sexta-feira, dezembro 31, 2010

TOP 20 2010 E O BALANÇO DO ANO



1. TROPA DE ELITE 2, de José Padilha
2. A FITA BRANCA, de Michael Haneke
3. À PROVA DE MORTE, de Quentin Tarantino
4. DEIXA ELA ENTRAR, de Tomas Alfredson
5. VINCERE, de Marco Bellocchio



6. A CAIXA, de Richard Kelly
7. FAÇA-ME FELIZ, de Emmanuel Mouret
8. UMA NOITE EM 67, de Ricardo Calil e Renato Terra
9. AS MELHORES COISAS DO MUNDO, de Laís Bodanzky
10. SALT, de Phillip Noyce



11. A REDE SOCIAL, de David Fincher
12. O LIVRO DE ELI, de Albert e Allen Hughes
13. A ESTRADA, de John Hillcoat
14. CORAÇÃO LOUCO, de Scott Cooper
15. O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS, de Lírio Ferreira



16. O ESCRITOR FANTASMA, de Roman Polanski
17. O FIM DA ESCURIDÃO, de Martin Campbell
18. UTOPIA E BARBÁRIE, de Silvio Tendler
19. MINHAS MÃES E MEU PAI, de Lisa Cholodenko
20. PONYO - UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR, de Hayao Miyazaki

Foi um ano mais estranho do que eu imaginava. E nem me refiro às coisas da vida, mas ao cinema mesmo. Em que outro ano filmes de Clint Eastwood, Martin Scorsese e Woody Allen seriam preteridos numa lista final por mim? Sem falar em Shyamalan, mas aí já estamos entrando num terreno mais complicado.

E se foi um ano de menos filmes e falta de tempo, paradoxalmente foi um ano em que as viagens ganharam mais destaque, inclusive, aqui no blog. O inesquecível e emocionante show do Paul McCartney, as duas viagens maravilhosas e o encontro com vários amigos em São Paulo, a aventura que foi ir para Recife de carro num fim de semana para um festival de rock e mais uma ida para Jericoacoara com os amigos daqui, tudo foi devidamente registrado. E isso me deu muito prazer. De vez em quando eu releio esses relatos, depois de passados anos do acontecido e é quase como viajar no tempo. Foi um ano também de valorização maior das amizades. Não sei o que seria de mim sem meus amigos.

Mas falemos dos filmes escolhidos. O critério para a escolha dos filmes é a mesma de todos os anos. É simples: são filmes vistos de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2010 apenas no cinema. Os vistos em casa têm que rivalizar com filmes antigos numa lista à parte, numa disputa nem sempre justa, mas prefiro assim. Se eu fosse levar em consideração a data de lançamento em São Paulo, estaria perdido. Por isso na lista tem um filme que entrou no circuito brasileiro no ano passado, mas que só chegou aqui no começo deste ano (DEIXA ELA ENTRAR); e tem filme que eu vi numa mostra de cinema francês e que acabou não entrando no circuito (FAÇA-ME FELIZ). Por outro lado, teve um filme que teria boas chances de estar aí, mas só porque eu já tinha visto em casa em 2009 e eu não revi no cinema, não rolou de entrar. Refiro-me a GUERRA AO TERROR.

2010 foi um ano feliz para o cinema brasileiro. Finalmente um filme conseguiu bater o recorde de maior bilheteria, ultrapassando DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS. E que bom que foi um puta filme, pra mim o melhor do ano: TROPA DE ELITE 2, o retorno do Capitão Nascimento numa obra que calou a boca dos detratores do primeiro filme. E em comparação com a lista do ano passado, que só tinha um único representante nacional, desta vez tem cinco! Da onda de documentários, três deles me conquistaram: UMA NOITE EM 67, O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS e UTOPIA E BARBÁRIE, cada um à sua maneira e com propostas totalmente distintas. E fechando o bloco nacional, tivemos a felicidade de ver uma obra que finalmente respeita o jovem: AS MELHORES COISAS DO MUNDO.

