sábado, dezembro 15, 2012

O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA (The Hobbit – An Unexpected Journey)



Que bom que Peter Jackson acabou ficando mesmo com a direção de O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA (2012). Antes era Guillermo Del Toro o cineasta cotado. Não deixa de ser um alívio ver que ele não perdeu a mão e que o retorno à Terra Média foi foi bem sucedido, embora ainda não tão bom quanto nenhum dos exemplares da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Ainda assim, é um trabalho muito digno e que tem um tom solene que ajuda a tornar a história mais fácil de ser "comprada" pelo espectador, já que há tantos elementos fantasiosos.

A responsabilidade de transformar um livro menor da carreira de J.R.R. Tolkien em um produto à altura da trilogia que fez a fama do escritor sul-africano era tremenda. Até porque a decisão polêmica de transformar um pequeno livro em três longos filmes pareceu, a princípio, precipitada e megalomaníaca da parte do cineasta neozelandês, que desde O SENHOR DOS ANÉIS - O RETORNO DO REI (2003) não dirigia um filme de respeito.

Outro desafio e que foi enfrentado com muita habilidade pelo cineasta foi transformar um livro infanto-juvenil em algo semelhante à grandiosidade e ambição da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Embora a história não pareça tão boa quanto a Trilogia do Anel, é um prazer poder voltar à Terra Média e poder encontrar personagens conhecidos, como Gandalf (Ian McKellen), Frodo (Elijah Wood), Elrond (Hugo Weaving), Galadriel (Cate Blanchett), Saruman (Christopher Lee) e principalmente Gollum (Andy Serkis), que contribui com o melhor momento do filme.

Para rechear a trama, Peter Jackson usa também narrativas de outras obras de Tolkien, como os apêndices de O Senhor dos Anéis, entre outras liberdades criativas trazidas como um presente para os fãs da cinessérie. Apesar da longa duração, que talvez se beneficiasse de alguns cortes, a narrativa segue mais ou menos um terço do livro. Sinal de que aparentemente as coisas estão sob controle e que Jackson parece ter tudo em mente para os próximos capítulos.

Não tive como ver o filme em 48 fps, mas quem viu costuma dizer que gera certo cansaço e, dependendo da pessoa, até um pouco de mal estar. Resta saber se essa nova tecnologia vai mesmo vingar, se é mesmo o futuro do cinema. Em 3D convencional, porém, o filme está muito bem. Até parece que o formato foi feito para abrigar obras grandiosas como essa. Aliás, é importante que O HOBBIT seja visto no cinema. Há inúmeras cenas em planos gerais que deixam os personagens pequenininhos diante da natureza imensa. Em uma televisão, eles ficariam quase invisíveis.

Na trama, o pacato e pequeno hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman, incrivelmente parecido com Ian Holm, sua versão mais velha) é convidado pelo mago Gandalf a ingressar numa aventura que vai mudar sua vida. Depois de rejeitar a oferta e de conhecer um grupo de anões que fazem uma bagunça em sua pequena toca, ele acaba aceitando-a, mesmo sabendo dos perigos que estaria correndo. O principal objetivo da missão é recuperar o lar perdido dos anões, que há anos foi tomado por Smaug, um imenso e temível dragão, visto muito rapidamente no empolgante prólogo que abre o filme.

Quanto aos novos personagens, destaque, sem dúvida, para o príncipe dos anões, Thorin Escudo de Carvalho, vivido por Richard Armitage, que curiosamente é o único que tem a vantagem de posar de galã entre os demais anões, cobertos por maquiagem pesada para parecerem de fato anões. Armitage, com seu charme e sua presença de cena, até lembra o Aragorn de Viggo Mortensen, na Trilogia do Anel, parecendo, portanto, um humano.

As cenas de batalha são de deixar o espectador com os olhos grudados na tela. Assim, diferente de O SENHOR DOS ANÉIS – A SOCIEDADE DO ANEL (2001), que tivemos que esperar um pouco pelas cenas de ação, O HOBBIT tem ação até demais. Os poucos momentos de apreciação das paisagens da Nova Zelândia e da beleza dos cenários construídos são apenas uma trégua para as cenas de ação. Orcs, trolls, goblins, aves gigantes e até gigantes de pedra fazem parte do menu oferecido por Jackson. É um espetáculo que pelo menos vai nos lembrar da grandeza da Trilogia do Anel, que até pode ter ficado esquecida nestes últimos anos.

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