domingo, setembro 01, 2013

SE PUDER... DIRIJA!



Um dos trailers já apresenta esta que é a melhor cena de SE PUDER... DIRIJA! (2013): dois assaltantes entram no carro e confundem o cachorro, que se chama Moleque, e o menino, filho do personagem de Luiz Fernando Guimarães. É de fato uma ótima cena, pela simplicidade e pelo talento de Guimarães, um dos melhores atores comediantes de sua geração, tendo feito parte do grupo de humoristas da saudosa TV PIRATA nas décadas de 1980/1990 e logo depois fez também a série OS NORMAIS, com Fernanda Torres, que até teve duas versões para cinema.

Uma pena que nem sempre dê para contar com o talento de Guimarães para dar sustento a uma comédia tão boba quanto SE PUDER... DIRIJA, primeiro filme em live action brasileiro produzido com a tecnologia 3D. Resta saber se o público brasileiro vai querer pagar mais caro para ver uma comédia com esses efeitos – e não um filme de ação, fantasia ou aventura, que comumente é mais usado para a aplicação dos efeitos. As bilheterias dirão em breve.

Se os efeitos funcionam a favor do filme? Diria que são efeitos bem banais e que não contribuem em nada para melhorar um produto que já não é bom. Aliás, até piora as coisas, pois há o desconforto dos óculos, que na maioria dos cinemas costumam deixar a imagem mais escura e pode gerar dor de cabeça também.

Na trama, Luiz Fernando Guimarães é João, um funcionário de um estacionamento que tem o hábito de chegar sempre atrasado nos eventos do filho pequeno. Sua esposa, vivida por Lavínia Vlasak, reclama de sua ausência na vida da criança, mas ele promete melhorar. Os dois estão separados há algum tempo, mas o filme não entra muito em detalhes nessa questão. O que mais importa são as trapalhadas e complicações de João, que sem ter carro próprio pega emprestado o carro de uma médica (Bárbara Paz), lá na empresa, já que ele é um dos manobristas.

Enquanto isso, para não perder o costume, podemos mais uma vez ver o humor histriônico de Leandro Hassum, que faz o papel do amigo e colega de trabalho que tenta encobrir a escapada de João para pegar o filho. Digamos que ele vai ganhar um pouco de crédito perante muitos quando pudermos ver Jerry Lewis, em participação especial em ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE 2, previsto para estrear no final deste ano.

Quanto a SE PUDER...DIRIJA!, sem querer desencorajar ninguém, daria para mudar o nome para “Se puder...evite (de ver)”. Afinal, não basta ter poucas cenas realmente engraçadas, mas há que se comentar a horrível sequência de Reynaldo Gianecchini e a moça que reboca o carro de João. Com os close-ups toscos que o filme de vez em quando traz e que muitas vezes ficam horrivelmente destacados com a profundidade de campo provocada pelos efeitos 3D, esta cena em particular beira ao grotesco.

A impressão que fica é que o diretor Paulo Fontenelle, ao tentar se preocupar muito com o 3D, acabou se esquecendo de apostar na história e no humor. Melhor sorte na próxima vez.

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