segunda-feira, julho 13, 2020

OS CONQUISTADORES (Western Union)

Não sei se o meu amor por OS CONQUISTADORES (1941) se deve exclusivamente à direção muito acertada de Fritz Lang ou se por um sentimento afetuoso por Randolph Scott. O astro de tantos westerns é tão querido que a Versátil lançou um volume de Cinema Faroeste (o de número 9) só com filmes estrelados por ele (inclusive este do Lang). Mas não há como não perceber o quanto o nosso querido cineasta alemão estava fazendo o gênero americano por excelência com muito tesão. Isso transparece em cada frame e por isso o filme é tão gostoso de ver.

Depois do sucesso de A VOLTA DE FRANK JAMES (1940), o diretor foi convidado pela Fox para dirigir um outro western. E deu ainda mais certo, pois é um trabalho ainda melhor e muito mais independente. Afinal, não era continuação de outro filme. E feito com toda a estrutura que uma grande companhia de Hollywood podia oferecer, e com a beleza daquela technicolor da época. Ainda assim, a primeira imagem do filme, de Randolph Scott no sol, em fuga, é uma imagem que lida com a sombra, mais do que com a luz. Trata-se de um personagem que, logo veremos, está fugindo de seu passado sombrio.

Mas OS CONQUISTADORES também pertence à grande leva de filmes americanos do gênero que ajudaram a contar muito da construção da civilização americana no século XIX. No caso, o foco aqui é o esforço para conseguir levar o telégrafo para as áreas mais a oeste dos Estados Unidos. A Western Union do título original é uma empresa multinacional que começou seu trabalho lá naquela época. E no filme podemos ver de forma mais prática um bocado desse esforço, no tempo em que Abraham Lincoln era presidente.

Mesmo sendo um filme do início dos anos 1940, já havia um cuidado da parte de Lang e de seu roteirista de não tratar os índios como um povo selvagem que deveria ser aniquilado em prol da tranquilidade dos brancos. O personagem de Scott fala a língua dos nativos e não tem o menor interesse em começar uma guerra com eles. Além do mais, os verdadeiros inimigos são brancos que se fazem passar por índios e que ainda manipulam os índios com álcool para roubar e matar.

Lang fez um trabalho que foi muito elogiado pelas pessoas que viveram e lembravam daquele momento do Velho Oeste em suas vidas e houve alguém que enviou uma carta a Lang enaltecendo o fato de este ser o filme que melhor apresentou com realismo e detalhes aquele período. Isso se deveu a estudos por parte de Lang, assim como ele tinha feito quando estudou os tribunais para fazer FÚRIA (1936). E há realismo também em detalhes da trama, como no momento em que o personagem de Scott esfrega suas mãos queimadas para saber se ainda possui força o suficiente para usar uma arma e combater seu inimigo.

Mas é interessante eu ter falado dos personagens e só ter citado Vance Shaw, o personagem de Randolph Scott, que é o segundo nome a aparecer nos créditos, embora ofusque a todos do elenco. O primeiro nome dos créditos é o de Robert Young, que interpreta Richard Blake, um sujeito da cidade grande que chega em Omaha, Nebraska, para trabalhar no serviço de telégrafos de Edward Creighton (Dean Jagger), o homem que foi salvo por Shaw logo no início do filme. Shaw passa a trabalhar, a convite de Creighton, para a Western Union, como uma pessoa de confiança para assuntos de segurança. Tanto Shaw quanto Blake têm interesse na bela irmã de Creighton, Sue (Virginia Gilmore), o que traz elementos tanto cômicos quanto românticos para a história. E falando em elementos cômicos, como esquecer o personagem do cozinheiro?

Não posso encerrar o texto sem falar em um dos momentos que mais me impressionaram, entre tantos, que é o instante em que os três homens saem para buscar um acordo de paz com os índios e se deparam com duas centenas deles, todos pintados para a guerra. A imagem é de um impacto incrível, ainda que o recurso seja aparentemente simples para trazer a surpresa e um punhado de terror. É sensacional. Pena que Lang só faria mais um western em sua carreira, O DIABO FEITO MULHER (1952). Até lá, há ainda muita coisa boa feita pelo diretor para ver.

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CAVALGADA DOS PROSCRITOS (The Long Riders)

Fui com algum entusiasmo para ver este filme, acreditando que seria tão interessado na história de Jesse James quanto os filmes de Henry King e Nicholas Ray. Mas aqui é outra proposta, trazendo mais luz aos atos do bando, que eram basicamente assaltar bancos e trens. Há pouco espaço para situações mais dramáticas, mesmo com o realismo da violência dos tiroteios. O filme explora mais o personagem de David Carradine, que faz um dos irmãos Younger. Mais até que os irmãos James (vividos por James e Stacy Keach). Inclusive o ator que faz o Jesse James é bem fraco e sem carisma. Confesso que deu saudade da velha Hollywood, cujos filmes tinham menos interesse nas cenas de tiroteio e ação e mais nos dramas e nas relações entre os personagens. Direção: Walter Hill. Ano: 1980.

