quarta-feira, janeiro 30, 2008

JUNO



Juno é uma garota de 16 anos que recebeu esse nome do pai, que gostava de mitologia grega. E JUNO (2007) é o filme indie a conquistar uma vaga entre os cinco finalistas na categoria principal do Oscar esse ano. Tem poucas chances de ganhar, é verdade, mas o filme é tão bonito que eu achei merecida a indicação. Não se trata apenas de ser o representante indie do ano, mas de possuir qualidades que rivalizariam com os demais concorrentes, verdadeiros pesos pesados, com muito mais prêmios recebidos e muito mais chances de faturar a estatueta. Mas pouco importa se o filme ganha ou não. O que importa é que JUNO, o segundo longa-metragem de Jason Reitman, me conquistou com sua doçura e sua graça.

Tudo no filme funciona bem. A começar por Ellen Page, a garotinha sádica de MENINAMÁ.COM. Dessa vez, ela é uma garota bem mais amável, embora sua personagem faça o tipo desleixada, meio gótica no jeito de se vestir e de ser freqüentemente sarcástica. O seu dilema é o de muitas jovens de sua idade que engravidam cedo demais: fazer ou não fazer o aborto. Como ela não tem essa coragem, prefere a idéia de doar o seu filho para pais adotivos carentes, procurando candidatos nos classificados dos jornais. É quando ela encontra o casal vivido por Jennifer Garner e Jason Bateman. Michael Cera, de SUPERBAD - É HOJE, é o jovem e desengonçado pai biológico do bebê, que bem que gostaria de manter um relacionamento estável com Juno, se ela não fosse tão estranha e pouco romântica, pelo menos nas aparências.

Tanto a química existente entre Juno e seu pai e sua madrasta quanto a existente entre o casal de futuros pais adotivos é muito bem desenvolvida por Jason Reitman - que se continuar nesse ritmo vai se sair muito melhor que o pai. Michael Cera não fica atrás, embora seu papel não seja muito diferente do de SUPERBAD. No fim, JUNO foi uma das sessões de cinema mais prazerosas que tive nesse início de ano, além de ter provocado algumas lágrimas furtivas e um coração aquebrantado neste que aqui escreve. O filme está sendo exibido em sessões de pré-estréia no final de semana e peguei uma exibição digital no Espaço Unibanco daqui. O desapontamento inicial com a cópia digital foi logo esquecida, já que a imagem não ficou escura como de costume nesse tipo de bitola e o filme é tão agradável que pequenos detalhes como esse logo se tornam irrelevantes.

JUNO foi indicado a quatro estatuetas: filme, diretor, atriz e roteiro original. Muito difícil premiarem Ellen Page com concorrentes do porte de Cate Blanchett, Julie Christie e Laura Linney - tem também a francesa de PIAF, Marion Cotillard -, mas uma indicação já é uma vitória pra essa adorável menina. E pra quem gosta dela, vale conferir a entrevista que ela deu no programa do David Letterman. Uma graça.

terça-feira, janeiro 29, 2008

O GÂNGSTER (American Gangster)



Se Ridley Scott é um autor de verdade ou apenas um bom diretor, ainda não sei ao certo, o que sei é que ele tem a incrível capacidade de me fazer odiar alguns de seus trabalhos. Os melhores - ou piores - exemplos disso são ATÉ O LIMITE DA HONRA (1997), FALCÃO NEGRO EM PERIGO (2001) e CRUZADA (2005). Eu odeio esses filmes. E fui criando aos poucos certa antipatia por GLADIADOR (2000) também. Por outro lado, Scott possui filmes impressionantes em sua filmografia, o que acaba por me deixar sempre com um pé atrás antes de ver um filme seu, por mais elogiado que seja. Por isso, fico feliz quando um filme dele me satisfaz. Eu diria que este O GÂNGSTER (2007) é um dos melhores trabalhos de sua irregular carreira. Além de trazer um duelo entre dois dos melhores atores da atualidade, o filme faz um belo retrato dos Estados Unidos dos anos 70, época da Guerra do Vietnã e dos escândalos no Governo. Naquela época John Lennon já havia dito "the dream is over" e a realidade se mostrava mais presente e mais dolorosa nas ruas. Assim, ao mesmo tempo que o filme mostra a ascensão meteórica de um traficante sem pintá-lo como um monstro, vemos em pequenas cenas os terríveis estragos que a droga faz a quem se arrisca a lidar com ela.

Denzel Washington interpreta Frank Lucas, um dos maiores traficantes de heroína do Harlem que teve a "feliz" idéia de importar heroína diretamente do Vietnã e receber os pacotes através dos aviões militares. (Isso acabou surpreendendo muita gente, já que possivelmente a CIA também estaria envolvida.) Lucas também "molhava a mão" de alguns policiais para que pudesse gerenciar o seu trabalho com tranqüilidade. Lucas era um sujeito discreto, preferindo não vestir roupas típicas dos gângsters negros da época para não chamar a atenção e gostava de ajudar a sua família e aqueles que trabalhavam com ele. Assim que fica rico, trata logo de trazer a família que morava no sul dos Estados Unidos para uma enorme mansão onde todos se instalam. Enquanto Frank Lucas vai se tornando o primeiro grande chefão negro americano, um certo detetive de polícia com ânsia de se tornar advogado, interpretado por Russell Crowe, mostra-se um exemplo de honestidade em sua corporação e, por isso mesmo, acaba se tornando um desafeto tanto para a bandidagem quanto para os seus próprios colegas corruptos. Encontrar o responsável pela heroína pura que anda circulando por Nova York é a sua obsessão, tornando-se, assim, inevitável o futuro encontro do detetive com Lucas. Sua obsessão pelo trabalho também o leva ao divórcio, mas parece que isso é coisa comum na vida de muitos policiais, pelo menos os retratados no cinema.

O GÂNGSTER tem quase três horas de duração, mas é tão bem narrado - o roteiro é de Steven Zaillian, de GANGUES DE NOVA YORK - e bem editado que parece um filme de menos de duas horas. Não há excesso de cenas violentas, os gângsters do filme não procuram imitar os trejeitos dos gângsters de Scorsese ou de Coppola e as duas estórias que correm em paralelo - a do policial e a do mafioso - são boas da mesma maneira, embora nem todo mundo concorde com isso e prefira a estória do mafioso. Pra mim, as vidas dos dois protagonistas se mostram interessantes na mesma proporção e ambos os personagens ganham a simpatia do público, tanto que chega a ser até agradável ver os dois trabalhando juntos lá pelo final do filme. E apesar de ter cooperado com a polícia depois de ter sido preso, li numa entrevista na Folha de São Paulo que o verdadeiro Frank Lucas, hoje vivendo numa cadeira de rodas por problemas de artrite, quando perguntado se ele teria se arrependido de alguma coisa em sua vida e ele disse que não, que até sentia falta dos tempos de glória e poder e que tinha gostado muito de como havia sido retratado no filme.

O GÂNGSTER não foi muito bem cotado pela Academia e concorre ao Oscar apenas nas categorias de atriz coadjuvante (Ruby Dee, a senhora idosa que faz a mãe do traficante) e direção de arte.

Pra encerrar, meu top 10 Ridley Scott:

1. ALIEN, O 8º PASSAGEIRO (1979)
2. BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982)
3. OS DUELISTAS (1977)
4. TORMENTA (1996)
5. O GÂNGSTER (2007)
6. THELMA & LOUISE (1991)
7. OS VIGARISTAS (2003)
8. 1492 - A CONQUISTA DO PARAÍSO (1992)
9. PERIGO NA NOITE (1987)
10. UM BOM ANO (2006)

sábado, janeiro 26, 2008

QUATRO IRMÃS / QUATRO DESTINOS (Little Women)



Demorou, mas aqui estou de volta com a minha peregrinação pela obra de George Cukor. E acabei descobrindo que Cukor fazia aniversário no mesmo dia que eu. Já não posso mais dizer que as únicas celebridades que fazem aniversário em 7 de julho junto comigo são Ringo Starr e Eduardo Aguilar. :-) O filme da vez é LITTLE WOMEN (1933) - com dois títulos nacionais, optei por utilizar o título original no corpo do texto. Trata-se da segunda parceria de Cukor com Katharine Hepburn. A primeira havia sido o drama VÍTIMAS DO DIVÓRCIO (1932). Em LITTLE WOMEN, achei-a um pouco deslocada no grupo de irmãs, por isso prefiro as cenas em que elas aparecem mais maduras, tornando o filme mais crível e o drama da solitária Jo (Hepburn) bem mais fácil de ser compreendido. No início, o filme parece apenas um melodrama xaroposo e envelhecido. O começo, com a família de mulheres (a mãe e as quatro filhas) doando a própria ceia de natal para um grupo de pessoas pobres já me deixou com má impressão e má vontade de ver o restante do filme. Mas ver o filme cansado e em pedaços, depois de chegar cansado da dura jornada de trabalho semanal não ajuda muito na apreciação, tanto que me emocionei com o final, vendo descansado, nessa manhã de sábado.

A estória se inicia durante a Guerra Civil Americana, quando o pai das três meninas estava ausente, lutando na guerra, e a sociedade americana passava por um momento difícil, mesmo aqueles que viviam na Nova Inglaterra ou em Nova York. A atriz que faz a tia das meninas, Edna May Oliver, apareceria três anos depois como a mulher que cuida da romântica Julieta em ROMEU E JULIETA (1936), já comentado aqui no blog. O filme é baseado no clássico romance "Mulherzinhas", de Louisa May Alcott, que rendeu várias outras adaptações para o cinema e para a televisão, sendo a mais recente ADORÁVEIS MULHERES (1994), com Susan Sarandon, Winona Ryder e Kirsten Dunst. Não cheguei a ver esse filme, mas suspeito que seja tão bom ou melhor que o de Cukor.

