quinta-feira, janeiro 19, 2017

OS PENETRAS 2 – QUEM DÁ MAIS?























Curioso como há vários filmes brasileiros da safra recente que lidam com a questão da obtenção de dinheiro de maneira fácil ou, pelo menos, de forma não ligada ao trabalho legal. Seja ganhando uma fortuna, como no caso de TÔ RYCA e dos três ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE, seja através de algum crime ou contravenção, como no caso de O ROUBO DA TAÇA e dos dois VAI QUE DÁ CERTO. OS PENETRAS (2012), de Andrucha Waddington, já seguia essa linha, mas trazendo também a figura dos malandros, de gente que quer ganhar dinheiro enganando alguém, em especial pessoas ricas.

Se o primeiro filme já não era tão bom ou mesmo engraçado, pouco se justifica a existência da sequência, OS PENETRAS 2 – QUEM DÁ MAIS? (2017), novamente sob direção de Waddington. Que é um bom diretor para filmes sérios e até consegue fazer um entretenimento interessante e que lembra algumas comédias americanas da Velha Hollywood, ou mesmo filmes brasileiros da época das chanchadas, mas que não consegue arrancar risos. Diferente de TÔ RYCA, nem o Adnet ajudou, mesmo com seu talento reconhecido ao longo dos anos.

Na verdade, a solução que deram para o seu personagem, o grande líder da turma de trapaceiros, chega a ser uma alternativa pouco interessante: ele morre e só aparece como um fantasma visto apenas pelo personagem de Eduardo Sterblitch, que se esforça para ser engraçado com seu personagem meio maluco e que lembra um pouco alguns tipos feitos por Jerry Lewis, mas infelizmente seus gritos e caras e bocas só conseguem, no mínimo, a simpatia da plateia, já que se trata do único personagem de alma pura da história.

Logo no começo do filme, ele é traído pelo amigo (Adnet) e acaba indo para o hospício para se tratar. Sai de lá devido a uma notícia que o perturba e encontra pelo caminho um rapaz que julga ser um bom amigo, vivido por Danton Mello, que seria uma ótima escalação, já que ele está muito bem junto com a turma de VAI QUE DÁ CERTO. Aqui, porém, há o problema de um diretor que não sabe lidar com o timing cômico.

O roteiro até fornece algumas situações que poderiam fazer de OS PENETRAS 2 um filme bem divertido, como a história do casamento gay do protagonista com o milionário russo, mas infelizmente as piadas não funcionam e um elenco bom é desperdiçado, inclusive Mariana Ximenes, que é uma atriz bem versátil e que costuma funcionar bem em comédias. Com outro diretor e com a mesma turma, o resultado poderia ser outro.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

MOZART IN THE JUNGLE – A TERCEIRA TEMPORADA COMPLETA (Mozart in the Jungle – The Complete Third Season)























Às vezes é preciso arriscar, sair da zona de conforto, até para não se repetir, mesmo que isso signifique mexer em time que está ganhando. As duas primeiras temporadas de MOZART IN THE JUNGLE são pequenos bálsamos para nosso espírito. Cada episódio nos enchia de amor por aqueles personagens, em especial Hailey (Lola Kirke) e Rodrigo (Gael García Bernal), que formam uma espécie de casal destinado a ter um filho juntos um dia, segundo leu na borra de café a avó de Rodrigo.

Mas histórias de amor funcionam bem quando esses dois elementos são distanciados. E a série sabe fazer isso muito bem, muito embora a relação dos dois dê uma esfriada até demais na primeira parte dessa terceira temporada (2016), que se passa em Veneza, quando Rodrigo viaja com o objetivo de conduzir uma apresentação de uma famosa soprano que esteve afastada dos palcos por uma série de motivos de ordem psicológica. Essa mulher é Alessandra, vivida por Monica Bellucci.

