domingo, outubro 06, 2013

O AMANTE DA RAINHA (En Kongelig Affære)



Antes de mais nada, não custa destacar a exuberância visual de O AMANTE DA RAINHA (2012) como um atrativo para que este filme seja visto no cinema, não importando o fato de ele ter chegado em nossas telas com certo atraso – trata-se de um candidato ao Oscar de filme estrangeiro, lançado em circuito nacional em fevereiro. As primeiras imagens, suntuosas, já conquistam o espectador. A narrativa fluida e agradável também é um elemento que cativa a audiência.

O início do filme lembra MARIA ANTONIETA, de Sofia Coppola, ao mostrar uma nobre estrangeira, no caso, Caroline Mathilde, da Grã-Bretanha, chegando a um país estranho para casar com um rei desconhecido e louco, Christian VII, rei da Dinamarca em 1766, intepretado por Mikkel Boe Følsgaard, vencedor do prêmio de melhor ator em Berlim-2012.

Ainda assim, por mais que a beleza de Alicia Vikander, que interpreta Caroline, seja um dos destaques, não há como não notar o carisma de Mads Mikkelsen, hoje não mais um ator apenas de filmes escandinavos, mas um ator internacional. Ele é o personagem-título, um médico de província que consegue chegar ao posto de médico oficial do rei, e que, numa consulta à rainha, acaba por se envolver afetivamente com ela. Inicialmente porque ela se interessa pela biblioteca do médico, que traz alguns livros de filósofos iluministas, livros que eram proibidos na Dinamarca, um país resistente a um período em que várias monarquias absolutistas se dissolviam na Europa.

O AMANTE DA RAINHA é, portanto, uma bela chance de sabermos um pouco mais sobre um país cuja História é pouco contada em filmes lançados no Brasil. Claro que o diretor Nikolaj Arcel (um dos roteiristas da versão escandinava de OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES, 2009) tomou suas liberdades, e uma ficção, ainda que baseada em fatos reais, nunca deixará de ser uma ficção. Mas trata-se de uma porta aberta para que o espectador conheça parte importante da História daquele país. Caso queira saber mais, fontes não faltam.

O AMANTE DA RAINHA, embora enfatize principalmente o romance proibido entre Struensee (Mikkelsen) e Caroline, também destaca o aspecto político e social, tão fundamental para aquele momento. Afinal, Struensee e Caroline foram essenciais para a construção de uma nova Dinamarca, um país mais justo, muito embora isso tenha lhes custado muito caro.

Quanto à estrutura narrativa, O AMANTE DA RAINHA não se distingue tanto do cinemão hollywoodiano em sua estrutura clássica e romanesca. Mas isso em nada diminui o valor do filme, que empolga por diversos motivos, sejam relacionados à narrativa, sejam técnicos, com direção de arte, fotografia e figurinos de encher os olhos. Talvez o que falte um pouco seja um maior sentimento de catarse em seus momentos finais, algo que torne aquela conclusão de fato impactante para o espectador. O diretor, no entanto, preferiu um registro um pouco mais distante, embora não seja isento de carinho e empatia por seus personagens. Quem puder ver o filme no cinema, que é o lugar mais adequado para apreciá-lo, aproveite a oportunidade.

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