Katharine Hepburn é, sem dúvida, a alma de LITTLE WOMEN. A cena dela chorando ao lado do homem que a ama e cujo amor ela não consegue retribuir é um dos maiores exemplos disso. E Cukor fez muito bem em mostrar a expressão em lágrimas de Hepburn em close, valorizando mais o filme. Mas o melhor viria, com o terceiro ato, e a definição do destino das quatro irmãs e uma narrativa muito mais centrada na personagem Josephine. O personagem do professor alemão que se apaixona por ela e a ajuda a se tornar uma escritora de ficção melhor é eficiente ao criar um forte envolvimento afetivo, coisa que faltava nas cenas de Jo e Laurie, durante o primeiro ato do filme, que soavam artificiais e excessivamente açucaradas. Sem falar que o fato de ver Kate toda desengonçada quando jovem não era muito agradável, mas ao mesmo tempo, é bem possível que essa falta de jeito de se comportar tenha inspirado, numa cena de festa, a famosa seqüência do vestido rasgado da obra-prima LEVADA DA BRECA, de Howard Hawks.

O próximo filme que Hepburn fez com Cukor foi VIVENDO NA DÚVIDA (1935), que não consegui encontrar com legendas pela internet, portanto, devo pular direto para BOÊMIO ENCANTADOR (1938), lançado em dvd no Brasil e considerado por muitos como um dos pontos altos da carreira do diretor. O filme, pra variar, também conta com a presença radiante de Kate Hepburn.

P.S.: Mais uma interessante revista virtual surge na net: Insólita Máquina. Acho muito importante divulgar essa revista, que tem nesse primeiro número uma retrospectiva de 2007 por Marcelo Carrard, uma adaptação em quadrinhos de um conto de Moacyr Scliar, por Leandro Dóro, o canibalismo e Ruggero Deodato, por Christian Verardi, entre outras coisas legais. É quadrinhos, cinema, literatura e música na revista. Eu gostei. Merece ser divulgada! E já estou na torcida para que o Christian libere alguns de seus fantásticos contos para a revista.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

EU SOU A LENDA (I Am Legend)



Impressionante como Will Smith tem evoluído como ator. EU SOU A LENDA (2007) deve muito de seu sucesso à sua performance onipresente num filme em que, até o terceiro ato, o único ser vivo a aparecer na tela junto dele é um cão pastor alemão, a cadela Sam, que imediatamente conquista o carinho da audiência, sem precisar se esforçar muito pra isso. Inclusive, eu até arriscaria dizer que a cadela é a principal responsável pelo fato de eu ter gostado tanto desse filme, dirigido por Francis Lawrence, que antes era mais conhecido por seus trabalhos como diretor de videoclipes, sendo que o mais famoso dele talvez seja "I'm a Slave for U", da Britney Spears. Clipe que, aliás, eu acho bem legal, digam o que disserem. Para o cinema, Lawrence ganhou fama com CONSTANTINE (2005), um filme que não me agradou completamente mas cujo visual e enquadramentos já revelavam um especial cuidado com a imagem.

EU SOU A LENDA é a terceira versão de "I Am Legend", livro de Richard Matheson. A primeira foi MORTOS QUE MATAM (1964), estrelada por Vincent Price, e a segunda, A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA (1971), que contava com Charlton Heston como protagonista. Ainda não conferi nenhuma dessas versões, mas pretendo. Por enquanto, fiquemos com o belo trabalho de Francis Lawrence e Will Smith, que de tão bom que está no filme, o considero como co-autor. E é bom lembrar que em filmes de gênero ter uma excelente performance não é uma necessidade. Em filmes de terror, costumamos relevar deslizes de interpretação e aceitar canastrões numa boa. Mas claro que ter um grande intérprete ajuda pra caramba. E a presença de Smith e sua fiel companheira compensa as eventuais falhas do filme, em especial quando surgem os vampiros digitais, que não assustam tanto - até porque EU SOU A LENDA funciona mais como um drama do que como um filme de sustos. Mas a ferocidade e periculosidade das criaturas não pode ser negada, principalmente quando vemos as cenas em que Will Smith os encara, com expressão de intenso pavor. O grande momento do filme talvez seja a seqüência em que Sam, a cadela, entra num lugar escuro, um covil onde se escondem os vampiros que só saem para caçar à noite, e seu dono fica desesperado .

No primeiro ato do filme, vemos o cotidiano de Smith numa Nova York totalmente esvaziada, depois que um vírus mortal transformou toda a população em criaturas parecidas com vampiros ou zumbis que não suportam a luz do dia. Os que não se transformaram em monstros acabaram se tornando presas das criaturas. Para não enlouquecer, o personagem de Smith tenta manter uma rotina, além de deixar uma mensagem em freqüência AM, dizendo estar sempre no mesmo lugar todos os dias ao meio-dia, pro caso de existir mais alguém vivo. Outro mérito do filme é contar a estória com poucos diálogos, especialmente durante a primeira metade, antes do aparecimento da personagem de Alice Braga. E com a eficiente dramaticidade conseguida, EU SOU A LENDA pode ser visto mais como um ótimo drama sobre vampiros do que como um filme de terror convencional e cheio de clichês que se esperava. Tanto que foi um dos poucos filmes de terror - Lynch não vale - que me fez chorar.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

O CAÇADOR DE PIPAS (The Kite Runner)



Quando escrevi sobre EU SEI QUEM ME MATOU não sabia que o filme havia tido tanta repercussão lá fora a ponto de ter sido indicado ao Framboesa de Ouro do ano. É o campeão de indicações, aliás. Mas eu acharia muito mais justo se um filme como O CAÇADOR DE PIPAS (2007) fosse um dos indicados e não esses trabalhos mais despretensiosos. Claro que se formos procurar, há até algo de bom no filme de Marc Forster, a começar pelos criativos créditos iniciais, que emulam os caracteres árabes, enquanto ouvimos ao fundo a música de Alberto Iglesias, colaborador assíduo de Pedro Almodóvar, que também tenta emular a música produzida nos países islâmicos.

Mas afinal, o que há de errado com O CAÇADOR DE PIPAS? Se eu tivesse que resumir, diria que é porque se trata de um dramalhão que não envolve, não emociona e ainda por cima incomoda em alguns momentos. Há também o fato de o filme passar a impressão de apoiar o Governo Bush, não lembrando que os os Estados Unidos também foram co-responsáveis pela destruição e miséria atual do Afeganistão, que começou a cair com a invasão russa e logo depois com o domínio assustador dos talibãs.

Hollywood não é besta e fica sempre de olho no sucesso de romances best-sellers, como foi o caso no ano passado de O CÓDIGO DA VINCI. O sucesso da vez é o romance homônimo de Khaled Hosseini, que emocionou muita gente, mas que, por alguma razão, não chegou a me interessar, por mais que tenha sido fácil conseguir o livro emprestado com um amigo. Se eu tivesse mais tempo disponível, até toparia ler, mas agora não quero mais, depois de ter visto o filme e ter ficado com essa má impressão. O fato de eu não ter simpatizado com o protagonista também contribuiu para a minha quase aversão à adaptação de Marc Forster.

Interessante reparar que há uma forte semelhança temática entre O CAÇADOR DE PIPAS e DESEJO E REPARAÇÃO, de Joe Wright. Ambos os filmes mostram um protagonista tentando se redimir de algo vergonhoso feito ainda criança. Como não acredito em coincidências, talvez o fato de esses dois filmes terem aparecido quase que simultaneamente venha de um forte sentimento de culpa que a sociedade carrega, apesar de que para os filmes e para os romances em que eles se baseiam, os atos dessas crianças pudessem ser relevados, levando-se em consideração o fato de que elas eram apenas crianças. Ainda assim, no caso de DESEJO E REPARAÇÃO, o filme consegue transmitir com força esse sentimento de culpa, tornando-nos até cúmplices da personagem.

Infelizmente o mesmo não acontece com O CAÇADOR DE PIPAS e a estória de dois amigos de infância que têm sua amizade posta em xeque depois de um incidente traumático ocorrido na infância. Os dois garotinhos são filhos de pais diferentes mas são como irmãos. Um é rico, o outro é pobre, filho do empregado da casa. O filme até exagera bastante no açúcar na hora de descrever o quanto eles se amam. Quando um deles (o menino pobre) promete pegar uma pipa que caiu e é ameaçado por um grupo de garotos maiores que ele, o menino prefere ser agredido - no caso, estuprado - a ter que devolver a pipa que prometera para o amigo, que assistia a tudo às escondidas, sem coragem para intervir. A presença daquele amiguinho que se sacrificou por ele era algo que ele não suportava, pois o fazia lembrar sempre de sua covardia. As coisas mudam quando o Afeganistão é invadido pela Rússia e o menino e seu pai fogem para o Paquistão e depois passam a viver nos Estados Unidos. O filme até fica mais interessante quando mostra a decadência do Afeganistão durante o domínio talibã e a tentativa de redenção do protagonista, mas aí já é tarde demais.

P.S.: Recebi com certa tristeza na noite de ontem a notícia da morte do ator Heath Ledger. Apesar de já ter trabalhado em outros filmes importantes, pra mim, a maior lembrança que vou guardar dele vai ser a cena final de O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, a cena da camisa. Era uma ator que ainda prometia muito e em clara ascensão. Agora é aguardar a estréia de BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS para conferir sua performance como o Coringa.

terça-feira, janeiro 22, 2008

EU SEI QUEM ME MATOU (I Know Who Killed me)



Lindsay Lohan é tão bela, sensual e carismática que só a sua presença é justificativa suficiente para que eu dê uma espiada em qualquer filme - até o fator "pé atrás" diminui. Lindsay está no suspense EU SEI QUEM ME MATOU (2007), que tem um quê de TWIN PEAKS em sua essência - pelo mistério e por se passar numa cidadezinha idílica. O filme trata de Aubrey Fleming, uma jovem que é raptada por um serial killer que tem como modus operandi o esquartejamento do corpo de suas vítimas enquanto elas ainda estão vivas. Um negócio realmente arrepiante. Mas o filme não segue uma linha JOGOS MORTAIS ou O ALBERGUE, mostrando com sadismo as atrocidades do maníaco. EU SEI QUEM ME MATOU prefere apostar mais no mistério. E é nele que está a sua força.

Depois que Lindsay reaparece, encontrada numa estrada ainda viva, mas sem parte de uma perna e sem uma das mãos, ela segue dizendo não ser Aubrey Fleming, a garota seqüestrada, mas outra pessoa, muito parecida com ela. Segundo ela, a verdadeira Aubrey estaria ainda correndo perigo de vida. A suposta sósia de Aubrey diz se chamar Dakota, que coincidentemente era uma personagem de um conto escrito por Aubrey. Resta a dúvida se a moça estaria mentindo como forma de negar o terrível trauma da amputação ou estaria mesmo dizendo a verdade.

A trama é envolvente e o filme mantém o pique e o mistério até o final, quando ganha uma seqüência de suspense muito boa, com a protagonista entrando no covil do assassino. O filme é lançamento recente em dvd. EU SEI QUEM ME MATOU acabou não tendo uma boa promoção nos Estados Unidos porque na época Lindsay havia sido presa por porte de drogas, depois de ter batido o carro alcoolizada. Essa menina sabe aproveitar bem a juventude. :-) Ah, e a seqüência de abertura do filme, com Lindsay dançando como uma go-go girl, de forma sensual, lembra bastante o início de PLANETA TERROR, de Robert Rodriguez.

P.S.: Saíram os indicados ao Oscar. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e SANGUE NEGRO lideram as indicações. Será que os irmãos Coen vão repetir o feito de FARGO? Será que P.T. Anderson vai finalmente receber a bênção da academia? Ou será que o resultado vai ser parecido com o do Globo de Ouro, ganhando DESEJO E REPARAÇÃO? Quanto ao candidato brasileiro a filme estrangeiro, ele ficou de fora. Perdemos até para filme do Cazaquistão. Deve ter dedo do Borat nisso aí. Sem falar que os caras da Academia desconfiaram que o filme do menino criado por um velho judeu tinha cara de Oscar demais.

domingo, janeiro 20, 2008

O QUARTO HOMEM / O 4º HOMEM (De Vierde Man)



Enquanto A ESPIÃ (2006) não aporta em Fortaleza, resolvi ver um filme da fase holandesa de Paul Verhoeven para ir me preparando. Sou fã do diretor e gosto de todos os filmes que ele realizou em Hollywood, inclusive do mais fraco deles, O HOMEM SEM SOMBRA (2000), cujo fracasso comercial e crítico, junto com a intromissão dos executivos no corte final, fez com que ele se distanciasse da meca do cinema e voltasse para seu país natal. Dizem que A ESPIÃ é "filme-irmão" de SOLDADO DE LARANJA (1978) e que O QUARTO HOMEM (1983) seria o "filme-irmão" de INSTINTO SELVAGEM (1992). Quanto à primeira afirmativa, ainda não pude verificar, mas há muitas similaridades entre O QUARTO HOMEM e o filme que mostrou Sharon Stone em seu auge. Inclusive, uma das coisas que eu mais admiro em Verhoeven é sua capacidade de conseguir mostrar sexo e violência em Hollywood fazendo cinema classe A. Sua estréia nos Estados Unidos já foi bombástica, com o violento e sensual CONQUISTA SANGRENTA (1985), outra de suas obras-primas viscerais.

Quanto a O QUARTO HOMEM, a trama mostra um escritor depressivo, alcóolatra e psicótico que é convidado para ministrar uma palestra numa cidade costeira da Holanda. No meio do caminho, já notamos que ele sente atração por homens, já que ele fica bastante interessado num rapaz que vê na estação de trem. Durante a palestra, uma loira com cabelos bem típicos da década de 80 fica o tempo todo o filmando. Ela é a diretora do evento. Aparentemente ele se sente um pouco incomodado, mas depois da palestra ela lhe oferece sua casa para se hospedar. E não apenas sua casa. Quando a loira deixa cair seu roupão, o que mais faz com que ele sinta tesão por ela é o fato de ela ter um corpo esguio, segundo ele, parecido com o de um rapaz. É a bissexualidade no cinema de Verhoeven, que apareceria de maneira muito mais sofisticada em INSTINTO SELVAGEM, embora o filme holandês tenha mais liberdades, como a de mostrar sem o menor problema nudez frontal masculina - não que eu considere isso uma vantagem, mas não deixa de ser uma liberdade. A cena de sexo entre os dois é curta, mas é boa, mas o que vem a seguir é perturbador: no sonho do escritor, a loira está de posse de uma tesoura e, com um sorriso sádico nos lábios, ela corta fora o seu pênis. Ele acorda perturbado, obviamente. Além de sonhos, o protagonista também tem delírios. E alguns desses delírios estão entre os momentos mais interessantes do filme. A cena do delírio da pintura no vagão do trem é a mais bela. E nesse sentido, O QUARTO HOMEM é, com certeza, o trabalho mais onírico do cineasta.

E dizer mais seria estragar as surpresas, mas os créditos iniciais, mostrando uma aranha pegando uma mosca em sua teia, já dão uma idéia do que o filme deve tratar. No entanto, assim como em INSTINTO SELVAGEM, Verhoeven deixa o espectador na dúvida quanto à vilanesa da femme fatale. Seria ela uma perigosa assassina de homens ou tudo não passaria de delírios de uma mente perturbada? O aspecto católico - ou herético - do filme tem seu momento mais memorável na seqüência em que o protagonista entra numa igreja e vê uma figura de Jesus na cruz mas enxerga um rapaz seminu. E ele começa a lamber o corpo desse rapaz e a desnudá-lo. (E, se eu não me engano, isso foi antes daquela polêmica da Madonna com o clipe de "Like a Prayer".) E já que eu toquei no tema do catolicismo, posso adiantar que a figura da Virgem Maria também não é esquecida.

O filme chegou a ser lançado em dvd no Brasil pela Silver Screen Collection, mas os lançamentos dessa distribuidora, além de serem de procedência duvidosa, são um pouco difíceis de encontrar nas locadoras daqui. Felizmente, temos os meios alternativos para conseguir certos títulos. E enquanto assistia o filme, tratei logo de baixar também SOLDADO DE LARANJA (1978), que é considerado por muitos como o melhor da fase holandesa do "holandês maluco", que está voltando para os Estados Unidos, para uma continuação de THOMAS CROWN - A ARTE DO CRIME. Confesso que gostei da notícia da volta dele para Hollywood, só não gostei da escolha, já que não sou muito fã desses filmes de homens entediados que gostam de brincar de ladrões. Sem falar que não gostei do primeiro filme, do John McTiernan. Mas fico na torcida pelo sucesso de Verhoeven.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

MEU NOME NÃO É JOHNNY



Ontem, acabei revendo em dvd na escola O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS, o nosso candidato a candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano. E a impressão que ficou na revisão não foi muito diferente da primeira vez que o assisti, isto é, não achei o filme tudo isso que muita gente diz por aí. Acho o filme certinho demais tecnicamente e talvez seja exatamente por isso que ele não me comoveu ou me empolgou. Fica parecendo asséptico. Já na terça-feira, foi a vez de eu ver MEU NOME NÃO É JOHNNY (2008), de Mauro Lima, que é um filme cheio de falhas, mas que curti bastante durante a sua metragem. Só percebí as "falhas" depois de sair do cinema ou ao ler umas críticas negativas do filme. MEU NOME NÃO É JOHNNY me divertiu e acho que esse mérito não deve ser ignorado, mas valorizado, já que a intenção do filme, além de passar alguma mensagem moral, é antes de tudo entreter, agradar a audiência. E nesse aspecto, eu não tenho do que reclamar, já que o filme é redondinho e a gente nem vê o tempo passar. Sem falar que Selton Mello atingiu um estágio de amadurecimento que o permite atuar com naturalidade e relaxamento, um estágio que alguns dos melhores atores só conseguem num tempo de carreira bem maior.

Pra começar, Selton não precisou se esforçar para fazer papel de maconheiro, já que em ÁRIDO MOVIE ele deu aula de como preparar um baseado muito bem. Serve até pra ser exibido em escolas pras crianças aprenderem, tal o didatismo. Mas a verdade é que no cinema - e muitas vezes na vida real - quem se mete com drogas acaba se ferrando legal. E é o que acontece com João Guilherme Estrella, um playboy, filho de papai, que não fazia nada da vida a não ser se divertir. Para João, desde criança, com o primeiro contato com a maconha na adolescência, até o momento em que ele se tornou um dos maiores traficantes de cocaína do Rio de Janeiro, sua vida foi uma festa sem hora para acabar. Até que um dia a festa acabou, quando foi descoberto o seu esquema de tráfico, momentos depois de ele voltar de uma viagem da Europa com sua namorada (Cléo Pires). A partir da prisão de João, o filme muda de tom, pegando elementos de CARANDIRU e de BICHO DE SETE CABEÇAS.

Um dos momentos mais criticados do filme é a seqüência do julgamento, quando a juíza interpretada por Cássia Kiss vê com bons olhos a "inocência" de João, na sua ignorância entre "saber o que é o certo e o que é o errado". Outra crítica comum é quanto ao filme ser tal qual o trailer. Mas isso seria mais culpa do trailer. Os trailers das comédias românticas americanas também costumam contar toda a estória do filme, muitas vezes mostrando as únicas partes boas. No entanto, mesmo sabendo a óbvia ordem dos acontecimentos, Mauro Lima e Mariza Leão - que divide com o diretor o crédito de roteirista - fornecem ao espectador algumas pequenas surpresas, como a ponta de Rodrigo Amarante como traficante no início do filme (ok, essa é só pra quem é fã dos Los Hermanos, mesmo) e toda a seqüência no hospício, da redenção do protagonista e do seu processo de limpeza física e mental durante o doloroso mas necessário período de recuperação naquela instituição que mais parece um departamento do inferno, mas quem sabe botar a cabeça no lugar pode aproveitar bem o tempo. Lembrei agora de Jerry Seinfeld, que disse que sempre ficava imaginando o que faria se um dia fosse preso. Haveria tempo de sobra pra ler um monte de livros legais. :-)

P.S.: Com esse corre-corre diário, quase me esqueci de comentar: tem uma edição nova da Zingu! no ar. É a de número 16 e o grande destaque é o Dossiê Alejandro Jodorowski, com direito a uma entrevista exclusiva do cineasta, onde ele fala - além de cinema, claro - de sua ligação com os quadrinhos e de seu lado de compositor musical. Há também um segundo dossiê, que não deve ser desprezado: o das musas da Boca do Lixo. E outra musa maravilhosa é destacada por Sergio Andrade: Isabelle Huppert! Não dá pra perder!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O SUSPEITO (Rendition)



Tudo indica que o cinema político e engajado, fruto das inquietações dos americanos mais sensíveis e questionadores e herdeiro das produções da década de 70, mas com as preocupações dos Estados Unidos pós-11 de setembro, veio para ficar. O SUSPEITO (2007) é mais um título a engrossar as fileiras. No final do ano passado, tivemos LEÕES E CORDEIROS, O REINO, O PREÇO DA CORAGEM, NO VALE DAS SOMBRAS e CONDUTA DE RISCO. Um pouco atrás, tivemos obras como BABEL, CAMINHO PARA GUANTÁNAMO, VÔO UNITED 93, AS TORRES GÊMEAS, SYRIANA - A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO, BOA NOITE E BOA SORTE e MUNIQUE. Se na época da Guerra Fria, Hollywood usava a situação política para produzir basicamente entretenimento, os filmes de hoje abordam com seriedade o conflito entre Estados Unidos e Oriente Médio.

O SUSPEITO, dirigido por Gavin Hood, do oscarizado INFÂNCIA ROUBADA (2005), discute o extremismo dos americanos com o povo islâmico diante das suspeitas de terrorismo. Embora o termo "tortura" seja evitado pelos responsáveis por tais atos e acobertado pela imprensa e pela opinião pública, o filme lembra que depois de 11 de setembro foi assinado pelo Governo americano um documento que permite tais medidas com o intuito de prevenir a morte de centenas ou milhares de pessoas por homens-bomba.

A trama principal gira em torno de um engenheiro químico egípicio (Omar Metwally) que, apesar de possuir Green Card e família americana, é preso e torturado quando de sua volta aos Estados Unidos, depois de uma visita à África do Sul. Sua esposa, grávida (Reese Whiterspoon), o espera no aeroporto e fica sem saber o que aconteceu com o marido. Desesperada, vai em busca de um amigo político que possa auxiliá-la. Jake Gyllenhaal é um agente da CIA que trabalha no Cairo e presencia a morte de seu superior imediato durante um atentado terrorista. Ele é convidado pela funcionária do alto escalão da agência de espionagem, interpretada por Meryl Streep - cada vez mais especializada em fazer personagens ácidas -, a substituir seu superior. Não acostumado a presenciar cenas de tortura, ele se esforça para aceitar o que fazem com o egípicio. Paralelamente, assistimos à relação existente entre uma garota egípicia e um jovem rapaz, membro de uma organização extremista responsável direta pelo atentado no Cairo.

Gavin Hood, se não consegue um resultado de impacto "fulminante", ao menos dirige o filme com sobriedade e com uma edição acertada, que não torna o filme cansativo em momento algum nas suas duas horas de duração, seguindo uma estrutura bem clássica, sem inovações na narrativa. Até porque utilizar uma estrutura mais moderna poderia atrapalhar um pouco a real intenção do filme, que acredito ser a de questionar com clareza os crimes praticados pelo próprio Governo americano. Todo mundo sabe que eles estão se lixando para a ONU e invadem qualquer país e praticam o que bem entendem, mas é sempre bom ver que dentro do próprio país existe uma resistência, mesmo que ela venha de diretores e roteiristas de Hollywood.

terça-feira, janeiro 15, 2008

MONAMOUR



Sou contra ver os filmes de Tinto Brass como se vê um filme pornô, isto é, passando as partes de diálogo e indo direto para a sacanagem. Sem falar que os diálogos de seus filmes não são conversas sobre negócios ou algo que vá incomodar ou aborrecer alguém que está disposto a ver um filme de sexo. Alguns filmes dele até poderiam entrar nesse quesito, como LUXÚRIA (2002), que realmente tem pouco sexo e muito papo. Mas não é o caso do novo MONAMOUR (2005), que retoma os temas de TODAS AS MULHERES FAZEM (1992) e A PERVERTIDA (2000), isto é, das mulheres fogosas e mal fodidas por seus maridos e que tratam de buscar a satisfação de seus desejos fora de casa.

É o caso de Marta (a gostosíssima Anna Jimskaia), que viaja com o marido Dario para um festival de literatura em Roma. Ela está insatisfeita com Dario. Com ele, ela não consegue ter nenhum orgasmo, já que ele nem dá espaço pra ela, gozando rápido e eliminando as preliminares. Ao visitar um museu, ela conhece o desenhista francês Leon, um sujeito bastante ousado que, não agüentando ver tanta gostosura em sua frente, mete a mão com gosto nas partes íntimas da moça. Que se finge de abusada, mas que na verdade gosta da ousadia do rapaz - ora, se até em filmes como DESEJO E REPARAÇÃO as mulheres gostam desse tipo de ousadia, imaginem no cinema de Tinto Brass. Por coincidência, ela encontra o mesmo Leon numa festa e, como ela estava sem calcinha e usando um vestido pra lá de provocante, Leon usa e abusa dela quando a tira para dançar. Não falta pouco para o marido perder a mulher de vista e ela dar uma fugidinha com o novo amante. São assim as mulheres de Tinto Brass: loucas por sexo e sem medo de serem infiéis. E são assim os maridos: cornos que sentem ciúme de suas esposas, mas que acabam não as rejeitando no final, dando até mais valor ao que têm.

Não que os filmes do velho tarado sejam moralistas ou "rodriguianos", mas existe uma moral nisso aí, embora no fim das contas tudo não passe de exorcismos de suas fantasias eróticas expostas na tela e sem a menor vergonha. Aliás, a falta de vergonha é levada às últimas conseqüências em MONAMOUR, que além de ser o filme do diretor que mais se aproxima da pornografia pura também traz seqüências de exposição pública inimagináveis e até surreais, como a cena de Marta dançando e transando com Leon em pleno restaurante, aos olhos de todos. Inclusive, é nessa parte que uma cantora, vendo a demonstração desavergonhada dos dois amantes, se inspira e canta a bela "Non, Je Ne Regrette Rien", que fica parecendo um pouco deslocada num filme tão bagaceira e sem vergonha quanto MONAMOUR. Mas Brass deve estar pouco se lixando para o que as pessoas pensam no que é de bom ou de mau gosto, misturando em seu filme o belo e estiloso jogo de espelhos usado por ele desde os anos 80 e uma homenagem a DUBLÊ DE CORPO, de Brian De Palma. O que pode incomodar um pouco aos fãs do diretor e aos espectadores em geral é o uso das próteses no lugar dos pênis de verdade nas cenas de felação. Mas a voluptuosidade da ucraniana Anna Jimskaya, que passa o filme inteiro expondo seu corpo ao máximo, compensa qualquer falha que o filme tenha.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

DESEJO E REPARAÇÃO (Atonement)



Há dois anos Joe Wright revelou-se ao mundo com uma belíssima adaptação de um romance de Jane Austen: ORGULHO E PRECONCEITO (2005). O filme, ao mesmo tempo que modernizava as adaptações de Austen, mantinha a suavidade, a delicadeza característica da autora, e demonstrava uma segurança e uma maestria na direção impressionantes. Felizmente, Wright não é apenas um diretor que deu sorte, mas um cineasta de talento, como se pode comprovar com o novo DESEJO E REPARAÇÃO (2007), campeão de indicações ao Globo de Ouro e vencedor de dois prêmios: melhor filme (drama) e melhor trilha sonora para Dario Marianelli, o compositor italiano que havia trabalhado com Wright em seu filme anterior.

