Dead - The Complete First Season)



Curioso como desde que George Romero plantou a semente dos zumbis em 1968 com A NOITE DOS MORTOS-VIVOS que praticamente todas as mídias possíveis se aproveitaram para explorar o filão. Faltava uma série dedicada exclusivamente aos "errantes". E como é que ninguém tinha pensado nisso antes? Coube a Frank Darabond tomar como base as HQs de Robert Kirkman e transformá-las num drama apocalíptico envolvendo zumbis comedores de carne que infestaram o mundo e um grupo de sobreviventes que procuram meios de permanecerem vivos dentro desse cenário. Quer dizer, nada de muito original.

O canal AMC encomendou seis episódios para a primeira temporada de THE WALKING DEAD (2010), mas a série fez tanto sucesso que a segunda já está garantida, com 13 episódios. Trata-se da série de estreia mais bem-sucedida do ano e o último episódio bateu o recorde de audiência na tv fechada americana, atingindo 6 milhões de espectadores.

E a vantagem de uma série sobre zumbis em relação a filmes para cinema é poder ter mais tempo para apostar no drama, no envolvimento dos personagens com os espectadores. E nesse quesito, tanto o protagonista, o policial Rick Grimes (Andrew Lincoln), quanto sua bela esposa Lori (Sarah Wayne Callies, que tinha deixado saudade desde o fim de PRISON BREAK) são personagens com os quais a gente se importa. Há também um outro personagem bem interessante, Shane Walsh, o cara que fica com a esposa do melhor amigo e que tem que amargar a volta do sujeito que ele dizia estar morto. Os demais personagens ainda não tiveram chance de brilhar, embora uma ou outra subtrama tenha provocado momentos bem emocionantes, como o dramático ataque dos zumbis ao acampamento e a cena do sujeito que é infectado e prefere ser deixado pelo caminho pelos amigos.

Claro que tudo isso já foi explorado à exaustão em diversos filmes sobre mortos-vivos - há, inclusive, uma semelhança muito grande do começo da série com EXTERMÍNIO -, mas THE WALKING DEAD tem a vantagem de explorar um mundo de opções, já que é uma espécie de road movie apocalíptico. O episódio final teve o seu grau de emoção, encerrando com "Tomorrow is a long time", de Bob Dylan, mas eu diria que o melhor ainda está por vir.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

A REDE SOCIAL (The Social Network)



As comparações entre CIDADÃO KANE, de Orson Welles, e A REDE SOCIAL (2010), novo trabalho de David Fincher, que têm aparecido em várias críticas sobre o filme, têm a sua razão de ser. Há muitos pontos em comum entre as duas obras e provavelmente essa tenha sido a intenção de Fincher, quase sempre um cineasta pretensioso. Mas quando falo pretensioso, falo no bom sentido. Suas ambições são louváveis na maioria das vezes. Mas em A REDE SOCIAL até que ele se mostra bastante contido nos aspectos formais, sem o uso de efeitos especiais tão explícitos, como em O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (2008) e O QUARTO DO PÃNICO (2002), aproximando-se, assim, mais da discrição de ZODÍACO (2007).

Mas talvez o que mais cause interesse em A REDE SOCIAL seja sua temática, principalmente para quem testemunhou há cerca de dez anos o surgimento e a popularização do Napster, o programa de compartilhamento de arquivos que veio para derrubar a indústria fonográfica. De lá pra cá, as coisas nunca mais foram as mesmas. E ainda que o criador do programa apareça no filme em papel de destaque na pele de Justin Timberlake, o filme é mesmo de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), criador do Facebook, o programa de relacionamentos mais poderoso do mundo.

A REDE SOCIAL não é um filme sobre o Facebook, mas sobre Zuckerberg, esse sujeito pouco sociável que usa um fora da namorada para criar, sem querer, o embrião para o seu projeto mais importante. Ele escreve, bêbado, em seu blog, coisas pouco lisonjeiras sobre a moça que quebrou seu coração e cria um site com um ranking das mais gostosas do campus para votação. Só com esse ato, ele consegue em pouco tempo derrubar a rede da universidade, pela quantidade de acessos. É assim que ele chama a atenção dos gêmeos Winklevoss (ambos interpretados por Armie Hammer). Ele representam o oposto de Zuckerberg: atléticos, populares e milionários. A intenção dos irmãos é fazer um programa de relacionamento fechado à elite da universidade. A opção por deixar de trabalhar com os irmãos e criar o seu próprio site junto ao amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) é o motivo pelo qual o nerd pouco sociável e de raciocínio rápido recebe a sua primeira ação judicial.

Estruturado num longo flashback e com uma dinâmica impressionante para um filme que fala sobre programas de computador, ações judiciais e centrado numa pessoa com problemas de socialização, A REDE SOCIAL é o filme mais maduro de Fincher. E embora não cause arroubos sentimentais como seu trabalho anterior, nem polêmica como CLUBE DA LUTA (1999), o olhar distante de Zuckerberg passa um sentimento amargo de profunda solidão e uma sensação de total desapego com tudo e com todos.

domingo, dezembro 05, 2010

AS CARIOCAS – A DESINIBIDA DO GRAJAÚ



Sei que eu ando me saindo um péssimo cinéfilo. Ando vendo mais séries que filmes, vendo poucos filmes da Era de Ouro de Hollywood, pouca coisa do cinema europeu e os textos para o blog estão longe de estarem inspirados. O fato é que ando muito atarefado e cheio de preocupações e prazos a cumprir. Mas espero muito que a partir de janeiro (ou pelo menos fevereiro) tudo isso mude. Quero ter o meu tempo para me dedicar às coisas que gosto. Assim, segue mais um post sobre AS CARIOCAS (2010), só para não perder o costume. E porque eu gosto de terminar algo que comecei.