REDEMOINHO

Interessante um cineasta surgido de vários trabalhos para a televisão brasileira. Há um cuidado com a imagem que agrada bastante, mas é um filme em que a história exerce uma importância grande e que acaba sendo um pouco prejudicada pelo roteiro. O que compensa são os ótimos intérpretes (Júlio Andrade, Irandhir Santos, Dira Paes, Cássia Kis). Direção: José Luiz Villamarim. Ano: 2016.

12 HORAS PARA SOBREVIVER - O ANO DA ELEIÇÃO (Purge - Election Year)

O primeiro THE PURGE (2013) era legal, o segundo (2014), apenas ok; este terceiro nem deveria ter sido feito. Chega a ser aborrecido de ver. Vai ver eu nunca fui mesmo fã da franquia. Eu paro por aqui. Espero que eles parem também. Direção: James DeMonaco. Ano: 2016.

domingo, julho 12, 2020

MURDER À LA MOD

Tempos atrás comprei um livrinho de entrevistas muito interessante chamado My First Movie, editado por Stephen Lowenstein, contendo entrevistados com vários cineastas falando sobre seus primeiros longas-metragens. Infelizmente não dei seguimento à leitura, embora tenha resultado em uma linda revisão de GOSTO DE SANGUE, dos irmãos Coen. Que, aliás, ainda é o melhor filme da dupla. Mas sabemos o quanto esse tipo de estreia que chega chutando portas é raro. Vários cineastas gigantes teriam ainda que lapidar o seu estilo, fazendo ainda filmes menores e que só mais adiante seriam vistos como obras fundamentais para entender o processo de maturação do seu corpo de trabalho.

É o caso de MURDER À LA MOD (1968), primeiro filme lançado nos cinemas de Brian De Palma. Não foi o primeiro gravado: FESTA DE CASAMENTO (1969), lançado um ano depois, já havia sido rodado em 1963. De qualquer maneira, tratava-se de uma obra que era assinada por De Palma e mais dois diretores. Portanto, MURDER...seria seu primeiro trabalho solo. E que realmente tem muito do que ele faria a partir de IRMÃS DIABÓLICAS (1972), quando o interesse pelo suspense e pelas homenagens a Alfred Hitchcock seriam mais explícitas. Este seu primeiro trabalho solo também carrega influências fortes de Jean-Luc Godard e o estilo também revela um gosto pelo giallo produzido nos anos 1960, com um uso muito bonito do gore.

As primeiras cenas do filme nos deixam um tanto desconfortáveis. Somos apresentados a imagens de gravações de filmes pornográficos em que o diretor pede para jovens estreantes anônimas tirarem suas roupas para a câmera. Elas se sentem desconfortáveis, uma delas pergunta: "isso é para ser sexy?", enquanto a voz diz para ela se apressar, pois o filme já está rodando. Rolos de filmes custavam muito caro na época, diferentemente da realidade do momento de hoje, com o digital imperando e barateando os custos.

O voyeurismo, tema constante na obra do cineasta, já se mostrava presente desde os primeiros minutos. Não é apenas o jovem diretor e suposto assassino que é o voyeur, mas também pessoas que trabalham no estúdio dele. A própria namorada se apresenta muito interessada no filme que ele está rodando. Quase implora para que ele retome a projeção, depois que ele para, em certo momento. O espectador, então, nem se fala.

Nota-se neste filme de De Palma um estilo ao mesmo tempo despojado, sem uma preocupação muito forte com interpretações. Seu elenco não precisava ser tão bom, ainda que eu goste de Andra Akers, mas talvez por sua beleza e doçura. Mas o capricho com as imagens já era algo muito presente. Tanto pela beleza plástica das imagens em preto e branco e da elegância que aquela década trazia, mas por um interesse em construir uma trama intrincada e muito atraente, que me fez lembrar de O GRANDE GOLPE, de Stanley Kubrick, mas que também pode trazer à tona um dos trabalhos mais recentes de De Palma, OLHOS DE SERPENTE (1998). Isso se deve à brincadeira com o uso do tempo (narrativa não-linear) e do ponto de vista, e que ajuda a tornar o filme sempre fresco, à medida que cada ato vai chegando ao fim e dando início a outro. Mais ou menos o que faria também Quentin Tarantino em seus primeiros filmes.

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POSSESSOR

Na falta de David Cronenberg, que não lança um novo filme há vários anos, podemos agora ter contato com o trabalho de seu filho, que, neste título, pelo menos, carrega o DNA do pai. Há bastante semelhança com EXISTENZ e um pouco com VIDEODROME também. Começo a gostar mais do filme quando a missão da personagem de Andrea Riseborough chega ao corpo do personagem de Christopher Abbott. Talvez o final seja problemático, talvez eu apenas tenha achado confuso, mas é um cinema que também abraça justamente essa confusão, o estado alterado do ser. A cena que reproduz o cartaz do filme é o que melhor representa isso. Diretor: Brandon Cronenberg. Ano: 2020.

