sexta-feira, março 22, 2019

MALIGNO (The Prodigy)

Os filmes de horror que têm chegado ao nosso circuito não têm passado exatamente por uma curadoria, por assim dizer. As distribuidoras em geral querem apenas jogar o produto para os fãs que costumam prestigiar o gênero, por pior que seja o material. Isso, com o tempo, acaba gerando uma falta de interesse até pelos próprios fãs, que se vêem entristecidos pela falta de qualidade dos filmes que chegam, dando até a impressão de que não há mais bons exemplares atualmente. O que depois se confirma como uma mentira, quando vemos várias listas de filmes do gênero e muitos dos melhores não têm a chance de chegar ao nosso circuito, e muitas vezes nem mesmo aos serviços de streaming.

Felizmente, MALIGNO (2019), do cineasta americano Nicholas McCarthy, é dessas gratas surpresas que encontramos. Um filme que funciona sem necessariamente procurar ser inovador ou algo do tipo. Ao contrário, ao acompanhar a história do garoto Miles sentimos até um sentimento de familiaridade com os filmes de horror produzidos nas décadas de 1960 a 1980. O enredo em si traz elementos que lembram filmes tão distintos quanto BRINQUEDO ASSASSINO e A ÓRFÃ.

Na trama, Taylor Schilling (da série ORANGE IS THE NEW BLACK) é Sarah Blume, uma jovem mulher que dá à luz uma criança que aos poucos vai se revelando um prodígio: com poucos meses já começa a falar e logo cedo é enviado para uma escola de crianças superdotadas. Mas há algo de errado com o pequeno Miles (Jackson Robert Scott, de IT - A COISA): aos poucos ele passa a manifestar uma maldade pouco comum até para crianças perversas de sua idade.

Um dos méritos do filme é conseguir criar uma atmosfera de terror e medo crescente. Uma vez que se descobre que o corpo do garoto está coabitado pelo espírito de um homem muito perigoso, e experienciamos momentos de puro medo em certas cenas envolvendo imagens do tal homem, rapidamente nos vemos envolvidos pelo drama daquela mãe. O pai também é importante para a trama, mas ele a princípio não acredita na teoria de que o espírito do garoto está duelando com o espírito do psicopata.

Soltando alguns alguns spoilers aqui: o que dizer da cena em que Sarah está sozinha na cama e o pequeno Miles pede para dormir com ela? De arrepiar! E a cena da hipnose, da batalha entre o garoto e o homem que descobriu seu segredo? E a ida de Sarah até a casa da última vítima do assassino serial? São apenas algumas, mas talvez as mais marcantes desse filme tão bem conduzido e tão envolvente que é uma pena que não esteja recebendo o devido mérito.

Quem sabe no futuro MALIGNO seja lembrado como uma das melhores obras do gênero de nosso tempo. Mas isso só o futuro irá dizer. No mais, não custa dar uma espiada nos longas anteriores de McCarthy: PESADELOS DO PASSADO (2012) e NA PORTA DO DIABO (2014).

+ TRÊS FILMES

NÃO OLHE (Look Away)

É um filme que se beneficiaria de um olhar mais crítico do próprio realizador para aproveitar melhor as boas ideias e não tropeçar no andamento. O que poderia ser um filme bem eficiente sobre a insegurança de uma adolescente, acaba ganhando contornos meio bobos quando se assume como filme de terror teen. Isso, depois de ganhar uma audiência de filmes menos convencionais, por causa de seu andamento mais lento e da elegância dos planos. Aí põe tudo a perder no final. Há uma cena de sexo que poderia ser ótima se o filme não insistisse em mostrar a personagem alterada como uma vilã qualquer com o uso de uma música de mistério. Se deixassem um tom mais dúbio seria tão melhor. Há também momentos em que os excessos nos distanciam do filme, como as maldades de um garoto da escola em relação à protagonista. Direção: Assaf Bernstein. Ano: 2018.

A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2 (Happy Death Day 2U)

Com essa onda de reciclagens de FEITIÇO DO TEMPO (a última foi a série BONECA RUSSA), perde até a graça ver essas novas produções que brincam com esse negócio de reviver o mesmo dia. A diferença deste aqui em relação ao primeiro é que agora entra a noção de multiverso, como em DE VOLTA PARA O FUTURO - PARTE II. Alguns momentos engraçados e divertidos, mas, no geral, bem sem-graça. E a parte dramática, não sei se chega a comover alguém da audiência. Direção: Christopher Landon. Ano: 2019.