Além do mais, o episódio A DESINIBIDA DO GRAJAÚ despertava um interesse especial em mim, que era a presença de Grazi Massafera. Revelada na melhor edição do Big Brother Brasil, Grazi conquistou todos os espectadores com sua graça e beleza. A tela se enamorou de Grazi. Ela parecia nascida para o vídeo. Não necessariamente para o cinema ou para as novelas, o que pôde ser comprovado quando ela estrelou numa novela da Rede Globo e teve um desempenho bem fraquinho. Não cheguei a acompanhar de perto, mas quando eu passava pela sala e a tv estava ligada, parava para vê-la.

O que disseram de sua grande melhora em A DESINIBIDA DO GRAJAÚ pode até ser verdade, mas isso não quer dizer que o episódio seja bom. Ao contrário, é um dos mais fracos da série. E não é culpa dela. É de todo o conjunto. O texto em si já não era dos mais interessantes e a direção e o elenco não ajudam. Por mais que seja curioso ver Marcelo D2 dando uma de ator, isso só torna o show ainda mais amador. É, sem dúvida, em termos de atuação e dramaturgia, o fundo do poço de AS CARIOCAS.

A trama, se alguém se importa: garota sonha em ser muito famosa, mas depois de ganhar concurso de miss, capa de revista masculina e fama nacional, acaba a grana e tem que voltar para o seu bairro natal, que não a recebe muito bem. Ela é recebida pelas mulheres da vila como uma espécie de puta, que pode acabar com a paz do lugar e roubar os homens, que realmente ficam loucos quando a moça chega. Apesar da foto que eu postei aí em cima, não se trata de um episódio picante. E ainda tem uma moral besta e cantada em samba. A direção é de Chris D’Amato.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (Scott Pilgrim vs. the World)



Nem sei dizer os motivos porque não gostei da adaptação de SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (2010) para o cinema. Quando penso no filme de Edgar Wright não vejo necessariamente nada de errado. Pra começar, Scott Pilgrim (Michael Cera), com suas camisetas dos Smashing Pumpkins, já seria suficiente para despertar a minha simpatia. Vi que Wright conseguiu intérpretes muito bons para os personagens (gostei particularmente de Mary Elizabeth Winsted – como não gostar dessa menina?), o visual é colorido, emula os quadrinhos através de quadros na tela, às vezes com os próprios desenhos de Bryan Lee O'Malley e não tem medo de ser fiel aos exageros contidos nas cenas de luta.

Quando estive em São Paulo, o filme era um dos que eu mais queria ver, até porque noticiaram na imprensa que não exibiriam em nenhuma outra cidade do Brasil. Logo, quis aproveitar a minha passagem pela "terra da garoa" para conferir o dito cujo, mesmo não sendo exatamente fã dos trabalhos de Edgar Wright, um dos diretores mais queridos dos críticos pop. Foi lendo com prazer ontem o segundo volume dos quadrinhos lançados pela Companhia das Letras que eu percebi mais ou menos os motivos de eu não ter gostado do filme. O que é gostoso e funciona em uma mídia não necessariamente pode o ser em outra, mesmo que feito da maneira mais eficiente e apaixonada possível. Por exemplo, toda aquela história dos "namorados do mal" de Ramona Flowers, que parece divertida nos quadrinhos, fica meio boba no filme. Por outro lado, as sequências com o amigo gay de Scott são bem divertidas.

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO se utiliza com frequência da linguagem dos quadrinhos (e dos videogames) para contar uma história de amores juvenis e de brigas como nos videogames de máquinas de shopping center e parques de diversões. Os nomes dos personagens escritos na tela para apresentação e humor, bem como a montagem dinâmica e os cortes temporais, são exemplos dessa fusão de mídias. Aqueles que têm nostalgia dos videogames do passado podem ter mais um motivo para gostar do filme. Não é o meu caso. Também não é o meu caso gostar de vilões espalhafatosos (como os dos personagens de Jason Schwartzman e Brandon Routh). Mas sabem do que eu gostei bastante no filme e tinha até me esquecido? Da referência explícita a SEINFELD.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

AS CARIOCAS – A ADÚLTERA DA URCA



Ainda não estou em dia com AS CARIOCAS (2010). E nem com nenhuma outra série, na verdade. Ontem mesmo já passou mais um episódio, que eu não cheguei a ver ainda. A ADÚLTERA DA URCA, dirigido por Daniel Filho e Chris D’Amato, é um dos melhores até o momento, só perdendo para o primeiro, que segue sendo meu favorito. Mas talvez eu esteja com o raciocínio turvo por causa das cenas quentes com a Alinne Morais.

Já não dá pra dizer o mesmo de A ADÚLTERA DA URCA, estrelado pela Sônia Braga, e que não tem nenhuma cena que apela para o erótico, mas que possui uma trama bem conduzida e uma trinca de atores veteranos que tiveram grande importância na teledramaturgia brasileira. Tanto é que os realizadores resolveram fazer uma homenagem, colocando os nomes dos personagens de Sônia e Antônio Fagundes como Júlia e Cacá, os nomes que os dois receberam quando contracenaram juntos na novela DANCIN DAYS. Já Regina Duarte, recebeu o nome de Malu, referência ao seriado MALU MULHER.

Apesar do título, Júlia é uma mulher que não quer ser influenciada pelos conselhos da amiga (Regina Duarte), que costuma dizer que ela precisa variar um pouco, que fazer sexo só com o Cacá não tem graça. Um dia ela recebe uma ligação anônima de um homem que diz ser seu admirador secreto. Ao mesmo tempo, ela passa a ser perseguida por um sujeito de óculos escuros. Já o marido Cacá se mostra bastante ciumento desde a primeira aparição, quando chega em sua casa e reclama que ela não estava.

