terça-feira, dezembro 25, 2012

CLAMOR DO SEXO (Splendor in the Grass)



O cinema americano pelos olhos da geração de cineastas dos anos 1950, como Samuel Fuller, Nicholas Ray e Elia Kazan, tinha um diferencial em relação aos demais. Eles tinham um pé na contracultura e questionavam valores ultrapassados de seu país, como, por exemplo, o hábito de algumas famílias ainda não aceitarem o sexo antes do casamento. Ainda é pouco em comparação com o que vinha fazendo a Itália – basta lembrar de A DOCE VIDA, de Fellini, mais ou menos da mesma época -, mas já era uma evolução. Para tornar o tema ainda mais forte, Kazan transporta a sua trama para a segunda metade da década de 1920, pouco antes da Grande Depressão, e em uma pequena cidade no interior do Kansas.

Na trama de CLAMOR DO SEXO (1961), a jovem estrela Natalie Wood e o estreante no cinema Warren Beatty interpretam dois namorados que lutam contra sua vontade de fazer sexo numa sociedade que valoriza a virgindade e que classifica as mulheres em dois tipos: as boas garotas, para casar, e as garotas que não merecem muito respeito, para transar e buscar alívio das necessidades que um corpo com os hormônios em ebulição necessita. Ele é filho de família rica; ela é pobre. Mas ambos estudam na mesma escola. O filme mostra o que a repressão pode causar na vida de dois jovens que se amam.

A primeira sequência do filme, que mostra o casal dando uns amassos dentro do carro, Bud (Beatty) querendo algo mais do que simples beijos, Deanie (Natalie) tentando resistir, ainda que com muita dificuldade, já é carregada de uma sensualidade pouco vista no cinema americano da época, que ainda era bastante conservador. O filme não mostra cenas de nudez, mas a própria discussão e temática do filme, além da famosa cena de Natalie na banheira, já são suficientes para que o vejamos como ousado. Se bem que Kazan já tinha feito BONECA DE CARNE (1956), que eu não cheguei a ver, mas que parece que causou certo rebuliço na sociedade americana da época.

Mas foi Natalie Wood a maior razão de eu querer rever este filme, embora Elia Kazan também seja uma boa justificativa. Considero Natalie a mais bela e mais sexy estrela da década de 1960. Embora tenha começado a carreira ainda criança, foi nos anos 60 que a jovem atriz mostrou a que veio, mostrando-se cada vez mais atraente e com um sex appeal fenomenal. Em CLAMOR DO SEXO ela ainda carrega um pouco dessa inocência dos primeiros anos, mas já misturada com a sensualidade latente. Inesquecível a cena em que ela se oferece para o namorado para fazerem sexo no carro, dizendo para ele que não é uma "good girl". E o final, tão realista e cheio de desencanto, também ajuda a tornar o filme de Kazan um dos mais importantes de sua época.

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