segunda-feira, dezembro 24, 2012

O IMPOSSÍVEL (Lo Imposible / The Impossible)



Difícil descrever em palavras a experiência ao mesmo tempo dolorosa e prazerosa que é ver O IMPOSSÍVEL (2012). Dolorosa por se tratar de um filme sobre uma das maiores tragédias deste século e por nos fazer sentir na pele o que aconteceu de maneira tão pungente, enfocando o drama de uma entre tantas famílias que teriam histórias tão ou mais intensas do que esta. E prazerosa porque há algo em nossa parte do cérebro que lida com apreciação estética que se beneficia com o sentimento que a catarse proporciona.

E vendo O IMPOSSÍVEL, o segundo longa-metragem do espanhol Juan Antonio Bayona, a impressão que temos é que só o cinema poderia trazer algo desse tipo. Um grande romancista talvez conseguisse também, mas dificilmente de maneira tão física. Em termos de efeitos especiais no que se refere à construção do tsunami, diria que ALÉM DA VIDA, de Clint Eastwood, foi mais bem sucedido. Mas, no filme de Eastwood, o tsunami e as suas consequências eram apenas um trecho de uma obra que tinha outras intenções.

Para quem não sabe ainda, O IMPOSSÍVEL trata do terrível tsunami que devastou a costa da Ásia, atingindo países como a Tailândia, a Indonésia e o Sri Lanka. A trama acompanha uma família composta por um casal e três filhos pequenos que vão passar as férias em um hotel luxuoso na Tailândia. Uma onda de mais de 30 metros destrói o lugar, mata quase todas as pessoas e transforma a vida dos sobreviventes num inferno na Terra.

Como Bayona veio do cinema de horror com O ORFANATO (2007), há muitos elementos do gênero em seu melodrama. Seja na maneira como ele constrói um clima de expectativa em relação ao que há por vir no início do filme, seja no grafismo como é mostrada a cena em que a personagem de Naomi Watts se machuca gravemente na perna, seja no momento em que o menino Lucas (Tom Holland) procura a mãe no hospital.

E falando em Tom Holland, que desempenho excepcional o desse garoto, hein? Mereceria uma indicação a um prêmio importante como o Oscar. Ainda que não seja, o excelente trabalho de interpretação de Naomi Watts deverá ser recompensado de alguma maneira. Vendo um filme como esses, mais uma vez temos que agradecer a David Lynch por tê-la colocado no primeiro time de Hollywood na obra-prima CIDADE DOS SONHOS. Ewan McGregor, no papel do marido dedicado, também está muito bem e está presente em um dos momentos mais dramáticos e bonitos do filme, mas sabemos que ele fica um pouco atrás do desempenho de Naomi.

O IMPOSSÍVEL é um filme-catástrofe que há tempos não se via. Sério, emocionante, sem exageros ou grandes heróis. Afinal, foi a própria realidade que tratou de hiperbolizar o drama. Bayona nos aproxima de uma determinada família e isso faz com que uma tragédia que é geralmente transformada em estatística pela imprensa seja vista como algo mais próximo da gente. É a realidade precisando da ficção para que seja vista como ainda mais real, por mais que haja a utilização de trilha sonora e outros recursos cinematográficos. E em nenhum momento o filme deixou de se assumir como um melodrama. O diretor abraça o gênero com todo o respeito pela família retratada e pelas vítimas que não conseguiram sobreviver.

O IMPOSSÍVEL recebeu uma indicação para o Globo de Ouro de melhor atriz (drama) para Naomi Watts.

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