A presença de Sônia Braga ainda é forte na tela. Tendo feito história em nosso cinema com títulos que exploraram a sua energia sexual, como DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, A DAMA DO LOTAÇÃO, EU TE AMO, entre outros, ela se tornou a nossa grande musa. Nosso produto de exportação. Pena não ter feito o mesmo sucesso lá fora. Mesmo com o peso da idade, sua sensualidade continua sendo uma marca. E olha que ela estava fazendo o papel de esposa recatada.

terça-feira, novembro 30, 2010

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1)



Não sei porque ainda me dou ao trabalho de ir ao cinema ver esses filmes do Harry Potter, já que eles dificilmente me agradam. Talvez por eu ainda guardar na memória o entusiasmo que senti quando vi HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004). Talvez porque eu queira terminar algo que já comecei. Ou talvez porque o trailer desta vez tenha sido bastante atraente. Aliás, o mesmo pode-se dizer de Emma Watson, essa garota que cresceu, ficou linda e se tornou a melhor coisa da cinessérie, no papel da melhor amiga de Harry, Hermione.

Até mesmo na trama do novo HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1 (2010), é ela quem se mostra mais forte em todos os sentidos. Tem uma bolsa que pode tirar todo tipo de coisas mágicas, não importando o tamanho e sabe como ninguém esvaziar a memória das pessoas. No início do filme, inclusive, ela esvazia a memória e todos os rastros de si mesma para que seus pais não sintam ou sofram com a sua ausência. É uma sequência triste e segue em paralelo com os preparativos de Harry e Rony para também se desfazerem de suas famílias e seguirem novos rumos. E dessa vez longe de Hogwarts, agora dominada pela turma do mal, encabeçada pelo Lorde Voldemort e seus Comensais da Morte.

Assim, a turma de Harry recebe a ajuda dos amigos mais fiéis e, depois de confundirem Voldemort com um soro que transforma vários de seus amigos em cópias idênticas do bruxinho, partem numa espécie de road movie mágico, no qual Hermione os teletransporta para lugares e épocas diferentes. Nenhum outro filme da série destacou tanto tempo para os três personagens. Apesar de já termos testemunhado o crescimento e maturidade da série, o andamento narrativo lento e mais adulto chega a surpreender.

Ainda assim, vejo a série mais como um veículo para os fãs mais fiéis, aqueles que leram os livros e sabem de cor o que está para acontecer e se interessam mais em ver o modo como o livro será transposto para as telas. Dessa vez, esses fãs terão menos do que reclamar, já que o último romance foi dividido em dois filmes, dando tempo para momentos mais contemplativos. Aliás, é o tipo de produção que tem inúmeras qualidades, mas que pouco me interessa. Ainda mais com uma duração tão longa. À medida que a cinessérie vai se aproximando do fim, mais eu me distancio de seu universo. Definitivamente, não é pra mim.

segunda-feira, novembro 29, 2010

UM HOMEM QUE GRITA (Un Homme qui Crie)



Não tem jeito: vou me lembrar sempre deste UM HOMEM QUE GRITA (2010), de Mahamat-Saleh Haroun, como o filme que assisti junto com a Alê Marucci, numa espécie de disputa para ver quem cochilava mais. O engraçado é que o filme tem tantos momentos de silêncio que era como se fosse a minha deixa para a cochilada. Acordava sobressaltado, com as falas dos personagens. O filme teve uma boa repercussão da crítica paulistana, foi bem recebido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e ganhou o Prêmio do Júri em Cannes este ano. Porém, nada disso importa se o filme não me toca. Além do mais, há problemas de dramatização. Como a própria Alê comentou ao sairmos da sessão para um café, a atriz que faz a mulher do protagonista é muito ruim. Tenho que concordar com ela, embora eu costume relevar esse tipo de aspecto em alguns filmes.

Ver UM HOMEM QUE GRITA é uma das raras oportunidades que se tem de ver um filme produzido no Chade. Aliás, são poucos os filmes africanos que são distribuídos comercialmente. Esse passou pela peneira por causa da premiação e pela coprodução com a França e com a Bélgica. Embora quase todo falado em francês, a língua do colonizador, alguns diálogos são ouvidos em árabe (idioma do outro "colonizador"). O filme retrata, do ponto de vista de quem está de fora, a guerra civil que tem abalado o país com frequência nos últimos anos.

Os personagens principais são Adam e seu filho Abdel. Ambos trabalham num hotel de luxo. Como tem acontecido em muitas empresas ao redor do mundo, devido à crise, os empresários e pessoas que trabalham na área de recursos humanos tendem a ver como uma solução o corte do número de empregados. E como o filme já começa mostrando pai e filho brincando na piscina do hotel, dá para se notar que dentro daquele país pobre, os dois são felizes com aquele emprego. O filho, inclusive, tem a mania de ficar tirando fotos com sua câmera digital, com o objetivo de registrar seus momentos felizes. A notícia de que um dos dois terá que sair da empresa cai como uma bomba, especialmente para o velho pai, que vê o seu posto como vitalício. Mas a tragédia começa mesmo quando o filho é levado à força para se unir a uma das milícias.

Sei que não sou a melhor das pessoas para julgar o filme, tendo em vista as condições em que o vi, mas acredito que UM HOMEM QUE GRITA tem o problema de explicitar demais a sua moral, principalmente usando de uma frase final que parece até subestimar a capacidade do espectador de pensar por si mesmo. Para completar, o sentimento de culpa do pai, em nenhum momento, me comoveu. O que restou foi a indiferença.

P.S.: Foi uma raras vezes que eu vi uma cópia digital de boa qualidade e em scope.
P.S.2: Tem edição nova da Revista Zingu! no ar, com Dossiê Francisco Ramalho Jr. e um especial sobre futebol no cinema brasileiro.

domingo, novembro 28, 2010

DEMÔNIO (Devil)



M. Night Shyamalan se tornou o diretor mais controverso dos últimos anos. Mais odiado do que amado pelo grande público, ele segue em frente em seus projetos. Desta vez, ele marca o início de sua produtora de filmes de terror. DEMÔNIO (2010) conta com argumento dele, mas roteiro e direção de outra pessoa, no caso John Erick Dowdle, que tem no currículo QUARENTENA (2008), remake americano e pouco respeitado de [REC]. Fui ao cinema sem nenhuma expectativa em relação a esse DEMÔNIO, mas com esperanças que fosse pelo menos competente. E, até certo ponto, até que o filme se sustenta. Pena que não faz o que um bom filme de horror deveria: assustar, produzir medo, ou pelo menos criar uma atmosfera de "aconchegante horror", digamos assim.

