sábado, dezembro 29, 2012

TOP 20 2012 E O BALANÇO DO ANO 



1. O SOM AO REDOR, de Kleber Mendonça Filho
2. A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim
3. O GAROTO DA BICICLETA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
4. EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS, de Beto Brant e Renato Ciasca
5. O PORTO, de Aki Kaurismäki



6. PROMETHEUS, de Ridley Scott
7. A GUERRA ESTÁ DECLARADA, de Valérie Donzelli
8. COSMÓPOLIS, de David Cronenberg
9. DEUS DA CARNIFICINA, de Roman Polanski
10. 007 – OPERAÇÃO SKYFALL, de Sam Mendes



11. SHAME, de Steve McQueen
12. TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS, de Apichatpong Weerasethakul
13. O IMPOSSÍVEL, de Juan Antonio Bajon
14. À BEIRA DO CAMINHO, de Breno Silveira
15. A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese



16. MÃE E FILHA, de Petrus Cariry
17. OS DESCENDENTES, de Alexander Payne
18. O QUE SE MOVE, de Caetano Gotardo
19. JOGOS VORAZES, de Gary Ross
20. A ARTE DE AMAR, de Emmanuel Mouret

Menções honrosas (ou filmes que quase entraram no top 20): A DELICADEZA DO AMOR, de David e Stéphanie Foenkinos; ARGO, de Ben Affleck; TÃO FORTE E TÃO PERTO, de Stephen Daldry; AS AVENTURAS DE PI, de Ang Lee; BELEZA ADORMECIDA, de Julia Leigh; AS AVENTURAS DE TINTIM, de Steven Spielberg; CONSPIRAÇÃO AMERICANA, de Robert Redford; L’APOLLONIDE – OS AMORES DA CASA DE TOLERÂNCIA, de Bertrand Bonello; SUPER NADA, de Rubens Rewald e Rossana Foglia; e O LEGADO BOURNE, de Tony Gilroy.

Poderia citar mais. Poderia fazer um top 40 só com filmes ótimos. 2012 foi um ano bem especial para o cinema. Em comparação com o ano passado foi muito melhor em quantidade de lançamentos de qualidade. E olha que ainda temos um sério problema de distribuição em nosso circuito e eu ainda tenho o agravante de morar em uma cidade que não traz todos os filmes que eu gostaria que trouxesse. Na verdade, a maioria não vem mesmo para os cinemas locais. A proliferação de salas ocupadas com filmes dublados e em 3D complica a chegada de certos filmes em cidades como esta, que ainda teve o problema de ter uma interrupção de exibição nas salas do Dragão do Mar no segundo semestre. Esperemos que retornem com grandes filmes. Importante observar que dos 20 filmes escolhidos, cinco passaram no Dragão do Mar, embora O PORTO, eu tenha visto em São Paulo.

Agora, difícil eu falar de 2012 e não mencionar a triste perda do nosso querido Carlão Reichenbach, o homem responsável não só por um cinema brasileiro de invenção e inteligente, mas também por ter sido responsável por eu estar aqui, escrevendo neste blog, pois foi graças a ele que eu conheci tantas pessoas especiais. Qualquer homenagem que eu faça a este homem é pequena. Então, 2013, apesar de prometer muitas coisas boas, vai ser o primeiro ano sem Carlos Reichenbach. Quer dizer, ainda o veremos em uma produção, atuando como ator: AVANTI POPOLO, de Michael Wahrmann, filme premiado no Festival de Roma.

Tirando este incidente desagradável, 2012 foi um ano muito bom para o cinema brasileiro. Pode-se notar pela quantidade de produções nacionais que integram o meu top 20: seis filmes! E seriam sete, se tivesse visto TRABALHAR CANSA no cinema, já que este top 20 é de apenas filmes vistos no cinema. Os filmes que vejo em casa brigam com os clássicos para entrar num top 20 à parte: o top 20 da telinha, mais abaixo.

