segunda-feira, junho 02, 2003

O AMOR EM DOIS FILMES

Dois filmes vistos no cinema no sábado tratam da temática do amor de maneiras distintas. Seguem os comentários:

EMBRIAGADO DE AMOR (Punch-Drunk Love)

O título original bacana do filme de Paul Thomas Anderson virou essa coisa brega que é o título nacional, que é melhor nem ficar repetindo. A primeira frase que me veio à cabeça, vendo o filme foi: "P.T. Anderson é doido". E o filme é muito maluco mesmo. O que é bastante coerente com os dois filmes anteriores do cineasta. Em MAGNOLIA há todo um clima de perturbação, de angústia. Em BOOGIE NIGHTS, no ato final, que mostra a decadência dos personagens, também sente-se esse clima nervoso. PUNCH-DRUNK LOVE faz o oposto: a primeira parte do filme é a mais nervosa.

Na história, Adam Sandler é um cara anti-social. Vive sendo perturbado pelas irmãs, que querem lhe levar pra festas e lhe arranjar uma namorada. Como ele é muito tímido, acha a situação muito incômoda, pra dizer o mínimo. Ele se mete numa encrenca depois de experimentar um serviço de sexo por telefone. Em seguida, encontra o amor na figura de Emily Watson.

A química entre Adam Sandler e Emily Watson num filme de P. T. Anderson era algo que ninguém acreditava que desse certo. Mas o resultado ficou muito bom e, ao mesmo tempo, muito estranho. Tudo no filme é muito esquisito: o local de trabalho de Sandler, as ruas vazias da cidade, uns acidentes de carro assustadores, os tiques nervosos do comediante, os ângulos de câmera, a luminosidade contrastando ferozmente com a escuridão na fotografia, o romance que parece saído de um desenho animado, os mafiosos chefiados pelo colaborador constante de P. T. Anderson, Philip Seymour Hoffman.

Um dos melhores filmes do ano. Só pode decepcionar quem está procurando uma história de amor bem convencional. Mas quem mandou fazer expectativas?? hehehe

MARIE-JO E SEUS DOIS AMANTES (Marie-Jo et ses 2 Amours)

Filme francês de Robert Guédiguian, diretor de A CIDADE ESTÁ TRANQUILA. O filme mostra a história de Marie-Jo, uma mulher casada, que tem um amante secreto e ama os dois homens apaixonadamente. O filme custou a me conquistar. Talvez por mostrar pessoas muito comuns, totalmente desprovidas de glamour. Mas à medida que a trama vai crescendo, principalmente a partir da descoberta do romance pelo marido chifrudo, o filme vai se tornando mais e mais envolvente. O diretor fez um filme bastante parecido com a vida real. Há momentos de tédio, de choro, há momentos em que dá aquele nó na garganta, há até momentos de pura cafonice. Guédiguian coloca umas canções na trilha que chegam a ser constrangedoras de tão bregas. No filme há uma participação de Philippe Noiret, estranhamente não creditado no IMDB. Ou será que não era ele?