Dessa vez, Wright troca a Inglaterra vitoriana dos romances de Austen pela Inglaterra dos anos 1930 e 40, na época da Segunda Guerra Mundial. O filme, adaptação do prestigiado romance "Reparação", de Ian McEwan, trata do quanto uma mentira, ou um mal-entendido, pode causar danos irreparáveis na vida das pessoas envolvidas. Um dos maiores méritos do filme, que pelo que tudo indica é fiel à forma narrativa do livro, é a opção pelos múltiplos pontos de vista (no caso, três) para se contar uma estória. Assim, vemos inicialmente pelos olhos de uma menina aristocrática de treze anos de idade chamada Briony (Saoirse Ronan) algo que para a cabeça dessa menina seria indecente. Depois, mais ou menos como acontece em ELEFANTE, de Gus Van Sant, vemos a versão do acontecido pelos olhos de Cecilia (Keira Knightley) e do filho da governanta Robbie (James McAvoy). Dois outros incidentes acabam por separar e mudar o destino de duas pessoas que se amam. A própria estrutura do filme trata de reparar, através de suas imagens, aquilo que havia sido mostrado anteriormente de maneira rápida ou passível de ser compreendida. Isto é, ainda que seja fruto de obra literária, DESEJO E REPARAÇÃO se fixa de verdade como cinema.

Confesso que, ao ver o trailer, esperava um novelão daqueles bem lacrimosos - o que não seria nenhum problema pra mim -, mas o filme é mais um estudo sobre as causas e as conseqüências de um ato falho, filmado com sensibilidade e com certo virtuosismo estético. Maior exemplo disso é a longa seqüência dos soldados na praia. O corte para o ponto de vista de Briony, já com dezoito anos e arrependida pelo que fez quando adolescente, nos oferece ao mesmo tempo um pouco de tranqüilidade e uma angústia tremenda, pois Briony é a personagem que se coloca mais próxima do espectador, já que ela é a que comete falhas - errar é humano, certo?, e o personagem de James McAvoy é muito bonzinho e a personagem de Keira se mostra muito distante. Assim, o sentimento que o filme mais provoca é o de arrependimento, da frustração que vem da vontade de consertar o que não pode mais ser consertado. A seqüência dos três personagens juntos no apartamento de Cecilia é de doer na alma, assim como o epílogo, o monólogo final de Vanessa Redgrave, que chega para coroar esse trabalho excepcional. Quando não se pode reparar a realidade, a fuga para a fantasia, para a ficção, torna-se a única saída. Mas uma saída amarga e falsamente encobridora da verdade que dói.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

P.S. EU TE AMO (P.S. I Love You)



Quem me conhece ou acompanha o blog há algum tempo sabe que eu tenho uma queda por melodramas e comédias românticas. Mas isso não quer dizer que eu venha a gostar de todo filme feito com a intenção de provocar lágrimas. Não existe nada mais irritante do que um melodrama ou uma comédia romântica - gêneros que costumam se mesclar - mal sucedidos. P.S. EU TE AMO (2007) já mereceria o prêmio "desconfiança do ano" da minha parte só por causa do par romântico central. Pra começar, não consegui "comprar" a escalação de Hilary Swank no filme. Falta a ela uma certa graça e uma capacidade de encantar que chega a prejudicar - aconteceu algo semelhante quando De Palma a convidou para fazer uma femme fatale em DÁLIA NEGRA. E o par romântico dela é o Gerard "This Is Spartaaa!" Butler. Quer dizer, ver o filme seria mais ou menos como assistir a um documentário sobre acasalamento de rinocerontes. E posso até estar sendo agressivo com a comparação, mas prefiro manter a frase, nem que seja só para provocar.:-)

A trama é bem bobinha. Butler e Swank formam um casal que, como qualquer outro, costuma brigar e fazer as pazes. Isso é mostrado logo no prólogo do filme. Depois dos créditos e de uma longa elipse, sabemos que ele morreu de câncer. Estamos no velório dele. Antes de morrer, porém, ele deixa uma série de cartas especiais a serem entregues durante diversos dias e das mais diversas maneiras. A carta sempre termina com "P.S. I love you". O filme tenta a todo custo causar lágrimas ou risadas da platéia, coisa que parece que funcionou para algumas pessoas, como pude perceber com o público da sala, bastante receptivo no dia em que eu fui, rindo nos momentos supostamente engraçados. Tentar provocar risos ou lágrimas não é demérito nenhum, pelo contrário, o problema é que a única coisa que o filme conseguiu comigo foi causar indiferença e até um certo mau estar, com tanta água com açúcar despejada na tela. Quem quase salva o filme em alguns momentos é o elenco de apoio: Lisa Kudrow reprisa o papel de Phoebe em FRIENDS e garante algumas risadas e Kathy Bates sempre está bem nos filmes, por piores que eles sejam.

O diretor, Richard LaGravenese, fez uma segunda parceria com Hilary Swank no drama ESCRITORES DA LIBERDADE (2007), que dizem ser bom, mas confesso que não estou muito disposto a conferir, depois desse balde de água fria. O diretor também contava com outros dois bons títulos no currículo: o documentário A DÉCADA QUE MUDOU O CINEMA (2003), sobre o revolucionário cinema dos anos 70, e uma contribuição com um segmento para o filme coletivo PARIS, TE AMO (2006).

quinta-feira, janeiro 10, 2008

MINHA NOITE COM ELA (Ma Nuit Chez Maud)



Gostar de Eric Rohmer é, entre outras coisas, gostar de filmes com muita conversa. Excetuando O SIGNO DO LEÃO (1959), todos os filmes do diretor são dotados de uma verborragia que pode incomodar muita gente. Quem não tem paciência e se sente incomodado com essa característica da obra de Rohmer tem duas opções: tentar aprender a gostar dos filmes do diretor ou desistir de vez. MINHA NOITE COM ELA (1969) é dos mais verborrágicos de Rohmer. Ele se assemelha um pouco ao meu preferido do diretor, CONTO DE INVERNO (1992), no sentido de que há discussões filosóficas de natureza metafísica e por ter um protagonista que tem um ideal que foge dos racionalismos e é fiel a ele até o fim.

Jean-Louis (Jean-Louis Trintignant) é um católico fervoroso que, durante uma missa, apaixona-se por Françoise (Marie-Christine Barrault), uma bela loira. Ele bota na cabeça que ela seria o seu par ideal: loira, católica e bonita. Ao final da missa, ele tenta abordá-la, mas acaba a perdendo no trânsito. Passa-se um tempo e ele é convidado por Vidal, amigo de infância, a conhecer sua atual namorada, uma mulher atéia e atraente de nome Maud (Françoise Fabian). A relação de Vidal com Maud está fria e, segundo ele, prestes a acabar. Os dois estariam juntos apenas por falta de opção e ele não se incomodaria se o amigo passasse uma noite com ela, discutindo filosofia e religião e quem sabe ter contatos íntimos com ela . Mas Jean-Louis tem seus princípios e resiste à tentação de Maud. E olha que o sujeito tem que ser ou muito forte ou muito idiota para rejeitar sexo de uma mulher tão interessante e sensual quanto ela. Ainda mais naquelas circunstâncias: os dois dormindo debaixo do mesmo cobertor, sendo que ela dorme nua. Por esse e outros motivos, considero Jean-Louis um dos personagens mais irritantes da filmografia de Rohmer. Eu colocaria ele e a protagonista de UM CASAMENTO PERFEITO (1982) num mesmo avião para um lugar bem distante.

Ao lado de O JOELHO DE CLAIRE (1970) e PAULINE NA PRAIA (1983), MINHA NOITE COM ELA é um dos trabalhos mais sensuais de Rohmer, principalmente na famosa seqüência da noite de Jean-Louis com Maud. Tanto é que depois dessa seqüência, o reencontro do protagonista com Françoise, seu ideal de mulher perfeita, não tem o impacto que supostamente deveria ter. Apesar de bonita, Françoise não tem o mesmo sex appeal de Maud. Pelo contrário, ela parece um pouco pudica. Mas talvez seja isso o que há de mais interessante e ao mesmo tempo frustrante no filme: o personagem com quem eu torcia contra o filme inteiro acaba se dando bem. Assim como a jovem aparentemente ingênua que acredita em almas gêmeas de CONTO DE INVERNO, Jean-Louis leva ao extremo a sua moral e a sua fé a fim de conseguir a vida que almeja.

MINHA NOITE COM ELA é o terceiro da série "Seis Contos Morais", completada com os filmes A CARREIRA DE SUZANNE (1963), A PADEIRA DO BAIRRO (1963), A COLECIONADORA (1967), O JOELHO DE CLAIRE e AMOR À TARDE (1972). Todos eles, disponíveis em dvd pela Europa Filmes.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A DAMA DAS CAMÉLIAS (Camille)



Estava dando uma lida no que Olivier-René Veillon, autor do livro "O Cinema Americano dos Anos Cinqüenta", escreveu sobre George Cukor para ter uma idéia melhor do que seria a essência do cinema do diretor. Ser conhecido como o diretor das grandes atrizes é um pouco redutor, como o próprio autor do livro também considera. Bom, o que eu achei interessante no final do texto sobre Cukor foi quando o autor comentou sobre a grande capacidade que a mulher tem de representar, preservando, assim, a sua definição, a sua essência. Por isso dizem que a mulher é um mistério. E por isso que a mulher acaba sendo sempre uma melhor intérprete do que o homem, que por mais brilhante que seja, no fundo está expondo um pouco de si mesmo naquela representação. É por isso que grandes atores como Jack Nicholson, Robert De Niro e Al Pacino, só pra citar três medalhões, acabaram se repetindo em suas carreiras. Mas dizer isso talvez seja politicamente incorreto, sexista. Quer dizer, ao mesmo tempo que estou elogiando as mulheres por serem tão boas atrizes, posso estar querendo dizer que elas são fingidoras por natureza, o que não seria lá um elogio.

