DIÁRIO DE UM CINÉFILO |
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Comentários sobre filmes por Ailton Monteiro, cinéfilo de Fortaleza.
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Sábado, Janeiro 14, 2012
SCARFACE ![]() São poucos os filmes de Brian De Palma que não me agradam. De certa forma, SCARFACE (1983) era um deles, mesmo sendo uma superprodução ambiciosa de cerca de três horas de duração. Havia visto em vhs na aurora de minha cinefilia e não tinha gostado muito e agora, em dvd, com a janela correta em scope e som 5.1, a minha impressão não mudou muito. Continuo vendo o personagem de Tony Montana como um dos mais caricatos da carreira de Al Pacino, por mais que digam que ele foi supervisionado por uma equipe de cubanos. Mas não se trata de falar bem como um cubano; a questão é de interpretação mesmo. Que eu vejo como acima do tom. Aliás, não é só a interpretação de Pacino, mas todo o filme parece cheio de excessos. Nem falo da violência, que para os dias de hoje nem chega a incomodar. Assistindo os bons extras, o documentário do sempre ótimo Laurent Bouzereau, talvez eu tenha encontrado as respostas para o porquê de eu não gostar do filme. Uma delas talvez seja por não ser um "autêntico" De Palma. É mais um filme de produtor (Martin Bregman) e roteirista (Oliver Stone) do que exatamente de diretor. Inicialmente, o diretor contratado para dirigir SCARFACE, refilmagem do clássico de Howard Hawks de 1932 (que aproveito para dizer que não é também um dos meus favoritos de um dos meus cineastas favoritos), era Sidney Lumet. O experiente Lumet não gostou do roteiro, achou muito violento etc, e acabou caindo fora do projeto. Daí Martin Bregman convidou De Palma para dirigi-lo. Oliver Stone adoraria ter dirigido, mas, devido a sua pouca experiência e ao fracasso comercial do horror A MÃO, não o deixaram. Aí chega De Palma para botar ordem em casa e contratar a então iniciante Michelle Pfeiffer para viver a mulher do traficante Frank Lopez (Robert Loggia) e que seria interesse amoroso (se é que dá pra chamar assim) do ambicioso psicopata Tony Montana, que, embarcando nos Estados Unidos, afirma ser um preso político e assim é aceito, já que o país ainda vivia em forte rixa com a Cuba de Fidel. Assim como no filme de Hawks, o SCARFACE de De Palma também aproveita o interessante subtexto do amor doentio de Montana pela própria irmã (Mary Elizabeth Mastrantonio). O clima anos 80, ainda influenciado pela disco do fim dos 70, dá um colorido especial à produção e também combina com o submundo da cocaína. Claro que o filme tem muitas cenas memoráveis, mas não as vejo com muita admiração. Talvez a minha cena preferida e que é mais credora do cinema de Alfred Hitchcock seja a que Pacino vai negociar pela primeira vez com um traficante colombiano e o sujeito usa uma serra elétrica para matar o seu colega. E a câmera desce para mostrar o outro amigo (Steven Bauer) esperando no carro, brincando com uma moça de biquíni. Esse é um bom momento de tensão. Mas nada que não possamos encontrar em escala muito superior em obras melhores e mais intensas de De Palma. |