A trama é simples, mas tem um bom ponto de partida, como se pode perceber pelo trailer: cinco pessoas que não se conhecem ficam presas dentro de um elevador de um grande edifício. As pessoas que trabalham na empresa têm muita dificuldade de conseguir tanto comunicação com eles quanto de chegar até lá por outros meios. Policiais e bombeiros são acionados, mas quem sabe o que está acontecendo é um latino que trabalha na segurança, que vê o diabo numa imagem rápida na tela do computador e acredita que ele está ali, entre os cinco, já que outra pessoa havia pulado do prédio no mesmo dia. Ele tem outra teoria envolvendo a geleia cair virada para o chão, mas é melhor encarar isso com senso de humor. Afinal, estamos vendo apenas um filme de terror B, sem grandes pretensões, sem astros (Chris Messina é o rosto mais conhecido) e tendo apenas a intenção de causar um pouco de susto na plateia. Mas o problema é que a plateia fica apática ao filme. E isso não é nada bom.

O fato de não ser dirigido pelo próprio Shyamalan torna o filme menos especial, pois até os detratores do indiano não devem negar que ele capricha no visual em seus trabalhos. Talvez se houvesse um personagem mais interessante o filme ganhasse mais força, mas nem o detetive vivido por Messina, nem nenhum dos presos no elevador são personagens suficientemente bons para que a plateia se importe. De todo modo, o filme tem o mérito de entreter e até de enganar a plateia durante sua curta duração. O que já é alguma coisa, embora eu fique na torcida para um filme melhor da produtora de Shyamalan.

sábado, novembro 27, 2010

AS CARIOCAS – A INTERNAUTA DA MANGUEIRA



Essa viagem a São Paulo foi uma bênção, mas também teve os seus efeitos colaterais. A começar por uma gripe que me pegou já desde o último dia em que estive lá e que se manifestou com mais força no final desta semana, devido à falta de cuidados especiais e descanso. A quantidade de trabalho acumulado, tanto da minha especialização, quanto do programa de ensino a distância, estão exigindo mais atenção e pressa da minha parte. E os episódios ainda não vistos das séries que acompanho não param de crescer. Como estou me dando ao trabalho de escrever sobre AS CARIOCAS episódio por episódio, devido ao seu caráter de antologia, teremos posts sobre a série mais próximos um do outro.

A INTERNATURA DA MANGUEIRA (2010) traz Cíntia Rosa, a única das dez estrelas de AS CARIOCAS que passou por um teste, e o rosto menos conhecido do elenco de protagonistas. Felizmente, o episódio é um retorno à malícia que predominou o inicial, mas infelizmente a trama é bem boba e mal conduzida. Vemos Cíntia como uma mulher que gosta de ficar no chat enquanto o marido (Eduardo Moscovis) dorme. No início, ele não suspeita de nada, mas é um amigo seu quem mostra a ele a verdade. Não sem antes levar um baita de um soco na cara. A ideia, então, é procurar evidências da infidelidade da mulher.

Cíntia Rosa está muito bem e o episódio mostra suas formas belas e generosas em momentos sensuais. É isso que salva o episódio. Moscovis também está bem como o marido traído e a cena dele no estádio, com o revólver na mão, esperando o seu Mengo ganhar o jogo para resolver o assunto com a mulher, é também memorável. Estou esperando que o próximo episódio, estrelado pela Sônia Braga, seja bem melhor.

quinta-feira, novembro 25, 2010

PLANETA TERRA 2010



Encerrando a série de posts sobre a viagem a São Paulo que resultou numa maratona musical e numa celebração de amizades que a distância não tem mais tanto poder assim de separar, escrevo sobre o festival Planeta Terra deste ano. A razão de eu estar lá, todos já sabem: Smashing Pumpkins. E quem me conhece sabe também que eu sou meio que um órfão dos anos 90, o período em que eu descobri de fato o rock e o vivi e apreendi através de discos das mais diversas bandas e épocas, ainda que hoje eu ache que foram poucos os discos comprados. Desse modo, as duas bandas que de fato me interessavam no festival eram o Pavement e os Pumpkins, justamente as duas que encerrariam a festa. Detalhe é que há uma rixa entre as duas bandas, que não se bicam. Não sei se rolou algum fato desconcertante nos bastidores. Mas vamos por partes. E dessa vez, tentando botar um pouco de ordem temporal no texto.

Sábado à tarde, eu, Michel Simões e Tiago Superoito já estávamos às quatro horas em ponto, em frente ao palco principal. Para entrar, rolou um pouco pra mim de frio na barriga. Mas era mais pela possibilidade de eles não me deixarem entrar com minha carteira de estudante internacional, já que no dia anterior o Cinemark havia rejeitado. Por isso, rolou um "yes!" de triunfo ao passar pela última barreira e adentrar finalmente o festival. Fiquei feliz ao ver, sem nem mesmo precisar de ligar pra ele, o meu amigo Alex, outro que havia ido para São Paulo com o objetivo de ver os Pumpkins e outras bandas e que não perdeu a chance de ver o Paul McCartney.

O dia estava quente em São Paulo. Tão ou mais quente quanto um dia normal em Fortaleza. Mas o sol ajudava também a tornar o dia, de certa forma, mais festivo. Havia pouca gente no momento em que os pernambucanos do Mombojó abriram o festival, com um bom show. Só conheço o primeiro disco, que comprei nas bancas, pelo selo do Lobão, e um pouco do segundo. Não é exatamente uma banda que me empolga, mas algumas canções são bem fortes. A banda é um pouco esquizofrênica: tem aquele vocal de mpb, um som sofisticado com uso de flautas e uma guitarra quase punk. Às vezes a liga fica muito boa. Destaques: "Faaca", "Deixe-se acreditar" e "O mais vendido".