Da Europa, pudemos testemunhar mais uma vez o grande talento de Marco Bellocchio com outro projeto que trata de fatos históricos: VINCERE. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes, A FITA BRANCA, também foi um dos grandes destaques do ano. Coincidentemente é também um filme que faz refletir sobre a História. No Festival Varilux de Cinema Francês finalmente tirei a cisma que eu tinha dos franceses como comediantes. FAÇA-ME FELIZ é simplesmente genial. E seu diretor, Emmanuel Mouret, é provavelmente o grande nome da comédia mundial. DEIXA ELA ENTRAR é uma história de vampiros como há muito não se via. De uma beleza rara. E finalmente, temos O ESCRITOR FANTASMA, que nem é bem um caso de filme europeu, mas internacional, como praticamente todos os de Roman Polanski, o mais cosmopolita dos cineastas.

Do cinema americano, no meio de tanto lixo lançado pelas distribuidoras, salvaram-se algumas pérolas. Os favoritos da casa foram: A CAIXA, um filme de terror que resgata o prazer de ver um ótimo episódio de ALÉM DA IMAGINAÇÃO; SALT, com Angelina Jolie chutando traseiros num dos thrillers mais divertidos do ano; A REDE SOCIAL, com Fincher mais sóbrio e contando a história por trás do Facebook, num filme que ainda vai dar muito o que falar; duas produções que lidam com um cenário apocalíptico de maneira inspirada: O LIVRO DE ELI e A ESTRADA; um comovente retrato de um cantor em fim de carreira com Jeff Bridges em estado de graça – CORAÇÃO LOUCO; Mel Gibson de volta com O FIM DA ESCURIDÃO; e um belo exemplar do cinema indie americano: MINHAS MÃES E MEU PAI. E antes que eu me esqueça: finalmente alguma distribuidora lançou nos cinemas À PROVA DE MORTE. Foi com três anos de atraso e não foi lá uma grande distribuição - eu ainda por cima vi numa cópia digital tosca -, mas pelo menos está valendo para constar na lista. Porque o filme merece!

Fechando o balanço, mais uma vez fomos agraciados com a oportunidade de ver uma obra de Hayao Miyazaki no cinema, com o belo conto infantil PONYO – UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR. Foi feito para os pequenos, mas suspeito que os adultos tenham gostado ainda mais, com suas imagens delirantes como um sonho bom.

Os piores

Até que este ano eu fui um pouco mais criterioso. Ou então tive sorte de não ver tantas tranqueiras. Mas foi uma pena eu não ter gostado do filme do Stallone, sujeito de quem eu gosto bastante. Os demais foram odiados sem decepção ou culpa nenhuma mesmo. Por ordem de "ruindade" e sem precisar destacar os nomes de seus diretores:

1. PRECIOSA - UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA
2. FEDERAL
3. SHERLOCK HOLMES
4. OS MERCENÁRIOS
5. CONTATOS DE 4º GRAU

As séries

2010 foi um ano bem hardcore para mim. Nunca trabalhei tanto. Nem dei continuidade a séries que queria e que vi em 2009 eu fiz – refiro-me às ótimas MAD MEN e BREAKING BAD. Também não finalizei outras temporadas de séries queridas, como HOUSE, FAMÍLIA SOPRANO e SEINFELD. Isso em se tratando de séries que estão em andamento ou já acabaram.

A novidade de 2010 esteve na opção por ver séries brasileiras que me despertaram o interesse, como AS CARIOCAS e AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?. Outras novidades tentadoras chegaram por conta dos melhores canais adultos americanos da atualidade (AMC e HBO): THE WALKING DEAD e BOARDWALK EMPIRE.

Das séries que eu já acompanho, a minha favorita no ano foi ENTOURAGE. Pena que foi uma temporada bem curtinha. Eu me delicio com as aventuras desses personagens. O mesmo não posso dizer de THE OFFICE, que tem perdido cada vez mais o rumo, e TRUE BLOOD, que se transformou num verdadeiro lixo neste terceiro ano. Já BIG BANG THEORY voltou à boa forma e se impõe como a série mais engraçada da atualidade. DEXTER conseguiu se manter bem neste quinto ano, assim como IN TREATMENT, que ganhou sobrevida, apesar de ter cara de última temporada.