A MALDIÇÃO DA FREIRA (The Devil's Doorway)

O problema nem é os filmes de found footage já estarem fora de moda e terem se esgotado nas ideias. O problema é que mesmo se fosse novidade esse recurso, este A MALDIÇÃO DA FREIRA não tinha ser como ser considerado ao menos razoável. E que idiotice colocar trilha sonora em material supostamente encontrado nos anos 60? O filme piora ainda mais quando se aproxima do final, quando já não ligamos mais em saber as origens das estátuas chorando sangue ou coisa do tipo. Direção: Aislinn Clarke. Ano: 2018.

quinta-feira, março 21, 2019

15 CURTAS BRASILEIROS

O ÁTOMO BRINCALHÃO

Confesso que tenho dificuldade de falar sobre obras assim mais experimentais, que não tem exatamente um fio de narrativa ou algo próximo disso. No caso, o que conta mais para mim é a história do curta. O diretor desenhou no intervalo de três anos este curta de quatro minutos nos próprios fotogramas. Acredito que numa revisão abstrações possam vir à mente. Direção: Roberto Miller. Ano: 1964.

AMOR SÓ DE MÃE

Na revisão, AMOR SÓ DE MÃE se mostrou ainda mais intenso e perturbador. Talvez por ver em uma televisão maior, mas diria que é mérito do filme mesmo, que se mantém forte passados alguns anos de sua realização. Na trama, homem é desafiado por uma prostituta a deixar sua mãe e ir embora com ela do povoado. Acontece que as coisas são muito mais mórbidas e macabras do que isso. As cenas de possessão são impressionantes. Um dos melhores filmes de terror já feitos no Brasil. Direção: Dennison Ramalho. Ano: 2003.

À MEIA NOITE COM GLAUBER ROCHA

Filme de colagem com a intenção de homenagear poeticamente não apenas Glauber Rocha, mas também Hélio Oiticica, Torquato Neto e outros. Cenas não apenas do Cinema Novo e dos filmes de Glauber especificamente, mas também do cinema marginal, do tropicalismo e até de obras estrangeiras. Há falas de Glauber tomando para si a fundação do Cinema Novo e elevando o cinema como a mais importante das artes. Em outro momento, ele lamenta a pobreza cultural brasileira. Direção: Ivan Cardoso. Ano: 1997.

ALMA NO OLHO

Ao mesmo tempo que se mostra uma louvação do corpo e do espírito do negro, também traz a questão da chegada no negro à cultura ocidental e no quanto isso pode representar uma volta às correntes do tempo da escravidão. Parece mais uma performance de teatro, mas, por outro lado, em um teatro não seria possível haver os cortes que no cinema tem das imagens, tanto dos closes quanto das mudanças de figurino. A música-tema é de Coltrane, homenageado explicitamente no início do filme, embora as batidas sejam bem brasileiras. Direção: Zózimo Bulbul. Ano: 1974.

AMOR!

Já tinha visto esse curta na TV (ou em VHS, talvez). Acho que talvez tenha envelhecido um pouco. Na época me parecia mais esperto, mais ácido e mais engraçado. Mas ainda é bem divertido. E as mudanças de narrações, da voz do Paulo José para a do Pereio, funcionam que é uma beleza. Até podia dizer que é um filme sem esperança, se o próprio filme parecesse se levar a sério. Acho que não é o caso. Direção: José Roberto Torero. Ano: 1994.

ANIMANDO

Teria curtido mais se fosse de menor duração. É um trabalho admirável de brincar de Deus com um pequeno boneco usando inteligentemente os recursos da animação. Dar um pouco de consciência para sua criação é o melhor momento do filme, quando o boneco se rebela com as cores/roupas que lhe são dadas/pintadas. Direção: Marcos Magalhães. Ano: 1987.

UM APÓLOGO

Um dos mais famosos contos de Machado de Assis (até as crianças o conhecem), Um Apólogo ganha uma simpática adaptação para o cinema por um de nosso pioneiros mestres. O filme tem um sabor de tesouro arqueológico pela época em que foi realizado e por parecer velho mesmo, mas justamente por isso que ganha força e até os efeitos especiais parecem muito bons. O começo, falando sobre Machado de Assis e um pouco de sua obra, dá um ar de curta-metragem feito para alguma televisão educativa governamental, embora na época ainda não existisse televisão. Direção: Humberto Mauro. Ano: 1939.

ARRAIAL DO CABO

O que mais me chamou a atenção neste curta de Saraceni e Carneiro foi o quanto as imagens mostradas na tela parecem distantes das de hoje, de nossa realidade. Talvez pelo fato de terem pegado uma humilde vila de pescadores. Aí passa-se a impressão de que um cinema feito no começo dos anos 60 parece mais primitivo do que os trabalhos de Humberto Mauro dos anos 30. O bom é que a narrativa é dispensada rapidamente e as imagens se detêm nos pescadores, muitas vezes flagrados contra a luz do sol. A música ajuda a dar um ar mais lírico. Ainda assim me incomodou o meu distanciamento a uma obra tão incensada e importante dentro da história do cinema brasileiro. Direção: Mario Carneiro e Paulo Cezar Saraceni. Ano: 1960.

