segunda-feira, junho 16, 2003

O HOMEM SEM PASSADO E OUTROS FILMES

O final de semana foi até bom. Na sexta-feira fui pra um show de uma banda de garotas chamada AS SENHORITAS com os amigos do curso de inglês Ernando e Ilano. A banda é de Campina Grande e elas são especializadas em pop rock cantado por mulheres (Cranberries, Alanis Morrissete, Garbage, Kid Abelha etc.). Faltou Breeders, Elastica e L7. O show foi bom, mas faltou mais entusiasmo tanto da banda quanto da platéia, minguada e bem estranha.

No sábado foi dia de ver O HOMEM QUE COPIAVA à tardinha, filme que eu já comentei no blog e que recomendo pra todo mundo.

Seguem a seguir os comentários dos outros filmes que vi no fim de semana:

O HOMEM SEM PASSADO (Mies vailla menneisyyttä)

Filme do diretor finlandês Aki Kaurismäki, que esteve no ano passado na Mostra Internacional de São Paulo divulgando seus filmes, especialmente os da série Cowboys de Leningrado. O humor dele é bastante esquisito. Tanto é que poucas pessoas no cinema riam com as situações. Pelo contrário, várias pessoas saíram do cinema xingando o filme.

No filme, o protagonista é um sujeito que é espancado e perde a memória. As pessoas de uma comunidade pobre da Finlândia passam a ajudá-lo a recuperar a saúde e até lhe dão uma vida nova, arranjando-lhe moradia e emprego.

Eu achei o filme mais interessante do que realmente bom. Ele é bem diferente, há um tom de indecisão entre a comédia e o drama, mas eu costumo gostar de filmes assim. Até lembrei de OS EXCÊNTRICOS TENEBAUMS, de Wes Anderson, com aquelas pessoas com expressão séria demais. Gostei das tomadas da paisagem sombria da Finlândia e das caracterizações dos personagens.

Vi agora no IMDB que o diretor do filme está no projeto TEN MINUTES OLDER: THE TRUMPET, que reúne curtas-metragens de diretores consagrados de várias partes do mundo como Chen Kaige, Victor Erice, Werner Herzog, Jim Jarmush, Spike Lee e Wim Wenders. Não sei o que há de comum entre os curtas. Se alguém souber, tell me.

UMA NOITE COM SABRINA LOVE (Una Noche con Sabrina Love)

Dos filmes vistos na telinha, o melhor deles foi UMA NOITE COM SABRINA LOVE, produção argentina que milagrosamente passou no SBT numa noite de sábado. Ele tinha recebido cotação 4 estrelas pelo Inácio Araújo na Folha de S. Paulo, fiquei curioso e gravei. O diretor é Alejandro Agresti. Nunca tinha visto nada dele. Mas o elenco tem nomes conhecidos: Tomás Fonzi (NOVE RAINHAS, KAMCHATKA) é o garoto que ganha num sorteio o prêmio de passar uma noite com Sabrina Love (Cecília Roth de KAMCHATKA e TUDO SOBRE MINHA MÃE), uma famosa atriz pornô. Também no elenco, a veterana Norma Aleandro (O FILHO DA NOIVA, CORAÇÃO ILUMINADO).

O filme além de divertido, mostra o momento inicial da sexualidade masculina. Cecilia Roth está muito bonita e sensual como a atriz pornô e a cena de sexo entre os dois ficou muito boa, ainda que pouco apelativa.

Não sei se o filme está disponível em vídeo mas, mesmo assim, recomendo bastante. Fiquei até com vontade de ver KAMCHATKA, outra produção argentina que está em cartaz aqui na cidade e já elogiada pelo Thomaz.

O MENSAGEIRO (The Postman)

Esse filme de 1997 do Kevin Costner eu tive de assistir "em fascículos" por ser bem grandinho. Hehehe.. Já fazia algum tempo que o Santiago tinha me emprestado o DVD e só recentemente assisti. Mostra que Kevin Costner gosta de filmes grandes, com belas paisagens áridas dos EUA e com duração longa - vide DANÇA COM LOBOS (1990) e WATERWORLD (1995). Vi agora no IMDB que ele finalizou OPEN RANGE, outro filme dele na direção, um western. Até que ele fica bem de cowboy. O MENSAGEIRO é quase um western. Só que um western numa América pós-apocalíptica. Uma coisa que o filme nos faz ver é o quanto nós precisamos de comunicação. Principalmente agora, na era da internet, em que costumamos escrever mais e mais cartas. Imagina se tiram isso da gente.

A BRUMA ASSASSINA (The Fog)

Um dos filmes fracos de John Carpenter. É uma bagunça só. E eu achando que era um dos melhores. Que decepção. A trama é confusa, o terror não assusta, os diálogos são ruins. A história trata de uma névoa que se aproxima da cidade e vai deixando misteriosamente pessoas mortas. O curioso é que no filme estão Janet Leigh (PSICOSE) e Jamie Lee Curtis (HALLOWEEN) - mãe e filha, juntas e representativas de duas épocas diferentes do gênero "filme de psicopata". Também no elenco Adriene Barbeau (DOIS OLHOS SATÂNICOS). Pra quem quer ver Carpenter errando a mão. Gravado do Telecine pelo Renato.

domingo, junho 15, 2003

O HOMEM QUE COPIAVA



A vida que a gente leva às vezes é tão besta que precisamos sempre de uma fuga, seja através da arte, seja através de fantasiar situações ou mesmo de tentar mudá-las. E mesmo quando a vida é boa e agradável, há o fator tempo para nos dizer que isso vai durar pouco. Shakespeare vivia sendo perseguido pelo pensamento de que o tempo iria lhe tomar a sua vida, a sua juventude, o seu amor, a beleza de sua amada. Ele tentava através dos seus sonetos e peças vencer o tempo, se tornar imortal.

Shakespeare é citado em O HOMEM QUE COPIAVA, nova pérola de Jorge Furtado. Nele, Furtado mostra um dos sonetos do bardo inglês obcecado pelo tempo e pelo morte. E esse trecho aparece num dos momentos mais belos do filme. A fuga que eu falei lá em cima, eu explico: eu quando criança costumava fantasiar momentos fictícios ao lado da menina por quem eu estava apaixonado. E eu imaginava estar com ela, andando de mãos dadas à noite, mas de repente eu perdia o controle da minha fantasia. A história criava vida própria e o meu medo aparecia na forma de um ladrão ou de um assassino que aparecia pra estragar a fantasia. No filme de Furtado, ele cria uma fantasia, com a grande vantagem de que todos os medos, todos os empecilhos que atrapalham e perturbam nosso herói podem ser driblados. E não tem lugar nem mesmo pra culpa cristã. Que maravilha. Não tem como não sair do cinema com um sorriso no rosto.

A história, acho que todo mundo já sabe: André (Lázaro Ramos) é operador de fotocopiadora que ganha uma miséria e é apaixonado por uma menina (Leandra Leal). Ele procura meios de conquistá-la, apesar da pouca grana que sempre lhe é um problema. Entre um desses meios pouco aconselháveis está a falsificação de dinheiro. Também no elenco pra embelezar e fazer rir estão, respectivamente, Luana Piovani (ela é tão gostosa que dá raiva) e Pedro Cardoso.

O HOMEM QUE COPIAVA é engraçado, inteligente, emocionante e tem elementos de suspense inspirados, inclusive, em JANELA INDISCRETA, de Hitchcock. As características do Jorge Furtado que a gente conhecia dos curtas ILHA DAS FLORES e O SANDUÍCHE estão mais explícitas do que no filme anterior dele (HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES). Mas do filme anterior está o amor que não se importa em ultrapassar as barreiras. Se no primeiro filme o garoto, mesmo sendo enganado pela mulher sacana, continua tentando ficar com ela; neste, o obstáculo é a falta de grana que, graças ao deus Furtado, é problema que pode ser solucionado. E que solução.

domingo, junho 08, 2003

OS PÁSSAROS (The Birds)



Eu de novo. Dessa vez pra falar de outro Hitchcock: OS PÁSSAROS, um dos filmes mais impressionantes do mestre do suspense. Ver o filme dá a impressão de que ele é um milagre. Um milagre realizado por um deus do cinema. Em 1963, ano de produção do filme, não havia computação gráfica, efeitos CGI e coisas do tipo. Era tudo muito trabalhoso. Eles utilizaram pássaros de verdade, treinados por experts, alguns pássaros mecânicos, pássaros de papel, técnicas para incorporar pássaros em cena, múltiplos cortes de celulóide pra ajudar na ilusão. Um trabalhão realizado por gente de coragem.

Lembro que quando eu ia pra uma igreja evangélica na infância e adolescência, o pastor de vez em quando comentava que cada vez mais se via menos aves no céu. Que elas estavam se preparando para o dia da grande tribulação, quando o planeta iria viver os dias do Apocalipse. Aquilo, junto com a história do arrebatamento da igreja, me deixava aterrorizado. Nem sei se tem na Bíblia essa história dos pássaros surgirem pra atacar o homem, mas no filme de Hitchcock o tom apocalíptico não encontra concorrente à altura.

Numa determinada cena no bar da cidade, um bebum grita, diante de rumores de ataques dos pássaros: "É o fim do mundo!". Talvez o filme que mais se aproxima desse tom apocalíptico (que eu tenha visto) tenha sido ZOMBIE: O DESPERTAR DOS MORTOS (1978), de George Romero.

Uma coisa fascinante no filme é o silêncio, só interrompido pelo diálogo dos personagens e pelo som dos pássaros e dos objetos que eles quebram. Bernard Hermann é apenas o consultor de efeitos sonoros. A falta de uma trilha dá uma sensação de estranheza no ar, deixando o filme com clima de pesadelo.

As minhas cenas preferidas são: a do ataque dos pássaros às crianças; a visão de cima mostrando o estrago feito pelos pássaros na cena do posto de gasolina; os ataques finais à casa, que devem ter sido inspiração pra filmes como A NOITE DOS MORTOS-VIVOS(1968), de George Romero, SOB O DOMÍNIO DO MEDO (1971), de Sam Peckinpah e ASSALTO À 13ª D.P. (1978), de John Carpenter, entre outros.

Outra coisa impressionante é que o filme se sustenta durante 40 minutos sem ataques "de verdade" dos pássaros. Hitchcock estava construindo um drama familiar, onde uma estranha (Tippi Hedren) surgia numa cidade a fim de um romance com um sujeito (Rod Taylor) que vivia com uma mãe possessiva (Jessica Tandy). A família com problemas é bem a cara de Hitchcock.

Os extras

Nos extras, a atração principal é um documentário de 79 minutos sobre os bastidores do filme. Há muitos detalhes técnicos, já que o filme tem muitos efeitos especiais. Mas há também uma declaração emocionante de Tippi Hedren (ainda uma bela senhora) que conta de quando era uma modelo em decadência e foi parar num filme de Hitchcock. Só vendo a história, hein. O teste que Hitch fez com ela, é outro dos extras do DVD. Ela fez o teste com o ator que fez o detetive Arborgast em PSICOSE. Por falar em PSICOSE, a técnica de múltiplos cortes usada na cena da banheira, aparece novamente em OS PÁSSAROS, numa cena do fim do filme.

Rod Taylor está velhão e bem diferente do galã que era no filme.

Comenta-se o final alternativo, que também achei muito bom. O script com esse final também é outro extra.

O trailler do filme é bem grandinho (quase 5 minutos) mostrando Hitchcock falando com o público sobre o relacionamento do homem com os pássaros, o aparecimento de armas de fogo e outras coisas que o meu inglês não soube entender, até o aparecimento de Tippi Hedren, gritando aterrorizada. Fico imaginando um trailler desses hoje em dia no cinema. Como seria a reação do público? De inquietação ou de interesse?

sábado, junho 07, 2003

PSICOSE (Psycho)

Hoje vi o DVD de PSICOSE, incluindo o documentário de 93 minutos (!!!) que vem no disquinho. Uma maravilha, hein. PSICOSE é um dos filmes que mais deixam cenas marcadas na mente. Considero um dos quatro melhores filmes de Alfred Hitchcock, ao lado de outras obras-primas como UM CORPO QUE CAI, OS PÁSSAROS e FESTIM DIABÓLICO. Não saberia dizer qual dos quatro é o meu favorito. O filme continua ótimo na revisão. Mas a cena mais aterrorizante pra mim não é a famosa cena do chuveiro e sim a morte do detetive Arbogast, mais inesperada e em que as cordas de Bernard Hermann aparecem de surpresa. Como é impressionante a trilha sonora desse homem, hein! E os créditos iniciais de Saul Bass? Algo de extraordinário a cena que mostra o corpo morto de Marion Crane, na banheira, com a câmera focalizando um de seus olhos. Elogiar mais o filme é chover no molhado.

O filme já foi tão citado que dá até pra listar outros que beberam da fonte do filme do Hitch:
IRMÃS DIABÓLICAS (1972) e VESTIDA PARA MATAR (1980), ambos de Brian DePalma são explícitos em homenagear o filme; PULP FICTION (1993) de Quentin Tarantino o homenageia na cena do carro, em que Marion Crane dá de cara com o seu chefe cruzando o sinal de pedestres. Isso sem falar na própria refilmagem de PSICOSE (1998), de Gus Van Sant, que tanta gente odeia e eu gosto bastante. Há também os filmes de Dario Argento e John Carpenter, mestres do terror que devem muito ao mestre Hitch.

Os Extras

Como eu falei lá em cima, para desespero de quem havia comprado caro o box com os DVDs de Hitch na Universal, que veio com um PSICOSE sem extras, o DVD vendido em separado vem com um "making of" de 93 minutos pra ninguém botar defeito. O documentário serve pra aprofundar o que a gente acha que sabe do filme de Hitch. Há depoimentos do roteirista do filme, de Janet Leigh, de Pat Hitchcock e de outros membros da produção.

Aprendi hoje algumas coisas a respeito do filme:

-Antes do filme, Hitch vinha de uma super-produção - INTRIGA INTERNACIONAL - e dessa vez queria fazer um filme de baixo orçamento, de menos de um milhão de dólares e em preto e branco.
- Na cena que mostra Marion Crane morta na banheira, Hitch queria que Janet Leigh usasse lentes de contato para dar melhor impressão de vazio no olhar. Janet não conseguiu se adaptar às lentes.
- No livro "Psycho", que inspirou o filme, o personagem de Norman Bates era gordo e bem desagradável. O roteirista escolheu Anthony Perkins pois ele passava simpatia para a platéia.
- Hitchcock odiava filmar em locações. Elas eram extremamente trabalhosas.
- Interessante a explicação do uso do sutiã usado por Janet Leigh no começo do filme, de cor branca, significando a pureza. Depois que ela rouba os 40 mil dólares, ela usa um sutiã preto. Na época, mostrar lingeries no cinema era bastante ousado.
- Foi PSICOSE o primeiro filme americano a mostrar uma privada, e dando descarga. Coisas da cultura americana.
- O boato de que foi Saul Bass quem dirigiu a cena do chuveiro é desmentida pelo elenco.
- A cena do banheiro levou 7 dias para ser filmada!!!
- O filme recebeu várias críticas negativas na época. O roteirista acredita que foi porque Hitch não liberou sessões de cabine para os críticos e eles ficaram putos. Tiveram que assistir o filme pegando fila, como o público normal.

Há mais um monte de curiosidades sobre o filme, que não dá pra mencionar aqui. Na verdade, eu nem deveria ter listado essas aí em cima..hehehe..

Amanhã vou tentar ver o DVD de OS PÁSSAROS e volto aqui pra comentar.

terça-feira, junho 03, 2003

IRMÃS DIABÓLICAS (Sisters)

Tive a oportunidade de conferir um dos primeiros filmes de Brian DePalma no último domingo. Excelente. Ver SISTERS (1973) dá a impressão de estar vendo um filme dirigido pelo próprio Hitchcock. A comparação com Hitch é inevitável. Nesse caso, PSICOSE é a principal citação que DePalma faz ao mestre do suspense. Inclusive, o próprio Bernard Hermann faz a trilha sonora, que parece bastante com a de PSICOSE. Uma cena de sangue e violência também. Assim como a conversa entre as duas irmãs e as explicações psicanalíticas. Há até quem considere plágio. Eu considero uma homenagem. Há quem desconsidere completamente a obra de DePalma. Eu me delicio com seus filmes.

Na história, Margot Kidder (mais conhecida com a Lois Lane de SUPERMAN) é uma gêmea siamesa separada da irmã. Ela é uma modelo que, depois de trabalhar numa "pegadinha" de um programa de tv, convida a "vítima" para jantar. Os dois transam. Ele sai pra comprar um bolo de aniversário pra ela na manhã seguinte. E o resto não dá pra dizer pra não estragar a surpresa. Além de Margot Kidder, marca presença e embeleza a tela Jennifer Salt, como a curiosa investigadora do assassinato, visto através da janela de seu apartamento (como em JANELA INDISCRETA).

SISTERS é do mesmo estilo (suspense hitchcockiano) de outras maravilhas de DePalma como CARRIE, A ESTRANHA (1976), VESTIDA PARA MATAR (1980), BLOW OUT (1981), DUBLÊ DE CORPO (1984) e SÍNDROME DE CAIN (1992). Aliás, esse último filme é uma retomada mais explícita a um tema recorrente na obra de DePalma (o duplo) e é - grosseiramente falando - uma versão masculina de SISTERS.

SISTERS foi gravado pelo chapa Renato do DVD da Continental.

segunda-feira, junho 02, 2003

O OLHO QUE TUDO VÊ (My Little Eye)

Os filmes de terror andam em baixa desde o ano passado. Esse ano, apenas um ótimo filme apareceu nos cinemas (O CHAMADO) e este ainda carrega a desvantagem de ser um remake de um filme japonês. Esperemos que o filme de Danny Boyle (EXTERMÍNIO) seja tão bom quanto o esperado.

O OLHO QUE TUDO VÊ é uma mistura de BRUXA DE BLAIR com Big Brother, com uma história que também lembra o horror inglês O BURACO. A trama: cinco jovens aceitam participar de um reality show exibido pela internet a fim de ganhar 1 milhão de dólares. Diferente do Big Brother, que funciona por eliminação, nesse jogo, se um desiste, todos perdem. E o tempo do jogo é de 6 meses.

O que mais lembra A BRUXA DE BLAIR é a tentativa de tornar o filme o mais real possível, utilizando inclusive câmera digital de baixa qualidade. No caso, várias câmeras, espalhadas por toda a casa. Interessante que tem câmera até na caneta que uma das meninas escreve. Uma das coisas que diferem, porém, é o uso do som em momentos de suspense, o que acaba tornando o filme quase um terror convencional. O filme é bem violento (estava sentindo falta de violência nos filmes de terror...hehehe) e contém cenas de sexo (nem tão fortes assim).

Merece um parágrafo à parte uma canção do Peaches que toca bem alto numa cena de sexo. A canção é muito legal e sacana e se chama "Fuck the Pain Away" e já começa com a vocalista pedindo para alguém chupar os seus "peitinhos". Hehehhe..Segue trecho da canção:

"Suckin' on my titties like you wanted me/
calling me all the time like Blondie/
check out my Chrissie behind/
it's fine all of the time/
like sex on the beaches"
O AMOR EM DOIS FILMES

Dois filmes vistos no cinema no sábado tratam da temática do amor de maneiras distintas. Seguem os comentários:

EMBRIAGADO DE AMOR (Punch-Drunk Love)

O título original bacana do filme de Paul Thomas Anderson virou essa coisa brega que é o título nacional, que é melhor nem ficar repetindo. A primeira frase que me veio à cabeça, vendo o filme foi: "P.T. Anderson é doido". E o filme é muito maluco mesmo. O que é bastante coerente com os dois filmes anteriores do cineasta. Em MAGNOLIA há todo um clima de perturbação, de angústia. Em BOOGIE NIGHTS, no ato final, que mostra a decadência dos personagens, também sente-se esse clima nervoso. PUNCH-DRUNK LOVE faz o oposto: a primeira parte do filme é a mais nervosa.

Na história, Adam Sandler é um cara anti-social. Vive sendo perturbado pelas irmãs, que querem lhe levar pra festas e lhe arranjar uma namorada. Como ele é muito tímido, acha a situação muito incômoda, pra dizer o mínimo. Ele se mete numa encrenca depois de experimentar um serviço de sexo por telefone. Em seguida, encontra o amor na figura de Emily Watson.

A química entre Adam Sandler e Emily Watson num filme de P. T. Anderson era algo que ninguém acreditava que desse certo. Mas o resultado ficou muito bom e, ao mesmo tempo, muito estranho. Tudo no filme é muito esquisito: o local de trabalho de Sandler, as ruas vazias da cidade, uns acidentes de carro assustadores, os tiques nervosos do comediante, os ângulos de câmera, a luminosidade contrastando ferozmente com a escuridão na fotografia, o romance que parece saído de um desenho animado, os mafiosos chefiados pelo colaborador constante de P. T. Anderson, Philip Seymour Hoffman.

Um dos melhores filmes do ano. Só pode decepcionar quem está procurando uma história de amor bem convencional. Mas quem mandou fazer expectativas?? hehehe

MARIE-JO E SEUS DOIS AMANTES (Marie-Jo et ses 2 Amours)

Filme francês de Robert Guédiguian, diretor de A CIDADE ESTÁ TRANQUILA. O filme mostra a história de Marie-Jo, uma mulher casada, que tem um amante secreto e ama os dois homens apaixonadamente. O filme custou a me conquistar. Talvez por mostrar pessoas muito comuns, totalmente desprovidas de glamour. Mas à medida que a trama vai crescendo, principalmente a partir da descoberta do romance pelo marido chifrudo, o filme vai se tornando mais e mais envolvente. O diretor fez um filme bastante parecido com a vida real. Há momentos de tédio, de choro, há momentos em que dá aquele nó na garganta, há até momentos de pura cafonice. Guédiguian coloca umas canções na trilha que chegam a ser constrangedoras de tão bregas. No filme há uma participação de Philippe Noiret, estranhamente não creditado no IMDB. Ou será que não era ele?

domingo, junho 01, 2003

CINEMA EM PRETO E BRANCO



De vez em quando eu me obrigo a ver uns filmes seguidos, seguindo uma certa temática. Só assim, eu vou conseguindo dar conta dos filmes gravados em VHS aqui em casa. Já fiz isso com três filmes do Hitchcock, três com o Jackie Chan, três com o Paul Newman, três filmes do Dario Argento etc. Faço isso de acordo com o que eu tenho disponível gravado aqui. Resolvi fazer um novo tema: os filmes em preto e branco que passam no Band na meia-noite de domingo. Sugiro a quem não está gravando que fique de olho na programação. Passam verdadeiras pérolas.

Os filmes que vou comentar brevemente são de diretores bem conhecidos, mas não populares: Joseph L. Mankiewicz, Anatole Litvak e Rober Mulligan.

QUEM É O INFIEL ? (A Letter to Three Wives)

Filme de 1949 de Joseph L. Mankiewicz, diretor de CLEOPATRA (1963), JULIO CESAR (1953), A CONDESSA DESCALÇA (1954), A MALVADA (1950), entre outros. O filme é todo contado usando o recurso (bastante utilizado na época) do flashback. Na história, três amigas, imediatameante antes de desembarcar num passeio de barco, recebem uma carta de uma quarta mulher. Na carta, a mulher diz que fugiu com um dos três maridos. Sem poder ligar ou fazer mais nada pra se livrarem dessa dúvida cruel, elas lembram de momentos de suas vidas com seus maridos, tentando encontrar motivos para terem sido abandonadas. Esse é um dos mais saborosos filmes de Mankiewicz e conta com um trio de atrizes muito legal. A mais bonita das três é Linda Darnell. Kirk Douglas está no elenco como um dos maridos. E uma das melhores coisas do filme é nunca mostrar a tal mulher que lhes escreveu a carta. Ela é apenas citada. Filmão!

NA COVA DA SERPENTE (The Snake Pit)

Esse é um filme de 1948 de Anatole Litvak, que dirigiu no mesmo ano UMA VIDA POR UM FIO (Sorry, Wrong Number), ótimo suspense com Barbara Stanwick e um dos mais fáceis de encontrar numa locadora uns dez anos atrás. Ver NA COVA DA SERPENTE dá uma dimensão do estilo de Litvak, bem exagerado. Certo dia, conversando com o Renato por icq, ele me contou que Reichenbach coloca um dos filmes de Litvak como uma espécie de "guilty pleasure", de tão grotesco que é em termos de interpretação e estilo de direção. Realmente os filmes dele são barrocos, exagerados. Nesse filme com Olivia De Havilland no papel título, a história é vista pelo ponto de vista de uma louca. A atriz é uma mulher que se vê confusa num hospital psiquiátrico ao lado de outras doidas. Ela não se lembra de por que está ali ou quem é ela. Só de algumas coisas. Diferente de filmes como UM ESTRANHO NO NINHO ou BICHO DE 7 CABEÇAS, o filme de Litvak não se propõe a denunciar os hospícios - mesmo mostrando a técnica do eletrochoque como um meio de "acordar" o paciente. Além disso, o médico da personagem também se utiliza da psicanálise freudiana, tentando descobrir as causas da loucura da paciente. Bom filme.

O PREÇO DE UM PRAZER (Love with the Proper Stranger)

Robert Mulligan, o diretor de VERÃO DE 42, dirige esse filme, de 1963, que traz os astros Steve McQueen e Natalie Wood como protagonistas. Acredito que Natalie Wood era vista com bons olhos pelos tarados de plantão da época. Os títulos nacionais era bastante apelativos sexualmente. O PREÇO DE UM PRAZER.... O CLAMOR DO SEXO... Além de tudo, Natalie Wood é uma graça e com certeza era um dos símbolos sexuais dos anos 50 e 60. Nesse filme, Steve McQueen é um jazzista que recebe a notícia de que a garota com quem ele saiu uma única noite (Natalie) está grávida. Ela pede para ele conseguir um desses médicos clandestinos pra fazer um aborto. Ele faz um esforço pra conseguir o dinheiro. Diferente do que eu pensei, o filme é uma bela história de amor. Daquelas de fazer a gente ficar querendo encontrar a nossa Natalie Wood. (Onde estará a minha?)

quinta-feira, maio 29, 2003

CLOONEY E BANDERAS NA DIREÇÃO

Dois dos últimos filmes que vi recentemente foram de atores famosos que tiveram sua única experiência na direção. O primeiro filme, dirigido por George Clooney, está em cartaz nos cinemas da cidade. O segundo, de Antonio Banderas, foi exibido na Rede Globo dias atrás. Comento a seguir.

CONFISSÕES DE UMA MENTE PERIGOSA (Confessions of a Dangerous Mind)

O filme de George Clooney é bem ousado esteticamente. Há alguns ângulos de câmera bem diferentes, especialmente no início do filme e o tema escolhido é dos mais interessantes: a história de Chuck Barris, o cara que já foi autor de sucesso radiofônico, apresentador de programa de auditório e matador a serviço da CIA.

Chuck Barris é interpretado brilhantemente por Sam Rockwell, que empresta um ar de canalhice ao personagem, ao mesmo tempo que mostra um sujeito às vezes perdido em sua vida dupla. No elenco, Drew Barrymore, bonita como nunca, fazendo o papel da inocente e amorosa mulher de Chuck Barris. O amor que ela sente e devota ao sujeito é uma das coisas mais bonitas do filme. Também no elenco, está a amigona de Clooney, sra. Julia Roberts, fazendo uma fria e atraente agente da CIA. Outro amigo de Clooney, Bratt Pitt, aparece numa ponta engraçada. E o outro amigo, o diretor Steven Soderbergh é um dos produtores executivos do filme. Filme feito na brodagem e que mostra um grande talento de Clooney como diretor. Espero que ele dirija mais filmes. Ele aparece no filme como o homem que contrata os serviços de Barris.

Uma das coisas que eu gostei de saber, vendo o filme, é que Barris é autor da canção "Palisades Park", que eu já conhecia na versão punk dos Ramones, presente no álbum LOCO LIVE. A canção é uma delícia de pop rock. Por falar em música, há uma música instrumental muito famosa que toca num momento crucial do filme, em que Rockwell contracena com Julia Roberts e que eu gostaria muito de saber de quem é. Já ouvi em outros filmes mas nunca soube de quem é, nem o título. E vendo pelas faixas da trilha sonora, não deu pra identificar. Somebody...?

LOUCOS DO ALABAMA (Crazy in Alabama)

O filme de 1999 de Antonio Banderas é bem menos ousado na parte técnica, mas mexe com um assunto bem polêmico: até que ponto devemos deixar de botar na cadeia uma pessoa que mata outra? Melanie Griffith é a mulher que, depois dos maus tratos do marido, o mata e corta a cabeça dele, fugindo para Hollywood pra tentar a sorte como atriz. Melanie, a esposa de Banderas, já esteve melhor (vide DUBLÊ DE CORPO e TOTALMENTE SELVAGEM) e hoje está feia e com aqueles lábios inchados. Mesmo assim, no filme ela é tratada como uma mulher linda e irresistível. Um certo exagero da parte do marido, provavelmente apaixonado. Paralelamente à história da mulher, com a cabeça do marido pra lá e pra cá, há uma trama envolvendo o preconceito racial no Alabama nos anos 60. É um filme bom, mas não tem nada de especial. Uma coisa que eu não sabia: um juiz de tribunal pode, depois dos jurados declararem uma pessoa culpada do crime, libertá-la, desconsiderando, assim, a decisão do júri?

segunda-feira, maio 26, 2003

MATRIX RELOADED

Antes de tudo: não levo muito a sério esse negócio de dizer que Matrix reinventou o cinema. Isso é exagero. Cinema pra mim é mais Truffaut do que George Lucas. É claro que o filme de 1999 foi tão influente e contagiante quanto PULP FICTION foi nos anos que se seguiram. De qualquer maneira, MATRIX é blockbuster inteligente. Tem que se dar o braço a torcer. A continuação mantém o nível, ainda que esteja dividindo mais opiniões do que o seu filme original. O fator originalidade do primeiro filme ninguém tira. O primeiro também trouxe a coragem de abordar assuntos complexos para dentro do cinemão americano, quase sempre descerebrado.

MATRIX RELOADED é um filme anabolizado. Justifica o termo "reloaded". É um exagero de filme de ficção científica e ação. Na lista "canibal holocausto", alguém falou que no futuro os nossos filhos vão precisar cheirar pó pra ver filme de ação. É tudo muito louco. Será que nossos cérebros vão estar preparados pra absorver tanta rapidez, sem perder a capacidade de concetração?

As referências aos animes, comics e mangás estão ainda mais explícitas. Neo voando como o Super-Homem me emocionou, eu como fã de quadrinhos de super heróis que sou. As lutas estão caprichadas. A tal cena de Neo lutando contra uma porrada de Smiths só não é de cair o queixo, porque a gente está ficando acostumado com efeitos especiais desde o primeiro MATRIX. Mesmo assim, não tem como não ficar empolgado com a cena da highway, com a Trinity na moto com o Keymaker a contra-mão fugindo dos agentes da Matrix e de outros fantasmas. E essa é só uma das cenas de ação entre várias que matam a pau. Quer dizer, em se tratando de cenas de ação RELOADED é melhor que a versão 1.0.

Ver Zion, o lugar dos humanos resistentes ao domínio das máquinas, ajuda a ampliar e dar maior sentido ao que foi citado no primeiro filme. Há uma cena interessante de uma rave que deve fazer a festa de muitos clubbers. (Ah, e por falar em música, o filme fechar com a voz de Zack de La Rocha novamente é muito legal, hein! ) Quanto à filosofia e às explicações "científicas" fiquei um pouco perdido, especialmente numa cena chave em que Neo fala com o criador da matrix.

Os personagens novos são bem legais. Destaque para: a)Monica Belucci de Persephone que tem tanto sex appeal, que extravasa na tela numa certa cena sensual que envolve sentimentos entoxicantes como ciúme e inveja; b) os gêmeos que tem o poder de atravessarem objetos sólidos (que na verdade, não são tão sólidos assim).

Entre os personagens novos, há um que foi apresentado no curta "Era uma vez um garoto", de ANIMATRIX. Também dos curtas de ANIMATRIX há a citação dos eventos que envolvem a destruição da nave Osíris, do curta "O vôo final de Osiris".

Por falar em citações, em uma cena, na tela da tevê um filme está passando: AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula), de Terence Fisher. Os Washowski, além de fãs de animes, comix e filmes de kung fu, também curtem filmes de terror dos bons.

No final, um gancho como naturalmente tem que ter. E uma dúvida cruel e existencialista fica no ar.

Outra dúvida: alguém sabe qual o próximo projeto dos irmãos Wachowski? Será que eles vão continuar a fazer projetos grandiosos ou vão voltar a fazer trabalhos pequenos como LIGADAS PELO DESEJO?

sábado, maio 24, 2003

THE ANIMATRIX



Está declarada a semana Matrix. E antes de escrever sobre o filme (ainda não vi), comento a série de curtas do dvd ANIMATRIX. Nem foi lançado ainda nos EUA e eu já vi todos os episódios graças às maravilhas do mundo globalizado. O Herbert, amigo que está em Campina Grande agora, mandou pra mim essa surpresinha e agora estou em débito com ele. (Vi no site da Amazon que o DVD só será lançado nos EUA em 03 de junho. )

Comentário rápido de cada animação:

O VÕO FINAL DE OSIRIS (Final Flight of the Osiris)
9 mins
É claro que ver na telona do cinema é ótimo, mas ter a chance de rever na tela do computador sem perda da imagem também é dez. Já comentei quando vi no cinema. Animação de computador feita pelos caras de FINAL FANTASY e tal. Muito bom, ainda que se tratando de história perca para os seguintes.

O SEGUNDO RENASCER PARTES 1 e 2 (The Second Renaissance Parts 1 and 2)
8,5 min cada
Em se tratando de história, eu fico com esse curta em duas partes como o meu preferido. Mostra a evolução da escalada das máquinas e da escravização dos homens. O desenho é bem forte, traz cenas violentas e é muito bem narrado como sendo um arquivo de Zion.

CORAÇÃO DE SOLDADO (Program)
7 min
O tema "ignorância como caminho da felicidade" aparece junto com muitas lutas estilizadas nessa bela animação de Yoshiaki Kawajari, que fez NINJA SCROLL e VAMPIRE HUNTER D: BLOODLUST. Não vi nada disso, mas quem sabe no futuro, né?

UMA HISTÓRIA DE DETETIVE (A Detective Story)
9.5 min
Shinichirô Watanabe, criador de COWBOY BEBOP, dá a sua contribuição para o universo de Matrix e faz uma história noir, numa animação em preto e branco belíssima (adorei os detalhes da neve caindo), que tem a mesma coisa retrô da série. No curta, por exemplo, o computador tem o formato de uma máquina de escrever antiga. Participação de Trinity, dublada pela própria Carry-Anne Moss.

ALÉM DA REALIDADE (Beyond)
13 min
Outra animação de encher os olhos, mostrando uma casa onde as leis da física "irreais" estão meio fora do controle. Garotinhos brincam de flutuar, uma menina procura por seu gato, agentes da Matrix surgem. Muito bacana.

O ROBÔ SENSÍVEL (Matriculated)
16 min
O diretor Peter Chung, nascido em Hong Kong, é o criador da série de tv AEON FLUX. Lembro que tentava acompanhar essa série quando passava na MTV, mas nunca entendia nada. Talvez por não ter acompanhado do começo. O curta traz os traços que entregam logo de onde vem (a heroína da história é igualzinha à Aeon Flux) e tem um clima lisérgico, especialmente quando mostrada a realidade virtual. É olhar pra tela e viajaaar.. Achei o título O ROBÔ SENSÍVEL meio afrescalhado, mas...


O RECORDE MUNDIAL (World Record)
8,5 min
Outro curta interessante que fala de um atleta que através da sua capacidade de ultrapassar barreiras, passa a olhar o mundo falso com outros olhos.

ERA UMA VEZ UM GAROTO (Kid's Story)
9 min
Outro do Watanabe. O garoto do título lembra o Neo antes de tomar a pílula vermelha. Participação especial de Neo – Keanu Reeves dublando. Um dos que eu mais gostei numa seleção de curtas difícil de escolher o favorito.

* Os títulos em português foram pescados da revista SET # 191, assim como a duração aproximada de cada título.

quinta-feira, maio 22, 2003

TWIN PEAKS - THE FIRST SEASON


Depois de anos sonhando com o produto e sem ter coragem de desembolsar o DVD importado e depois de dois meses de expectativa do pedido, finalmente pude botar as mãos nessa preciosidade. TWIN PEAKS - A PRIMEIRA TEMPORADA é um trabalho luxuoso em cima da série cultuada de David Lynch. Fiquei impressionado com a beleza da capa principal e da capa de plástico, contendo o retrato de Laura Palmer, que protege a caixinha. Mas o mais importante é o recheio: os episódios em imagem cristalina e som perfeito. Cada episódio pode ser conferido de três maneiras: normalmente, com comentários do diretor (exceto no episódio dirigido por Lynch) ou com símbolos que avisam o momento de você clicar e saber detalhes como cenas deletadas ou alguma particularidade da cena. Fora os mini-documentários. O legal também é que o DVD tem close captions em inglês. Bacana. Pra ficar melhor, só se tivesse legendas nos comentários em áudio. Mas aí seria querer demais. Parabéns pra Artisan que confeccionou essa maravilha.

Como disse a minha irmã ontem, ver de novo um episódio de TWIN PEAKS é como voltar no tempo para o ano de 1991, quando a série chegou aqui no Brasil e eu pude conferir os primeiros episódios, até a maldita Rede Globo cancelar a exibição no capítulo 17 (a série tem 30 capítulos e um piloto), faltando com o respeito para com o público que vinha acompanhando. Depois disso, a Record comprou os direitos da série e exibiu-a integralmente. Mas na época a Record não era transmitida aqui em Fortaleza. Resultado: nunca vi o final da série. E nem vou ver tão cedo, já que essa caixa é só dos primeiros 7 episódios da série. Mas não tem problema. Um dia eles lançam a segunda temporada.