E falando em última temporada, já estava me esquecendo de LOST, uma das séries mais importantes desta década e que contribuiu muito para a era dos downloads. Se a última temporada não foi tão boa quanto o início de tudo, pelo menos a season finale foi digna. Valeu.

Top 5 "Musas do Ano"

Foi quase um repeteco do ano passado: nenhuma brasileira na lista, duas musas de Tarantino e uma estrela francesa.

1. Mary Elizabeth Wisted (À PROVA DE MORTE)
2. Sydney Poitier (À PROVA DE MORTE)
3. Demi Moore (AMOR POR CONTRATO)
4. Marion Cotillard (NINE)
5. Abbie Cornish (BRILHO DE UMA PAIXÃO)

Melhores vistos em DVD, DIVX ou VHS

Apesar de não ter sido exatamente um ano em que eu tive tempo para ver os filmes que queria, até que foi doloroso ter cortado alguns títulos para enxugar e ficar essa listinha de apenas vinte preciosidades, que só foram crescendo na memória com o passar do tempo. A novidade é a presença de um filme pornô contemporâneo, que eu fiz questão que fizesse parte da lista. Em ordem alfabética:

A GAROTA DE TRIESTE, de Pasquale Festa Campanile
A MULHER PÚBLICA, de Andrzej Zulawski
A NOITE DO DEMÔNIO, de Jacques Tourneur
A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO, de Hou Hsio-hsien
AS FILHAS DO FOGO, de Walter Hugo Khouri
AS SAFADAS, de Carlos Reichenbach, Inácio Araújo e Antônio Melliande
CARTA DE UMA DESCONHECIDA, de Max Ophüls
DIRIGIDO POR JOHN FORD, de Peter Bogdanovich
DO MUNDO NADA SE LEVA, de Frank Capra
FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO, de Greg Mottola
GRADIVA, de Alain Robbe-Grillet
LES AMOURS D'ASTRÉE ET DE CÉLADON, de Eric Rohmer
O AMANTE DE KATHY TIPPEL, de Paul Verhoeven
O APOCALIPSE DE UM CINEASTA, de Fax Barh e George Hickenlooper
O OLHO MÁGICO DO AMOR, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
ONDA NOVA, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
PAIXÃO E SOMBRAS, de Walter Hugo Khouri
REVEALING SASHA, de Viv Thomas
REBUILD OF EVANGELION 2.22 - YOU CAN (NOT) ADVANCE, de Masayuki e Kazuya Tsurami
SEM SAÍDA, de James Watkins

Revisões

É como eu falei no ano passado. A cada ano que se passa, aumentam os filmes revistos. Seja para seguir uma revisão da obra de um diretor específico, seja para homenagear algum outro, seja para se preparar para um remake ou continuação, os filmes revistos totalizaram 18. Três a mais do que no ano passado. Em ordem mais ou menos cronológica de revisão.

O TERCEIRO TIRO, de Alfred Hitchcock
MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, de Pedro Almodóvar
CIDADÃO KANE, de Orson Welles
A HORA DO PESADELO, de Wes Craven
CONTOS DE NOVA YORK, de Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen
MINHA VIDA, de Bruce Joel Rubin
CAMERA, de David Cronenberg
ATA-ME!, de Pedro Almodóvar
NA HORA DA ZONA MORTA, de David Cronenberg
HOT SPOT – UM LUGAR MUITO QUENTE, de Dennis Hopper
O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III, de Francis Ford Coppola
DE SALTO ALTO, de Pedro Almodóvar
A BELA DA TARDE, de Luis Buñuel
JORNADA NAS ESTRELAS II – A IRA DE KHAN, de Nicholas Meyer
A ESTRELA NUA, de José Antônio Garcia e Ícaro Martins
A MOSCA, de David Cronenberg
KIKA, de Pedro Almodóvar
GÊMEOS - MÓRBIDA SEMELHANÇA, de David Cronenberg

Feliz ano novo!

E encerro este post de fim de ano desejando um feliz 2011 para todos nós. Que seja um ano de grandes realizações, muito amor, prosperidade, saúde e muitas surpresas bem-vindas! Até lá!

Nenhum comentário: