sábado, janeiro 25, 2014

O HERDEIRO DO DIABO (Devil's Due)



No futuro, ao estudarmos a história dos filmes de horror dos anos 2000-2010, lembraremos de uma turminha de diretores que, herdeiros de A BRUXA DE BLAIR, que por sua vez é herdeiro de CANNIBAL HOLOCAUST, aproveitou a possibilidade de se filmar barato e obter excelentes resultados financeiros, através do recurso da câmera na mão ou colocada como câmera de vigilância, a fim de dar um ar de verdade. O exemplar mais famoso atualmente é o da franquia ATIVIDADE PARANORMAL, que rendeu quatro filmes e dois spin-offs.

Alguns exemplares recentes: FILHA DO MAL, [REC] e seu remake QUARENTENA, DIÁRIO DOS MORTOS, CLOVERFIELD – MONSTRO, PODER SEM LIMITES, REDACTED, O ÚLTIMO EXORCISMO e tantos outros. Nota-se que há filmes de outros gêneros também, embora o cinema de horror seja o que mais tem se beneficiado desse estilo. Muito provavelmente já existem estudos mais aprofundados sobre esse tipo de filme, mas acredito que o recurso ainda não se esgotou.

O HERDEIRO DO DIABO (2014), de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, é o mais novo exemplar. E não é um filme ruim, não apela para sustos baratos e manjados, tem um andamento narrativo razoável e é até redondinho. Mas tudo aquilo que é mostrado no filme já foi visto em vários outros que lidaram com mulheres engravidando do demônio, tendo O BEBÊ DE ROSEMARY, de Roman Polanski, o exemplo mais nobre.

Comparar os dois filmes, então, é até covardia. Por isso, falemos dos aspectos positivos e negativos de O HERDEIRO DO DIABO. A trama é bem contada através da câmera na mão do protagonista e depois com as câmeras de vigilância implantadas na casa e até a elipse do que não aparece durante a sinistra festa da última noite de lua-de-mel em Santo Domingo, na República Dominicana, é inteligente.

Na trama, depois de ter engravidado em circunstâncias misteriosas, Samantha McColl, vivida pela bela Allison Miller, da série TERRA NOVA e que em alguns momentos me lembrou a adorável Natalie Wood, passa a agir de maneira estranha. Adquire super-força, começa a gostar de comer carne crua, fica inimiga dos padres etc. Enquanto isso, o marido Zach, vivido por Zach Gilford, da série FRIDAY NIGHT LIGHTS, fica cada vez mais preocupado. E as coisas só tendem a piorar, como é de se esperar.

O problema é que o andamento e o final mais agitado e sangrento já é algo a se esperar. Então, pra quem já está acostumado a esse tipo de filme e estrutura, pode ficar um tanto previsível. E, assim, é sair do cinema com aquela sensação de ter visto um filme para ser esquecido e que, ainda por cima, não teve a habilidade de construir uma atmosfera de horror suficientemente forte ou interessante.

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