sexta-feira, dezembro 21, 2012

A GUERRA DOS BOTÕES (La Guerre des Boutons)



Já faz um bom tempo que eu vi este filme e por tê-lo visto até com um pouco de má vontade, demorei um bocado a escrever um texto a respeito. Talvez por eu encará-lo como um simples filme de criança, ignorando o contexto social e político que a obra pudesse carregar, trazido do próprio texto literário no qual é inspirado. Mas a verdade é que eu não consegui enxergar além da bonita ingenuidade e do sentimento de saudosismo em A GUERRA DOS BOTÕES (2011), nesta versão de Yan Samuell, a única que vi até o momento.

E eu também estou com uma mania bem feia de me desinteressar um pouco pelos filmes infantis. Raramente tenho conseguido vê-los no cinema sem uma cochilada. No caso de A GUERRA DOS BOTÕES, como o filme é francês, foi exibido no Cinema de Arte, talvez por ser um tanto estranho para o circuito mais comercial. Mas será que é só por ser francês? Será que estamos tão sujeitos ao imperialismo do cinema americano que basta um filme ser falado em língua francesa para logo ser empurrado para o circuito alternativo, mesmo tendo, supostamente, potencial para agradar jovens plateias?

Mas será, também, que essas jovens plateias iriam se encantar pelo filme, já que ele lida com um modo de vida que está cada vez mais distante da rotina da criança dos dias de hoje, mais ligada a videogames e internet? É por isso que boa parte do público que estava na sessão era de pessoas mais experientes. Para eles, importa o saudosismo, além de curtir a fofura e a ingenuidade das crianças com ar de ternura.

A trama envolve duas gangues rivais, que lutam entre si durante anos. Mas a luta deles, apesar de muitas vezes envolver pedras e paus, não chegar a provocar ferimentos. Pelo menos, o filme não mostra nada de forma violenta. É tudo muito suave. O exemplo mais representativo disso é a cena em que um grupo captura um dos inimigos e arranca os botões de sua camisa, para que ele chegue em casa e leve uma surra da mãe. A nova versão transpõe a história para a década de 1960, talvez para simbolizar o fim da inocência. Ou talvez apenas para aproximá-lo mais das plateias de hoje do que seria se situasse a trama no início do século XX.

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