sexta-feira, janeiro 17, 2014

DE REPENTE PAI (Delivery Man)



Os olheiros de Hollywood continuam fazendo seu inteligente trabalho de pescar bons ou potenciais filmes estrangeiros para que se transformem em eficientes remakes. E muitas vezes usando o mesmo diretor. É o caso de Ken Scott, que dirigiu no Canadá MEUS 533 FILHOS (2011), um filme que não teve tanta repercussão no Brasil, mas a ideia em si era muito boa para que não fosse aproveitada num "filme-família" americano.

Assim nasceu DE REPENTE PAI (2013), com o mesmo diretor do original, obviamente com a mesma premissa e, felizmente, com um bom e leve timing cômico, aproveitando o talento de Vince Vaughn. Produzido pela Dreamworks e distribuído pela Disney, é um filme leve que inclusive evita termos chulos relacionados à masturbação, assunto que não dá para fugir totalmente, já que é a razão de ser de o protagonista ter 533 filhos biológicos, sendo que 142 deles, já com seus 20 anos de idade, entraram na justiça a fim de descobrir a identidade do pai, protegida por cláusulas de anonimato.

Recentemente um filme bem mais interessante tratou de tema similar (o da necessidade que os jovens sentem de saber quem é o pai biológico, o doador do esperma): MINHAS MÃES E MEU PAI, de Lisa Cholodenko. Mas a situação aqui é diferente. Como o protagonista, David, recebe uma ficha com os 142 filhos biológicos, ele resolve conhecer alguns deles, e de certa forma os ajuda, como se fosse um anjo da guarda. E o grande barato do filme é que ficamos felizes sempre que ele consegue ser útil àqueles jovens. Em especial a garota com problemas com drogas e o rapaz que tenta a carreira de ator.

Isso porque David é um sujeito conhecido por ser incompetente. Não consegue fazer o seu trabalho direito e só não é demitido porque trabalha com os irmãos num açougue do pai. Além do mais, a namorada, vivida pela belíssima Cobie Smulders (a Maria Hill de OS VINGADORES), cobra dele uma posição mais responsável, madura e presente. Ainda mais quando ela descobre que está grávida.

DE REPENTE PAI é um desses filmes que têm a intenção de fazer com que o espectador saia do cinema feliz. É uma celebração do ato de ser pai, por mais que não seja uma tarefa fácil, como bem demonstra o amigo e advogado de defesa de David, Brett (Chris Pratt), que cuida sozinho de quatro crianças.

Em DE REPENTE PAI, os filhos são vistos como uma extensão da vida do pai e sempre motivo de alegria. Ken Scott até poderia ter feito um filme lacrimoso, especialmente quando mostra um dos filhos de David, que nasceu deficiente, mas há, claramente, a intenção de alegrar. Não dá para dizer que ele não consegue. 

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