Como não estou dando satisfação a regras de outros, mas apenas a minha mesmo, entram também filmes vistos em festivais. Assim, não consegui evitar em premiar o sensacional O SOM AO REDOR, de Kleber Mendonça Filho, visto no Festival de Gramado, e que está sendo louvado pela crítica internacional como um dos melhores filmes de 2012. Merecido. Há outro filme de Gramado também em minha lista: o belíssimo O QUE SE MOVE, de Caetano Gotardo.

Dentre os que estrearam no circuito, A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM foi uma festa para os sentimentos. E olha que não me considero fã do maestro, mas saí do cinema em estado de graça. Recomendei o filme a tantas pessoas, mas a maioria não deu muita bola. Quem viu sabe do que eu estou falando. Outro que esteve entre os meus favoritos desde antes de sua estreia foi EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS, mais um trabalho de Beto Brant e Renato Ciasca. Brant, sozinho ou com o amigo, é o meu cineasta brasileiro favorito atualmente. E cada filme seu é recebido com entusiasmo por mim.

Os outros dois filmes brasileiros da lista não poderiam ser mais diferentes: À BEIRA DO CAMINHO, de Breno Silveira, é um melodrama acessível, bonito, com canções do Rei; MÃE E FILHA, de Petrus Cariry, é um filme difícil, sofisticado, cheio de possíveis significações. E um trabalho feito por um cearense, orgulho de nosso estado.

A lista também está rica em filmes mais alternativos, como o belíssimo O GAROTO DA BICICLETA, dos irmãos Dardenne; ou o estranhamente terno O PORTO, do cineasta finlandês Aki Kaurismäki; ou o desafiador COSMÓPOLIS, de David Cronenberg; ou o ganhador da Palma de Ouro TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, que estreou no circuito brasileiro no ano passado, mas que só veio aos cinemas de Fortaleza neste ano. Aliás, deve ter uns dois ou três na lista nessas condições.

O ano foi tão bom que até os blockbusters foram animadores. Obras de arte lindas de se ver em sua grandiosidade épica. Filmes como PROMETHEUS, de Ridley Scott; JOGOS VORAZES, de Gary Ross; ou 007 – OPERAÇÃO SKYFALL, de Sam Mendes, são exemplos de como o cinema de arte se mistura em qualidade com o cinemão. Aliás, quem diria que um dia um filme de James Bond apareceria numa lista de melhores do ano feita por mim? Eu, que nunca fui fã da franquia.

Foi também um ano muito bom para o cinema francês, com tantos filmes bonitos que até doeu ter que cortar alguns da lista. Entraram o melodrama A GUERRA ESTÁ DECLARADA, de Valérie Donzelli; e a comédia A ARTE DE AMAR, de Emmanuel Mouret. Nas menções honrosas, é possível ver outros belíssimos exemplares.

Dos filmes indicados ao Oscar 2012, pelo menos dois representantes aparecem: A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese, e OS DESCENDENTES, de Alexander Payne. Curiosamente, a gente espera tanto pelos filmes do Oscar e quando chega a lista do final do ano, são poucos os que merecem o devido crédito.

Além destes, um cineasta veterano como Roman Polanski trouxe uma adaptação de uma peça teatral para o cinema e fez muita gente se deliciar entre quatro paredes com o seu DEUS DA CARNIFICINA; e um cineasta mais novo como Steve McQueen e seu SHAME confirma a vitalidade do cinema da atualidade. Pra completar, ainda encerramos o ano com um trabalho excepcional de Juan Antonio Bajon, O IMPOSSÍVEL, que mexeu com a lista até então defintiva de melhores do ano de muita gente.

Há vários filmes bem badalados pela crítica nacional e internacional que infelizmente não chegaram por aqui ainda e que possivelmente integrarão a lista dos melhores de 2013. Acho que não preciso citar os títulos aqui.