Quando o show terminou, fomos dar uma olhada rapidinho no palco menor, onde o Hurtmold estava exibindo seu show experimental. Não aguentamos cinco minutos e voltamos. O lugar era bom para passear também. Ainda que nenhum de nós tenha tido coragem de brincar nos brinquedos do Playcenter, foi bom ver aquela movimentação toda. A organização do festival foi impecável e quase não houve atrasos nos horários previstos. Tudo muito esquematizado. Havia muita gente com camisetas pretas escritas "Zero", que virou uma marca da fase áurea dos Pumpkins.

O segundo show do palco principal foi uma bela de uma surpresa: Os Novos Paulistas. O nome da banda é uma brincadeira em cima de Os Novos Baianos. A essa hora já haviam aparecido o Diego Maia e o Bruno Amato. Os Novos Paulistas fazem um som um pouco difícil de definir, mas que resgata o prazer de ouvir boa música cantada em português. Se bem que eles cantam em inglês também. Os nomes dos cantores: Tiê, Thiago Pethit, Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz. São vários cantores e vários guitarristas convidados. Nem sempre o som é possível de definir com palavras, mas as canções mais sentimentais me agradaram muito. É uma banda a descobrir. O Michel já conhecia a Tiê, a musa do grupo. Fiquei bem interessado nela. E em sua música também, claro.

Mas se o público pareceu meio blasé durante o show dos Novos Paulistas, o que apareceu de gente para ver o show do Of Montreal não estava no gibi. Pra mim, era uma banda que eu procurei conhecer um pouco por ocasião do festival, mas que apesar dos meus esforços para gostar, não vi nada demais. Porém, o show ao vivo tem a sua graça. É uma espécie de circo gay, com muitas bizarrices e referências pop. De certa forma influenciados pelo glam rock, os caras travestidos do Of Montreal fizeram a festa dos fãs. Diego Maia estava muito engraçado de tão ansioso para ver a banda. Mas eu acabei aproveitando a deixa das ligações dos amigos Pablo e Murilo, que estavam chegando, para cair fora dali e encontrá-los na praça de alimentação. Pra mim foi um alívio. Além de poder bater um papo com eles e com a amiga do Pablo, pude descansar um pouco as minhas pernas cansadas de quem não tem mais tanto gás pra tanta festa. Tanto que durante todo o show do Mika, outro que divertiu a valer o público GLS, ficamos os quatro passeando pelo Playcenter.

O próximo show de interesse foi o do Phoenix, banda nova, mas que já coleciona alguns hits. Eu, pelo menos, conhecia alguns e já havia baixado uns discos deles para saber qual é. A apresentação deles foi bem especial. Para muitos, a melhor da noite. O vocalista se jogou literalmente na multidão, que formou uma espécie de onda humana na parte da frente do palco. Vi o show mais de longe e um pouco disperso. Guardo poucas lembranças e acabei perdendo as poucas fotos que tentei tirar da banda.

Pouco depois do show do Phoenix, encontramos Michel, Tiago e Bruno. Mas resolvi acompanhar o Pablo e ir até a frente para ver o Pavement mais de perto. E foi mesmo muito bom. Dei bons e animados pulos durante algumas canções, como "Stereo" (bom demais pular com essa música), "Stop Breathing", "Elevate me later", "Silence Kid" e "Range life". Gostava particularmente quando o sujeito que faz os backing vocals tomava os vocais principais e deixava o som mais catártico e gritante, mais característico dos anos 90.

Depois do Pavement, nem me dei ao trabalho de voltar para onde a turma estava. Aproximei-me o mais perto possível do palco para esperar durante meia-hora a apresentação dos Pumpkins. Afinal, era a razão de eu estar ali. A disputa por metro quadrado estava acirrada e o Murilo mal conseguiu vencer a barreira para me encontrar lá na frente. Já sabia que Billy Corgan não é exatamente um cara generoso e faz o que bem entende. Quando quer, faz shows apenas com essas canções novas e sem inspiração de quando ele voltou com a banda, em 2007. E como ele não deve ser muito fácil de lidar, acabou perdendo também o único membro da formação inicial, o baterista Jimmy Chamberlain. Em seu lugar, havia um moleque de uns quatorze anos, que dá a entender que ele escalou como uma espécie de vingança para Chamberlain. Os outros membros são versões boas de James Iha e D’Arcy. E pelo menos a baixista, além de ser uma belezura, mandou muito bem.

O show começou com faixas novas e recepção morna do público. Por isso, quando os acordes iniciais de "Today" tocaram, o público arrepiou e pulou intensamente. Foi lindo ver todo mundo cantando e sorrindo em uníssono. Pena que esse foi um dos momentos realmente belos do show. As novas canções desanimam e tiram um pouco da graça da apresentação, por mais que estejamos com boa vontade de conhecê-las. "A song for a son", por exemplo, parece ter o seu valor entre as novas, mas não passa de sombra daquilo que de bom Billy Corgan compunha nos inspirados anos 90. Outros grandes momentos foram de MELLON COLLIE AND THE INFINITE SADNESS: "Bullet with butterfly wings", em que eu me juntei pulando selvagemente como "a rat in cage" do refrão. E não deixa de ser interessante ver Corgan cantando esse tipo de música num momento mais cristão dele. Essa e "Zero" também, que são quase como canções de desencanto, de negação de Deus.

Quando voltei lá para trás para me juntar ao restante da turma, já perto do final do show, testemunhei uma moça chorando muito ao ouvir "Stand inside your love" e fiquei refletindo sobre a importância dessa música para a vida dela. E pude presenciar o momento mais belo da noite: "Tonight, tonight". Foi de arrepiar. Até olhei para a lua, que estava cheia e de frente para o palco, como se assistindo aquele momento. Depois, ele voltaria apenas para um curto bis: "Heavy metal machine", bem mais longa e barulhenta. E embora não seja exatamente fã dessa música, a imagem no telão da guitarra em cima da caixa de som provocando uma zoeira infernal deve ficar gravada nas nossas retinas por um bom tempo.