MÃE SOLTEIRA (Not Wanted)

O primeiro filme com a direção de Ida Lupino aconteceu por acidente, devido à morte do veterano Elmer Clifton. Mas Lupino já estava bastante envolvida, já que era roteirista e produtora. O filme é um pouco quadrado, mas há momentos brilhantes. Além do mais, a questão da mulher solteira nos Estados Unidos talvez fosse um assunto bem novo. Se bem que havia sido tocado de relance em O GAROTO, do Chaplin. Ano: 1949.

A GAROTA NO TREM (The Girl on the Train)

O filme começa intrigante, mas depois o diretor não consegue dar conta da história e tudo fica frouxo e pouco interessante. Até a interpretação da Emily Blunt está ruim. Aliás, ela acaba sendo a pior coisa do filme. Que já nem é lá essas coisas. Mais parece um daqueles telefilmes que passavam no Supercine. Direção: Tate Taylor. Ano: 2016.

sábado, julho 11, 2020

DEPOIS DA TEMPESTADE / A IMAGEM ERRANTE (Das Wandernde Blid)

Para um filme que teve boa parte de sua metragem perdida e que foi preciso uma boa quantidade de texto para a trama não ficar muito confusa, até que DEPOIS DA TEMPESTADE (1920) é um belo trabalho. Tem os seus momentos, ainda que seja irregular. Acho linda a cena da protagonista no barco, subindo as montanhas. Aliás, o clima do filme, as imagens, o personagem do ermitão, a religiosidade, aproximam mais este trabalho das obras de Carl Theodor Dreyer - me fez lembrar tanto A PALAVRA quanto os filmes mudos do realizador dinamarquês.

A trama é um pouco confusa e eu tive que parar depois de uns 15 minutos, ler umas resenhas e depois voltar ao começo. Só então comecei a assistir com prazer, ainda que em alguns momentos eu tenha me perdido novamente. A história nos apresenta a uma mulher que está fugindo de um marido abusivo. Ela está em um trem (as cenas do trem também são ótimas) e recebe um telegrama ameaçador do marido, que jura ir em seu encalço. Ela foge para as montanhas congeladas e lá encontra um ermitão. Na verdade, esse sujeito é o seu ex-namorado/ex-companheiro, então dado como morto.

Logo em seguida, somos apresentados aos acontecimentos importantes anteriores àquele momento, tanto do ponto de vista dela, Irmgard (Mia May), quanto do então ermitão Georg (Hans Marr). E mesmo com as cenas perdidas da metragem anterior, não deixa de ser admirável a destreza de Lang e de sua corroteirista Thea von Harbou em amarrar esses dois flashbacks de maneira criativa, quando os dois personagens ficam presos na cabana depois de uma avalanche provocada por John, o marido de Irmgard, também vivido por Hans Marr.

Na verdade, John é uma espécie de doppelgänger. Ele é o irmão gêmeo de Georg que se aproveita da crise no relacionamento de Irmgard com Georg para se aproximar da mulher e casar com ela. Georg estava com dificuldade de casar com ela por medo de ferir as suas convicções. Ele era um adepto do amor livre. Ou seja, casar seria algo impensável, algo mais relativo à posse do que ao amor. E quando ela o encontra na montanha, ele ainda tem suas próprias convicções, relativas a uma promessa que fizera a si mesmo com uma virgem. Ele só voltaria para o mundo se a estátua da virgem andasse.

Podemos ver que desde o início o tema do destino aparece de maneira forte na obra de Lang. Mas acho curioso e importante notar que há uma importância forte no trabalho de sua parceira von Harbou, cujo primeiro filme roteirizado por ela, SANTA SIMPLÍCIA (1920), de Joe May, imediatamente anterior a esse, também contou com elementos religiosos.

Entre os atores, vale destacar a presença de um ainda jovem Rudolf Klein-Rogge, um dos mais importantes da fase alemã de Lang. Foi ele quem interpretou o Dr. Mabuse e o inventor de METRÓPOLIS (1927), entre outros.

Em DEPOIS DA TEMPESTADE, há uma cena, de quando a protagonista fica presa com Georg depois da avalanche, que antecipa a cena da expectativa de uma explosão em O TESTAMENTO DO DR. MABUSE (1933), ainda que não tenha o elemento suspense. Pelo menos, se havia a intenção, não foi exatamente bem-sucedida.

Foi graças à Cinemateca Brasileira, dado como perdido por várias décadas, que temos a chance de ver este e o trabalho seguinte de Lang. A nossa cinemateca encontrou uma cópia deste filme na década de 1980. Inclusive, a cópia encontrada trazia intertítulos em português. A cópia que eu vi foi uma versão remasterizada e bem bonita, com intertítulos e textos explicativos em inglês. Enfim, viva a nossa Cinemateca, que agora se encontra em perigo com o governo criminoso de Jair Bolsonaro.

