terça-feira, novembro 28, 2006

FONTE DA VIDA (The Fountain)



O que dizer sobre FONTE DA VIDA (2006)? Dizer que é um dos filmes mais chatos e pretensiosos do ano é chover no molhado. Poderia então falar do quanto eu fiquei impaciente e olhando para o relógio, torcendo pra que aquela tortura acabasse logo, mas sobre isso não tenho muito o que desenvolver. Dos longas anteriores de Darren Aronofsky - PI (1998) e RÉQUIEM PARA UM SONHO (2000) - gostei um pouco do segundo, ainda que muito disso seja por causa da presença de Jennifer Connelly, que sempre me deixa hipnotizado e com meu senso de julgamento afetado. FONTE DA VIDA seria um retorno a uma temática mais pretensiosa, mais cabeça, iniciada em PI. É o filme da vida do diretor. Fico imaginando o quanto deve ser frustrante para um artista o filme de sua vida resultar num fracasso. Se bem que é possível que Aronofsky tenha ficado satisfeito com o seu trabalho, já que vários críticos elogiaram bastante o filme. Nesse ano, FONTE DA VIDA talvez seja, ao lado de A DAMA NA ÁGUA, de Shyamalan, o filme que mais vem despertando opiniões diametralmente opostas.

FONTE DA VIDA tem uma narrativa dividida em três partes. Tirando a narrativa contemporânea, que mostra o drama de um médico/cientista (Hugh Jackman) que estuda um meio de curar o câncer da esposa (Rachel Weisz), as outras duas são um pouco difíceis de serem situadas geograficamente. Principalmente aquela que mostra um Hugh Jackman careca sentado no espaço numa espécie de plano astral. A terceira, depois iremos saber, situa-se há mais de 500 anos na Espanha, na época da Inquisição. A impressão que se tem é que o diretor não soube costurar essas tramas e o resultado acabou sendo um melodrama ingênuo e mal ajambrado com pretensões de soar espiritual, cósmico ou coisa parecida. Um dos momentos mais constrangedores do filme é aquele em que Rachel Weisz pergunta ao marido o que ele acha da idéia de se morrer para dar a vida. Como se essa idéia fosse original.

As religiões orientais já lidam com isso há séculos. Para os hinduístas, por exemplo, o universo inteiro é parte do divino, e tudo é parte de Deus. Desta maneira, Deus está presente em tudo. Nesse sentido, Deus morreu para criar o mundo, como um dançarino que se confunde com a própria arte ou como uma semente que morre para que uma árvore possa nascer. Falando em árvore, a tal árvore "cabeluda" da estória é supostamente inspirada numa árvore do Jardim de Éden. Essa árvore teria o poder de trazer a vida eterna.

No meio dessa salada toda, os únicos momentos realmente empolgantes do filme é quando a gente ouve a palavra "termine, termine" repetidas vezes. É como se houvesse uma entidade secreta, dentro do próprio filme, tentando acabar com aquela tortura. E quanto mais eu ouvia isso, mais eu torcia pra que o filme acabasse mesmo. Tanto que nem me lembro mais do final. Enquanto isso, a veterana Ellen Burstyn sofre, tendo participado de duas bombas seguidas, sendo que a outra foi O SACRIFÍCIO.

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