Clique AQUI para ver algumas fotos do evento.

quarta-feira, novembro 24, 2010

VIAGEM A SAMPA 2010 - VERSÃO 2.0



Quem diria que eu estaria de volta a São Paulo no mesmo ano? Tudo começou com uma mensagem pelo celular do meu amigo Murilo alguns meses atrás. Dizia mais ou menos assim: "Smashing Pumpkins em Sampa dia 20.11. Vamos?" Eu, cada vez mais impulsivo que ando ultimamente, respondi que sim. Pumpkins era a minha banda do coração nos anos 90 e eu não queria perder essa oportunidade. Já havia me arrependido de não ter ido ao show do Radiohead.

E como eu não queria passar apenas um fim de semana em Sampa, dei uma esticadinha e fiquei um pouco mais. Com meus planos maquiavélicos muito bem arquitetados, graças às folgas da justiça eleitoral, eu conseguiria fazer uma espécie de miniférias. Resultado: fui premiado com muitos bônus. O primeiro deles: a já lendária festa de aniversário da querida Alê Marucci, que aconteceu na sexta-feira. Foi uma oportunidade também de bater um papo com o David Medeiros. Quando saímos de lá o dia já estava amanhecendo. No repertório, tudo de bom do pop rock, dos 1960 aos anos 2000. O segundo bônus foi bombástico: Paul McCartney fazendo show no período que eu estava lá! Essa viagem só podia ser muito abençoada.

E de fato foi, como deu para perceber no post sobre o show. Pra completar, eu e o Murilo ainda fomos a uma sessão de autógrafos do Lou Reed, que aconteceu na sexta. Apesar de ter sido frustrante, já que não pudemos tirar fotos dele ou com ele, ainda assim, valeu demais adquirir um livro que eu já estava a fim de comprar e com a assinatura de um dos maiores nomes do rock internacional. [Aliás, para quem gosta de rock, o fim de semana que passou foi o melhor do ano. Na quinta teve Stereophonics (a Alê foi); na sexta, Raveonettes (o Alex foi); no sábado, o Planeta Terra; e no domingo, fechando com chave de ouro, o show do Paul.]

Mas vamos tentar botar ordem nesse texto, que está ficando confuso. Antigamente eu escrevia textos obedecendo mais a ordem cronológica das coisas. Não sei o que está acontecendo agora. Pois bem. No dia seguinte ao aniversário da Alê, estávamos bem cansados, mas tínhamos ainda uma grande maratona pela frente. A novidade do sábado foi a chegada de Tiago Superoito, que também ficou hospedado na casa do Michel, que a essa altura já virou uma espécie de albergue, como ele mesmo costuma falar, com sua generosidade e hospitalidade. E o encontro com o Tiago foi muito legal.

Quase como se eu o conhecesse há muitos anos, quando na verdade, eu cheguei a entrar em contato com ele mais recentemente, na "era twitter", embora já fosse admirador de seus textos. Depois de um farto almoço e um papo delicioso, estávamos prontos para encarar uma cacetada de bandas. A maioria eu não conhecia. Mas sobre o festival Planeta Terra, falarei com mais detalhes no próximo post. Só quero enfatizar que eu saí de lá muito cansado.

Chega o domingo. Dia do tão aguardado show do Paul McCartney. Ainda conseguimos encontrar tempo para um almoço com Chico Fireman e seu amigo Mitchel. O tema, como era de se esperar, não podia ser outro: cinema. Ficamos tão entusiasmados com o papo que até esquecemos de pedir o prato principal. Tudo bem que 20% da conversa tenha sido sobre PRESSÁGIO (sim, aquele com o Nicolas Cage), mas talvez por isso mesmo tenha sido tão divertido.

Show do Paul. Altas expectativas. Eu e o Michel nos separamos da Alê e do Tiago, que haviam conseguido pista e eu e ele ficamos na arquibancada laranja. Mas sabe que eu gostei muito de ter assistido na arquibancada? Tinha gente de todas as idades, estava muito animado, não tinha problema de visibilidade (digo, de gigantes na minha frente) e o lugar era bem ventilado.

Depois do domingo emocionante, a segunda-feira era praticamente de ressaca. Estava com a garganta só o caco, dor no corpo e um pouco de febre. Ainda assim, tinha marcado almoço com Edu Aguilar e foi bom podermos botar os papos em dia. Desde abril praticamente que não papeava com ele nem por meio virtual. Em seguida, encontrei a Alê para vermos um filme no Reserva Cultural. Foi uma disputa de quem cochilava mais na sessão de UM HOMEM QUE GRITA. Os outros filmes vistos no período em que estive lá foram SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (já que é um filme de exibição exclusiva em São Paulo) e o ótimo VINCERE.

No fim da tarde de segunda, São Paulo estava com mais cara de São Paulo. A chuva tinha aparecido finalmente. Michel, esse cara que cada vez mais eu admiro, fez a gentileza de me deixar no aeroporto, mas não sem antes passarmos num restaurante especializado em esfirras. As melhores que eu já comi até hoje. Hora de despedida no aeroporto. Sentimento enorme de gratidão para com o Michel e todos aqueles a quem eu encontrei nesses dias. No avião, a maior parte dos tripulantes era de pessoas que foram para o show do Paul. Uma vibe boa no ar. O voo foi tranquilo e pontual. As aeromoças estavam bonitas, simpáticas e atenciosas. Na volta pra casa, de táxi, eu ia assinalar para o motorista que a casa era um duplex branco. Mas eu falei: é ali, onde está aquele cavalo. Pois é. Havia um cavalo cagando no portão da minha casa! Surreal. Espero que isso seja sinal de boa sorte.

Confira AQUI algumas fotos que eu tirei durante a viagem.

segunda-feira, novembro 22, 2010

PAUL McCARTNEY NO MORUMBI – 21 DE NOVEMBRO DE 2010



Fim de semana de muitas emoções aqui em São Paulo. Mas posso dizer que a maior delas foi ter podido ver ao vivo um dos artistas mais importantes do século XX, o sujeito que fez parte da banda que revolucionou o rock e a música que se fazia até então. Paul McCartney, já com seus 68 anos, exibiu uma disposição jovem num show impecável. As canções do começo foram só para aquecer para o que viria. Depois de "Jet", ele emenda uma "All my loving" tão bela quanto na fase inicial dos Beatles. Foi quando caiu a ficha, o arrepio veio e eu percebi que a noite seria ainda de muitas emoções. Depois veio "Drive my car", que foi mais linda ainda.