Ontem vi apenas um episódio: "Traces to Nowhere", dirigido por Dawayne Dunham. Este é o primeiro, e não o piloto da série, que não vem na caixa. Vou ter que arranjar isso em fita (alô, Renato!!) ou então importar o DVD de Hong Kong. Ver o episódio ontem foi ter a certeza de que a série não envelheceu, que o diabólico BOB ainda é capaz de me dar calafrios, que as meninas da série (Sheryl Lee, Sherilyn Fenn, Madchen Amick, Lara Flyn Boyle) eram mesmo gatíssimas e que o clima de mistério continua intrigante. Quem não viu, não sabe o que está perdendo. Pode ser que eu volte a falar sobre a série depois que conferir tudo. Antes disso, já manifesto aqui o meu respeito e a minha paixão pela série e pelo trabalho do grande David Lynch.

terça-feira, maio 20, 2003

KATE HUDSON, FELLINI E SUB-TARANTINO

COMO PERDER UM HOMEM EM 10 DIAS (How to Lose a Guy in 10 Days)

Cometi o erro de esnobar essa comédia romântica, que já está há algum tempo em cartaz. Trata-se do melhor filme do gênero que apareceu em 2003. (Em 2002, a melhor pra mim é O GRANDE GAROTO) O filme tem uma estrutura parecida com as comédias das décadas de 50 e 60. Lembra um pouco o Billy Wilder de A INCRÍVEL SUSANA ou SE MEU APARTAMENTO FALASSE. São comédias que mostram piadas criadas em cima de confusões e enganos. Mesmo se não tivesse um roteiro bem estruturado, só a graça e a beleza de Kate Hudson já valem o ingresso. A história todo mundo já sabe vendo o trailler: moça trabalha numa revista feminina e vai usar um homem como objeto de pesquisa, fazendo de tudo para perdê-lo no espaço de dez dias. Coincidentemente (em filmes assim, a possibilidade disso acontecer é sempre grande..heheh), o cara (Matthew McConaughey - nome difícil de escrever) faz uma aposta que consegue que uma mulher se apaixone por ele em 10 dias. Mesmo sabendo-se o final, o filme emociona e diverte. Moral da história: não subestime certos filmes. Mas nem tudo é perdido: descobri que tanto na Itália quanto na França, palhaço é clown (em inglês, mesmo).

Uma frase do filme (espero que não achem cafona):
The greatest thing you'll ever learn is just to love... and be loved in return

OS PALHAÇOS (I Clowns)

Não, não tem jeito. Eu não consigo gostar dos filmes do Fellini. Já vi vários (SATYRICON, CASANOVA, AMARCORD, E LA NAVE VA, 8 E 1/2 e outros), mas não tem jeito. Eu continuo achando Fellini um pé no saco. Gosto de vários diretores italianos (Visconti, Antonioni, Pasolini, Scola, Bertollucci, Tornatore, mas esse sujeito não me entra. Pra quem está na mesma situação que eu, com certeza não vai ser com OS PALHAÇOS que você vai passar a gostar. Mas de qualquer maneira, reconheço que estou diante de um autor de verdade, alguém que tem uma marca registrada e que ganhou até adjetivo ("felliniano"). Ver OS PALHAÇOS ajuda a entender como foi que o cineasta obteve inspiração para seus tipos tão estranhos e caricatos. O filme é quase um documentário, mostrando cenas de circo, pessoas estranhas de uma comunidade e depoimentos de pessoas envolvidas, principalmente dos palhaços. Pra quem gosta de Fellini, vai fundo. Pena eu ficar impaciente depois de meia hora.

DOBERMANN

Gravado da Band, DOBERMANN é um dos filmes mais violentos que já vi. E o pior é que a culpa é do Tarantino. A linguagem é claramente chupada de PULP FICTION e CÃES DE ALUGUEL, só que sem a classe do cineasta americano, e feita por um holandês: Jan Kounen. O filme é francês e tem um elenco bom, especialmente Monica Bellucci, fazendo uma surda-muda membro da gang do Dobermann. (Eita, mulher boa!) O roubo do banco é bem CÃES DE ALUGUEL, só que com estética videoclípica e publicitária. Achei interessante os exageros das armas e binóculos, por exemplo, todos gigantes. Tudo no filme é exagerado. A violência, inclusive. Há uma cena em que o protagonista Vincent Cassel (de PACTO DOS LOBOS e marido da Monica Bellucci) arrasta a cabeça do malvado Tchéky Karyo no chão com o carro em alta velocidade. É sangue pra todo lado. Os personagens também são bons e melhoram à medida que o filme prossegue. Não chega a ser um bom filme, mas é diferente. Tem lá os seus méritos.

segunda-feira, maio 19, 2003

À SOMBRA DE UMA DÚVIDA (Shadow of a Doubt)

O melhor filme que vi no fim de semana foi À SOMBRA DE UMA DÚVIDA (1943), do mestre Alfred Hitchcock, que comprei nessa promoção de DVDs do Hitch a 19,99. O cineasta tinha esse filme como o seu favorito. Não é o meu favorito dele, mas com certeza, está entre os excelentes da bela filmografia que o gordinho ostenta. No filme, Joseph Cotten (CIDADÃO KANE, SOBERBA) é o tio que chega para passar uns dias com a família de sua irmã e é muito bem recebido pela sobrinha, interpretada por Teresa Wright (PÉRFIDA), que o adora. As coisas mudam quando aparecem dois detetives que suspeitam que ele é o procurado assassino das viúvas.

Uma cena em particular é grandiosa: a sobrinha, já suspeitando do tio, liga para o detetive, enquanto a câmera, ameaçadora, a focaliza de cima da casa.

O documentário de 32 minutos que vem no DVD é ótimo e traz informações bem interessantes. Por exemplo, esse filme é considerado o primeiro filme realmente americano de Hitchcock, já que as duas produções americanas anteriores (REBECCA e SUSPEITA) se passavam na Inglaterra. Por isso, Hitch preferiu uma cidadezinha bem típica dos EUA. E é considerado o segundo mais realista de sua filmografia, ficando atrás apenas de O HOMEM ERRADO.

O documentário traz ainda depoimentos de Peter Bogdanovich, da ainda viva Teresa Wright, da filha de Hitchcock e de um dos atores coadjuvantes do filme.

O problema é o trailler, que estraga o final de quem ainda não viu o filme. Talvez não tenha sido idealizado pelo próprio diretor e sim pelos produtores.

O próximo dele que verei será a obra-prima OS PÁSSAROS. Vi uma vez, há um tempão, num corujão da Globo e fiquei babando. Imaginem só o que é ver essa pérola em imagem e som digitais, em widescreen e com documentário de mais de uma hora!!
AUTORAMAS

Dando um break aqui nos filmes, o destaque do final de semana pra mim foi mesmo o show do Autoramas. Eu estava procurando alguém que quisesse ou pudesse ir comigo pro show. Bom, achei: a Aleksandra, que estava comigo no último Ceará Music e tal. Depois da palhaçada do Fellini (mais detalhes em comentários sobre filmes em breve), fomos para o Hey Ho Rock Bar, que estava vendendo o ingresso por míseros 5 pilas. (Como é que a banda tem coragem de sair do Rio pra cá pra fazer show por cinco pilas em lugar com pouca gente?) Por falar em grana, eu errei feio em não contar o pouco dinheiro que eu tinha e em não perceber que meu saldo no Banco do Brasil era apenas de R$ 1,90. Mas o dinheiro deu pra entrada e a Alê ainda pagou uma cerveja pra mim lá dentro. Heheheh.. O pior é que eu estou perdendo a vergonha pra esse tipo de situação. Tanto é que na volta, ainda liguei pra minha irmã pedindo dinheiro pra ela pagar o taxi da volta do North Shopping pra minha casa. Hehehe.

Bom, chega de falar de liseira. O show foi bem legal. Algumas bandas desconhecidas tocando músicas desconhecidas tocaram antes. A primeira, tocando punk rock obscuro (qualquer punk que não seja Sex Pistols, The Clash ou Ramones pra mim é obscuro). A segunda banda tocou umas coisas mais diferentes, mais pra anos 80, mas igualmente barulhento. A excessão foi a belezura de "Please, please, please, let me get what I want" dos Smiths. Até chamei a Alê pra dançar a música comigo, como no filme NUNCA FUI BEIJADA. (Lembram?). "Good times for a change, see the luck I've had, would make a good man turn bad..." Puxa, isso foi o hino da minha fase deprê quando eu tinha 18 anos.

Bom, entram os Autoramas! Que legal. Estavam lá Gabriel (ex-Little Quail and the Mad Birds), Simone e Bacalhau (ex-batera do Planet Hemp). A Simone estava super-sexy com uma blusinha vermelha com o símbolo do Demolidor (dois D's) e de mini-saia branca. Uau!! Eu me amarro em mulheres baixistas. Elas ficam poderosas como as meninas que passaram pelos Smashing Pumpkins, por exemplo. A primeira canção que a banda tocou eu não conhecia. (Só conheço o primeiro disco.) Mas a terceira foi sensacional: um dos "hits" da banda - "Carinha triste". Pra quem não sabe o Autoramas é uma banda que toca punk rock adicionada de jovem guarda e surf music. E "Carinha Triste" é uma das mais "jovem guarda" deles. E o show prosseguia com música que às vezes eu identificava às vezes não. Eles tocaram "Ex-amigo", "Autodestruição", "Deus me deu um cérebro", "Agora minha sorte mudou", "Tudo errado" e encerraram o show com a sensacional "Fale mal de mim". Eu pulei feito um condenado - especialmente nessa última canção. E todos saíram felizes cantando o refrão: "fale mal de mim, fale o que quiser de mim..."

Bacana.

quarta-feira, maio 14, 2003

SODERBERGH E CATON-JONES



Mesmo durante o Cine Ceará fui conferir os filmes que estrearam no circuito comercial aqui na cidade. Vê-lo no conforto do friozinho e com a qualidade de som e imagem de um cinema de shopping faz a diferença, mesmo quando os filmes não são ótimos. SOLARIS, na versão de Soderbergh, e O ÚLTIMO SUSPEITO, com DeNiro e grande elenco, se não chegam a ser ótimos, valem a conferida. Os comentários:

SOLARIS

Antes de tudo: ainda não vi a primeira versão de SOLARIS, o clássico da ficção científica de Andrei Tarkovski. Logo, não tenho como fazer comparações. E nem acho que seja justo comparar os filmes. Pelo que eu li o filme soviético (ainda existia URSS, na época) é mais complexo, mais elaborado e trata de mais assuntos que a versão de Steven Soderbergh, que centra no relacionamento entre o psicólogo que é mandado para a órbita do planeta Solaris e a esposa morta (Natascha McElhone) que "revive" na nave espacial. Esse tema me lembrou o terceiro ato de A.I., do Spielberg, em que o garotinho revê sua mãe, morta há milhares de anos, graças ao DNA do fio de cabelo. Em SOLARIS, o que o personagem de George Clooney encontra na nave também não é sua esposa, mas resultado das lembranças dele, que chegam para lhe visitar. (Engraçado que depois do filme eu e a Rejane fomos comer uns pastéizinhos e falamos sobre a personalidade que fica depois da morte, de acordo com os ensinamentos da Gnose.)

O clima do filme é um pouco sonolento, mas muito interessante, já que sono tem a ver com sonho e com a atmosfera onírica do filme. Mas a diferença é que eu não fiquei com sono. Hehehhe. SOLARIS tem que ser visto por platéias pacientes, graças à direção lenta de Soderbergh, que confirma ser um grande diretor, mesmo não tendo muitos grandes filmes no currículo. De qualquer maneira, pra mim, seu melhor filme continua sendo o primeirão SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE.

O ÚLTIMO SUSPEITO (City by the Sea)

Filme ok de Michael Caton-Jones com elenco de primeira linha: Robert DeNiro, Frances McDormand, James Franco, Eliza Dushku. No filme, DeNiro é o policial que investiga a morte de um traficante e descobre que o cara que o matou é seu próprio filho (James Franco), viciado em drogas. O filme está mais pra um drama do que pra um policial. Eliza Dushku está linda mesmo de visual junkie, Frances McDormand está muito bem (pra variar) e o DeNiro é o DeNiro, que hoje meio que se repete nos filmes, mas que é sempre bom. Gostei do drama familiar, especialmente da chegada do neto, que ele nem sabia que existia. E o final é até meio piegas, mas a vida às vezes não é??

terça-feira, maio 13, 2003

AMÉLIA E CINE CEARÁ



Ontem estava planejando ver AMÉLIA,da Ana Carolina, passando aqui perto no Centro Cultural Banco do Nordeste em telão, e em seguida, ir para o Cine Ceará, última noite da Mostra Competitiva, que iria encerrar com AMARELO MANGA. Antes deste, iria passar um documentário: À MARGEM DA IMAGEM. As coisas não saíram bem como eu planejava.

AMÉLIA

Perdi AMÉLIA no cinema e pude conferir agora em vídeo/telão. Uma coisa que eu descobri: eu não gosto de ver filme em telão. Apesar do nome, a tela é pequena e me dá sono. O filme de Ana Carolina é bom, engraçado, ótimo elenco e tal, mas 140 minutos em frente ao telão depois do trabalho é dose. Vejam o que um leitor do site AdoroCinema escreveu:

"Muita fita, 140 minutos. Fico com a do Mário Lago. Aquela sim, é que era mulher de verdade!"

Também achei repetiviva as "piadas" da incomunicabilidade entre os mineiros caipiras e os franceses encabeçados pela atriz Sarah Berhardt. Assim como o filme AS NOVAS ROUPAS DO IMPERADOR, o filme de Ana Carolina é uma farsa histórica. Tudo ficção. E a Amélia do título é Marília Pera, que só aparece em flashbacks rápidos.

Cena de destaque: Betty Goffman de francesa chegando e falando francês para as irmãs da Amélia, que não entendiam bulhufas. Heheheh..

Pena que o filme é mais longo do que deveria. Senão, seria ótimo.

CINE CEARÁ

Nem vi nada. Cheguei atrasado, perdi todos os curtas e vi só um trecho de À MARGEM DA IMAGEM, de Evaldo Mocarzel. O diretor fez bem, durante o discurso, em dar um tapa na cara dos responsáveis pelo som horroroso do cinema. Ele comentou que estava tenso, decepcionado porque mixou o filme nos EUA pra quando chegar aqui ninguém entender quase nada do que se está dizendo. Todo mundo aplaudiu a sua atitude. Mas nem eu aguentei ver o filme sem entender nada e, já muito cansado, fui embora com dez minutos de filme.

Ainda bem que deu tempo de chegar em casa e gravar o episódio de ontem de 24 HORAS. Hehehe

segunda-feira, maio 12, 2003

CINE CEARÁ: NOITE DE DOMINGO

Ontem fui para o Cine Ceará no cine São Luiz. A noite foi agradável e pude ver duas comédias leves e agradáveis (um curta e um longa metragem). Os problemas de calor e som ruim continuam, mas a gente tenta se acostumar e acaba encontrando meios de aproveitar melhor o tempo no festival.

Tinha ido ver um filme no North Shopping (O ÚLTIMO SUSPEITO) e de lá fui sozinho pro Cine Ceará. Sorte minha que encontrei com o pessoal lá. Legal. Ficamos na Praça do Ferreira um tempo, enquanto os curtas em vídeo iam sendo exibidos, para sentir um pouco da brisa da noite (que brisa? hehehe).

Como perdi a maioria dos curtas, comento o que vi:

OS CURTAS

AÇAI COM JABÁ: UM FILME QUE BATE NA FRAQUEZA

Esse curta de 13 minutos é bem engraçado. Mostra que não é qualquer pessoa que aguenta uma tigelona de açaí. Eu já tomei o meu copo de açaí com guaraná hoje. Heheheh..

ABRY

Curta em vídeo de Joel Pizzini sobre a dona Lúcia Rocha, mãe do Glauber Rocha. Como o som estava ruim (novidade), não deu pra ouvir direito e fiquei perdido no documentário. E vendo o Pizzini filmando-a no hospital, deu até uma sensação de que ele estava achando que ela morreria em breve. Que nada, ela estava lá no cinema, recebeu um troféu e fez piada com Orlando Senna. Uma simpatia essa senhora.

SEJA O QUE DEUS QUISER

Muito divertida essa comédia de Murilo Salles, que ganhou prêmio de melhor longa brasileiro de ficção pelo público no Festival de Cinema do Rio. Essa foi a segunda exibição do filme no Brasil. E ele foi bem recebido pelo público, que riu das situações dos personagens. O filme tem ritmo bom e o diretor já tem ótimos filmes no currículo e experiência em dramas (NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, COMO NASCEM OS ANJOS), suspense (FACA DE DOIS GUMES), documentário (TODOS OS CORAÇÕES DO MUNDO) e agora em comédia. O elenco está ótimo: Rocco Pitanga, Ludmila Rosa, Débora Lamm, Marília Pera, Caio Junqueira, Marcelo Serrado e Nicete Bruno. Presente no cine São Luiz apenas o diretor e Ludmila e Débora, que elogiaram a hospitalidade cearense. Um detalhe: Murilo Salles, antes do filme, falou que colocou duas homenagens ao Glauber Rocha em sua comédia. Difícil é eu dizer onde elas estão, sem ter visto um filme do Glauber completo. Heheheh.. Bem legal o livrinho promocional do filme que a gente recebeu na entrada do cinema, contendo fotos do filme e frases ditas pelos personagens.

sexta-feira, maio 09, 2003

CINE CEARÁ - ENTRE O CALOR E A VERGONHA

Ontem fui para a segunda noite do Cine Ceará desse ano. Vou começar comentando o que mais me incomodou. O som estava uma merda - às vezes não se conseguia entender nada do que os atores estavam dizendo no filme. Um horror. Outro problema: o ar condicionado péssimo, que dizem que está funcionando, mas não o bastante pra tanta gente. Acho isso um desrespeito para com o público, os realizadores e os jornalistas e uma vergonha para nós. Vejam só o que Luiz Zanin Orochio, do Estado de São Paulo, escreveu hoje no jornal:

"FORTALEZA - Cine São Luiz com gente espirrando pelo ladrão, calor infernal lá dentro, muito povo do lado de fora, e alguns globais causando frisson, como Giovana Antonelli, Murilo Benício e Claudinha Abreu -- este o par principal de O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, filme escolhido para abrir na quarta-feira o 13.º Cine Ceará, hors-concours. "

e mais:

"A cerimônia foi rápida, sintética, de bom gosto. Nada de discursos inúteis e cansativos - que, aliás, cairiam mal sobre uma platéia já bastante incomodada pelo calor. Depois da apresentação de O Homem do Ano, por seu diretor, passou-se logo à projeção que era o que interessava. Projeção, aliás, prejudicada pela má qualidade de som do Cine São Luiz. Alguns diálogos ficaram inaudíveis. Outros se entendiam com dificuldade, o que, convenhamos, não é a melhor condição para se ver um filme."

Não é motivo de vergonha?? O que o Grupo Severiano Ribeiro está fazendo com o dinheiro dos altos preços dos ingressos e da pipoca que não conserta o som e o ar? Por que o Governo do Ceará, vendo o nome do Estado em um evento de projeção nacional, não mexe um dedo pra mudar isso? Por que os inúmeros patrocinadores, incluindo a Petrobrás, não fazem alguma diferença? Uma lástima.

Bom, passada a minha revolta, vamos aos eventos de ontem.

OS CURTAS

Cheguei atrasado para o curta em vídeo SILVA, de Beto Sporkens. Os outros curtas foram difíceis de curtir pelas razões que eu já mencionei.

O primeiro, GLAUCES, de Joel Pizzini, documentário de meia hora com edição de imagens de vários filmes com Glauce Rocha, é bem interessante e de montagem excelente, mas com uma duração dessas, ficou cansativo.

CEGO E AMIGO GEDEÃO À BEIRA DA ESTRADA traz Pedro Paulo Rangel como um ceguinho num filme que pretende ser engraçado, mas nem sempre consegue.

TERMINAL, filme em animação de blocos de preto e branco que até lembra "Sin City" de Frank Miller, é excelente técnicamente, mas não conseguiu atrair minha atenção para a narrativa. No fim, acabei não entendendo nada. Talvez porque estivese conversando com as meninas (Rejane e Valéria)

O último curta, CEGA SECA, de Sofia Federico, salvou a mostra. Mesmo com todo o problema de som e calor, o filme tem uma narrativa gostosa, que fez com que o público inteiro parasse pra prestar atenção. O filme traz uma história passada na caatinga nordestina com imagens bonitas e movimentação de cãmera ótima. No final, uma homenagem a O CÃO ANDALUZ, de Luis Buñuel. Sofia Federico tem potencial.

CAMA DE GATO

Finalmente, o longa-metragem da noite: CAMA DE GATO, do paulista Alexandre Stockler. (Caio Blat não veio com o diretor e o elenco jovem para o Cine São Luiz. ) Posso dizer que gostei da primeira meia hora. Depois o filme chega a ser cômico com tantas tragédias aparecendo na vida dos garotos. E se torna um pé no saco na cena final do lixão, excessivamente teatral.

Não vou contar aqui a história pra não estragar a surpresa de quem vai conferir o filme quando ele entrar em circuito comercial, mas adianto que ele contém cenas de sexo quase explícito, estupro, violência e opiniões polêmicas. É filme feito mesmo pra dar o que falar, nem que seja na base da apelação. Nada contra. As principais referências do trabalho de Stockler são mesmo o provocador Mikael Haneken (A PROFESSORA DE PIANO, CÓDIGO DESCONHECIDO, FUNNY GAMES) e os filmes do Dogma 95 (FESTA DE FAMÍLIA, OS IDIOTAS). Aliás, o próprio movimento criado por Stockler, o TRAUMA, é feito de maneira parecida com os filmes do Dogma: câmera digital de baixa qualidade de imagem na mão, muitos diálogos se aproximando do real, temas bombásticos. O que difere é que Stockler não abre mão de uma edição nervosa para dar mais agilidade à narrativa. Vale conferir.

quinta-feira, maio 08, 2003

FISHER E SCORSESE

Outro final de semana já está chegando e eu ainda não comentei os dois filmes que vi na telinha: AS NOIVAS DO VAMPIRO e SEXY E MARGINAL. Os dois filmes foram gravados pelo chapa Renato do canal Telecine. Então, vamos lá:

SEXY E MARGINAL (Boxcar Bertha)

Um dos primeiros filmes de Martin Scorsese, um dos maiores cineastas do mundo, SEXY E MARGINAL (1972) traz Barbara Hershey no auge da beleza e do frescor, quase 20 anos antes do mesmo Scorsese convidá-la para o papel de Maria Madalena em A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988). Nesse filme, Scorsese ainda não tinha atingido o nível que tem hoje. O filme mostra Hershey como uma moça do interior do Estados Unidos sulista na depressão americana dos anos 30, que ao lado de três rapazes assaltam trens e são perseguidos pela polícia, que na época gostava de perseguir os agitadores de sindicatos, tidos como comunistas. O filme foi produzido por Roger Corman e talvez por isso não seja um filme bem lapidado. Corman gostava de trabalhar com pouca grana, não gostava de gastar muito celulóide e Scorsese filmou tudo em 21 dias. Para os marmanjos, tem a nudez e a sensualidade de Miss Hershey. Não dá pra reclamar.

AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula)

Filme da Hammer de 1960, continuação de O VAMPIRO DA NOITE (1958), que traz novamente Van Helsing de volta à Transilvânia, dessa vez para caçar um outro vampiro, o Barão Meinster e suas vampiretes. Fisher é o mesmo diretor do primeiro filme de Drácula da Hammer (esse de 1958) e do segundo - DRÁCULA, O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Além disso, ele dirigiu outros filmes de monstros de horror clássicos como a Múmia, a criatura de Frankenstein, Dr. Jeckyl & Mr. Hyde, o Fantasma da Ópera, entre outros. Esse AS NOIVAS DO VAMPIRO não é tão bom quanto os dois Dráculas, mas mantém o mesmo clima. Estão lá as moças bonitas, os vampiros dentuços, o castelo amaldiçoado, a comunidade temerosa, os morcegos de borracha e um expert em vampiros (no filme, interpretado por Peter Cushing). Quer dizer, não tem como ser ruim, como diria o Thomaz.

domingo, maio 04, 2003

X-2, LA COMUNIDAD E BELLA MARTHA

X-MEN 2 (X2)

Finalmente, depois de duas tentativas fracassadas, consegui ver X-MEN 2 hoje. A continuação é bem mais resolvida do que o primeiro filme, ainda que a primeira metade do filme, que mostra um pouco mais a personalidade de cada mutante interagindo, me agrade mais do que a segunda metade. A história do filme foi inspirada na história "O Conflito de uma raça" de Chris Claremont e Brett Anderson. Ouvi falar que a Panini vai relançar essa história numa edição caprichada. Tomara.

O começo do filme, apresentando o mutante Noturno, é bem legal. Os efeitos especiais estão tão bons que eu não tenho do que reclamar nesse aspecto. Mais dinheiro na produção, né? Interessante o triângulo amoroso Wolverine-Jean Grey-Ciclope.

Tenho minhas dúvidas se o filme é totalmente compreensível para quem não leu nada dos quadrinhos. Alguns detalhes no filme quem leu vai entender melhor. Por exemplo: a mudança no poder telecinético em Jean Grey, a origem obscura de Wolverine, a aparição de Colossus, a menina que atravessa paredes Kitty Pryde etc. A trama geral não é comprometida por causa disso.

Pelo visto a Marvel está com o pé direito no cinema. Depois do primeiro X-Men, de Homem-Aranha, Demolidor, X-2 e agora vem Hulk, por Ang Lee. E nenhum desses filmes, por mais que tenham os seus problemas, não envergonham ninguém em qualidade de direção, efeitos e história.

Vi o trailler de A LIGA (mudaram o nome da adaptação de "As aventuras da Liga Extraordinária"), mas não deu pra ficar animado. Não é à toa que Alan Moore nem quer ver o filme. Heheheh..

A COMUNIDADE (La Comunidad)

Se X-MEN 2, eu recomendo, A COMUNIDADE então eu digo que é imperdível. Pena que poucas as pessoas tenham ido prestigiar as poucas sessões que exibem mais esse belo trabalho de Álex de la Iglesia. Ainda por cima que o filme é em scope (1: 2,35) e assistir na tela pequena estraga um pouco do impacto visual e de suspense do filme.

A COMUNIDADE é um misto de comédia de humor negro com suspense e uns elementos de filmes de horror. Conta a história de uma corretora imobiliária (Carmen Maura, de MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS) que se apossa de um apartamento de luxo e acaba encontrando 300 milhões no apartamento de cima. O que ela não contava era que todos os moradores do prédio já estavam de olho na grana. É um filme que trata de maneira bizarra o tema da ambição, que tem como filme mais representativo O TESOURO DE SIERRA MADRE, de John Huston.

Infelizmente esse é apenas o segundo filme de La Iglesia que eu vejo. Vi apenas AÇÃO MUTANTE, mas pretendo ir atrás de O DIA DA BESTA e PERDITA DURANGO. Quem sabe nas minhas férias em julho, né?

SIMPLESMENTE MARTHA (Bella Martha)

Mais um exemplo de "cinema gastronômico". Como A FESTA DE BABETTE, COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE e SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL, esse filme é de dar fome, mostrando a culinária alemã e italiana. Na história, Martha é uma chef de um restaurante que vive sozinha até o acidente que mata a sua irmã e a deixa tendo de cuidar da sobrinha, até encontrar o pai da criança, em algum lugar da Itália. Entra em cena um italiano que muda a rotina de Martha. Legal o filme mostrar o contraste entre a cultura alemã (fria) e a cultura italiana (mais passional).

O filme é simpático, mas não assisti-lo não vai fazer muita falta. Recomendado para pessoas que estão sem apetite. Já para as que estão comendo demais e precisam de uma dieta recomendo A COMILANÇA, de Marco Ferreri ou SALÓ - OS 120 DIAS DE SODOMA, do Pasolini. Arghh.. Hehhehe..

quarta-feira, abril 30, 2003

DUAS TRAGÉDIAS ITALIANAS

Antes que eu comece a me esquecer dos filmes, comento a seguir duas tragédias dirigidas por dois grandes cineastas italianos. A primeira, mais famosa, é ROCCO E SEUS IRMÃOS, de Luchino Visconti; a outra, PAIXÃO DE AMOR, é um filme mais obscuro da bela e grande filmografia de Ettore Scola. Vamos aos comentários.

ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco e i Suoi Fratelli)

Tinha assistido ao filme em vhs há muito tempo. Na época já achava a fotografia em preto e branco bastante escura. Em DVD, continua escura. Mas esse é o único problema que eu vejo no filme, que é provavelmente o melhor de Visconti. Na história, a viúva Rosaria muda-se para Milão com seus quatro filhos para tentar a vida na cidade grande. Um deles é Rocco (Alain Delon). Os outros são Vincenzo, Simone, Ciro e Luca. Os irmãos mais importantes na história, no entanto, são Rocco e Simone. Rocco é o irmão bondoso e Simone é a ovelha negra da família. A tragédia do filme acontece graças ao ciúme e inveja de Simone, quando Rocco passa a namorar uma de suas ex-amantes (a ótima atriz Annie Girardot). No filme é mostrada a sociedade italina do pós-guerra, com pessoas passando por dificuldades e lutando pela sobrevivência. Os momentos finais do filme são chapantes e devastadores.

Dos filmes de Visconti vi, além de ROCCO (1960):
- O LEOPARDO (1963), numa histórica sessão no extinto cine Fortaleza. Eu tinha saído da aula da faculdade à noite e encarei esse filme de mais de 3 horas de duração. Saí moído da sessão, mas depois as imagens cresceram na minha mente;
- MORTE EM VENEZA (1971): ótima adaptação de uma obra de Thomas Mann.
- LUDWIG (1972): Vi em VHS um tempo. O filme é muito longo e arrastaaaado...
- O INOCENTE (1976): vi na BAND há mais de dez anos, mas nunca me esqueci do final cruel.

Ah, vendo o documentário de uma hora de duração que vem no DVD duplo da Versátil, vi uma cena de VIOLÊNCIA E PAIXÃO com uma versão em italiano de uma canção do Roberto Carlos na trilha. Deu uma vontade de ver o filme...heheheh..

PAIXÃO DE AMOR (Passione D'Amore)

Mais um Ettore Scola visto. Até agora não vi um filme ruim do veterano cineasta. Esse, de 1981, é adaptado do romance "Fosca" de Tarchetti. É a história de uma mulher feia apaixonada por um capitão do exército italiano. Fiquei imaginando se a atriz (Valeria D'Obici) é feia mesmo ou se colocaram mais maquiagem pra acabar de estragar a aparência da moça. O filme é incômodo, Fosca é incômoda (Scola tem a habilidade de nos colocar na pele do homem perseguido pelo Dragão..hehehe) mas o filme é bem bonito em sua amargura e se encaminha para uma tragédia romântica. Gravado da BAND.

terça-feira, abril 29, 2003

SERIAL EXPERIMENTS LAIN

Continuo conhecendo maravilhas do anime japonês, graças ao Benuel. Dessa vez ele me emprestou um CD-R contendo os treze episódios de uma série pra tv chamada SERIAL EXPERIMENTS LAIN, e já tratei de gravar pra mim. Na história, Lain é uma garotinha que recebe um e-mail de uma menina que havia se suicidado. Nada anormal a não ser o fato de o e-mail ter sido enviado após a morte da menina. A partir daí o filme adquire ares de ficção científica misturada com sobrenatural, que lembra um pouco a história de MATRIX. Engraçado como a tecnologia está tão forte na cultura japonesa que eles misturam tecnologia com sobrenatural com a maior naturalidade. É só lembrar que O CHAMADO (The Ring) é o remake de um filme japonês.

Achei um pouco confuso, mas ainda assim vi dois dos trezes episódios que consegui na tela do computador, tal o poder enigmático de LAIN. Voltarei a comentar uma outra vez assim que tiver assistido todos os 13 episódios. Pretendo, inclusive, rever os dois primeiros pra esclarecer alguns pontos de difícil compreensão.

Na Amazon, há comentários de várias pessoas entusiastas pela série. Em alguns deles, os usuários do site comentam de similiridades da série com ARQUIVO X e os filmes de David Lynch, dada a sua natureza enigmática.

domingo, abril 27, 2003

ENCONTRO DE AMOR (Maid in Manhattan)



Os cinemas estão cheios de filmes descartáveis, e a gente fica até sem muito ânimo pra ir ver. Por isso, vi um único filme no cinema no fim de semana. E estava arriscado a nem vê-lo. Mas a companhia agradável e a surpresa do filme fez a diferença. O título foi ENCONTRO DE AMOR, de Wayne Wang, com Jennifer Lopez e Ralph Finnes, que é bem melhor do que eu esperava. O forte do filme é a direção segura de Wang, que dirigiu, em 1993, O CLUBE DA FELICIDADE E DA SORTE. Na época, eu achava que ele e Ang Lee iriam se especializar em cinema chinês made in USA. (Ang Lee dirigiu BANQUETE DE CASAMENTO.) Mas ambos trilharam caminhos diferentes, dirigindo filmes encomendados pelos produtores de Hollywood. Mesmo com todos os problemas que um filme como ENCONTRO DE AMOR pode ter, a direção segura e a competência do elenco o tornam uma diversão divertida e agradável. Na história já conhecida por todos, J.Lo é uma camareira de hotel que é confundida com uma hóspede por um deputado perseguido por paparazzi (Fiennes). Ele se apaixona pela moça e a partir daí rolam as confusões conhecidas dessa típica comédia de situações romântica. Se bem que nesse filme, o forte não é o humor, até um pouco fraco, e sim, o lado mais... PRETTY WOMAN. Na trilha sonora tem uma canção linda da premiada Norah Jones ("Come away with me"), em momentos bonitos do filme.

Depois do cinema, teve a festinha aí da foto, lá na barraca Biruta. O legal é que eu estou me entrosando mais com o pessoal. Antes ainda me comportava como um estranho, mas o tempo trata de trazer mais intimidade e amizade às pessoas. A festa foi boa, com dois ambientes, um de música mais "underground" e outro mais pop de canções dos anos 70 e 80.

No domingo dormi até tarde e não rolou mais nada a não ser ver um filme do Visconti em video pra espantar a onda de filmes ruins. Heheheheh.. Em breve comento essa obra-prima do velho mestre.

quarta-feira, abril 23, 2003

OS FILMES DO FERIADÃO

Ontem não deu mas hoje pretendo comentar um pouco os filmes do feriado. O que mais achei estranho foi que com todo o tempo que eu tive, eu não aproveitei muito bem. Não foi um feriado produtivo. Não fiz nada muito importante além de descansar. Tem fins de semana normais que vejo mais filmes na telinha. Nesse, só vi dois, que comento a seguir junto com os filmes da telona:

RECÉM-CASADOS (Just Married)

Um dos filmes mais constrangedores do ano. Fui sozinho num sábado à noite pra ver esse filme. Além de o filme ser bem ruinzinho, na sala só tinha casal. Fiquei me sentindo o Steve Martin no filme O RAPAZ SOLITÁRIO. Hehehehe.. Constrangedor também na hora de sair da sala. Sábado não foi um dia bom, passei o dia deprimido e o filme só me fez rir na cena da barata. Acho Brittany Murphy uma gracinha e ela é bem sexy, mas o filme é censura livre. O rapaz, Ashton Kutcher, também não é ruim. Ele estava no bem mais engraçado CARA, CADÊ MEU CARRO. Pelo trailler, achei que o filme era mais comédia besteirol pastelão, mas vendo o filme, vimos que não é bem assim. É uma espécie de FÉRIAS FRUSTRADAS (do Chevy Chase), só que com mais açúcar. Melhor mesmo é rever FÉRIAS FRUSTRADAS NA EUROPA.

FRIDA

Domingo eu já estava melhor de espírito, fui me encontrar com o casal de amigos Santiago e Arisa pra gente ir ver o já arrasado pela crítica FRIDA, de Julie Taymor. É a tal coisa, depois de tanta crítica negativa, acabei gostando do filme mais do que esperava. Salma Hayek pegou o papel da vida dela, sua melhor performace até agora. Sem falar que ela aparece nua algumas vezes. A Frida de verdade não tinha metade da beleza de Salma, que para o bem e para o mal só aparece de bigode no começo e no final do filme. A tragédia da vida dela, o acidente de ônibus na adolescência, é bem contado, mas surte pouco efeito dramático. O filme bem que poderia se dar ao luxo de carregar nas tintas da tragédia, já que o povo mexicano é tão passional e exagerado. Não seria mal. Fico imaginando esse filme nas mãos do Pedro Almodóvar. Seria perfeito. Mesmo assim, FRIDA foi o melhor filme do feriadão.

JOHNNY ENGLISH

Nesse dia fui com uma turma bem legal ver o filme do "Mr. Bean", que nesse filme não é Mr. Bean. O filme com o Rowan Atkinson tem bons momentos, mas o estilo de herói trapalhão querendo se passar por sabichão dá mesmo é saudade do detetive Frank Debrin em CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Mesmo assim, o filme tem piadas irresistíveis que o torna melhor que o último Austin Powers, pra comparar com outro filme que satiriza James Bond. O filme tem participações especiais de John Malkovich e da bela Natalie Imbruglia.

Quanto aos filmes da telinha, como eu disse, o saldo não foi dos melhores:

VAMPYROS LESBOS

Cinema de horror europeu, mesmo tendo muitas obras-primas, às vezes é um samba do crioulo doido. O diretor Jesus Franco, que dizem faz montes de filmes-escremento, dirigiu esse filme-enganação, que é um dos mais conhecidos dele. Agora que já vi o filme, até que guardo uma boa memória e impressão dele. Culpa das mulheres lindas e nuas que ele coloca nesse horror erótico, que não tem clima de horror de jeito nenhum e o erotismo é frio. A história é ridícula e envolve uma vampira que se diz herdeira do Conde Drácula (a lindíssima Soledad Miranda) que atormenta e seduz uma loira. O filme não leva a lugar nenhum. Vejam a quantidade de títulos diferentes que esse filme tem, de acordo com o IMDB:


Las Vampiras (1970)
Heiress of Dracula, The (1970)
Heritage of Dracula, The (1970)
Im Zeichen der Vampire (1970) (West Germany: working title)
Lesbian Vampires (1970)
Lesbian Vampires: The Heiress of Dracula (1970)
Mal des Vampirs, Das (1970) (West Germany: working title)
Schlechte Zeiten für Vampire (1970) (West Germany: working title)
Sign of the Vampire, The (1970)
Signo del vampiro, El (1970)
Strange Adventure of Jonathan Harker, The (1970)
Vampire Women, The (1970)
Vampyros Lesbos: Die Erbin des Dracula (1971) (West Germany)

ENIGMA DO ESPAÇO (The Astronaut's Wife)

O casal de protagonistas eu gosto: Johnny Depp e Charlize Theron. O filme é uma espécia de BEBÊ DE ROSEMARY, só que em vez do demônio é um alienígena que engravida a protagonista. Nem precisa dizer que o filme passa muito longe da obra-prima de Polanski. Não é de todo ruim, já que não aborrece, mas do meio pro final, a história vai ficando mal contada. Depp e Charlize nunca vi piores. Primeiro filme fraco que vi com o Depp. O final é bem clichezão. Falar mais o que??

Como eu disse, o saldo de filmes não foi dos melhores.

sábado, abril 19, 2003

O MUNDO MARAVILHOSO DOS ANIMES



Só recentemente venho conhecendo animes de primeira linha, verdadeiras maravilhas made in Japan. Comento a seguir dois filmes belíssimos, bastante diferentes um do outro, mas que são verdadeiras jóias para quem gosta de cinema, seja ele retratando a realidade na Segunda Guerra Mundial, seja ele um universo de fantasia cheio de lobos e javalis gigantes e falantes. Eis os filmes:

CEMITÉRIO DE VAGALUMES (Hotaru no Haka)

Filme de Isao Takahata, que conta de maneira sensível e realista a história de duas crianças tentando sobreviver no Japão de 1945, ainda em guerra com os aliados e sofrendo bombardeios constantes. O garoto de uns doze anos e a sua irmãzinha pequena têm sua casa bombardeada e sua mãe morta por causa dos bombardeios. Eles partem para outra cidade, onde mora a tia. Mas lá eles não são tratados com o devido respeito, não se alimentam direito e acabam abandonando a casa da tia. A partir daí é só tristeza e o filme vira um melodrama de verter lágrimas. Ver um filme como esse e nos lembrar que aconteceu algo bem parecido em países como Iraque e Afeganistão há pouco tempo, é perceber que o mundo não mudou nada e que continua cada dia mais cruel. Consegui essa fita graças ao Benuel, que já me havia emprestado também LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS, do Miyazaki. Benuel, 'brigadão, velho!