Bom, o fato é que o ato de fingir tem tudo a ver com A DAMA DAS CAMÉLIAS (1936), o belo filme de Cukor interpretado pela maravilhosa e lendária Greta Garbo. A personagem de Garbo, Marguerite Gautier, precisa fingir para sobreviver. Ela, por ser bonita e charmosa, se aproveita disso para seduzir os nobres da sociedade parisiense do século XIX, na França pré-revolução. Num luxuoso teatro, lugar onde ela e suas amigas costumam freqüentar para conhecer barões e duques, ela conhece Armand Duval (Robert Taylor), um rapaz que já era apaixonado por ela e seguia os seus passos sem que ela soubesse. Nessa noite, ela o confunde com um nobre e ele fica um pouco decepcionado com isso, mas ele tenta aproveitar essa chance para manter contato com ela. Marguerite, apesar de ter uma vida social bastante agitada, sofre de tuberculose, o mal daquele século, e sabe que sua vida será breve. Sabendo disso, Armand a leva para o campo, para cuidar dela. Lá os dois vivem momentos de intenso prazer e amor. Mas como se trata de uma tragédia, logo algo ou alguém chegará para estragar a vida dos dois. As lágrimas no final são inevitáveis.

Greta Garbo está brilhante, conseguindo ser no mesmo filme terna e perversa, sedutora e vítima. E A DAMA DAS CAMÉLIAS é um dos filmes que melhor representam o que foi Garbo para o cinema, em toda a sua glória e esplendor. Uma pena que o filme praticamente não é citado na entrevista de Cukor a Peter Bogdanovich. A única coisa que se fala, muito superficialmente, é sobre uma cena de um beijo, que o diretor considerava sutilmente erótica.

O dvd de A DAMA DAS CAMÉLIAS ainda traz como extra uma versão muda, de 1921, dirigida por Ray C. Smallwood, e estrelada pelo grande galã do cinema mudo na época, Rudolph Valentino, ou Rodolfo Valentino, como era conhecido no Brasil. Ver essa versão depois de ter visto a versão do Cukor só aumenta a impressão de que se trata apenas de um rascunho. Vale ser visto mais por curiosidade e como documento histórico. Nessa adaptação, a estória de Alexandre Dumas (filho) é transposta para a Paris dos anos 1920. E como os anos 20 foram o auge do modernismo e outros "ismos", o cenário do filme é o que mais chama a atenção, como o formato circular das portas, por exemplo. A Marguerite desse filme (Alla Nazimova) é feia, parecendo mais a Noiva de Frankenstein, principalmente quando ela revira os olhos. Essa versão não chega a ser nem a sombra do que fariam George Cukor e a deusa Greta Garbo.

terça-feira, janeiro 08, 2008

A DESCONHECIDA (La Sconosciuta / L'Inconnue)



Até imaginava que os filmes de Giuseppe Tornatore não estavam chegando por aqui por problemas de distribuição, mas a verdade é que o cineasta esteve mesmo afastado das telas desde MALENA (2000), um filme que não foi muito bem recebido pela crítica na época. A DESCONHECIDA (2006) é o retorno do diretor depois desse longo hiato, talvez proveniente do fato de que o cinema italiano não anda muito bem das pernas já faz alguns anos. Com esse novo trabalho, Tornatore teve mais sorte. Não é sempre que se vê o melodrama e o suspense unidos com tanta propriedade. E é no seu aspecto de thriller hitchcockiano que o filme se mostra mais vigoroso.

A DESCONHECIDA, depois de um prólogo misterioso, nos apresenta a Irena, uma mulher ucraniana (Kseniya Rappoport), em busca de um emprego numa cidade italiana. Ela tem uma estranha fixação em trabalhar em determinado edifício, chegando a se submeter à má fé do zelador do prédio, que ganha uma boa porcentagem de cada centavo que ela recebe. A intenção de Irena é trabalhar como empregada doméstica de uma família que já conta com uma empregada idosa há muitos anos e que jamais substituiria essa senhora por uma mulher estrangeira e de pouca confiança. O passado de Irena a persegue sempre, seja através de suas memórias, revividas em flashback e nos fornecendo pistas sobre suas origens e intenções, seja na figura de alguém que ela acreditava morto. A família na qual Irena se interessa é formada por um casal e uma filha de cinco anos, a pequena Tea, que rouba a cena sempre que aparece. A mãe da garota é interpretada pela bela Claudia Gerini, que fez a mulher de Pilatos em A PAIXÃO DE CRISTO, de Mel Gibson, e foi a esposa de Sergio Castellito no excepcional NÃO SE MOVA.

Com trilha original do incansável Ennio Morricone, A DESCONHECIDA esteve presente em várias listas de melhores filmes exibidos no Brasil em 2007. E não à toa. O modo como Tornatore nos faz cúmplices dessa mulher misteriosa e sofrida e que é capaz de atos extremos para atingir os seus objetivos é de tirar o chapéu. O que dizer da cena do roubo das chaves e da invasão ao domicílio? E daquela edição no final, com a revelação definitiva dos maus tratos que Irena sofria em sua terra natal? Pena que a fotografia do filme fica muito prejudicada em cópia digital, mas antes ver numa cópia digital do que não ver. Não sei dizer se existem cópias em película circulando pelo país.

P.S.: E o cancelamento do Globo de Ouro, hein? Vai ser uma pena não poder ver os astros do cinema e da televisão em suas mesas e esperando a entrega dos prêmios como acontece todos os anos. Mas, por outro lado, pode ser que essa greve dos roteiristas traga algo de positivo para o cinema mundial, que pode ganhar maior visibilidade caso os filmes americanos saiam prejudicados.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO (Things We Lost in the Fire)



Disseram que o filme se parecia com os trabalhos do Dogma 95 por causa da diretora dinamarquesa Susanne Bier, de BROTHERS (2004) e DEPOIS DO CASAMENTO (2006), mas COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO (2007) se parece mais é com os trabalhos de Alejandro González Iñárritu, principalmente 21 GRAMAS. Há pelo menos três semelhanças com esse filme de Iñárritu. A principal delas seria a montagem fragmentada e cheia de idas e vindas no tempo, mostrada em sua meia hora inicial, que também conta com estranhos closes nos olhos e em partes do corpo dos personagens. O que sabemos logo de início é que o marido da personagem de Halle Berry morreu. Aos poucos, ficamos sabendo das circunstâncias de sua morte e da relação do marido (David Duchovny) com o melhor amigo, interpretado com brilhantismo por Benicio Del Toro. A presença de Del Toro seria, então, a segunda semelhança do filme com 21 GRAMAS. A terceira está na música: a composição dos temas é de autoria de Gustavo Santaolalla, de AMORES BRUTOS. Agora, por que Susanne Bier quis emular Iñárritu em sua estréia em Hollywood, isso eu não sei dizer.

O filme lida tanto com a perda quanto com o apego. Depois da morte do marido, a personagem de Halle Berry convida o amigo do esposo, um advogado decadente por causa do vício em heroína, a morar em sua casa, em um quarto improvisado numa garagem. Ela sente falta de uma figura masculina, de alguém que possa lhe ajudar quando necessário. Parte dessa decisão também seria uma maneira de ajudar aquele homem que se encontrava no fundo do poço, e cujo único amigo - aquele que nunca desistira dele - acabara de morrer. Del Toro, aos poucos, vai se afeiçoando à viúva e aos seus dois filhos pequenos, um garoto de 6 anos e uma menina de 10.

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO vai, paulatinamente, se tornando menos um filme sobre perda e mais um filme sobre apego e redenção, embora em nenhum momento essa redenção seja mostrada de maneira romântica ou feliz. Tanto para o viciado quanto para a mulher e os filhos que perderam o marido e pai recuperar a felicidade perdida é quase impossível. É preciso se contentar apenas com pequenas melhoras, viver um dia de cada vez, como diz o lema dos narcóticos anônimos, grupo freqüentado pelo viciado. O lema é "só por hoje", que rendeu uma bela e triste canção da Legião Urbana. Vale lembrar que Renato Russo foi também um viciado em heroína e soube mostrar em suas canções, com extrema delicadeza, o que é ser um dependente químico. Mas voltando ao filme, gostei do fato de Susanne Bier ter se entregado de verdade ao melodrama no último ato. O começo prometia justamente o contrário, prometia um filme frio como geralmente são os trabalhos dos dinamarqueses. Felizmente, os fãs do melodrama podem levar seus lenços para o cinema com tranqüilidade.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

A BÚSSOLA DE OURO (The Golden Compass)



Desde o sucesso de HARRY POTTER e O SENHOR DOS ANÉIS que todo final de ano aparece um novo filme de fantasia para tentar conseguir sucesso semelhante. Alguns não foram muito bem sucedidos nas bilheterias - como DESVENTURAS EM SÉRIE e AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - e A BÚSSOLA DE OURO (2007) ainda é um icógnita. Será que vai se transformar numa franquia e fascinar as audiências? Sei não, mas com essa tendência de Hollywood trazer de volta o clima dos filmes mais realistas estilo anos 70, tenho uma leve impressão de que até as crianças andam um pouco enjoadas de universos fantasiosos. E por mais que Chris Weitz seja um diretor que eu simpatize - ele dirigiu UM GRANDE GAROTO (2002), ora -, o projeto parece ser "grande" demais para ele, que nunca havia dirigido uma super-produção. Um atrativo é a presença de Nicole Kidman, mas até ela parece estar pouco à vontade no papel. Mesmo assim, confesso que prefiro este A BÚSSOLA DE OURO ao último exemplar da franquia Harry Potter, embora perceba-se que ambos tragam a política e a rebeldia quase que como eixos de sustentação. Só que A BÚSSOLA DE OURO é mais transgressor. Principalmente em sua origem.

