quinta-feira, junho 05, 2014

A CULPA É DAS ESTRELAS (The Fault in Our Stars)



Histórias de amor com a morte iminente como obstáculo nunca deixaram de ser produzidas. Há quem considere assistir a esses filmes quase uma tortura, no sentido de que não aguentam de tanto chorar. Já outros são quase cínicos, analisando esses filmes com mais distanciamento, isentos de sentimentalidade. Os mais românticos, porém, apreciam histórias de amor tristes, carregadas por alguma tragédia ou um fato que separa a felicidade de um casal.

O câncer é o algoz em A CULPA É DAS ESTRELAS (2014), segundo filme do diretor americano Josh Boone, baseado no best-seller homônimo de John Green. Com o sucesso gigante do romance, já era de se esperar uma adaptação para o cinema. E bom para os produtores, já que o filme custou muito barato para os padrões de Hollywood (12 milhões de dólares) e deve render bastante nas salas.

A expectativa de muitos é de que o filme seja apenas um melodrama juvenil, lacrimoso e piegas, que se utiliza do câncer para fazer as plateias chorarem. No entanto, fazer um melodrama é muitas vezes uma tarefa ingrata. E é como pisar em ovos: um passo mal dado e o filme todo vai por água abaixo. Felizmente, Boone soube construir personagens suficientemente envolventes para que os seus dramas fossem sentidos pela audiência.

Na trama, Hazel (Shailene Woodley) e Gus (Ansel Elgort) são dois jovens que combatem (ou combateram) o câncer. Eles se conhecem em um encontro terapêutico de pessoas que passaram por esse mal ou ainda estão passando. Logo no primeiro dia que se veem, o interesse surge. E Gus é o tipo de rapaz que não hesita em sorrir e olhar fixamente para o seu objeto de interesse, no caso, a novata no grupo Hazel. Talvez por já aprender que o tempo urge, que a vida é breve.

Gus perdeu a perna para o câncer, mas diz com alegria que conseguiu sobreviver e que hoje é uma espécie de ciborgue. Tem um senso de humor e um charme natural que conquistam Hazel, uma jovem que se submete a todos os tipos de tratamentos por amor aos pais, vividos no filme por Laura Dern e Sam Trammell (série TRUE BLOOD).

Os dois são bem diferentes um do outro, mas acabam se complementando. O fato de emprestarem um ao outro os seus livros favoritos acaba sendo um fator muito importante para a história dos dois. E o filme, além de lidar bem com essa questão literária, também sabe ser contemporâneo, ao mostrar de forma criativa a troca de mensagens por smartphones.

A CULPA É DAS ESTRELAS tem uma sabedoria toda própria em seu andamento narrativo, que não atropela os acontecimentos, os passos que cada um dos dois personagens dá, além de saber também trabalhar com o fantasma da doença, que está ali, o tempo todo, prestes a acabar com a festa. Que já não é tão feliz assim, já que a moça precisa andar o tempo todo carregando um pesado tubo de oxigênio.

Mesmo assim, uma das coisas mais bonitas que o filme trata é a questão do último dia feliz da pessoa que está condenada a morrer de uma doença como o câncer. De como esse momento pode ser apenas um dia rotineiro qualquer. Há também um belo conceito sobre o infinito, que aparece numa das cenas mais tocantes de todo o filme e que certamente deve fazer muitos espectadores chorarem. Bela direção de Boone, e também muito bom o desempenho do jovem casal em um filme que talvez passe a ser objeto de culto pela nova geração. 

Nenhum comentário: