terça-feira, dezembro 11, 2012

HOJE



Em 27 capitais do Brasil acontece(u) nos meses de novembro e dezembro a 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Infelizmente só pude ir no último dia, tendo assistido a um ótimo curta e ao longa-metragem inédito no circuito comercial, HOJE (2012), de Tata Amaral. O filme é interessante e bem conduzido, mas pena que aos poucos começa a cansar, quando deixa de lado o seu aspecto instigante e misterioso. Sem falar que há todo um jeitão de peça de teatro que só sendo muito bom mesmo para funcionar na telona.

Mas não dá para negar o ótimo desempenho de Denise Fraga, em raro papel dramático. Ela interpreta Vera, uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo brasileiro pelo desaparecimento do marido, durante a ditadura militar. No dia de sua mudança para o novo apartamento, o marido (Cesar Troncoso) aparece. Seria ele um fantasma ou um homem de carne e osso que resolveu voltar?

Essas são perguntas até um tanto ingênuas, mas que praticamente todo espectador que não sabe nada sobre o filme acaba fazendo a si mesmo. O que também se destaca em HOJE é o bom trabalho de Tata Amaral dentro de um ambiente apertado, coisa que ela fez muito bem em seu longa de estreia, o ótimo UM CÉU DE ESTRELAS (1996), possivelmente ainda o seu melhor trabalho.

Pena é que esse tema da ditadura já foi tão explorado pelo cinema que já se tornou um tanto cansativo. Há quem diga que não foi o bastante e que é preciso ainda ouvir mais vozes e testemunhos desse período, mas vendo HOJE tive a impressão de já ter visto muito filme a respeito. Inclusive, na mesma mostra foi exibido o documentário MARIGHELLA, de Isa Grinspum Ferraz, que eu infelizmente deixei passar.

Pensando bem, HOJE está lá justamente porque se enquandra no perfil da mostra, que também conta com CABRA MARCADO PARA MORRER, de Eduardo Coutinho, e BATISMO DE SANGUE, de Helvécio Ratton.

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