A escalação de Bellucci não deixou de ser animadora, mas infelizmente isso acaba fazendo mais mal do que bem para a série, já que os episódios ficam frouxos, a personagem da soprano é um tanto quanto caricata e o humor acaba não funcionando em diversos momentos. Alessandra é uma mulher assustadora e Rodrigo está em maus lençóis ao não saber direito o que quer da vida e fazendo promessas de amor que sabe que não vai cumprir. Pelo menos o quinto episódio, que é a despedida dessa fase em Veneza é muito bom, com a participação especial de Plácido Domingo, interpretando ele mesmo. Emocionante.

O retorno de Rodrigo para sua orquestra, que está em greve, nos Estados Unidos, não deixa de ser um alívio, pois a série volta a ser o que era antes. E isso é muito bom, muito embora os episódios demorem um pouco para engrenar. Os produtores e roteiristas até inventam um episódio experimental, uma espécie de mockumentary com a sinfônica tocando em uma penitenciária, mas acaba sendo o episódio mais chato de toda a série.

A terceira temporada também se destacou por mostrar Thomas (Malcolm McDowell), o velho maestro, como um sujeito muito mais simpático e agradável. Acaba entrando para o rol dos queridos da série, junto com Cinthia (a bela Saffron Burrows), que passa por uma situação delicada de saúde nesta temporada, depois de tanto sofrer de dores nos tendões e de temer ter que abandonar o violoncelo.

Os últimos episódios trazem de volta o amor que fez de MOZART IN THE JUNGLE uma das séries mais queridas e menos vistas por um grande púbico dos últimos tempos – eu, pelo menos, não tenho nenhum amigo que a acompanha. Os episódios finais tratam de mostrar a tentativa de Hailey de se tornar uma maestrina, além de dar um novo recomeço para sua vida profissional e sua relação com Rodrigo. Funciona que é uma beleza, mas suspeito que na próxima temporada, se houver, acabarão dando um jeito de tornar as coisas um pouco como eram antes. De todo modo, tendo uma quarta temporada, eu já fico feliz.

domingo, janeiro 15, 2017

BR 716























A comparação que costumam fazer de Domingos Oliveira com Woody Allen mais uma vez ganha força no novo trabalho do cineasta carioca, que com BR 716 (2016) mais uma vez trata com leveza a ciranda de amores na vida protagonista, o aspirante a escritor Felipe (Caio Blat). O personagem começa o filme sofrendo as dores de separação da sua primeira esposa, vivida por Maria Ribeiro, que o traiu justamente com o melhor amigo.

Mas tudo é motivo para riso, embora a dor, saibamos, está lá e somos solidários ao protagonista por isso. Mas é que BR 716 tem um tom de nostalgia que já marca o tom desde o começo a narrativa, ainda em cores, e que nos contagia. Na trama, somos levados à primeira metade dos anos 1960, momentos antes do Golpe de 64, quando o país parecia mais feliz.

Mas embora haja esse pano de fundo político, o que mais importa é a relação que se constrói entre o protagonista e seus inúmeros amigos que frequentam sua casa, que fica na Rua Barata Ribeiro 716, em Copacabana. O lugar é privilegiado e há sempre muitas festas. Felipe não aceita os conselhos do pai em ter um emprego normal para ganhar dinheiro e segue buscando seu sonho de se tornar escritor e roteirista de peças e filmes.

A identificação do personagem com o diretor se estabelece desde o começo, quando na primeira das frases da narração em voice-over que permeia todo o filme, ele conta que não lembra direito dos eventos que vai contar, que tudo está borrado na memória, afinal, estavam todos quase sempre bêbados mesmo. Essa aproximação enfatiza o caráter de filme memorialista, além de ser uma retomada aos primeiros trabalhos do diretor, TODAS AS MULHERES DO MUNDO (1966) e EDU, CORAÇÃO DE OURO (1968), sendo considerado o fecho de uma trilogia.

Três mulheres dão o tom de uma vida levada pelas paixões. Seja a já citada ex-mulher, a nova e sedutora moça aspirante a atriz que ele conhece em uma das várias festas em seu apartamento (Sophie Charlotte, ótima) e outra moça que ele conhece também em uma das festas e que representa algo de estranho para alguém que mora em um bairro privilegiado do Rio de Janeiro. As perdas e os recomeços desses amores são mostrados com uma visão de quem é velho o suficiente para encarar com saudade, serenidade e amor as pessoas que fizeram parte daquele momento tão especial.

Há uma cena especialmente mágica, que é quando Felipe acorda rodeado pelos seus melhores amigos e quer dar um beijo em cada um deles. Essa cena sintetiza o sentimento desse filme que transborda amor.

sábado, janeiro 14, 2017

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land)























Quem não se deixou levar pelo encanto ao ver o primeiro trailer de LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (2016)? As imagens são de encher os olhos e a delicadeza com que vendem "City of Stars", cantada pelo próprio Ryan Gosling, parece um indicador de que estamos/estaremos diante de um novo clássico. E é possível que o novo filme de Damien Chazelle seja. O tempo dirá. O que temos, por enquanto, é um belo trabalho que homenageia os clássicos musicais produzidos por Hollywood entre os anos 1930 a 60.

E um dos méritos do filme é não apontar de maneira tão óbvia as referências a esses clássicos, embora, quem tenha visto filmes como CANTANDO NA CHUVA, A RODA DA FORTUNA e AMOR, SUBLIME AMOR vá reconhecer as homenagens. É também o terceiro filme de Chazelle, de uma carreira de apenas longas-metragens na direção (sendo o primeiro um tanto obscuro), que trazem o jazz como tema. Ou como um dos temas, na verdade.

Se WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (2014) é sobre obsessão, em LA LA LAND a obsessão até move os personagens, tanto a aspirante a atriz vivida por Emma Stone, quanto o pianista/tecladista vivido por Ryan Gosling. Ambos estão em começo de carreira e têm sonhos de se tornarem importantes fazendo o que amam. Chegar ao primeiro time de Hollywood não é fácil, assim como também não é fácil conseguir viver e ser bem-sucedido com o jazz, um gênero musical cada vez mais fechado e admirado por poucos.

Mas não é a obsessão o tema dominante de LA LA LAND. O que vemos aqui é, principalmente, uma história de amor. Uma história de amor que peca um pouco por deixar com que o cinismo contamine um pouco a pureza do sentimento que poderia ser explorado de maneira mais apaixonada (ou sutil, mas amorosa). A história também não ajuda, já que há poucos momentos de tensão na relação do casal – o foco na carreira pesa um bocado. Além do mais, Ryan Gosling tem uma persona que não combina com a figura de um quase loser. Ele é muito cool, muito seguro de si. Quase como se ele tivesse saído de uma filmagem de DRIVE, de Nicolas Winding Refn.

Curiosamente, há uma cena que se passa no planetário do Observatório Griffith que acaba lembrando outra cena em um planetário também estrelado por Emma Stone: a do subestimado e belo MAGIA AO LUAR, de Woody Allen. Lembremos que o casal do filme de Allen, nesta cena, está em um impressionante momento de tensão de sua paixão ainda não assumida. Quanto a cena do planetário de LA LA LAND, é lá que acontece uma das cenas mais bonitas, visualmente falando, mas que passa uma sensação de que a intenção não chega ao resultado arrebatador que quer causar, com o casal levitando.

Se pensarmos na famosa cena do parque de A ROSA DA FORTUNA, de Vincente Minnelli, não é preciso que o casal, enquanto dança, levite, literalmente. A música e a leveza dos corpos de Fred Astaire e Cyd Charise passam esse sentimento e nos arrebata. Mas claro que não é nada bom ficar fazendo esse tipo de comparação com clássicos já estabelecidos. Um filme novo acabou de vir ao mundo e ainda está sendo avaliado e deve ser revisto com o devido carinho, principalmente se a carreira de Chazelle se encaminhar para outro filme tão bom quanto este e principalmente quanto WHIPLASH.

Curiosamente, LA LA LAND não é um filme com tantos números musicais. Eles são até escassos se pensarmos na duração de pouco mais de duas horas. Mas as canções poderiam ser mais grudentas e apaixonantes, embora possam melhorar numa revisão, como é natural acontecer com canções, em geral. Nesse sentido, não dá para reclamar, porém, das cenas de dança. Emma Stone dançando com suas duas colegas. A cena inicial dos carros parados. Stone e Gosling no parque. Essa cena, em especial, tem um movimento de câmera belíssimo. E o filme não apela para a montagem e close-ups como fez CHICAGO para atrapalhar. Assim é possível apreciar a dança dos amantes sob o fundo sempre belo.

Justamente pelo capricho visual, trata-se de um filme que pede para ser visto em uma sala que dispõe de uma ótima projeção, para que se possa apreciar devidamente a fotografia de cores vivas e a direção de arte e figurinos belamente anacrônicos, bem como um sistema de som que reverbere por toda a sala e faça com que as intenções de Chazelle cheguem ao espectador sem ruídos de comunicação.

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES foi recordista de prêmios no Globo de Ouro, vencendo em todas as categorias em que foi indicado: filme, direção, roteiro, ator, atriz, trilha sonora e canção ("City of Stars").

sexta-feira, janeiro 13, 2017

SIERANEVADA























Um privilégio poder ver SIERANEVADA (2016) no cinema. Em casa certamente o impacto e o prazer misturado com o incômodo não seriam os mesmos. E o engraçado é que este quinto longa-metragem de Cristi Puiu, mais conhecido por A MORTE DO SR. LAZARESCU (2005), promove uma série de sentimentos contraditórios em nossa relação com ele. Se por um lado, é incômodo ficar posicionado no meio de um corredor de uma casa com portas que se fecham e abrem de um lado e de outro, é ao mesmo tempo fascinante poder ir desvendando e conhecendo aquelas pessoas estranhas.

Assim, uma vez que entendemos o jogo de Puiu, cresce então uma relação de prazer com o filme, a ponto de ficarmos sorrindo ao olhar para a tela, durante situações não muito confortáveis, como a citada acima. A câmera fica no corredor, coisas acontecem em diversas partes da casa e o espectador fica um tanto perdido e se perguntando o que está acontecendo.

A câmera estilo voyeur, se não nos coloca muitas vezes em uma posição privilegiada, acaba fornecendo uma forma em que o objeto mostrado é muito mais interessante do que se acompanhássemos tudo da maneira mais tradicional, com plano geral de apresentação do espaço, seguido de planos de pessoas mais de perto e depois com uso de close-ups e campo e contracampo. É o padrão usado nas telenovelas e na maior parte dos filmes americanos.

Como cinema de gente grande que é, SIERANEVADA também promove discussões políticas ao mesmo tempo acaloradas e muito espirituosas no modo como elas são tratadas, como é o caso das opiniões contundentes do rapaz que duvida da versão oficial do ataque às Torres Gêmeas no 11 de setembro, ou da velhinha comunista, que, como boa ativista, ainda acredita que o velho sistema político adotado na Romênia na época da Guerra Fria era muito bom, sim senhor. No meio do debate, há aqueles que ficam em cima do muro ou estão abertos a novos pontos de vista, contanto que baseados em algo sólido.

Mas o que mais é enfatizado no filme é mesmo o jogo de relações humanas que se promove naquele espaço, uma casa cheia de familiares prontos para o aniversário de morte do patriarca e um padre ortodoxo que demora tanto a chegar que faz o filme parecer uma versão atualizada de O ANJO EXTERMINADOR, de Luis Buñuel. E essa demora do padre acaba gerando desgastes na família, que vem passando por situações bem complicadas. O atrito cresce ainda mais com a chegada de um dos homens da família, que acaba não sendo bem recebido por ter aprontado com a esposa e ter mexido com seus sentimentos.