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ANTES QUE EU VÁ (Before I Fall)

Uma surpresa positiva este derivado de FEITIÇO DO TEMPO em versão mais adolescente e mais com cara de "filme com mensagem". É bastante eficiente, as situações são boas e a jovem protagonista (Zoey Deutch) é adorável. Ela esteve em alguns filmes que eu vi, só que eu não lembrava dela. Com esse filme, ela deve se destacar melhor na indústria. Direção: Ry Russo-Young. Ano: 2017.

SOUNDTRACK

Eis um filme interessante, embora eu não tenha comprado as motivações do protagonista, vivido por Selton Mello. Mas gosto muito das interações entre os personagens e aquele ambiente de fim de mundo gelado. Direção: 300ML. Ano: 2017.

A CABANA (The Schack)

Dei umas cochiladas, pois o filme é um tanto maçante (além de um bocado cafona), mas há algumas passagens que são interessantes, como a conversa com a personagem da Alice Braga ou a questão envolvendo pai e filha, que funcionam bem no registro da emoção. Mas acho que o problema pode ter sido mais comigo, pois a sala de cinema quase toda chorou durante boa parte do filme. Direção: Stuart Hazeldine. Ano: 2017.

sexta-feira, julho 10, 2020

O PRINCÍPIO DO PRAZER

O cinema brasileiro continua sendo essa fonte inesgotável de joias a serem descobertas. Se bem que estamos falando agora de um cineasta de grande importância para a história de nosso cinema. Luiz Carlos Lacerda tem uma filmografia bastante generosa de cerca de 20 títulos entre curtas e longas-metragens. O cinéfilo aqui foi que cometeu o vacilo de deixar de ver tantas obras do diretor, por um motivo ou outro. E pelo que andei lendo em entrevistas do cineasta, há tantas coisas emocionantes em sua vida que dariam um excelente filme biográfico.

E por isso é tão importante o trabalho de curadoria que uma mostra como a Curta Circuito faz. A mostra já tem a cara de Andrea Ormond, uma das melhores e mais importantes profissionais da crítica do Brasil, não apenas por causa de suas excelentes críticas, mas por nos apresentar com muito entusiasmo à obra de cineastas que às vezes não costumam pertencer ao cânone ou não são tão populares. Pelo menos, não na atualidade. Infelizmente há um problema de preservação da memória de nosso cinema e por isso essa tarefa é tão necessária e valiosa.

Foi por causa da mostra Curta Circuito que vi O PRINCÍPIO DO PRAZER (1979), filme que encerra a edição deste ano, que aconteceu online e por isso eu tive a honra de poder participar do debate e entrar em contato com o diretor logo depois de ver o filme. Que infelizmente teve que ser visto no YouTube, em uma qualidade não muito boa - outro problema muito comum que ocorre com nossos filmes, que carecem de cuidado por parte do Estado. No entanto, como se trata de uma obra muito interessante e cheia de atrativos, até relevamos esse problema e vemos com prazer.

O PRINCÍPIO DO PRAZER pertence àquela categoria de filmes estranhos e sensuais. E isso muito me interessa. Na trama, Carlos Alberto Riccelli é um jovem à procura de emprego que vai parar na mansão de uma família com toques aristocráticos em uma Paraty dos anos 1920-1930. Como eles vivem na área rural, vemos muita charrete e carros de bois. Chegando lá, o jovem rapaz fala com o chefe da família, vivido por Paulo Villaça. Para trabalhar na casa, teria que dormir lá todos os dias, servir as refeições e também as bebidas em eventuais festas etc.

E as festas dessa família são um tanto extravagantes, para usar de eufemismo. O filme não conta a princípio o tipo de parentesco dessas pessoas, mas convenciona-se acreditar que os personagens de Paulo Villaça e Odete Lara são os pais da jovem Ana Miranda (hoje uma aclamada escritora, mas na época uma atriz que fazia parte da trupe de Nelson Pereira dos Santos). Aos poucos vamos sendo apresentados à rotina daquela família e Lacerda já nos presenteia com uma primeira cena sensual de Ana belíssima: ela sendo banhada pelo irmão (?) em uma bacia. Em seguida, os dois fazem sexo.

A cena é bela e transgressora, mas é apenas o começo do que o filme ofertaria nesse sentido. Há uma cena que eu considero a mais transgressora e mais intoxicante, que é o momento em que a família celebra apenas os quatro, tomando vinho. E o personagem de Riccelli serve a bebida observando aquilo tudo, o modo exageradamente carinhoso com que pai e filha e mãe e filho se beijam e se acariciam. E há algo muito estranho que também ronda a casa, uma espécie de animal que emite ruídos parecidos com os de um jumento, talvez, mas de maneira mais monstruosa. Uma criatura que poderia ser pensada tanto do ponto de vista psicológico quanto como uma alegoria política, levando em consideração o cenário do momento no país.

