sábado, setembro 07, 2013

O ATAQUE (White House Down)



Na inevitável comparação entre O ATAQUE (2013), de Roland Emmerich, e INVASÃO À CASA BRANCA, de Antoine Fuqua, que chegou antes aos cinemas, o filme de Fuqua sai ganhando. É mais emocionante, tem menos patriotada, tem um pouco mais de violência, o herói (Gerard Butler) é mais convincente. Mas é impressionante como os dois filmes são parecidos em vários aspectos. Há até mesmo uma criança em perigo e o tal suspense a respeito de mísseis sendo lançados pelos inimigos com o objetivo de instigar a terceira guerra mundial.

E enquanto Fuqua soube dosar humanidade a seu herói, o máximo que Emmerich fez com Channing Tatum foi torná-lo simpático. Tatum faz o papel de um policial que leva a filha entusiasta da Casa Branca e outros assuntos políticos americanos para visitar o lugar, enquanto se prepara para uma entrevista a fim de ser aceito como membro do Serviço Secreto e guarda-costas do Presidente (Jamie Foxx). A entrevistadora (Maggie Gyllenhaal), porém, não o considera capacitado o suficiente para exercer o cargo. Ele acaba tendo que provar o contrário da maneira mais difícil, já que a Casa Branca é invadida por terroristas.

Emmerich é famoso por ser um dos maiores destruidores de Hollywood, em obras como INDEPENDENCE DAY (1996), GODZILLA (1998), O DIA DEPOIS DE AMANHÃ (2004) e 2012 (2009). INDEPENDENCE DAY, inclusive, é citado no próprio O ATAQUE. Querendo ou não, é o tipo de filme que já entrou no imaginário popular, chegou a um estado de popularidade que tem o respeito até de quem não gosta. Mas talvez o melhor filme de Emmerich seja O PATRIOTA (2000), por causa do dedo de Mel Gibson, que acabou fazendo um filme meio seu também.

Vindo dos filmes B, Emmerich soube muito bem se ajustar ao blockbuster hollywoodiano, sabendo trabalhar com orçamentos enormes e efeitos especiais de ponta. 2012, por exemplo, custou 200 milhões de dólares, e de fato traz efeitos especiais que valem a ida ao cinema, ainda que o filme decepcione um pouco no final. O fato é que Emmerich sabe que também temos um pouco de sadismo; gostamos de imaginar o mundo acabando. Por isso, pra quem já destruiu o mundo, destruir a Casa Branca virou brincadeira de criança. Não tem graça.

Com orçamento estimado em 150 milhões de dólares, O ATAQUE é mais um exemplo de filme que deverá se pagar com a ajuda do mercado internacional. Mesmo tratando de um assunto que aparentemente tem mais a ver com os americanos. A cena da menina com a bandeira, por exemplo, deve deixar os espíritos patriotas lá do centrão dos Estados Unidos arrepiados. Mas acontece que estamos tão íntimos da cultura americana que tudo aquilo nos é familiar, devido a anos e anos de dominação cultural. Mesmo assim, é bem mais fácil para nós, brasileiros, vermos o filme com mais distanciamento. E até rir um pouco do vilão, tão ridiculamente idiota, vivido por James Woods.

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