O filme é baseado no romance "A Bússola Dourada", do inglês Philip Pullman, ateu convicto e que costuma atacar a Igreja Católica sempre que tem oportunidade. O livro é explícito nesse sentido mas o filme tenta ser mais discreto, trocando o termo Igreja por Magistério, para evitar escândalos, ainda mais em se tratando de uma obra mais direcionada ao público infanto-juvenil. Não vejo nada de errado em criticar a Igreja, mesmo em livros infantis, isso até ajuda a exercitar a veia crítica das crianças, mas o que eu acho mais bizarro no filme é um pequeno detalhe: os dimons, termo que pronunciado em inglês tem o mesmo som de "demons" (demônios). Esses dimons são pequenos animais (que às vezes mudam de forma) dos mais diversos tipos e que todo mundo possui. Esses dimons não são ligados apenas afetivamente às pessoas, mas à própria alma delas. E os vilões da estória são os membros do magistério e um grupo que seqüestra as crianças e as separam de seus queridos dimons.

A protagonista do filme é a pequena Lyra, interpretada por Dakota Blue Richards, que tem um sotaque britânico bem carregado e bonito, o que dá um charme a mais à garota. A ela é dada uma bússola de ouro, um instrumento que nas mãos da pessoa certa é capaz de fornecer "a verdade". Assim como O SENHOR DOS ANÉIS, A BÚSSOLA DE OURO se passa num universo alternativo. Em nenhum momento do filme vemos a nossa dimensão. Nessa mundo estranho habitado por Lyra, há um grupo de ursos polares falantes, além de bruxas voadoras - Eva Green é uma delas. Na peregrinação de Lyra, ela torna-se amiga de um velho caubói, desses com sotaque de caipira americano, que possui um barco voador. No final, fica a impressão de um filme simpático e com um belo visual, mas que não tem a capacidade de encantar de verdade. Outro mérito de A BÚSSOLA DE OURO, além da simpática turma de Lyra, está em ser enxuto, isto é, não é um desses filmes com mais de duas horas de duração. No entanto, os leitores do livro talvez achem exatamente o contrário, já que muita coisa deve ter sido cortada nessa adaptação.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

O ALBERGUE - PARTE II (Hostel: Part II)



Ainda não vi nenhum filme em 2008, mas comecei o ano - que os astrólogos dizem ser regido por Marte, o planeta da violência e das paixões - revendo O ALBERGUE - PARTE II (2007), de Eli Roth, dessa vez com comentários em áudio de Quentin Tarantino, Eli Roth e seu irmão, diretor de segunda unidade, Gabe Roth. Ver o filme comentado pelo Tarantino é uma diversão à parte, não tem preço. Realmente foi uma pena não terem exibido o filme nos cinemas, mas fiz muito bem em ter esperado pelo lançamento oficial em dvd, já que o filme está em widescreen e o disquinho ainda contém um monte de extras legais, como mais de meia hora de making of e uma visita a um museu de tortura da época da Inquisição. Aliás, nunca imaginei que o cinto de castidade fosse tão doloroso para a mulher. Além de ser de ferro, logo bastante incômodo, o objeto contém dentes afiados na abertura para a mulher urinar, sendo, portanto, muito fácil de ferir a sua vagina. A crueldade humana realmente não tem limites.

Mas quem for muito sensível à crueldade, deve passar longe dessa continuação de O ALBERGUE (2005), que fez sucesso o suficiente para ganhar uma seqüência, mais uma vez patrocinada pelo papa do pop da atualidade Quentin Tarantino. E é impressionante como Eli Roth e Tarantino têm uma cultura de filmes parecida, ainda que Roth tenha nascido só alguns meses antes de mim, sendo, portanto, muito jovem. ;) Assim como Tarantino, Roth é fã do "cinema extremo" italiano, o que inclui, é claro, Ruggero Deodato e o seu cultuado CANNIBAL HOLOCAUST. Se o primeiro filme trazia Takashi Miike como convidado especial, é Deodato o principal convidado especial da seqüência, que não é apenas mais do mesmo em relação ao original, mas uma visão do ponto de vista dos torturadores. E dos torturados também. Torturadas, no caso.

São três as protagonistas do filme: uma bela morena (Lauren German), uma loira gostosa (Bijou Phillips) e a freak da turma, interpretada por Heather Matarazzo, a sofrida adolescente de BEM VINDO À CASA DE BONECAS, de Tod Solondz. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que as três serão vítimas potenciais dos assassinos e a morte de Heather é a mais marcante. Confesso que achei ao mesmo tempo excitante - no sentido "paudurescente" do termo, mesmo - e aterrorizante a seqüência de tortura e morte dela. Isso serve para mostrar o quanto o espectador também pode ser um pouco sádico, senão, filmes como esse não existiriam. Quanto aos personagens dos torturadores, durante boa parte do filme, dá pra simpatizar com um deles, o que mais "amarela" e se pergunta o que está fazendo naquele lugar.

Outros convidados especiais do filme são Edwige Fenech, estrela de vários gialli e comédias eróticas italianas e que saiu de sua aposentadoria só para participar do filme, e Luc Merenda, astro de alguns westerns spaghetti e filmes policiais e que protagonizou uma das principais obras homenageadas em O ALBERGUE - PARTE II, o horror TORSO (1973), de Sergio Martino. E de tanto Roth e Tarantino falarem desse filme de Martino no comentário em áudio, eu fiquei curioso e fui logo tratar de baixar. Tarantino diz que Merenda se parecia muito com Anthony Steffen e que ele mal sabia diferenciar um do outro. Outra curiosidade que eu repasso aqui do comentário em áudio é a respeito da mania que Tarantino tem de fazer edição de filmes dos outros. Ele fez, por exemplo, ROCKY, O LUTADOR e ROCKY II parecerem um único filme, juntando o final de um com o começo do outro. Ele falou isso quando comentou que daria para fazer um único filme juntando os dois "Albergues".

Outra vantagem de ver o filme em dvd e não naquela cópia horrorosa disponibilizada na internet é notar o quanto Roth faz um belo trabalho de iluminação e de construção cênica, seja nas cenas do trem, seja na cena da piscina filmada na Islândia e até mesmo no lugar onde acontecem as torturas e as mortes. Tirando a cena da Lagoa Azul, na Islândia, o filme foi todo filmado em Praga. E o trailer falso "Thanksgiven", dirigido por Roth para o projeto GRINDHOUSE, foi feito com o elenco de O ALBERGUE - PARTE II. Aliás, Roth mandou bem nesse trailer, hein!

terça-feira, janeiro 01, 2008

TOP 20 2007



1. CÃO SEM DONO, de Beto Brant e Renato Ciasca
2. O HOSPEDEIRO, de Bong Joon-ho
3. OS DONOS DA NOITE, de James Gray
4. PRO DIA NASCER FELIZ, de João Jardim
5. IMPÉRIO DOS SONHOS, de David Lynch



6. TROPA DE ELITE, de José Padilha
7. DÉJÀ VU, de Tony Scott
8. BAIXIO DAS BESTAS, de Cláudio Assis
9. À PROCURA DA FELICIDADE, de Gabriele Muccino
10. O PASSADO, de Hector Babenco



11. PLANETA TERROR, de Robert Rodriguez
12. CARTAS DE IWO JIMA, de Clint Eastwood
13. APOCALYPTO, de Mel Gibson
14. BATISMO DE SANGUE, de Helvécio Ratton
15. BORAT - O SEGUNDO MELHOR REPÓRTER DO GLORIOSO PAÍS CAZAQUISTÃO VIAJA À AMÉRICA, de Larry Charles



16. SANEAMENTO BÁSICO, O FILME, de Jorge Furtado
17. A RAINHA, de Stephen Frears
18. O TEMPO QUE RESTA, de François Ozon
19. LETRA E MÚSICA, de Marc Lawrence
20. ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO, de Peter & Bobby Farrelly

Foi um ano bem esquisito esse 2007. Em todos os sentidos. Um ano perturbador e desafiador pra mim. De muitas lutas, tanto interiores quanto exteriores. Mas já que escapei vivo pra contar a história, então posso me considerar um vencedor e mais fortificado. A luta continua, mas a esperança é de que 2008 seja um ano bem mais satisfatório, mais feliz, com muito amor, paz e saúde, já que de conflitos, a gente já anda muito cansado. Claro que houve as viagens para relaxar, sendo as principais, a de Porto Alegre, de Natal, de Jericoacoara e de Canoa Quebrada, agora no final do ano. Ao lado de amigos queridos, a gente sempre se sente melhor.

