terça-feira, março 12, 2013

A FUGA (Deadfall)



Infelizmente a estreia do cineasta austríaco Stefan Ruzowitzky em Hollywood não foi das mais felizes. Mais conhecido pelo horror ANATOMIA (2000) e pelo drama de guerra OS FALSÁRIOS (2007), o diretor foi convidado a dirigir um elenco bem interessante num thriller que aqui ganhou o nome de A FUGA (2012). Infelizmente o roteiro pouco inspirado e com diálogos ruins acaba prejudicando as possibilidades de o filme ganhar a força necessária para fazer o sangue gelar. E nem me refiro à geografia do filme, ambientado numa das regiões mais frias dos Estados Unidos, próxima à fronteira com o Canadá, mas à capacidade que os grandes filmes de suspense têm de mexer com a nossa circulação e nossa frequência cardíaca.

Um dos pontos positivos do filme é exatamente esse visual branco, que às vezes contrasta com o vermelho do sangue derramado de algumas vítimas. Também há algo de pouco comum, que é Eric Bana no papel de um sujeito mau. Ele havia aparecido como uma espécie de vilão em CHOPPER - MEMÓRIAS DE UM CRIMINOSO, de Andrew Dominik, além de esconder seu rosto de bom rapaz sob a maquiagem para atacar a Enterprise em STAR TREK, de J.J. Abrams, mas, de cara lavada, demora a convencer. .

Olivia Wilde não tem a mesma dificuldade de convencer que é aquele espetáculo de mulher, mas é prejudicada pelo papel e pelas falas. A cena em que sua personagem tenta seduzir o personagem de Charlie Hunnam chega a ser constrangedora de tão ruim. Assim, os melhores momentos acabam sendo os que envolvem Eric Bana.

Há também um grupo de coadjuvantes que poderiam salvar o filme, mas que não o fazem por serem apenas elenco de apoio, como é o caso de Kate Mara, Kris Kristofferson e Sissy Spacek. Mas quando eles aparecem em cena, o filme ganha em qualidade. Tanto a jovem Kate quanto o casal de veteranos representam muito bem pessoas que vivem naquela pequena cidade do interior. Aliás, outro elemento estranho e muito interessante no filme é o meio de transporte que os policiais utilizam para conseguir se movimentar na neve.

Na trama, Eric Bana e Olivia Wilde são dois irmãos de comportamento muito estranho que aplicam um golpe num cassino. O filme já começa com eles dois e mais um motorista contando uma grande quantidade de dinheiro no carro. Até que um acidente fatal faz com que apenas os dois sobrevivam e um policial acaba assassinado pelo personagem de Bana, que sugere que eles se separem para se encontrarem depois, após atravessarem a fronteira do Canadá. Paralelamente, vemos a história de um ex-boxeador recém-saído da penitenciária e que acaba cometendo um crime. Ele é o homem que dará carona para a bela e complicada golpista.

O roteirista Zach Dean é estreante. Engraçado como Hollywood tem dessas coisas: um diretor estreante no país, mas com um currículo interessante, chamado para dirigir um roteiro de um sujeito sem nada no currículo. Esforçado, Ruzowitzky faz o que pode para salvar o filme, que, mesmo não sendo nenhuma maravilha do cinema de suspense, consegue prender a atenção até o fim e tem os seus momentos.

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