Na verdade, não acontece nada de anormal no retrato de família que é mostrado em SIERANEVADA. As discussões são muito comuns, tornando-se tão universais que até parece que estão filmando a nós mesmos, passando uma sensação de verdade escancarada para o espectador. E isso Puiu consegue através do seu realismo às vezes incômodo e de sua câmera que sabe muito bem quando se afastar e quando se posicionar bem próximo dos personagens. O fato de ter quase três horas de duração também contribui muito para deixar o espectador um tanto incomodado. Mas é tão bom quando topamos com esse tipo de incômodo, que só temos a agradecer.

quinta-feira, janeiro 12, 2017

ASSASSIN'S CREED























Ao que parece a maldição dos péssimos filmes baseados em games não terminará tão cedo. Claro que há algumas exceções, e aí sempre lembramos do ótimo TERROR EM SILENT HILL, de Christophe Gans. Há outros bons também, mas são poucos e talvez nem mereçam a citação. De todo modo, a culpa nem é dessa tal maldição, mas da falta de criatividade em aproveitarem o que há de mais interessante no jogo e criarem uma história suficientemente boa.

Aliás, é possível um filme sobreviver e ser muito bom sem ter uma história boa também. Mas como isso é tarefa para alguns diretores muito especiais, é bom que haja um roteiro bem trabalhado. No caso, o que houve aqui foi um excesso de confiança no trabalho do colega. O produtor e ator Michael Fassbender convida o diretor de MACBETH – AMBIÇÃO E GUERRA (2015), Justin Kurzel, para dirigir o filme e também a sua colega de mesmo filme, Marion Cotillard, que topa fazer um novo trabalho com os dois, já que a adaptação da tragédia de Shakespeare foi bem aceita por público e crítica.

Sem querer entrar muito na questão da adaptação da peça Macbeth por Kurzel, mas há ali já um texto poderoso e atores competentes, o que é meio caminho andado para um bom efeito. Claro que houve boas escolhas do diretor para um resultado final, mas nada de excepcional, na verdade. O que acontece em ASSASSIN’S CREED (2016) é algo que, ou mostra que o diretor é uma farsa, ou o australiano precisará de algo muito bom para reconquistar o respeito de público, crítico e indústria.

ASSASSIN’S CREED é desses filmes que não enganam nem mesmo no início. Em 10 minutos, você já quer ir embora. Quem é fã dos jogos também não tem gostado, mas talvez encontre ali algum interesse, por causa da familiaridade e da vontade de gostar. Mas como um filme é um objeto independente, ele deve ser visto e analisado como algo singular, não importando sua origem. Pouco importa, no caso, se ele é adaptação de um game.

Ainda assim, o trabalho de Kurzel é o típico filme de jogo, no sentido de que há uma missão a ser cumprida e alguns perigos pela frente. Até aí não chega exatamente a ser um problema se lembrarmos de certos filmes de guerra do passado, que também mostra homens em uma missão, mas ali o componente humano era valorizado. O que vemos aqui é um protagonista sem alma (Fassbender) que descobre que tem como ancestral um homem que trabalhou como um dos assassinos de membros dos Templários. O protagonista é um homem condenado à morte que faz parte de um projeto ultrassecreto que liga seu cérebro ao de seu antepassado para que ele consiga algo.

Uma vez que pouco importa aquilo que ele deve fazer, esse mcGuffin não funciona em nenhum momento, pois o que importa nesses casos é o que o diretor consegue extrair das situações, como momentos de suspense, sensação de perigo etc. Mas, como sentir perigo se não há um componente humano bem elaborado? Além do mais, em nenhum momento nos sentimos na Espanha, apenas em um cenário artificial criado por pessoas pouco habilidosas na computação gráfica, o que dificulta ainda mais a suspensão de descrença, tão necessária para uma imersão razoável em um filme que tenha ao menos a intenção de entreter. E no caso de ASSASSIN’S CREED o entretenimento chega próximo de zero.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

GLOBO DE OURO 2017





















Foi uma festa e tanto. Começou um pouco desanimadora, pois a expectativa era de que o anfitrião, o querido e simpático Jimmy Fallon, ficasse mais à vontade, fosse mais divertido. Enfim, acabou sendo um pouco complicado no que se refere ao humor, inclusive porque outros artistas também tentaram fazer humor e resultaram em fracasso. Até que entraram Steve Carell e Kristen Wiig para apresentar os vencedores da categoria "animação". Foi muito bom. Perfeito. Um dos pontos altos da noite. Que do ponto de vista mais sério ainda ia render muito.

