terça-feira, fevereiro 08, 2005

DESVENTURAS EM SÉRIE (Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events)



A primeira coisa que chama a atenção em DESVENTURAS EM SÉRIE (2004) é o visual. Até parece um daqueles ótimos filmes de Tim Burton. Isso porque o diretor de fotografia é o mexicano Emmanuel Lubezki, de A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA; o designer de produção é Rick Heinrichs, colaborador habitual de Burton; e o figurino é de Colleen Atwood, que trabalhou com Burton em ED WOOD e MARTE ATACA!. O visual do filme é de dar gosto. Especialmente na primeira meia hora de filme. Depois a gente se acostuma.

A segunda coisa que chama a atenção é a presença de Jim Carrey. Ao mesmo tempo que ele está ótimo, se levarmos em conta sua performance em separado, ele não parece ser a pessoa ideal para a figura do malvado Conde Olaf, já que as suas palhaçadas diminuem o medo que os garotos poderiam sentir por ele. Talvez o único momento que provoque algum suspense seja durante a cena do trem. As aventuras que os jovens passam parecem mais excitantes do que perigosas, pelo tom mostrado no filme. Além de Jim Carrey, também ajudam a abrilhantar o filme os astros Merryl Streep e Dustin Hoffman. Jude Law aparece no filme, mas apenas com a voz e a silhueta.

O filme é uma adaptação de três volumes da série Desventuras em Série - "Mau Começo", "Sala dos Répteis" e "O Lago dos Sanguessugas". Isso foi possível porque, ao contrário dos livros de Harry Potter, que vão mais e mais se parecendo com tijolos, os livros de Lemony Snicket são bem mais fininhos.

Ao que parece, uma das intenções do autor do livro é fazer com que o leitor crie gosto pela leitura, já que um de seus heróis, o garoto Klaus, é rato de biblioteca e tem uma memória enciclopédica que lhe ajuda a sair de muitos apuros. A literatura é também homenageada através dos nomes de dois escritores célebres: Baudelaire e Poe. Logo, os livros são uma boa porta de entrada para jovens leitores se iniciarem nos prazeres das letras.

Quanto ao diretor do filme, assim como Marc Forster, Brad Silberling tem a morte e o seu impacto na vida de quem fica como o seu principal tema recorrente. Foi assim com GASPARZINHO - O FANTASMINHA CAMARADA (1995), CIDADE DOS ANJOS (1998) e no drama VIDA QUE SEGUE (2002). Ainda acho que o melhor filme dele é GASPARZINHO.

DESVENTURAS EM SÉRIE concorre a quatro Oscar: direção de arte, figurino, maquiagem e trilha sonora.

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