As que me fizeram chorar, a ponto de ficar com queixo tremendo e tudo, foram as duas homenagens aos Beatles mortos. Paul teve o cuidado e a disposição de aprender algumas falas em português para se comunicar melhor com o público e para deixar mais claro pra gente o que ele queria dizer. Quando ele falou em português que a próxima canção ele escrevera para o seu amigo John e inicia a bela "Here today" e todo mundo ficou respeitosamente quietinho ouvindo a linda letra escrita em 1982 e que eu até então não conhecia, aquilo foi um momento inesquecível. Enquanto isso, no telão, fotos dos dois amigos juntos. Saber que ambos passaram tanto tempo sem se falar e de haver um reconhecimento da parte de Paul da grande amizade que os dois tiveram e que foi importante para a história do rock e para os nossos corações foi assim de lavar a alma. Me fez aumentar ainda mais o respeito que eu já tinha por esse que é o mais talentoso dos Beatles. A outra homenagem, então, foi de deixar mais lágrimas rolando: "Something", de George Harrison, que começou com um arranjo estranho, mas quando entrou a guitarra, a explosão emocional foi intensa.

Mas antes de "Here today" e "Something", ele já havia subido aos teclados para tocar uma das suas mais belas e melancólicas canções: "The long and winding road", do disco LET IT BE, feita durante aqueles momentos tristes de encerramento da banda. Foi o primeiro grande baque para mim. Sabemos que Paul nunca foi muito de fazer canções deprimidas. Isso ficava mais a cargo de John Lennon, que desde o começo dos Fab Four já se mostrava um sujeito cheio de traumas e sentimentos de rejeição. Paul, não. Ele era o elemento de equilíbrio do grupo, fazendo canções mais alegres e positivas, como a já citada e positiva "All my loving".

Por isso, boa parte da apresentação foi uma espécie de celebração da vida. É pura alegria ouvir ao vivo "Mrs. Vandeblit" (com seu coro contagioso de "ho! hey-ho!") e a beleza de "Let me roll it" e "Band on the run". Mas sempre que ele se dirigia ao piano, eu ficava logo tomado por uma ansiedade, ao saber que sairiam dali faixas como "Let it be" e principalmente "Hey Jude". Aliás, por mais que o show tenha sido praticamente só de pontos altos, podemos destacar "Hey Jude" como um dos pontos mais altos, com uma plateia cantando em uníssono, tão belo de ver que os olhos ficavam marejados. Eis uma canção que não envelhece e não perde a sua força.

E o fato de ele ter centrado sua apresentação basicamente em clássicos dos Beatles tornou o evento ainda mais especial. Quatro faixas do Álbum Branco ("Obla-di obla-da", "Blackbird", "Helter Skelter" e "Back in the U.S.S.R.") foram para mim um presente extra, retiradas do meu álbum favorito de todos os tempos. E ainda teve "And I love her", "I’ve just seen a face", "Eleanor Rigby" e "A Day in the life" puxada ainda pelo hino-mantra de John Lennon "Give peace a chance", quando as pessoas que estavam com balões brancos os soltaram, resultando noutro momento extasiante. A sementinha que Lennon havia plantado estava ali de volta aos corações das pessoas, como se o fim das utopias não tivesse chegado ainda. E quando, perto do final, ele ainda tocou "Yesterday", eu fiquei admirado que havia me esquecido dessa canção tão importante.

E até uma das que eu disse não gostar, como "Live and let die", queimei a língua, porque ficou simplesmente maravilhosa ao vivo. Até porque ela teve direito a efeitos especiais, com fogo saindo do palco e depois fogos de artifício acima. Quase uma antecipação de reveillon. Com a diferença que o artista que estava ali na nossa frente era o grande Paul McCartney. Que se despediu dizendo "até a próxima". Que bom ouvir isso, mesmo sabendo que ao final do show, com "The end" no terceiro bis, eu já meio que lamentava que estivesse acabando. Foi bom demais. Como eu já devo ter falado em algum relato de viagem postado aqui no blog: algumas coisas na vida não têm preço.

Clique AQUI para ver fotos que tirei do evento.

quinta-feira, novembro 18, 2010

MUITA CALMA NESSA HORA



Já em Sampa, depois de uma noite mal dormida num avião apertado da Gol. É impressionante como eles têm a cara de pau de acordar a gente às três ou quatro da manhã pra oferecer batata Ruffles com refrigerante. Eu, com um puta sono, e parecendo um zumbi, derramei os copos de água e refrigerante na minha roupa, mas fui dormir assim mesmo. São Paulo amanheceu com um engarrafamento infernal, mas isso deve ser rotina por aqui. É que eu nunca tinha visto com tal intensidade. Enfim, ao menos cheguei são e salvo e estou aqui tranquilamente tentando escrever para o blog na casa do amigo de fé e irmão camarada Michel.

Por falar em citação musical, vamos fazer logo o link com este MUITA CALMA NESSA HORA (2010), que tem agradado bastante a molecada. Pelo menos, na sessão em que eu estava, o povo ria a valer. Já eu, um pouco mais ranzinza que sou, achei o filme apenas simpático. Pelo menos, o povo está indo ao cinema pra ver filme brasileiro, ainda que esse exemplar não seja essas maravilhas.