Sendo sintético, o que houve de melhor nesta edição do Globo de Ouro foi, primeiramente, a premiação de Sarah Paulson, por seu espetacular desempenho em THE PEOPLE V. O.J. SIMPSON – AMERICAN CRIME STORY. Foi o primeiro prêmio a me deixar feliz numa noite que parecia apenas ok. Mas as coisas iriam melhorar muito ainda. A noite só estava começando. Pois ainda teve um discurso lindo da Viola Davis para homenagear a Meryl Streep que foi de arrepiar. E a Meryl ainda entra lá e mete o pau no Donald Trump e encoraja os jornalistas a contar tudo.

Os outros dois grandes motivos de alegria da festa foram as premiações para ELLE, de Paul Verhoeven, com o cineasta holandês pisando em território americano depois de tanto tempo afastado, e, principalmente, a vitória de Isabelle Huppert por sua performance monstruosa no filme. Isso fechou com chave de ouro a noite.

A premiação deste ano também será lembrada pelo recorde de premiações de um único filme. No caso, LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES ganhou em todas as indicações. Sete, no total. Incluindo melhor filme (comédia ou musical), melhor diretor, melhor ator (comédia ou musical) e melhor atriz (comédia ou musical). Foi bonito de ver. Restou pouco para os demais concorrentes. MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR ganhou melhor filme (drama).

Nas categorias de televisão as séries que mais chamaram a atenção foram THE NIGHT MANAGER, que ganhou três prêmios, ATLANTA e THE CROWN. Além, claro, de THE PEOPLE V. O.J. SIMPSON – AMERICAN CRIME STORY, mas essa já se esperava ser um sucesso. Acabou perdendo em algumas categorias, na verdade.

No mais, teve um desfile de mulheres lindas que foi de deixar o coração apertado. Brie Larson, Jessica Chastain, Emma Stone, Mandy Moore, Kristen Wiig, Amy Adams, Hailee Steinfeld, Naomi Harris, Amanda Peet, Zoe Saldana, Saffron Burrows, Gal Gadot, Sophie Turner, Lola Kirke. Que beleza...

Pra não dizer que só falei de flores, um ponto negativo da cerimônia foi terem perdido a chance de premiarem Hugh Grant. Mas tudo bem. Pelo menos ele estava lá e espero que volte a atuar com mais frequência.  





















Prêmios da noite:

Cinema 

Melhor Filme (Drama): MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR
Melhor Filme (Comédia/Musical): LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES
Melhor Direção: Damien Chazelle (LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES)
Melhor Ator (Drama): Casey Affleck (MANCHESTER À BEIRA-MAR)
Melhor Ator (Comédia/Musical): Ryan Gosling (LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES)
Melhor Atriz (Drama): Isabelle Huppert (ELLE)
Melhor Atriz (Comédia/Musical): Emma Stone (LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES)
Melhor Ator Coadjuvante: Aaron Taylor-Johnson (ANIMAIS NOTURNOS)
Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (CERCAS)
Melhor Roteiro: Damien Chazelle (LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES)
Melhor Trilha Sonora: LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES
Melhor Canção Original: "City of Stars" (LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES)
Melhor Animação: ZOOTOPIA
Melhor Filme Estrangeiro: ELLE (França)

Televisão

Melhor Série (Drama): THE CROWN
Melhor Série (Comédia/Musical): ATLANTA
Melhor Minissérie ou Telefilme: THE PEOPLE V. O.J. SIMPSON – AMERICAN CRIME STORY
Melhor Ator de Série (Drama): Billy Bob Thornton (GOLIATH)
Melhor Ator de Série (Comédia): Donald Glover (ATLANTA)
Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme: Tom Hiddleston (THE NIGHT MANAGER)
Melhor Atriz de Série (Drama): Claire Foy (THE CROWN)
Melhor Atriz de Série (Comédia): Tracee Ellis Ross (BLACK-ISH)
Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme: Sarah Paulson (THE PEOPLE V. O.J. SIMPSON – AMERICAN CRIME STORY)
Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Hugh Laurie (THE NIGHT MANAGER)
Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Olivia Colman (THE NIGHT MANAGER)