No território dos filmes, foi um ano bom, um ano de surpresas agradáveis. Entre as maiores surpresas, destaco OS DONOS DA NOITE, de James Gray, um filmaço em todos os sentidos, herdeiro direto de O PODEROSO CHEFÃO, e DÉJÀ VU, de um cineasta que eu nunca levei muito a sério: Tony Scott. Ambos os filmes me fascinaram, cada um à sua maneira. Por outro lado, um filme que eu jurava que estaria no topo desse ranking, IMPÉRIO DOS SONHOS, a nova loucura de David Lynch, não me "pegou" da mesma maneira que o trabalho anterior do genial cineasta. Mas ainda assim é Lynch e não deixa de ser um filme fantástico e desafiador. E creio que posso mudar de opinião quando tiver a chance de assistí-lo outras vezes. Talvez o filme seja uma espécie de 2001, que vai ser melhor apreciado com o tempo. Mas a intenção aqui é deixar a impressão do momento.

O ano de 2007 foi um ano de ouro para o cinema brasileiro. Além do fenômeno TROPA DE ELITE, que já começou bombando antes mesmo de sua estréia oficial, o melhor filme do ano, pra mim, foi nacional: o bressoniano CÃO SEM DONO, de Beto Brant, que me deixou quase aos prantos no final da projeção. PRO DIA NASCER FELIZ foi um documentário que não saiu da minha cabeça durante semanas depois de tê-lo visto. Gostei tanto que comprei o dvd. Fui um dos poucos a ter gostado do polêmico BAIXIO DAS BESTAS, do maluco de plantão Cláudio Assis, que demonstrou um apuro técnico e uma coragem de dar a cara à tapa impressionantes. BATISMO DE SANGUE é outro filme cujas marcas da violência estão presentes desde a sua cena inicial e é mais uma obra a nos fazer lembrar o quão negro foi o cenário político brasileiro na época da ditadura militar. E saindo um pouco do peso e entrando na leveza, mas sem perder o aspecto crítico e social, não podemos esquecer do subestimado SANEAMENTO BÁSICO, O FILME, de Jorge Furtado.

Poderia incluir também na lista O PASSADO, o mais novo trabalho de Hector Babenco, mas como ele resolveu filmá-lo na Argentina, consideremos o filme como sendo internacional. Também fora do eixo hollywoodiano, o grande destaque do ano pra mim foi O HOSPEDEIRO, do coreano Bong Joon-ho. Esperemos que esse boom em torno do cinema sul-coreano não seja apenas um hype, já que filmes extraordinários como esse vamos querer ver sempre. Também tenho gostado muito do cinema de François Ozon. Dos mais "novos" cineastas da França, ele tem se destacado, ao lado de Olivier Assayas. O TEMPO QUE RESTA é um belo filme sobre a vida de uma pessoa jovem murchando.

E apesar de dizerem que americano não quer saber de outra língua que não seja o inglês, cada vez mais cineastas americanos têm se aventurado em fazer filmes falados em línguas estrangeiras, como foi o caso de Mel Gibson com a sua violenta aventura APOCALYPTO, e de CARTAS DE IWO JIMA, de Clint Eastwood, sobre a bravura do povo japonês frente à morte iminente. Um filme que funciona tanto em separado, como complemento de A CONQUISTA DA HONRA. E falar em Clint hoje em dia é quase como se falar em Oscar, e da época do Oscar, um dos títulos mais admiráveis desse período do ano foi A RAINHA, do inglês Stephen Frears, um trabalho que só tende a crescer à medida em que pensamos nele. E como esquecer também do melodrama À PROCURA DA FELICIDADE, com aquele final de deixar a gente chorando feito bobo?

Mas nem só de tristeza e de violência se fez 2007. A comédia também teve lugar, com títulos de peso como o politicamente incorreto BORAT, de Larry Charles; a comédia romântica MÚSICA E LETRA, que atesta a genialidade de Hugh Grant e confirma mais uma vez a graça de Drew Barrymore; e ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO, o novo petardo dos irmãos Farrelly, os grandes mestres da comédia da atualidade. Poderia encaixar nessa lista de comédias PLANETA TERROR, definitivamente o melhor trabalho de Robert Rodriguez e um filme divertidíssimo, que nos deixa com um sorriso no rosto do início ao fim da projeção.

A lista acima, vale esclarecer, é apenas de filmes vistos no cinema no ano de 2007, não importando se o filme estreou em São Paulo em 2006. Por enquanto, estou mantendo essa regra, embora o ato de baixar filmes que eu perco nos cinemas esteja se tornando cada vez mais comum. Portanto, é possível que nos próximos anos eu quebre essa regra. Para os filmes vistos na telinha, faço outra lista à parte.

Quase entraram

Ficaram de fora por falta de espaço, mas merecem ser lembrados com honra: C.R.A.Z.Y. - LOUCOS DE AMOR, A CONQUISTA DA HONRA, ROCKY BALBOA, OS 12 TRABALHOS, PREMONIÇÕES, POSSUÍDOS, INSTINTO SECRETO, MANDANDO BALA, CONDUTA DE RISCO.

Os piores do ano

Lista de piores é tão pessoal quanto lista de melhores, já que minha intenção aqui é citar os filmes que mais me irritaram ou que me deram aquela terrível sensação de que eu estou perdendo um tempo enorme da minha vida. Destaco as seguintes tosqueiras:

1. DREAMGIRLS - EM BUSCA DA FAMA
2. PIAF - UM HINO AO AMOR
3. NÚMERO 23
4. JOGOS MORTAIS 4
5. A ESTRANHA PERFEITA

As séries

2007 também foi um ano importante para as séries. Duas das minhas séries favoritas de todos os tempos, eu tive a chance de terminá-las nesse ano. Falo de A SETE PALMOS e TWIN PEAKS. Quem acompanhou o blog durante o ano sabe o quanto essas séries representam pra mim. No campo mais light, os destaques são THE OFFICE e ENTOURAGE, duas séries viciantes com personagens cativantes e momentos de muita descontração e/ou constrangimento. O intrigante final da terceira temporada de LOST também foi um dos destaques do ano. Tão bom que se a série terminasse na terceira temporada, eu a acharia perfeita. Mas que venha mais! As segundas de DEXTER e de PRISON BREAK também representaram momentos de prazer e emoção.

Top 5 "Musas do Ano"

Sempre tive vontade de colocar essa categoria, que esqueci de pôr no ano passado. As mais belas deusas que o cinema eternizou em 2007:

1. Tainá Müller (CÃO SEM DONO)
2. Giovanna Mezzogiorno (O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA)
3. Eva Mendes (OS DONOS DA NOITE)
4. Lindsay Lohan (ELA É A PODEROSA)
5. Rose McGowan (PLANETA TERROR)

Melhores vistos em DVD, DIVX ou VHS

Não estão por ordem de preferência. Dá pra perceber que tem muito John Ford, afinal, foi o ano de John Ford pra mim. Foi o ano da peregrinação fordiana e como o sacrifício é uma característica do cinema de Ford, não deixou de combinar com o tom geral do ano pra mim. Os 30 melhores vistos pela primeira vez na telinha, em ordem alfabética:

12 HOMENS E UMA SENTENÇA, de Sidney Lumet
A DAMA DAS CAMÉLIAS, de George Cukor
A HISTÓRIA DE MARIE E JULIEN, de Jacques Rivette
BATALHA REAL, de Kinji Fukasaku
CAMINHO SEM VOLTA, de James Gray
COISAS SECRETAS, de Jean-Claude Brisseau
COMANDO FINAL, de Wilson Yip
COMO ERA VERDE O MEU VALE, de John Ford
CONVITE AO PRAZER, de Walter Hugo Khouri
EXILADOS, de Johnny To
FOMOS OS SACRIFICADOS, de John Ford
HONKTONKY MAN, de Clint Eastwood
MINHA VIAGEM À ITÁLIA, de Martin Scorsese
MOGAMBO, de John Ford
MY SASSY GIRL, de Kwae Jae-yong
O AMIGO DA MINHA AMIGA, de Eric Rohmer
O ESTRANHO SEM NOME, de Clint Eastwood
O MONSTRO DO CIRCO, de Tod Browning
O PRISIONEIRO DA ILHA DOS TUBARÕES, de John Ford
O SEGUNDO ROSTO, de John Frankenheimer
O SIGNO DO LEÃO, de Eric Rohmer
O VEREDICTO, de Sidney Lumet
OH! REBUCETEIO, de Cláudio Cunha
OS CHEFÕES, de Abel Ferrara
PAIXÃO DE FORTES, de John Ford
PERIGO: DIABOLIK, de Mario Bava
RIO GRANDE, de John Ford
SANGUE DE HERÓIS, de John Ford
TERRA BRUTA, de John Ford
THE WHIP AND THE BODY, de Mario Bava

Revisões

Tão bom quanto ver é rever, perceber novos detalhes em cada obra. Claro que a falta de tempo e a ânsia por novos filmes não me permite ficar revendo filmes o tempo todo, mas foi um prazer poder rever em dvd ou divx esses títulos abaixo. O do Lynch, acho que vi pela quarta vez. Quanto aos outros, foi apenas a segunda vez.

AUDAZES E MALDITOS, de John Ford
O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA, de John Ford
O PAGADOR DE PROMESSAS, de Anselmo Duarte
ONDE COMEÇA O INFERNO, de Howard Hawks
RASTROS DE ÓDIO, de John Ford
TERROR NA ÓPERA, de Dario Argento
TWIN PEAKS - OS ÚLTIMOS DIAS DE LAURA PALMER, de David Lynch