quinta-feira, setembro 26, 2013

FRANCES HA



Dentre os filmes exibidos recentemente nas novas salas do Dragão do Mar, um dos que mais me agradou foi FRANCES HA (2012), de Noah Baumbach. Trata-se de uma homenagem aos primeiros filmes da Nouvelle Vague francesa, principalmente os mais alegres, como JULES E JIM – UMA MULHER PARA DOIS, de Truffaut, e ACOSSADO, de Godard (se bem que não são filmes que terminam em tom alegre, mas há um frescor e alegria iniciais consideráveis). Isso se dá não apenas pelo uso do preto e branco que remete a alguns filmes da época, mas principalmente pela alegria de viver da personagem-título, vivida pela bela e simpática Greta Gerwig, que oferece um frescor ao filme contagiante.

FRANCES HA explora a dificuldade da protagonista em conseguir gostar de alguém a ponto de namorar (o adjetivo "undatable" é o que mais aparece na narrativa) e, principalmente, o seu amor pela amiga Sophie (Mickey Sumner). Um amor de amiga, sem intenções sexuais, mas intenso e que é belamente representado numa das cenas finais, em que as duas trocam olhares e sorrisos. Frances chega a terminar um namoro com um sujeito só porque prefere continuar a dividir a mesma casa com sua melhor amiga. No entanto, Sophie não faz a mesma coisa quando aparece a oportunidade de morar em um bairro melhor.

Há uma semelhança com a série GIRLS, de Lena Dunham, até pela presença de um ator do elenco fixo da série, Adam Driver. A semelhança também se deve ao fato de o filme focar nas dificuldades da protagonista de sobreviver com pouco dinheiro e com intenções artísticas em Nova York, principalmente depois que seu sonho de ser bailarina profissional passa a ser ameaçado.

Ainda assim, Frances procura disfarçar suas dores e sua solidão, que nem sempre é algo tão ruim, dado o sorriso que a moça esboça com frequência, mesmo quando as coisas não estão assim tão bem. Representativa a cena em que ela está sozinha em Paris, numa viagem louca de dois dias que ela resolve fazer e recebe uma ligação de Sophie.

É pelo olhar e pelo lindo sorriso de Frances/Greta que o filme principalmente nos cativa, pelo seu correr feito louca nas ruas da grande metrópole ao som de "Modern Love", de David Bowie, pelos momentos "gente como a gente" (ou quase), enfim, pelo carisma da protagonista que acaba por transformar FRANCES HA em um pequeno grande filme. Lembremos que Greta coassinou o roteiro com Baumbach. Logo, o filme é, no mínimo, metade dela.

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