Os piores

Depois da glória dos melhores, um pouco da tristeza dos piores. Eis os cinco títulos escolhidos, sem o nome de seus diretores para não gerar constrangimento:

1. O PACTO
2. ATÉ QUE SORTE NOS SEPARE
3. BATTLESHIP – A BATALHA DOS MARES
4. TOTALMENTE INOCENTES
5. O DITADOR

As séries 

Dentre as séries novas, só vi uma, e já posso colocá-la como destaque, que é GIRLS, trabalho excepcional de Lena Dunham. As demais séries que foram muito bem no ano passado, como GAME OF THRONES, THE KILLING e HOMELAND, apresentaram leve queda de qualidade, mas não tão grave a ponto de abandoná-las. THE WALKING DEAD, por outro lado, continua tão boa na terceira como foi na segunda temporada. Outras séries que continuo vendo com prazer: THE BIG BANG THEORY, DEXTER e AMERICAN HORROR STORY. Mas a série que eu mais vi neste ano foi HOUSE, que se despediu das telinhas depois de oito temporadas.

Top 5 "Musas do Ano"



1. Nathalia Dill (PARAÍSOS ARTIFICIAIS)
2. Kate Beckinsale (O VINGADOR DO FUTURO)
3. Camila Pitanga (EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS)
4. Jennifer Lawrence (JOGOS VORAZES)
5. Emma Roberts (A ARTE DA CONQUISTA)



Ao contrário do ano passado, que ficou faltando brasileira na lista, na fartura de 2012, escolhi duas lindas brasileiras que não só embelezaram os filmes, mas que os tornaram especiais. Além delas, Jennifer Lawrence comparece pela segunda vez; Kate Beckinsale é linda até quando é malvada; e Emma Roberts lembra aquele amor da adolescência que nos deixava sonhando acordados.

Melhores vistos na telinha 

Por mais que a lista lá de cima seja ótima, não se compara a esta aqui, cheia de clássicos e obras-primas de décadas passadas e trabalhos recentes excepcionais. Em ordem alfabética:

A CAIXA DE PANDORA, de Georg Wilhelm Pabst
A MULHER QUE INVENTOU O AMOR, de Jean Garrett
CINZAS QUE QUEIMAM, de Nicholas Ray
CONTOS DA LUA VAGA, de Kenji Mizoguchi
DELÍRIO DE LOUCURA, de Nicholas Ray
FREUD – ALÉM DA ALMA, de John Huston
MADAME BOVARY, de Claude Chabrol
MARGARET, de Kenneth Lonergan
MARTHA MARCY MAY MARLENE, de Sean Darkin
MARTY, de Delbert Mann
MEMÓRIAS DO CÁRCERE, de Nelson Pereira dos Santos
O ANJO DA NOITE, de Walter Hugo Khouri
O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA, de Manoel de Oliveira
O GABINETE DO DR. CALIGARI, de Robert Wiene
O RESGATE DO BANDOLEIRO, de Budd Boetticher
PROCURANDO ELLY, de Asghar Farhadi
REI DOS REIS, de Nicholas Ray
SEDUÇÃO DO PECADO, de Raoul Walsh
TRABALHAR CANSA, de Marco Dutra e Juliana Rojas
VALE ABRAÃO, de Manoel de Oliveira

Revisões 

A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS, de Dan O’Bannon
ALMA CORSÁRIA, de Carlos Reichenbach
AMOR À QUEIMA-ROUPA, de Tony Scott
AS CARIOCAS, de Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos
CINEMA DE LÁGRIMAS, de Nelson Pereira dos Santos
CLAMOR DO SEXO, de Elia Kazan
FUGA PARA ODESSA, de James Gray
JOHNNY GUITAR, de Nicholas Ray
JUVENTUDE TRANSVIADA, de Nicholas Ray
MASTERS OF HORROR - THE BLACK CAT, de Stuart Gordon
O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, de Rogério Sganzerla
O CIRCO, de Charles Chaplin
OS IMPERDOÁVEIS, de Clint Eastwood
SCARFACE, de Brian De Palma
SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA, de Manoel de Oliveira
SPIDER - DESAFIE SUA MENTE, de David Cronenberg
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, de Arnaldo Jabor

Feliz ano novo! 

E encerro este tradicional post para deixar os votos de um 2013 cheio de bênçãos: muita paz, amor e saúde, que são ingredientes básicos pra gente seguir acreditando na vida. E também outras coisas que vários de nós almejamos e que gostaríamos de ver materializadas, como sucesso profissional e acadêmico, inspiração na hora de escrever, sabedoria, realização financeira e parcerias de sucesso no campo afetivo. É pedir muito? Acho que não. :)

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