ARUANDA

Uma espécie de pai de VIDAS SECAS, de Nelson Pereira dos Santos, ARUANDA é pioneiro em mostrar o povo preto e pobre do sertão nordestino, do jeito que eles são de fato. E não deixa de ser impressionante para nós, criados em cidade grande, ver o modo de vida e de sobrevivência de quem tem que se virar com o que tem, ou seja, o barro, a água barrenta e os galhos secos para fazerem tanto os potes quanto a própria casa. Uma longa jornada da escravidão até a vida de pequenos proprietários de terra na sertão. Direção: Linduarte Noronha. Ano: 1960.

DIVERSÕES SOLITÁRIAS

O ponto de vista de uma pessoa que se diverte na solidão, embora aparentemente muito feliz com seu walkman, passeando nas ruas e ouvindo um bom rock. A cidade de São Paulo é um personagem na história que praticamente só conta com um protagonista e umas duas coadjuvantes que o abordam em dois momentos distintos. Há uma espécie de crítica àqueles que condenam os que consomem cultura pop estrangeira. Direção: Wilson Barros. Ano: 1983.

A PASSAGEM DO COMETA

Cada novo filme de Juliana Rojas é uma alegria, pois todos os seus trabalhos são no mínimo ótimos. Agora, então, que já tem longas premiados e devidamente louvados, está no domínio ainda maior de seu trabalho. Aqui ela conta a história de uma jovem que vai fazer um aborto na época em que o cometa Haley está passando. É gostoso de ver e um tanto enigmático. Ano: 2017. (foto)

NOTURNO

Não me sinto apto para analisar animações mais abstratas e que principalmente foram produzidas em uma outra época, em que esse tipo de produção era mais raro no Brasil, era um feito de fato heroico. Este pequeno e belo curta de Aída Queiroz se encaixa nesse quesito. O filme ficou na posição de número 57 da lista das melhores animações segundo a Abraccine. Ano: 1986.

O PROJETO DO MEU PAI

Que desenho lindo! Encanta já desde o começo, quando a diretora/narradora conta sobre como era sua família quando ela era pequena e como ela os desenhava, com os tradicionais bonecos-palito. A questão da ausência do pai dói um pouco no tom agridoce do filme e se torna ainda mais forte nas emoções quando a narradora-personagem reencontra o pai quando adulta. De dar uma leve dor no peito. Direção: Rosaria. Ano: 2016.

O VIOLEIRO FANTASMA

Um filme que mistura elementos da cultura nordestina, como o cantador de repente, com coisas da cultura mexicana, como o culto aos mortos, e até a coisas relativas à cultura japonesa (pelo que eu entendi ou remeti), nas cenas em que o filme ganha ares de sonho, com cabeças voadoras e coisas parecidas. Só faltou eu me conectar mais com o trabalho, mesmo gostando muito do visual, das cores etc. Direção: Wesley Rodrigues. Ano: 2017.

MENINA DA CHUVA

Outra belezura de trabalho de Rosaria, que dessa vez trata da solidão através do drama de uma garotinha de cor roxa que não encontra inclusão entre as meninas da sua idade nem entre os adultos. Quem tem uma relação mais forte com a solidão é fácil entrar em sintonia tanto com o filme quanto com a personagem, no sentido de que é possível trafegar por momentos de tristeza e por outros de satisfação, mesmo sozinha, como na bela cena da chuva. Há também uma valorização da visualização da vida cotidiana como elemento de graça para a vida a sós. Ano: 2010.

terça-feira, março 19, 2019

A MENINA DO LADO

Um dos filmes marcantes do início de minha cinefilia foi este A MENINA DO LADO (1987), de Alberto Salvá (embora só tenha visto na televisão). Hoje eu vejo que nem é a grande história de amor contada pelo diretor catalão naturalizado brasileiro. Sua obra-prima e seu filme-testamento, NA CARNE E NA ALMA (2012), tem muito mais impacto emocional, embora seja quase invisível para o grande público. Já A MENINA DO LADO, por outro lado, até por causa das polêmicas na época (se fossem nos dias de hoje o diretor seria apedrejado), ganhou uma fama enorme.

Vencedor de dois prêmios em Gramado, um para Reginaldo Faria e outro para a jovem atriz revelação Flávia Monteiro, o filme conta a história de amor entre uma adolescente que passa uns dias em uma casa de praia sozinha e um jornalista, um homem de meia-idade, que também passava os dias sozinho na casa ao lado, a fim de escrever um livro. A MENINA DO LADO trata de mostrar muito bem os contrastes entre a energia e o modo de ver a vida dos dois personagens.

Como se trata de um filme sem voice over, complementamos a interpretação de Faria com nosso próprio modo de ver aquela jovem doce que age com tanta naturalidade que parece impossível não se encantar, mesmo que de modo distante, ainda mais diante do aspecto proibido da relação. Assim, o personagem de Faria não é pintado como um tarado ou algo do tipo. Ao contrário, o sentimento que ele cria pela garota é de fato uma paixão intensa, paixão que pode ser muito bem compartilhada pelo espectador, causando alguma idenfiticação.

Em entrevista para o site Devo Tudo ao Cinema, a amiga e companheira de Salvá, Olga Pereira Costa, conta que o processo criativo do diretor era muito de cortar e colar experiências da vida dele e de seus amigos. Ele era um sujeito muito observador e a vida era a principal fonte de inspiração para a criação dessas obras. No caso de A MENINA DO LADO, trata-se da adaptação do conto "Alice", de sua própria autoria, que o cineasta escreveu para a revista Status, para a seção Contos Eróticos. O conto foi premiado, e ele resolveu transformar em roteiro e filme.

Flávia Monteiro nunca tinha feito cinema na vida e foi escolhida logo no teste, que consistia apenas em passar batom em frente ao espelho. Assim que a viu, Salvá logo disse para a equipe: "temos a nossa Alice!". E de fato Flávia se materializou em Alice. O conto, não sei se é fácil de conseguir ver, mas creio que se pegarmos para ler, o rosto da jovem atriz aparecerá facilmente em nossa mente. Uma pena que o diretor passou tanto tempo para realizar o seu longa-metragem seguinte, justamente o seu último.

+ TRÊS FILMES

FULANINHA

Delícia de filme do David Neves, grande cronista da vida no Rio de Janeiro. Aqui achei que o filme ia caminhar pela obsessão do personagem de Marzo pela ninfeta, que é realmente linda, mas FULANINHA acaba seguindo por outros caminhos e também enriquecendo sua fauna de personagens interessantes e simpáticos. A moça que faz a personagem-título, Mariana de Moraes, bem que podia ter feito mais sucesso. Um achado de linda. Ela tinha 17 anos na época do filme, mas sua personagem tem 14. Pela idade, não sei se cenas de nudez são proibidas hoje no ECA, ou apenas se houver algo mais apimentado. Se for proibido, é bem possível que este filme nunca ganhe uma cópia remasterizada. Ano: 1986.

RIO BABILÔNIA

Vi a famosa cópia sem cortes de RIO BABILÔNIA. Ao que parece passou nos cinemas com cortes e também quando exibida na TV paga. De ousadia temos membros masculinos eretos e em uma cena dá impressão de que houve penetração (logo na cena com a Denise Dumont!). O filme parece sofrer de uma falta de lugar para ir, mas há vários momentos muito bons e às vezes dá para rir das festas de suruba. Ainda assim, acho que a cena mais bonita plasticamente é a com a Christiane Torloni em cena de sexo suave com o Joel Barcelos. No mais, não deixa de ser curioso ver Jardel Filho no meio de tanta putaria. Mas é uma putaria que não chega a excitar mais, acredito eu. Não como nos melhores filmes da Boca do Lixo, por exemplo. Mas o cinema carioca tinha as suas vantagens, como encher o elenco de atores famosos e ter um trabalho de som muito melhor. Um luxo. Direção: Neville d'Almeida. Ano: 1982.

KARINA, OBJETO DE PRAZER

No mesmo ano da obra-prima TCHAU AMOR (1982), Jean Garrett fez esta outra parceria com a atriz Angelina Muniz. Aí é um drama muito mais carregado de erotismo, desses de dar gosto mesmo. A cena de Karina fazendo sexo com o sujeito que ela conhece no cassino é uma das melhores que eu já vi no cinema brasileiro. Aliás, o filme já começa com um caprichadíssimo striptease da protagonista. Mas pra não dizer que o filme é machista, a trama e a moral da história é justamente o contrário: Garrett fez um belo drama feminista. Ano: 1982.

quinta-feira, março 07, 2019

CAPITÃ MARVEL (Captain Marvel)

Curioso como, mesmo tendo uma longevidade e um vigor tão grandes, a Marvel ainda não tinha uma heroína solo que rivalizasse com a Mulher Maravilha, da DC Comics. Isso levando em consideração tanto a popularidade quanto o poderio da personagem. Tanto que muitos cobravam um filme-solo de uma heroína feminina, que poderia muito bem ser da Viúva Negra, já que era uma personagem já apresentada e muito interessante. No entanto, os pensadores do Universo Cinematográfico Marvel sabem o que fazem e precisavam de alguém que fizesse um link com as histórias épicas e estelares que culminariam em VINGADORES - ULTIMATO, o filme que fechará a terceira e mais bem-sucedida fase do estúdio.

Daí tirar da manga Carol Danvers, personagem que ganhou força novamente nos anos 2000, graças à sua importância nas populares histórias dos Vingadores escritas por Brian Michael Bendis. Isso, ainda sob o nome de Miss Marvel. No entanto, por mais que fosse uma personagem querida pelo roteirista e por muitos leitores, Miss Marvel ainda não tinha uma base sólida, uma história que a tornasse tão humana quanto os melhores e mais populares heróis da Marvel. A chamada "Casa das Ideias", inclusive, se caracteriza justamente por dar esse trato mais humano a seus heróis.

A personagem passou por uma mudança drástica em 2012, quando passou a adotar a alcunha de Capitã Marvel e deixar de lado o maiô sexy e usar uma vestimenta mais compatível com os dias atuais, de menor objetificação do corpo feminino nas HQs. Assim, mesmo forçando um pouco a barra, os estúdios Marvel trazem a heroína para o universo já estabelecido e justo para um momento anterior a quase tudo que foi mostrado até então, já que a trama se passa nos anos 1990. Aliás, quem curte a década, vai se deliciar não apenas com as canções que aparecem no filme, mas também com imagens queridas daqueles anos, como a capa de Mellon Collie and the Infinite Sadness, álbum dos Smashing Pumpkins, ou um cartaz de TRUE LIES, de James Cameron.

Para quem é fã dos quadrinhos há uma boa quantidade de personagens conhecidos em CAPITÃ MARVEL (2019), a começar pelos skrulls, a raça transmorfa verde e de queixo enrugado que costuma aparecer com mais frequência nas histórias dos Vingadores. Dos personagens já estabelecidos, apenas Nick Fury (Samuel L. Jackson) surge, ainda sem o tapa-olho, e o jovem Agente Coulson (Clark Gregg), ambos da S.H.I.E.L.D. Eles surgem quando a Capitã Marvel (Brie Larson), então chamada pela raça kree de Vers, cai no planeta Terra, dentro de uma videolocadora. A bela loira estava naquele lugar estranho também para descobrir muito de si mesma, já que havia memórias intensas, mas bastante confusas, de uma vida naquele mundo de tecnologia inferior.

Embora o filme dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck (de SE ENLOUQUECER, NÃO SE APAIXONE, 2010) tropece quando parte para a ação (que parece não ser a praia dos diretores), não estamos diante de um filme aborrecido. Talvez justamente por suas falhas e por conter elementos novos (como o gato alienígena, por exemplo), CAPITÃ MARVEL mantém o interesse. Até porque, em determinados momentos, a produção remete a ficções científicas dos tempos em que o gênero era sinônimo de filmes camp de baixo orçamento, principalmente nas cenas em que Jude Law aparece, seja no início, seja perto do final.

Em comparação com vários outros filmes do universo Marvel, CAPITÃ MARVEL é um dos mais modestos em se tratando de elenco estelar. Até porque a intenção aqui é preparar terreno para a conclusão do épico dos Vingadores e introduzir a personagem na próxima aventura. Por mais que ainda seja uma heroína com pouca personalidade (não se sabe quase nada sobre quem ela foi, na verdade), o filme trata de fazê-la brilhar o suficiente para mostrar que Brie Larson tem mais carisma do que se dizia dela, além de ter sido uma bela escolha para vestir o manto da heroína mais poderosa da Casa das Ideias. Que venha novamente Thanos e os Vingadores.

+ TRÊS FILMES

ANIMAIS FANTÁSTICOS - OS CRIMES DE GRINDELWALD (Fantastic Beasts - The Crimes of Grindelwald)

Que filme chato! Claro que quem se envolve com o universo de Harry Potter vai achar interessante. Ou não. O fato é que em nenhum momento me envolvi com nada dos personagens. Nem mesmo o charme de Katherine Waterston. Não digo que não haja nada de interessante, e não há como negar a beleza da direção de arte, mas isso não pode ser tudo num filme. E mais uma trilha sonora óbvia e tramas de família que parecem saídas de novelas das nove. Aproveitem as próximas três continuações. Estou fora. Direção: David Yates. Ano: 2018.

BUMBLEBEE

Só pelas críticas positivas que resolvi dar uma chance a esse spin-off de TRANSFORMERS. Não gosto nada dos filmes desses brinquedos. Mas é difícil não simpatizar com uma heroína vivida pela Hailee Steinfeld. E também quando o filme já começa a sua sucessão de canções dos anos 80 com "Bigmouth strikes again", dos Smiths, dá para ficar animado de cara. Só acho meio chato quando tem a briga dos robozões, e parece que o próprio diretor também não se entusiasma, pois o foco acaba sendo o sentimento de amor entre a protagonista e o Bumblebee. Confesso que queria ter gostado mais, mas já está bom demais o saldo para um filme da franquia. Direção: Travis Knight. Ano: 2018.

ALITA - ANJO DE COMBATE (Alita - Battle Angel)

Comecei a gostar do filme em sua terça parte final, talvez por começar a perceber um pouco da característica trágica da personagem e da trama. Mas Robert Rodriguez é o tipo de diretor que quase sempre deixa a gente na mão, com um produto torto e desleixado. Esse aqui, como é produção do James Cameron, parece um pouco mais caprichado, mas a falta de interesse pelos personagens logo entrega que há algo errado ali. Não conhecia o material original. Ano: 2019.

quarta-feira, março 06, 2019

OITO CURTAS CEARENSES

VANGO VULGO VEDITA

Acho sempre interessantes os filmes com a assinatura do Leonardo Mouramateus. E há coisas que eu gosto muito e outras que não gosto nem tanto, mas mesmo essas coisas (como a briga dos meninos etc.) são recorrentes e a cara do diretor. Gosto da liberdade e da alegria da cena na praia, e de como isso é quebrado. Direção: Andréia Pires e Leonardo Mouramateus. Ano: 2017.

A CANÇÃO DE ALICE

Um filme cuja primeira coisa que chama a atenção é a fotografia, de uma beleza impressionante. Petrus Cariry é um de nossos melhores fotógrafos de cinema, sem dúvida. Depois tem o destaque para o lirismo das falas, do sentimento de saudade, da expressão no rosto da personagem da avó/mãe, de suas recordações. E tem o mar pontuando as emoções. Muito bonito. Direção: Barbara Cariry. Ano: 2018. (Foto)

BOCA DE LOBA

É um filme que se beneficiaria de uma revisão para poder captar melhor o que ele quer dizer com seus simbolismos e suas imagens justapostas a uma narração em voice over que não parece ter estreita relação com o que é mostrado nas cenas. Destaque para o centro de Fortaleza de madrugada, sendo explorado em toda sua glória. Ou falta de. Direção: Bárbara Cabeça. Ano: 2018.

CARTUCHOS DE SUPER NINTENDO EM ANÉIS DE SATURNO

Tenho um pouco de resistência a filmes brasileiros que utilizam a ficção científica para tratar de seus temas. Mas é interessante que este filme do Leon Reis impressiona no quesito qualidade dos efeitos. E ainda manda uma mensagem, um tanto cifrada, sobre a questão do preconceito. Direção: Leon Reis. Ano: 2018.

NEGO TEM QUE SE VIRAR

Como uma espécie de elogio à maconha e ao modo de vida mais, digamos, marginal, o filme também tem um aspecto bem desapegado às regras mais clássicas. "Cinema é charlação", aparece em determinado momento. Interessante que não tem cara de filme que quer pregar as suas verdades ao público. Direção: Mike Dutra. Ano: 2018.

PONTE VELHA

Descrito a princípio como um documentário, Ponte Velha vai aos poucos se desconstruindo. Até flerta com algum didatismo, ao mostrar uma foto de 1929 da ponte e dar algumas explicações da Fortaleza da Bélle Époque, mas depois entra numas de fantasia para depois voltar a um registro bem pessoal. Parece tatear o seu caminho o tempo todo. E isso é interessante. Direção: Victor de Melo. Ano: 2018.

SUDESTINOS

Que filme bonito e emocional. A ideia de pegar depoimentos de pessoas em um trajeto que sai de São Paulo até Fortaleza por si só já é muito boa. E o resultado acaba sendo muito positivo, pois muitos dos depoimentos são belos e emocionantes. É o caso de pensar no quanto é um universo a vida de cada um. A opção pelo preto e branco foi feliz. Direção: Germano de Sousa. Ano: 2018.

TETO

Um trabalho que privilegia o som de maneira impressionante. Em certos momentos, lembra David Lynch com o uso do som e também com o uso de uma câmera que parece estar em estado de vigília perigosa. Há também um cuidado com as texturas nas cores que impressiona. Seria interessante ver um longa do diretor. Direção: Darwin Marinho. Ano: 2018.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

OSCAR 2019

Para um Oscar com poucos indicados ótimos dentre os oito da categoria principal, até que a festa se mostrou boa, com alguns momentos memoráveis, como a premiação a Spike Lee pelo excelente INFILTRADO NA KLAN. Ainda que tenha sido na categoria de roteiro adaptado, a alegria foi muito maior, com Lee subindo nos braços do amigo Samuel L. Jackson. A comemoração foi muito maior do que quando Alfonso Cuarón subiu para receber a estatueta de melhor direção por ROMA. Sem falar que o discurso de Lee foi o melhor da noite, metendo o dedo na ferida sem dó.

Outro momento muito bonito, talvez o mais bonito da noite, foi a apresentação de "Shallow", cantada por Lady Gaga e Bradley Cooper, de forma comovente e bem destacada das demais canções que disputadas. A cantora e Cooper não saíram de trás do palco, nem tiveram seus nomes chamados por alguém. Já começou daí a diferença. O prêmio já era garantido.

Falando em música, se na edição deste ano não tivemos um host, ao menos a festa começou ao som de Queen, com Adam Lambert substituindo Freddie Mercury, como foi quando a banda se apresentou na edição do Rock in Rio de 2015. Pena que foi muito rápido, apenas versões compactas de duas canções muito famosas ("We will rock you" e "We are the champions"). Ainda assim, o suficiente para alegrar a audiência presente e dar uma pontada de inveja de quem só viu pela televisão.

Do ponto de vista político, foi um Oscar bastante misto e muito interessado em tratar das questões raciais. Três dos oito filmes tratavam do assunto, cada um à sua maneira: PANTERA NEGRA, INFILTRADO NA KLAN e GREEN BOOK - O GUIA. E três também tratavam de relações homoafetivas: BOHEMIAN RHAPSODY, GREEN BOOK - O GUIA e A FAVORITA. E dois filmes tratam da conjuntura política do passado para falar do presente: INFILTRADO NA KLAN e VICE.

E não devemos esquecer de ROMA, que também tem tudo a ver com esse momento atual, de construção de pontes para "proteger" os americanos dos imigrantes. Quando Javier Bardem subiu ao palco para dar o prêmio de filme estrangeiro para Cuarón isso ficou muito claro. Além do mais, em determinado momento, Barbra Streisand, ao falar de Spike Lee e de INFILTRADO NA KLAN, disse "A verdade é muito importante nos dias de hoje." A gente aqui do Brasil sente na pele isso também.

No terreno das premiações, além do Oscar para Spike Lee, também foi uma surpresa boa a premiação de melhor atriz para Olivia Colman, o único Oscar para A FAVORITA. Tudo bem que o mais justo seria premiar as três atrizes do filme, já que as três são protagonistas, mas na falta dessa opção, muito melhor dar um prêmio de um trabalho ótimo de uma atriz do que um prêmio pelo "conjunto da obra" para um filme morno como A ESPOSA, o então favorito a ganhar na categoria. Foi tão surpreendente que nem Colman nem Glenn Close acreditaram.

Outra zebra da noite foi o prêmio de melhores efeitos visuais para O PRIMEIRO HOMEM, que desbancou o favorito, o épico da Marvel/Disney VINGADORES - GUERRA INFINITA. A Disney também perdeu na categoria de animação para a animação da Sony HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO, que já era a favorita na categoria e de fato apresenta algo novo.

E é isso. Para quem reclamava do Oscar so white, tivemos até o momento a premiação com o maior número de Oscars para atores e técnicos negros em muito tempo. Sem falar nos prêmios para ROMA (se bem que no fim das contas, Cuarón foi quem subiu ao palco as três vezes, já que a direção de fotografia também era dele).

Uma pena, porém, que a Academia resolveu premiar como melhor filme uma obra tão ultrapassada como GREEN BOOK - O GUIA, uma versão pouco inteligente e muito demasiadamente pacificadora da questão racial. Depois de alguns prêmios acertados, ver a equipe do filme de Peter Farrelly subindo ao palco deixou um amargo na boca. Talvez, afinal, fosse querer demais da Academia uma postura ao mesmo tempo progressista e revolucionária. Raramente isso é possível.

Os Premiados

Melhor Filme – GREEN BOOK - O GUIA
Direção – Alfonso Cuarón (ROMA)
Ator – Rami Malek (BOHEMIAN RHAPSODY)
Atriz – Olivia Colman (A FAVORITA)
Ator Coadjuvante – Mahershala Ali (GREEN BOOK - O GUIA)
Atriz Coadjuvante –Regina King (SE A RUA BEALE FALASSE)
Roteiro Original – GREEN BOOK - O GUIA
Roteiro Adaptado – INFILTRADO NA KLAN
Fotografia – ROMA Montagem – BOHEMIAN RHAPSODY
Trilha Sonora Original – PANTERA NEGRA
Canção Original - "Shallow", de NASCE UMA ESTRELA
Mixagem de Som – BOHEMIAN RHAPSODY
Edição de Som – BOHEMIAN RHAPSODY
Efeitos Visuais – O PRIMEIRO HOMEM
Design de produção – PANTERA NEGRA
Figurino – PANTERA NEGRA
Maquiagem e cabelos – VICE
Filme Estrangeiro – ROMA (México)
Longa de Animação – HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO
Curta de Animação – BAO
Curta-metragem – SKIN
Documentário – FREE SOLO Curta Documentário – ABSORVENDO O TABU

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (Cosa Avete Fatto a Solange?)


Acabei esbarrando neste giallo porque no box da Versátil que eu comprei tem uma espécie de continuação do filme. Aí resolvi ver primeiro este aqui. Qual não foi minha surpresa quando me deparo com o melhor exemplar do gênero que eu já vi. Talvez melhor até que os filmes do Argento e do Bava, mas teria que rever vários para ter certeza.