PRINCESS MONONOKE (Mononoke-hime)

Mais um filme de Hayao Miyazaki, PRINCESS MONONOKE é um dos mais cotados filmes do japonês, que agora virou superstar graças aos prêmios de A VIAGEM DE CHIHIRO. Esse filme foi gravado pelo Renato em CD-R e enviado para o Fab Rib, que fez a gentileza de fazer uma cópia em VHS. Bacana. A história cheia de fantasia é fascinante: rapaz luta contra um javali dominado por um demônio e tem o braço ferido na batalha. A sábia do vilarejo diz pra ele que a morte é inevitável, que a ferida no braço irá consumi-lo. A não ser que ele vá de encontro ao mal. Ele abandona o vilarejo e no meio do caminho encontra lobos e javalis gigantes, uma guerreira que quer destruir o espírito da floresta (um animal mágico parecido com um alce), uma menina criada por lobos (a princesa do título), entre outras coisas. O clima de fantasia e o apelo ecológico lembra um pouco O SENHOR DOS ANÉIS, ainda que a semelhança pare por aí. A versão que eu vi é dublada em inglês por um elenco que inclui Billy Crudup, Billy Bob Thornton, Minnie Driver, Claire Danes e Gilliam Anderson; e os diálogos foram adaptados para o inglês por Neil Gaiman.

Agora é esperar pra ver em breve A VIAGEM DE CHIHIRO no cinema e NAUSICÃA, que o Benuel pode conseguir pra mim.
O HORROR DE KASDAN E OS CURTAS DE ANIMATRIX

O APANHADOR DE SONHOS (Dreamcatcher)

Ontem fui ver O APANHADOR DE SONHOS, de Lawrence Kasdan. Estava esperando não uma obra-prima, mas pelo menos um filme bom e cheio de climas. O filme é bom até a aparição dos militares e a quarentena. A partir daí, Kasdan perde o controle e o filme vai ficando chato e o final está tão forçado que dá impressão que o diretor já estava de saco cheio e queria terminar logo o quanto antes.

Lawrence Kasdan até este filme era um cineasta regular e que se deu bem em diversos gêneros: western (WYATT EARP, SILVERADO), drama (O REENCONTRO, O TURISTA ACIDENTAL, GRAND CANYON), comédia (TE AMAREI ATÉ TE MATAR), filme noir (CORPOS ARDENTES). Uma das características marcantes no cinema de Kasdan é a lentidão e a firmeza na direção de cenas e de atores. Cria-se uma atmosfera condizente com o tempo cronológico e a psicologia dos personagens. É como se ele precisasse de mais tempo para contar as suas histórias. Por isso, eu esperava tanto de um filme de terror atmosférico dirigido por Kasdan.

Acredito que O APANHADOR DE SONHOS ficaria melhor se fosse uma mini-série, com Kasdan dirigindo apenas o piloto - exatamente até onde o filme acerta. È claro que o filme tem ótimos momentos. O início com aqueles personagens problemáticos, lidando com poderes especiais, é ótimo. Os flashbacks da infância dos quatro amigos também é intrigante, a aparição do primeiro homem já apresentando as manchas vermelhas também é muito bom. Sem falar nos monstros e o lugar inconveniente de onde eles saíam. Destaco a cena da privada como uma das melhores do filme. Um dos grandes erros do filme é o personagem de Morgan Freeman, que não serve pra muita coisa naquela história furada.

A melhor coisa da sessão acaba sendo o curta-metragem em animação da série ANIMATRIX, que comento a seguir:

O VÔO FINAL DE OSIRIS (The Final Flight of Osiris)

Excelente trabalho de animação dos criadores de FINAL FANTASY. O desenho está super-realista, os traços da garota oriental estão lindos, as cenas de luta estão fantásticas e o filme ainda traz cenas das máquinas perseguindo os rebeldes. O final é chapante e nos faz lembrar o quanto o conceito de Matrix é ousado e inteligente.

Aproveito que estou com mais dois filmes da série ANIMATRIX no meu HD e comento:

PROGRAM

Esse desenho, além de também ter cenas de lutas espetaculares (uma marca da franquia), ainda traz como tema básico o saber a verdade. O personagem masculino planeja voltar para Matrix e levar a companheira, que não admite esquecer tudo o que sabe e voltar para um mundo de mentira, dominado pelas máquinas. Os traços do desenho lembram animes japoneses.

THE SECOND RENAISSANCE - PART 1

Os traços do desenho achei meio borrados e pouco claros, mas a história é bastante interessante: mostra como as máquinas começaram a dominar os homens e criar o mundo de Matrix. Infelizmente essa é só a primeira parte. Agora que comecei a ver, quero ver a segunda também.

Pra quem está interessado em ver os curtas, alguns deles já estão disponíveis no site www.intothematrix.com .

quinta-feira, abril 17, 2003

AMOR À SEGUNDA VISTA (Two Weeks Notice)

 

O expediente na empresa acabou mais cedo - véspera de feriado - e aí não resisti a um cineminha esperto antes de vir pra casa. O filme que eu escolhi - AMOR À SEGUNDA VISTA - foi mais pelo horário e pela distância da sala do que propriamente porque este era "o" filme que eu queria ver. Tinha esnobado esse filme, que já tá há um tempão em cartaz. 

Não sei porque esnobamos tanto as comédias. Repararam que tirando as comédias clássicas de Charles Chaplin, Billy Wilder, irmãos Marx etc quase a crítica e os cinéfilos pouco se lembram de comédias em listas de filmes mais importantes? Até mesmo Howard Hawks é mais respeitado pelos filmes de gângster e westerns do que por suas comédias. Dos anos 80 pra cá, alguns atores se especializaram em comédias - e com bom resultado. Nesse caso, me refiro às "comédias românticas", sub-gênero meio bobinho, mas que às vezes é irresistível. Eu mesmo tenho uma comédia romântica entre os meus cinco filmes favoritos de todos os tempos. Nem preciso dizer qual é o filme. 

AMOR À SEGUNDA VISTA traz dois dos melhores atores desse gênero. Hugh Grant está cada dia melhor. No ano passado ele protagonizou o delicioso UM GRANDE GAROTO, um dos melhores filmes do ano. Fora isso, o cara já fez um monte de comédias acima da média: QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL, NOTTING HILL, TRAPACEIROS, O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, NOVE MESES. Sandra Bullock, ainda que não desfrute da mesma qualidade de filmes, tem uma marca registrada, e acabou se tornando uma atriz do gênero com o belo ENQUANTO VOCÊ DORMIA, até agora o melhor filme que ela já fez. Os outros (MISS SIMPATIA, FORÇAS DO DESTINO) não são lá grande coisa. 

O filme é até legal. Quer dizer, tem um monte de clichês, o final é previsível, Miss Bullock está repetindo os papéis anteriores, e por aí vai. Mas ainda assim, saí do cinema com um sorriso no rosto, mesmo sabendo que o efeito dura pouco. A história: Sandra Bullock é uma advogada "do bem", sempre defendendo os interesses dos mais necessitados e apoiando causas ecológicas e tal. Hugh Grant é o empresário que divide com o irmão a liderança de uma grande empresa imobiliária. Os dois se encontram, ela passa a trabalhar pra ele, e o resto todo mundo já sabe. É o tipo do filme pra ir ver sem esperar muita coisa, mas as risadas estão garantidas e dá pra alimentar um pouco aquele nosso lado que quer mesmo é estar com a menina da sua preferência tomando sorvete e andando de mãos dadas, depois do cineminha.

terça-feira, abril 15, 2003

O CRIME DO PADRE AMARO (El Crimen del Padre Amaro)

O segundo filme do final de semana que vi foi esse filme de Carlos Carrera, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro esse ano. O filme só aborrece um pouco nas partes políticas, mas no geral é um filme bom. O problema que ele é um pouco venenoso, um desses filmes que não tem fé na natureza humana, sempre mostrada de maneira ruim. Inclusive o personagem principal de Gael Garcia, o Padre Amaro do título, é egoísta e cúmplice da lavagem de dinheiro e dos pecados dos outros membros do clero. Logo quando ele chega na cidadezinha, ele conhece Amélia, uma jovem muito bonita, que logo o conquista. O romance se encaminha para uma tragédia. O filme tem algumas contradições: ao mesmo tempo que critica a igreja e a hipocrisia da sociedade católica, ele traz como fundo musical músicas sacras inapropriadas para os momentos. O negócio é sair do cinema e procurar algum lugar pra cuspir.

ROGER E EU (Roger and Me)

Finalmente, depois de tantas vezes que passou no SBT, dessa vez eu pude gravar esse interessante documentário de Michael Moore, o cineasta que chamou o Bush de presidente fictício na festa do Oscar. O cara é mesmo muito bom e o trabalho árduo e longo de feitura desse documentário demonstra que ele quando quer mesmo uma coisa, ele vai atrás. ROGER E EU é a tentativa de Michael Moore de falar com Roger Smith, presidente da GM, empresa de carros que fechou fábricas na cidade natal de Moore, Flint. A situação virou uma tragédia, já que a base financeira e toda a riqueza da cidade existia graças à fábrica. Resultado: demissões em massa, pessoas abandonando a cidade, outras despejadas por não poder pagar o aluguel etc. Taí um bom exemplo de filme de esquerda e que exige uma atitude de responsabilidade do governo e dos empresários para com o povo, em detrimento da política neo-liberal reinante.

ROCCO PAPALEO ( Permete? Rocco Papaleo)

Filme de 1971 de Ettore Scola, um dos grandes cineastas ainda em atividade na Itália. Nesse filme, Marcelo Mastroianni é o Rocco Papaleo do título. Ele é um sujeito bem bobão, que se apresenta pra todo mundo na rua, dizendo "muito prazer, Rocco Papaleo". O filme se passa na Nova York psicodélica do início dos anos 70. Rocco se apaixona por uma modelo e fica obcecado pela moça. Ao mesmo tempo encontra mendigos, prostitutas e homossexuais, sempre agindo de maneira bondosa ou ingênua com as pessoas que encontra. Engraçada a cena em que ele conhece um rapaz e só vai perceber que ele é gay depois de alguns minutos num clube gay com homem dançando com homem. Heheheh.. Um dos filmes mais simpáticos e, ao mesmo tempo, mais amargos de Scola. Gravado da BAND.

Meu top 5 de filmes do Scola:

1. UM DIA ESPECIAL (1977)
2. OS NOVOS MONSTROS (1978)
3. A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO (1991)
4. CONCORRÊNCIA DESLEAL (2001)
5. FEIOS, SUJOS E MALVADOS (1976)


NA MIRA DA MORTE (Targets)

Estréia de Peter Bogdanovich no cinema de ficção (1968), NA MIRA DA MORTE é excelente. Traz Boris Karloff como o velho ator de filmes de terror que está cansado da profissão e quer se aposentar. Paralelamente, um atirador maluco inicia sua carreira de crimes na cidade, praticando tiro ao alvo em pessoas. O final é espetacular. É interessante ver esse filme nos dias de hoje, assombrados por loucos como o assassino do shopping durante a sessão de CLUBE DA LUTA aqui no Brasil, ou o atirador misterioso nos EUA. Gravado da BAND. Quem não viu, não deixem de ver ou gravar essa preciosidade na próxima oportunidade.


MAHLER

Antes de dirigir a opera rock TOMMY, Ken Russel fez MAHLER (1974), cinebiografia pouco ortodoxa do músico Gustav Mahler. Os filmes de Ken Russel tem um gostinho de diferente sempre. Não sou muito fã do trabalho dele, mas alguns filmes são realmente notáveis. Esse não é dos melhores, mas só em ser uma experiência que foge da mesmice das cinebiografias comportadas, já vale ver. Russel gosta muito de música. Em sua filmografia há filmes sobre Lisz, Tchaikovski, sobre música folk, opera rock etc. Gravado do canal Mundo.

sábado, abril 12, 2003

CARANDIRU

"Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido."
Salmo 91.7


Acabei de vir de uma sessão de cinema que vai entrar pra história. Isto é, entre os melhores momentos que eu tive dentro de uma sessão de cinema. Não sei ainda porque há tanta gente falando mal do filme. Teve gente que disse que Babenco fez isso pelo dinheiro; outros disseram que a fotografia de Walter Carvalho deixava o filme meio...pasteurizado; outros chamaram até de novela mexicana de má qualidade. O que é isso, meu povo? CARANDIRU é foda, muito foda. Nem sei por onde começar pra falar sobre o filme. Posso começar falando que 2003 está sendo um ano bem sangrento, é verdade. Depois de um sensacional filme que cospe sangue de Mr. Scorsese (GANGS DE NOVA YORK), de uma guerra imoral que está se desenrolando no Golfo, que já é motivo pra mais onzes de setembro acontecerem, chega o filme do Babenco dando porrada na concorrência.