No filme, vemos alguma figuras conhecidas do humor televisivo brasileiro, incluindo Sergio Mallandro, que agora voltou à mídia, graças ao programa A FAZENDA. O Marcos Mion é que parece continuar o mesmo, mas não tenho acompanhado a sua carreira. A turma do Hermes e Renato comparece e continua engraçada, mas desde que sairam da MTV e foram obrigados a serem "domesticados" num canal aberto que eles não são mais os mesmos. Aqui eles são apenas coadjuvantes de luxo (ou de lixo) que ajudam a tornar o filme um pouco mais engraçado, na tentativa de conseguir um encontro com a personagem de Gianne Albertoni, que os engana, dizendo ser garota de programa. E a atriz e top model parece que ficou com as piores falas. Afinal, dizer que não tem pressa ao responder que fumar é morrer aos poucos é piada velha e manjada.

Na trama, as três jovens amigas (Gianne Albertoni, Fernanda Souza e Andréia Horta) resolvem fugir de suas rotinas por razões diversas ligadas ao desapontamento com os homens. Aproveitaram que uma delas estava já com uma casa de praia alugada em Búzios para uma lua-de-mel para fazerem aquela viagem. No meio do caminho, encontram figuras curiosas, como uma moça hippie que vai pra lá atrás de conhecer o pai. E há também o divertido Lúcio Mauro Filho, no papel de um fã da banda Chiclete com Banana. Já o pai, o bom e velho Lúcio Mauro, também comparece, em pequenos mas bons momentos.

O modo como o diretor Felipe Joffily constrói o seu filme pro público jovem é claramente esforçado, no sentido de fazer com que a edição seja rápida o bastante para que o público não ache o filme chato em momento algum. E eu até diria que ele cumpre bem o seu papel de entreter. Eu mesmo, que só vi o filme porque a sessão de RED - APOSENTADOS E PERIGOSOS era dublada, e não estava com muita boa vontade, até me diverti em alguns momentos. O negócio é relaxar. Afinal, o filme não tem grandes pretensões mesmo. E mesmo como obra cheia de defeitos, o maior deles é até bom: é fácil de esquecer logo que termina a sessão. Se bem que a imagem de Ellen Roche com uma camisinha na boca pode ficar fixada na memória fotográfica de muito marmanjo, hein.

quarta-feira, novembro 17, 2010

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (Män som Hatar Kvinnor)



O filme até já chegou às locadoras, mas dei preferência para vê-lo na ainda gloriosa telona do cinema. E não me arrependo nada disso, mesmo tendo pego uma fila monstruosa no feriado. OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (2009) é um super thriller detetivesco produzido na Suécia que não faz feio frente às melhores produções do gênero feitas em Hollywood. Se bem que o filme – e dizem, o romance no qual ele é baseado também – é bastante devedor do estilo americano de fazer suspense.

Apesar da longa duração (152 minutos) e de um começo um pouco enfadonho e confuso, o filme pega o ritmo certo antes da meia-hora inicial e a partir daí é só alegria. Quer dizer, alegria para os espectadores, pois o filme trata de assassinatos e possui sequências de estupros e atos violentos que eu não se seu remake americano vá ter coragem de manter.

A trama inicialmente segue em paralelo dois protagonistas. O primeiro é o jornalista que é condenado por caluniar um grande magnata e pega seis meses de prisão. Mas antes de cumprir a pena, ele recebe um convite para investigar o desaparecimento da sobrinha de um rico homem idoso ocorrido há 40 anos. Como segundo protagonista, temos a interessante figura de uma hacker que anda em trajes góticos e tem um visual andrógino. Tudo indica que ela é a personagem principal do segundo longa da trilogia Millenium, tendo em vista os flashbacks que adiantam algo que pode ser o foco do segundo longa. OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES tem uma trama muito bem amarrada e prende a atenção até o final.

Gostaria de saber se o segundo e o terceiro filmes vão chegar nos cinemas brasileiros ou se vão direto para vídeo. Talvez os rendimentos do filme não tenham sido muito bons para a distribuidora brasileira, mas acredito que há uma boa parcela de pessoas interessadas numa nova e excitante experiência, como foi o primeiro da trilogia. Mas do jeito que as coisas andam, é mais fácil o remake do David Fincher estrear antes.

terça-feira, novembro 16, 2010

ATRAÇÃO SATÂNICA (Satanic Attraction)



Lembro de ter passado em frente a um cinema de rua que estava exibindo este ATRAÇÃO SATÂNICA (1989). A sala era especializada em exibir tranqueiras ou filmes que os cinemas mais chiques rejeitavam. Foi lá que eu havia visto um ano antes RAMBO III, naqueles bancos desconfortáveis. Mas o lugar tinha o seu charme. Infelizmente fechou as portas logo no início da minha cinefilia e não tive muita chance de desfrutar da programação.

ATRAÇÃO SATÂNICA, dirigido por Fauzi Mansur, mestre das pornochanchadas da Boca do Lixo e também com experiência em filmes de sexo explícito, foi produzido visando o mercado internacional. Daí o motivo de ser falado em inglês. No elenco, rostos conhecidos como os de Cláudia Alencar, Ênio Gonçalves e Vera Zimmerman. E como o gênero terror sempre teve uma boa aceitação, principalmente entre o público jovem, seria uma boa fazer essa tentativa. Não sei do resultado comercial no exterior, mas aqui no Brasil o filme ficou praticamente esquecido, como a grande maioria dos filmes do gênero produzidos no país.

O filme até tem os seus méritos, mas não consegue nem se aproximar de um slasher genérico. Na trama, radialista especializada em contar histórias de terror vê suas palavras sendo materializadas: um maníaco está à solta, matando mulheres para usar o sangue num ritual de ressurreição de outra mulher, como em HELLRAISER, só que tosco.

Há alguns sequências memoráveis do ponto de vista do gore, como a da mulher na banheira, passando no corpo um sabonete com duas giletes. Tem também a cena do maníaco vitimando uma pobre jovem que descansava numa rede. Ele atravessa o seu corpo com uma lança e até que a cena é bem caprichada em mostrar explicitamente os órgãos da vítima saindo. O problema é a falta de dinâmica, de suspense, elementos fundamentais para o sucesso de um filme do gênero. E o pior é que o filme dá sono. Tive que vê-lo "em fascículos".

(Texto escrito na enorme fila do UCI Iguatemi para comprar o ingresso de OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES.)