Foi curioso eu ter assistido ao filme poucos dias após ter finalmente visto TEOREMA, de Pier Paolo Pasolini, e ver algumas semelhanças, tanto do enredo quanto da forma como aparece a personagem de Odete Lara, que me fez lembrar o modo um tanto fantasmagórico como aparece Silvana Mangano no filme de Pasolini, com uma maquiagem carregada de branco. Durante o debate, até perguntei ao cineasta se havia uma homenagem, mas foi apenas uma feliz coincidência.

Quanto à semelhança do enredo, há uma inversão bem considerável. O personagem de Riccelli interfere na rotina da família, mas ele não é o dominador, mas o objeto sexual. E é um aspecto que muito me chamou a atenção e que lida com a fantasia erótica. Fazer parte daquele jogo da família era também muito excitante para o protagonista, em especial nas várias vezes que ele é seduzido pela personagem de Ana Miranda, que exala um sex appeal fantástico. Até o personagem do Villaça se rende à beleza física e jovem do rapaz e o chama para seu quarto, deixando de lado sua posição de dominador nesse momento.

Enfim, O PRINCÍPIO DO PRAZER é um filme que se torna melhor a cada vez que penso nele. Seria muito beneficiado com uma restauração/remasterização para que pudéssemos apreciar melhor a fotografia, a direção de arte, os figurinos, a linda Paraty e, claro, a beleza do elenco.

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MULHER DO PAI

Ao que parece, um dos segredos para que o cinema brasileiro dê bons frutos é fazer parceria com nossos hermanos. Mais uma vez uma parceria com o Uruguai rende um belíssimo resultado. Inspiradíssima direção da estreante Cristiane Oliveira. Gostei de tudo neste filme, mas há uma cena que eu acho maravilhosa: uma envolvendo a Analu na bicicleta. E que lugar maravilhoso é aquele fotografado, hein. Direção: Cristiane Oliveira. Ano: 2016.

CANÇÃO DA VOLTA

Filme que consegue, ainda que de maneira bem fragmentada, fornecer um pouco do que é uma família fragilizada pela depressão e pelas tentativas de suicídio. Grandes desempenhos em cena de João Miguel e Marina Person. E quando termina, a gente fica olhando para os créditos, meio que pensando no que acabou de ver. Isso é bom sinal, ainda mais com a canção escolhida pra encerrar. Direção: Gustavo Rosa de Moura. Ano: 2016.

TRAVESSIA

Se o filme se estendesse na trama do Chico Díaz e deixasse de lado à de seu filho poderia ter rendido até bem. Infelizmente, é bem irregular. Vale pelo Díaz, excelente sem fazer esforço no papel de um homem vazio. Direção: João Gabriel. Ano: 2015.

quarta-feira, julho 08, 2020

DUAS SÉRIES E UMA MINISSÉRIE

Atualmente ando dando preferência aos filmes (há um mar de possibilidades e uma porção de tesouros a ver e rever) e evitando me apegar a novas séries e minisséries. Sei que algumas delas são muito atraentes e realmente muito boas, mas o máximo que ando conseguindo dar conta durante este período é de um filme por dia. Até por que também preciso trabalhar, ler os livros e quadrinhos, escrever, socializar (ainda que virtualmente), dormir etc.

Acho até que estou indo bem com a média de sete filmes por semana. Ainda assim, consegui ver algumas novas séries neste ano, graças a dicas de amigos, coisas que talvez não conhecesse de outra maneira. Como já faz um tempo que eu vi estas duas séries e esta minissérie abaixo, creio que é melhor relembrar o que escrevi na época em que terminei de vê-las e, quem sabe, acrescentar alguma coisa, ajudado pela memória ruim. Todas elas foram lançadas em 2020.

RUN - PRIMEIRA TEMPORADA (Run - Season One)

Gosto de como a série é ágil, tanto na velocidade com que brinca com as aventuras do casal fujão, quanto com o tanto de coisas que acontecem durante o período em que eles estão juntos. Domhnall Gleeson e Merritt Wever são ex-namorados que, depois de muitos anos, põem em prática o que haviam combinado um tempo atrás: responder um SMS de "Run" com outro "Run" e ambos se encontrarem em um local estipulado. Um dos méritos e também algo que pode decepcionar um pouco a série é ela ser algo totalmente diferente do que se espera. Ou seja, não é uma versão cômica da história de Jesse e Celine. É outra coisa bem diferente. E isso se acentua quando os dois passam a se aventurar fora do trem. Ótima a participação de Phoebe Waller-Bridge, que faz basicamente o mesmo papel de FLEABAG, mas a gente gosta mesmo assim. A criadora Vicky Jones dirigiu um espetáculo de Waller-Bridge e também contribuiu na supervisão de roteiros da série da amiga.

EM DEFESA DE JACOB (Defending Jacob)

Ótimo e um tanto perturbador drama criminal envolvendo uma família e o assassinato não resolvido de um garoto de uma escola. O principal suspeito do crime é o garoto Jacob (ótima performance de Jaeden Martell), filho de um respeitado procurador da cidade (Chris Evans) e de uma professora de educação infantil (Michelle Dockery). A minissérie vai mostrando a espiral de dúvida e de terror da família diante do inferno que se instala em suas vidas quando toda a cidade passa a ser inimiga deles, mas também por outra série de situações que ocorrem. Escrever mais sobre a minissérie pode estragar algumas surpresas. Entre os coadjuvantes, destaque para as vezes em que J.K. Simmons rouba as cenas. O criador da minissérie, Mark Bomback, tem altos e baixos em sua carreira de roteirista. Todos os episódios são dirigidos por Morten Tyldum (O JOGO DA IMITAÇÃO, 2014).

BETTER CALL SAUL - 5ª TEMPORADA (Better Call Saul - Season Five) 

Levando em consideração a queda que da quarta temporada, esta quinta deu uma guinada muito boa para melhor, trazendo mais tensão e mais complexidade para os personagens. O nono episódio é sensacional. Corre o risco de ser o melhor da série como um todo. Que baita antagonista que é Lalo Salamanca (Tony Dalton). A relação entre Jimmy e Kim também dá um salto, mas confesso que achei a cena da união muito estranha, como já acho muito estranho o tipo de relação dos dois. Os criadores parece que não conseguem apostar em momentos de intimidade entre os atores, e de certa forma isso contribui positivamente para esse tipo de singularidade. Ao que parece a próxima temporada será a última. É uma série que está se mostrando mais valiosa do que se imaginava.

segunda-feira, julho 06, 2020

INSTINTO SELVAGEM (Basic Instinct)

Meu amor e admiração pelo cinema de Paul Verhoeven remontam aos primeiros anos de minha cinefilia. O primeiro filme dele que vi no cinema foi O VINGADOR DO FUTURO (1990), mas, se não me engano, já havia me admirado em casa com o sensacional CONQUISTA SANGRENTA (1985). O que ele fez com INSTINTO SELVAGEM (1992) foi algo por demais marcante. Trouxe para o estrelato Sharon Stone, que, injustamente, nem aparece com o nome destacado no cartaz (há apenas o de Michael Douglas), e também trouxe um tipo de cinema muito ousado no quesito sexo, principalmente dentro das produções classe A de Hollywood.

Claro que houve o aspecto negativo, que foi a proliferação de softcores de suspense baratos e sem graça pipocando por todos os lados. Mas nem vejo isso como um problema. A verdade é que Hollywood voltou a ficar careta quando ele a deixou, depois de O HOMEM SEM SOMBRA (2000).

Porém, o momento agora é de festejar. Enquanto ainda não é possível pensar numa revisão na telona do filme, tomei o cuidado para conseguir uma cópia muito boa em 1080p, em vez de uma revisão em DVD. Mesmo assim, recomendo o DVD da Universal pelos extras contidos no disco 2.

Curiosamente, na época que vi o filme, nem tinha passado pela minha cabeça sua estreita ligação com UM CORPO QUE CAI ,de Alfred Hitchcock, e também em PSICOSE (o picador de gelo, a peruca loira). Apenas o via como um neo-noir mais picante. Se pensarmos no quanto UM CORPO QUE CAI é erótico para sua época (ainda o é até hoje, na verdade), o que temos no filme de Verhoeven é uma atualização para os dias de hoje das relações mais físicas entre os personagens. Logo, por mais que alguém vá reclamar que as cenas de nudez seriam gratuitas, o corpo nu e também a violência gráfica são muito bem-vindos para tornar a apreciação do enredo ainda mais fácil de comprar.

Quando o detetive Nick Curran (Michael Douglas) transa pela primeira vez com a romancista Catherine Tramell (Sharon Stone) e diz para a namorada de Catherine que aquela mulher era a foda do século, era perfeitamente natural que também sentíssemos algo muito parecido, depois da experiência que ele acabara de ter e havíamos presenciado. Não era apenas pelo sexo em si, mas pelo perigo. Aquela mulher seria, muito provavelmente, uma assassina que acabaria com a vida dele enquanto ele estava amarrado na cama. Ou seja, a excitação pelo perigo fazem parte do jogo. Assim como antes foi tão perigosa a perseguição de automóveis nas ruas de São Francisco. Aliás, a cidade é outro elemento que remete a UM CORPO QUE CAI.

INSTINTO SELVAGEM é dessas obras que encantam desde a primeira cena, com a câmera dançando ao redor da cama e também por cima, mas sem revelar o rosto da loira. Enquanto isso, a trilha sonora de Jerry Goldsmith que emula Bernard Herrmann, torna tudo ainda mais belo e mágico, assim como a fotografia de Jan de Bont, parceiro de Verhoeven desde seus primeiros filmes na Holanda.

E o que dizer da cena mais famosa do filme? A da cruzada de pernas? Catherine Tramell usa um um penteado e um vestido branco que remetem mais uma vez a Kim Novak no filme de Hitchcock e, sem calcinha, responde, com a maior tranquilidade do mundo, às perguntas daqueles homens boquiabertos com sua beleza, sua ousadia, seu sex appeal, sua segurança em tudo que diz e faz.

E o que é aquele sorriso de Sharon Stone? Consegue trazer algo de muito forte de uma feminilidade mais agressiva, mas que por vezes traz algo de candura, algo bem próprio da própria mitologia que a atriz acabou criando em torno de si, principalmente a partir deste filme. Então, é muito fácil se apaixonar por ela. Sharon era possivelmente a mais bela das estrelas do cinema americano dos anos 1990. E neste filme ela está no auge, em seu momento mais glorioso.

Há também a trama, bastante intrincada, mas talvez nem tanto assim, já que nesta terceira vez que vi o filme consegui entender o final direitinho. Acredito que, das outras vezes, os hormônios em maior quantidade acabaram por prejudicar um pouco o fluxo de sangue para o cérebro.

Quanto ao DVD lançado em 2011, ele conta com uma entrevista de quase uma hora de Paul Verhoeven. É uma entrevista bem reveladora, inclusive no que se refere à sua relação com Sharon Stone durante as filmagens. A entrevista foi concedida antes da produção de A ESPIÃ (2006), quando o roteiro desse seu retorno à Holanda ainda estava sendo finalizado. Outra coisa interessante nos extras é ver Sharon Stone fazendo teste de algumas cenas. Sempre um prazer vê-la. Outro extra curioso é a transposição de algumas cenas com palavrões para a versão para a televisão. Chega a ser tosca a montagem/dublagem que eles fazem para enxertar uma palavra para substituir a fala original. Pra mim isso foi uma novidade.

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A VINGANÇA ESTÁ NA MODA (The Dressmaker)

É um filme todo errado. Vale pela presença, beleza, elegância e brilho de Kate Winslet. Gosto do aspecto meio sujo do ambiente também. Mas a trama é boba, os personagens são burros e a gente não se envolve nada. Ao contrário. Direção: Jocelyn Moorhouse. Ano: 2015.

JOGO DO DINHEIRO (Money Monster)

Queria ter me envolvido mais com este filme. A crise de garganta e o sono acabou atrapalhando um melhor julgamento. Aí não me envolvi com o filme, mas deu pra notar que é bem redondinho. O clima agridoce do final é bem interessante e o pessoal do elenco está muito bem. O cara da série THE AFFAIR já tem cara de mau caráter. Direção: Jodie Foster. Ano: 2016.

A GAROTA DO LIVRO (The Girl in the Book)

Eu achei bem interessante ver este filme menor, de baixo orçamento. Não que esse primeiro trabalho de Marya Cohn seja perfeito. Há vários problemas, e boa parte deles envolve personagens masculinos, principalmente o namorado da protagonista, e o que ela faz. Mas gosto da questão do trauma, do estrago que um sujeito pode fazer na cabeça e na vida de uma pessoa. E o filme se costura bem entre passado e presente também. É fluido. Ano: 2015.

domingo, julho 05, 2020

A VOLTA DE FRANK JAMES / O RETORNO DE FRANK JAMES (The Return of Frank James)

É interessante notar uma espécie de gradação que ocorre entre cada filme dirigido por Fritz Lang. Lembremos que seu trabalho anterior havia sido uma espécie de comédia romântica, CASAMENTO PROIBIDO (1938). E por mais que tenha havido certa irregularidade no uso do humor nesse filme, há sim muitos momentos bem-sucedidos e um resultado bastante satisfatório. A VOLTA DE FRANK JAMES (1940), seu primeiro western e também seu primeiro filme em cores, traz um bocado desse senso de humor, dessa suavidade que parecia distante em seus trabalhos anteriores. Ainda assim, em alguns momentos, há algo de mais sombrio neste filme se o compararmos a seu antecessor, JESSE JAMES (1939), dirigido por Henry King.

A VOLTA DE FRANK JAMES é um filme de encomenda da Fox e que teve algumas restrições que o chefão Darryl F. Zanuck impusera. Lang não podia alterar certas partes do roteiro e questionou com o produtor o fato de não poder fotografar em close-up em cores. Lang não entendeu e eu ainda não entendi também, mas talvez tenha a ver com o fato de ser uma nova tecnologia.

Muitas coisas atraíram Lang para aceitar a oferta de dirigir este filme. Primeiramente, ele já tinha bastante interesse na mitologia de um país jovem como os Estados Unidos. Já havia passado um tempo com os índios, inclusive. O western para ele seria o equivalente às sagas e lendas de países mais antigos, como a lenda de Roland, na França, a saga dos nibelungos, na Alemanha, ou a lenda do Rei Artur, na Inglaterra. Os foras-da-lei foram tão romantizados quanto os homens da lei em seu tempo e se tornaram lendas. Aqui no Brasil podemos ter como exemplo também Lampião e outros líderes do cangaço.

O filme começa onde JESSE JAMES termina. Lang usa a cena do assassinato de Jesse pelas costas por Bob Ford como introdução e logo em seguida nos leva a seu irmão Frank, que já estava levando uma vida mais pacata, de lavrador e criador de gado, com um outro nome, junto com seus amigos Clem (Jackie Cooper) e Pinky (Ernest Whitman). Pinky é um homem negro que pertence ainda à era da escravatura e também possui resquícios de uma imagem muito engraçadinha dos negros americanos mostrados em filmes como ...E O VENTO LEVOU, por exemplo. A propósito, fiquei incomodado com o fato de Frank escolher ir atrás dos irmãos Ford para se vingar em vez de livrar Pinky da forca. Mas Lang ao menos lida com isso ao trazer a personagem de Gene Tierney questionando a execução de um homem inocente e funcionando como uma necessária consciência.

E Gene Tierney, no papel da jornalista (ou aspirante a jornalista) Eleanor Stone, é a melhor aquisição para o filme, que traz de volta alguns personagens/atores do anterior, como o advogado de defesa e editor da gazeta da cidade Rufus Cobb, interpretado por Henry Hull. Ele representa aqui, como já representava no filme anterior, o alívio cômico. Ele está excelente nas cenas de tribunal. Aliás, como é bacana ver que Lang estava bastante à vontade nessas cenas, depois de seu trabalho em FÚRIA (1936), em que fez pesquisas cuidadosas sobre como funcionavam as sessões nos tribunais americanos. Nas cenas no tribunal, o alívio cômico também tem a ver com a rixa existente entre sulistas e nortistas, em momento após a Guerra Civil. Nesse sentido, até o juiz se mostra parcial.

É interessante como o filme se esforça para tirar toda e qualquer culpa maior de Frank, que desde o épico de King já havia sido mostrado como o irmão mais moderado, em comparação com as tendências mais explosivas de Jesse. Frank, como vingador, não tem necessariamente que matar o assassino de Jesse. Ele acredita na justiça. Depois é que acaba por tentar se vingar quando vê que a justiça está corrompida. Mesmo assim, até para matar os inimigos, a morte é mostrada sempre como um acidente.

Mas o mais importante é que Lang faz um filme bem mais ágil que King, embora passe mais longe de sua grandiosidade. A VOLTA DE JESSE JAMES parece um filme de menor orçamento, até. Mas é impressionante como continua intenso nas cenas de perseguição a cavalo e de tiroteio. Fiquei particularmente admirado.

Quanto à personagem de Gene Tierney, atriz linda que debutava no cinema e se tornaria uma espécie de deusa dos filmes noir na década de 1940, os produtores até queriam que ela fosse de fato o par romântico de Frank, mas o estúdio ficou temeroso de que a viúva ou o filho do biografado fosse entrar com algum processo. Na dúvida, melhor deixar apenas no ar o interesse amoroso. De todo modo, seria uma bobagem, já que o filme em si não tem muito compromisso com a realidade, brinca mais com a lenda e acrescentando situações que não sujassem a imagem do protagonista.

A VOLTA DE FRANK JAMES deu tão certo que a Fox convidaria Lang para dirigir um outro western, CONQUISTADORES (1941). Falarei deste filme futuramente.

+ TRÊS FILMES

O ORGULHO (Le Brio)

Gosto de como o filme trata de um tema que me interessa, que é o estudo da oratória. Que eu nunca tive e que invejo quem tem esse dom ou essa prática. Pena que o filme se perca achando que o espectador é burro para tirar suas próprias conclusões. Além do mais, em alguns momentos, o texto é fraco. Vale pela relação que se estabelece entre professor e aluna. Direção: Yvan Attal. Ano: 2017.

O CONTADOR (The Accountant)

Não sei o que se passa com Hollywood quando fazem um filme como este. Aliás, até dá pra entender como existe, já que um nome famoso chama outro etc. Mas o resultado é um filme cansativo, com um personagem principal pouco interessante e tramas paralelas também pouco atraentes. Ben Affleck deveria ficar dirigindo, que ele se garante mais. Direção: Gavin O'Connor. Ano: 2016.

TERRA ESTRANHA (Strangerland)

Legal ver as atrizes que saíram da Oceania voltando para seus países de origem e fazendo filmes em lugares desertos, como este aqui. O filme vale pelo conflito familiar, pela trama que se descortina aos poucos e pela boa atuação de Nicole Kidman e do elenco de apoio. Direção: Kim Farrant. Ano: 2015.