Interessante que foi nesse filme que eu mais senti a distância entre o filme que eu assisti e o filme que as outras pessoas que estavam na sala assistiram. Vi gente rindo pra caramba dos personagens gays, principalmente do casal formado por Lady Di (Rodrigo Santoro) e Sem Chance (Gero Camilo). E até vi gente dançando com a música final que tocou (acho que era "Aquarela do Brasil"). Eu não. Eu chorei pra caramba. Senti todo o carinho que Babenco (e acredito que Dráuzio Varela também) sentiram por todos aqueles personagens, cheios de tragédias pessoais. Até mesmo os evangélicos, sempre mostrados de forma preconceituosa em filmes e novelas, são tratados com respeito no filme. Há duas passagens realmente emocionantes envolvendo o tema: a conversão do pistoleiro "Peixeira" e aquele trecho da Bíblia lá de cima. Aquele Salmo eu sabia decorado há um tempo atrás. Hoje em dia esqueço trechos, troco os versículos. As palavras são poderosas.

Os atores do filme não poderiam estar melhor. Como o filme tem muitos personagens, costumam sempre comparar com SHORT CUTS, do Altman. Bom, ainda bem que a comparação é com um filme ótimo. Mas tirando essa semelhança, não há muita coisa em comum entre os dois filmes. O universo é outro, sem dúvida. Há personagens mais fáceis de a gente se identificar, como o garoto Deusdete (Caio Blat), que mesmo não sendo um bandido, foi parar lá no presídio. Mas há personagens fortes como o pirado Zico (Wagner Moura ), o xará Ailton Graça fazendo o papel do malandro Majestade (o cara parece com o Denzel Washington, vejam vocês!); o Barba (André Cecatto); Antonio (Floriano Peixoto); Ezequiel (Lázaro Ramos, que já tinha mostrado o seu talento em MADAME SATÃ); o médico vivido por Luiz Carlos Vasconcelos; Dalva (Maria Luiz de Mendonça); Peixeira (Milhem Cortaz); Seu Chico (o grande Milton Gonçalves); Claudiomiro (Ricardo Blat, que já tinha feito um papel brilhante em O PRÍNCIPE). Entre outros.

Mas se o elenco está de parabéns, o que de dizer de Hector Babenco? Ele é o cara que driblou a morte, sobrevivendo a um transplante de medula, prestou contas com ela no belo e enigmático CORAÇÃO ILUMINADO, e está aí pra trazer de volta os excluídos pra esse Brasil que não tem mais vergonha de mostrar que a prioridade é combater a fome.

E sabe de uma coisa? CARANDIRU é o melhor filme de 2003 até agora. Quero saber qual vai ser o outro filme que vai peitar.

Grande abraço!

terça-feira, abril 08, 2003

DRÁCULA - PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula - Prince of Darkness)

No final de semana assisti DRÁCULA - PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula - Prince of Darkness), de Terence Fisher, de 1965. O filme é ótimo, mas como o primeiro Drácula da Hammer a gente nunca esquece, acabei gostando mais do menos cotado O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula), de Roy Ward Baker, de 1970. Apesar de os dois filmes terem o mesmo Drácula, interpretado por Christopher Lee, no filme de Fisher ele é mais misterioso, e assim como no NOSFERATU de Murnau, permanece mudo o filme inteiro. Isso torna o personagem mais misterioso, claro. Sem falar que PRINCE OF DARKNESS é mais sério, ainda não tinha se transformado em uma caricatura, graças a repetição. Os dois filmes tem tramas bem parecidas: um irmão volta ao castelo para caçar o vampiro e vingar a morte do outro; uma das moças é seduzida (nesse filme, mais correto seria hipnotizada) pelo Conde; há sempre um padre ou conhecedor dos vampiros que auxilia na caça à criatura; a carruagem e os cavalos são uma constante nos filmes e um charme que não se pode deixar de lado. Mas o que me agradou mais em SCARS OF DRACULA foi o tom das cores, mais vermelhas, o sangue mais exposto e a nudez das mulheres. Mas deixando um pouco a comparação e centrando mais em PRINCE OF DARKNESS, o filme começa bem com cara de continuação, mostrando o final do filme VAMPIRO DA NOITE (Horror of Dracula), o primeiro da série, de 1958, antes de iniciar com os créditos de abertura. O mordomo do Conde é tão sinistro quanto o seu mestre e aparece até mais que ele no filme. A maneira de ressucitar o vampiro, derramando sangue nas cinzas, é bem melhor do que o mostrado em SCARS, com um vampiro de borracha cuspindo sangue no cadáver. Ainda pretendo ver os outros filmes da série de Dráculas da Hammer. E quem sabe um dia eu ponho aqui um ranking, quando tiver visto todos. Ainda bem que tem gente boa colocando esses filmes no mercado de DVD no Brasil.

segunda-feira, abril 07, 2003

THE CORE, CINEMA DE RUA, FESTA DOS 80'S E DILÚVIO



Cine São Luiz

O final de semana não foi dos mais produtivos em se tratando de quantidade de filmes. O único filme que vi no cinema foi O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The core). Minha intenção no sábado era assistir A TEIA DE CHOCOLATE, de Claude Chabrol pela manhã. Acontece que eu perdi a hora, a chuva me confundiu cobrindo o sol e não pude conferir mais uma performance de Isabelle Huppert. Aí foi quando tive a infeliz idéia de ir ao Centro da cidade ver O NÚCLEO. Infeliz por dois motivos: 1) o filme não é bom e 2) A sala do centro da cidade está entregue às baratas. Uma pena, já que foi lá no Cine São Luiz que assisti meu primeiro filme no cinema. Era um filme dos Trapalhões. O lugar é um palácio. Infelizmente não tenho nenhuma foto do interior do lugar pra mostrar pras pessoas que não conhecem. Mas como todo cinema de rua das grandes cidades brasileiras, esse está em decadência faz tempo. A última vez que eu tinha ido ver um filme lá foi na época do Cine Ceará do ano passado. Pretendo voltar lá novamente durante a edição desse ano, mas a coisa está triste. O preço é o melhor da cidade: 6,00 inteira; 3,00 meia. Mas não vale muito a pena: o som está ruim e estridente e a imagem não tem a mesma nitidez da vista nos cinemas de shopping. O ar condicionado está tão fraco que a cabeça da gente esquenta e o suor toma conta do corpo. Assim não dá. É um verdadeiro descaso o que eu vi ontem. Sei que eu sou um pouco culpado de o cinema estar em decadência, mas uma coisa leva a outra. Se eu não tivesse me decepcionado ontem, eu iria mais vezes ao lugar. Mas a gente vai ao cinema pra esquecer coisas como qualidade de som e de ar condicionado e curtir o espetáculo.

O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The Core)

O filme não ajudou muito. THE CORE é um filminho onde mais uma vez os americanos salvam o planeta Terra. Muito bonito ver um filme desses em plena era Bush. Mas esquecendo esse "detalhe", o filme até que convence como um filme de aventura. Quer dizer, o roteiro tem coisas absolutamente inverossímeis disfarçadas de física nuclear, mas esquecendo esse outro detalhe, dá pra assistir o filme. O fime tem um elenco até bom. Tem o Delroy Lindo, que está a cara do Martinho da Vila, tem a oscarizada Hilary Swank e Aaron Eckhart e Stanley Tucci. O personagem de Tucci é o mais interessante, já que ele é o único que é egoísta e não está a fim de se sacrificar pra salvar o mundo. Mas no final vimos que ele também é gente fina. É uma pena o filme não ser bom, já que a idéia é bem bacana. E em alguns minutos o fime faz lembrar aquelas ficções científicas dos anos 60. Acredito que se eu tivesse visto o fime numa sala de cinema melhor teria gostado mais. Ah, o filme traz uma citação explícita de OS PÁSSAROS.

A festa

À noite, teve uma festinha anos 80 pra eu ir. A festa foi muito legal. A banda não era lá grande coisa - Hanoi Hanoi - mas ela até que é representativa. A banda já tinha acabado e só se reuniu exclusivamente para essa festa. Parece que foi o melhor que conseguiram arranjar. Heheheh.. O som que rolava era: Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Michael Jackson, Madonna, Gretchen, Sidney Magal ("Meu sangue serve por você" me fez lembrar da infância, quando eu me balançava na rede com a minha irmã, ao som do vinil dele..heheheh), Technotronics, C+C Music Factory, Information Society, Paralamas etc. Mas a parte mais engraçada da noite foi quando eu, o Murilo e o Guerra jogamos uma garrafa de cachaça do outro lado da festa pra pegar de volta quando entrarmos. Mas os seguranças não deixaram. Heheheh..Ainda bem que não tinha mais muita cana na garrafa. Outro destaque da festa foi a grande quantidade de mulheres bonitas por lá. A parte ruim é voltar com o dia amanhecendo e sem ter agarrado ninguém. Vida de solteiro às vezes é dolorosa..heheh

O dilúvio

No domingo pretendia ir ver um filme italiano - O ÚLTIMO BEIJO - no Espaço Unibanco, mas bateu uma chuva tão forte que pra sair de casa eu teria que arranjar um barco. A chuva foi tão grande que aconteceram três mortes na cidade por ocasião do dilúvio: um menino de 9 anos e um senhor de 64 anos cairam dentro de um bueiro e morreram afogados, outra morte foi de uma moça que estava com a família e o carro caiu dentro de um canal. Maior tragédia. Por isso talvez tenha sido melhor ter ficado em casa. O mar de água suja não tava nem pra peixe.
CHAPLIN E MONSIEUR VERDOUX



Recentemente, lendo no blog da Fernanda, vi que ela colocou o Chaplin entre os diretores/atores que mais odeia. Coincidentemente acabei de assistir MONSIEUR VERDOUX, ótimo filme de Chaplin a partir de idéia de Orson Welles, e resolvi fazer uma espécie de homenagem a ele, como uma resposta a ela. Mas antes de escrever sobre ele, vou falar um pouco sobre os filmes dele que já tinha visto. O meu preferido, talvez por provocar mais emoção, mais choro, é LUZES DA RIBALTA(1952), filme auto-biográfico mostrando a decadência de um comediante. É um filme triste que fala sobre a velhice, a decadência, o suicídio, o sentido da vida. É um filme que eu gostaria muito que lançassem em DVD pra eu poder rever. Depois desse vem LUZES DA CIDADE(1931), o melhor filme da fase muda de Chaplin. A cena clássica da cega que se apaixona pelo vagabundo Carlitos é fantástica. E aquilo é cinema puro. Chaplin evitou a todo custo se utilizar de explicações escritas. Uma obra-prima. O mais engraçado, no entanto, é O CIRCO (1928). Nele, o humor visual está em seu auge. E toda a herança de palhaços de circo encontra na telona do cinema uma verdadeira declaração de amor. (Aqui no Brasil algo muito bonito foi feito em OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES.) Outro da fase muda, que traz tanto cenas engraçadas quanto tristes e melodramáticas é O GAROTO (1921), filme curtinho e que dá um gosto de "quero mais" que só vendo. Outro clássico do cinema mudo é EM BUSCA DO OURO (1925), em que aparece a célebre cena do jantar: Carlitos se esforçando para comer uma bota. Chaplin era sempre preocupado com os problemas sociais e acreditava piamente na humanidade. Era um humanista, criticava os governos e sociedades que tratavam as pessoas como máquinas ou, pior ainda, apenas como uma peça na grande máquina. Um dos melhores filmes sobre o tema é TEMPOS MODERNOS (1936), que também marca o fim da fase muda e a despedida do personagem Carlitos. Um filme memorável da fase falada é UM REI EM NOVA YORK (1957), destaque para a cena em que Chaplin, após uma cirurgia plástica, não se aguenta de rir. Nunca vi completo O GRANDE DITADOR (1940), mas pretendo ver em breve.

Mas como o meu estoque de filmes de Chaplin vistos acaba por aqui, comento um pouco o filme que está mais fresco em minha memória: MONSIEUR VERDOUX (1947). Nesse filme, o humor de Chaplin está afiadíssimo. Há uma mistura de humor negro e uma afeição estranha pelo personagem central. Chaplin é Verdoux, um verdadeiro Barba-Azul. Ele casava com as mulheres, as matava e ficava com a grana. Ele encarava isso como um negócio, já que tinha perdido tudo quando trabalhava de bancário. O que torna o filme bastante interessante é o fato de Chaplin estar mostrando um assassino como alguém digno de nossa compreensão e até estima. E o pior é que ele consegue. Uma das cenas de maior destaque é uma em que Chaplin quer testar um veneno que mata sem deixar vestígios no cadáver; escolhe uma mulher que está na rua, sem dinheiro, sem teto e sem comida para ser a cobaia do experimento. O humor desastrado e os trejeitos um pouco efeminados de Chaplin continuam presentes ainda nesse filme da fase madura. Chovendo no molhado: MONSIEUR VERDOUX é mais uma obra-prima de um dos maiores cineastas do mundo.