É o tipo de filme que conquista o espectador desde a cena inicial, com o professor e a aula em um rio, namorando, quando acontece um assassinato. Depois disso, há todo um mistério em torno de mais mortes que surgem. O filme tem um visual lindo, um andamento narrativo de dar gosto, um pouco de sexo e violência e muitos elementos clássicos dos gialli - o assasino de luvas pretas, o seu ponto de vista.

O diretor é Massimo Dallamano, que tem um currículo maior como diretor de fotografia e assumiu a carreira de cineasta já na virada dos anos 50 para 60, tendo feito tanto spaghetti westerns quanto dramas eróticos, filmes de horror e comédias. Mas o que marcou mesmo sua carreira foram os gialli, sendo O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (1972) o seu trabalho mais festejado, presente em várias listas de melhores filmes do gênero de todos os tempos.

Eu confesso que não sabia da fama desta obra e estava um tanto afastado do cinema de gênero italiano. Nem sei dizer o motivo. O fato é que atualmente estou passando por uma fase de revalorização das obras italianas que possuem um toque pulp – tanto é que estou adorando os fumetti de Dylan Dog e sentindo mais vontade de ler mais coisas parecidas também.

Os italianos têm (e nas décadas de 60 e 70 eram especialmente ótimos nisso) uma capacidade impressionante de pegar criações de outros países e transformar em algo diferente e envolvente, ainda que com um leve toque de imitação. No caso dos filmes policiais, a atração que eles têm por países de língua inglesa é algo que já deve ter sido objeto de estudo por muitos acadêmicos. Afinal, por que motivo a história teria que se passar na Inglaterra e não na Itália? De todo modo, eles tinham um fino faro para negócios e sabiam que o mercado era mais receptivo para obras de gênero saídas dos Estados Unidos e da Inglaterra. Por isso, as dublagens em inglês eram tão populares no mercado internacional.

Hoje em dia, porém, há uma preferência pelo áudio em italiano pelos aficionados pelos gialli e filmes de horror produzidos na Itália. Há um encanto todo particular que essas produções provocam. No caso de O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE?, temos uma narrativa envolvente do início ao fim. O que é admirável, levando em consideração os caminhos que a obra percorre, dando a imaginar que alguma coisa vai sair muito errado no filme a qualquer momento, levando em consideração a trama em que não se sabe quem é o assassino de luvas pretas que mata as mulheres com uma facada na genitália.

Para nossa alegria, Massimo Dallamano conduz de maneira magistral a narrativa, brincando com as expectativas do espectador, tanto em relação a Elizabeth, personagem vivida pela bela e jovem espanhola Cristina Galbó, quanto pela introdução da personagem Solange, do título. Há que se destacar também a força do protagonista, vivido pelo italiano Fabio Testi. Ele faz o papel do professor de Educação Física casado que tem um caso com uma de suas alunas. A personagem da esposa, interpretada pela alemã Karin Baal, também tem uma importância fundamental no enredo, e há uma reviravolta interessante na personagem.

O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE faz parte de uma trilogia inacabada de Dallamano sobre jovens estudantes em perigo. O segundo filme foi O QUE ELES FIZERAM A SUAS FILHAS? (1974), também presente em um dos boxes da Versátil. Infelizmente, o diretor morreu em 1976, antes de completar a trilogia.

+ TRÊS FILMES

ESCAPE ROOM

Um filme que tem os seus méritos, principalmente antes de chegar à sua conclusão. Até então funciona como boa distração. Mas depois bate até saudade de O ALBERGUE e JOGOS MORTAIS, já que segue-se a mesma linha, só que sem o gore e os excessos, que se tornaram coisa de mau gosto nos dias atuais. Mas até que eu me divertia. Foi bom também para rever Deborah Ann Woll, a melhor personagem de TRUE BLOOD. Direção: Adam Robitel. Ano: 2019.

O TERCEIRO ASSASSINATO (Sandome No Satsujin)

Hirokazu Koreeda se sai muito melhor quando trata de dramas familiares. Aqui ele trata de uma investigação sobre um assassinato. Em alguns momentos do filme eu fiquei um tanto desinteressado ou pensando em outras coisas. O que eu vejo como um problema (meu em relação ao filme, ao menos). Mas há uma discussão interessante sobre sentir-se impotente diante do que o destino nos reserva e também sobre justiça. Ano: 2017.

MUSEU (Museo)

O grande barato de MUSEU é procurar fugir dos clichês de filmes de roubo. Principalmente na cena do roubo, por mais tensa que ela seja. Depois vemos que não é exatamente um filme de roubo, talvez seja mais sobre frustrações e tentativas toscas de seguir um caminho grandioso, no caso, conseguindo dinheiro "fácil" com um roubo inédito. Destaque também para várias tomadas atípicas. Só achei que podia ser um pouco mais curto. Direção: Alonso Ruizpalacios. Ano: 2018.