terça-feira, outubro 01, 2013

FAMÍLIA DO BAGULHO (We're the Millers)



Comédia é o mais difícil dos gêneros e provavelmente um dos mais injustiçados no que se refere a prestígio. São poucas as comédias que ganham prestígio de crítica ou se tornam cultuadas. A não ser que tenha algo de diferente, que a torne próxima do cinema de vanguarda ou de um grande clássico. Porém, na maior parte das vezes, com tantas comédias que não surtem o efeito desejado nas telas, quando surge uma que diverte e faz a gente sair do cinema com um sorriso no rosto, já está ótimo.

Esse é o caso de FAMÍLIA DO BAGULHO (2013), terceiro longa-metragem do pouco conhecido diretor Rawson Marshall Thurber. Seu primeiro longa, inclusive, foi uma comédia. E com figuras tarimbadas do humor contemporâneo, como Ben Stiller e Vince Vaughn. Chamou-se aqui no Brasil COM A BOLA TODA (2004). Desta vez, ele também está bem armado de bons nomes da comédia: Jennifer Aniston, que desde que saiu da série FRIENDS tem se dedicado ao gênero, e Jason Sudeikis, de PASSE LIVRE e QUERO MATAR MEU CHEFE, ambas comédias bem divertidas. Ainda falta um pouco para ele se tornar um grande astro, mas, com FAMÍLIA DO BAGULHO, ele já está quase lá.

Na trama, Sudeikis é um solteirão que ainda trabalha vendendo baseados. A cena do protagonista encontrando um amigo da época da faculdade ajuda a enfatizar a sua condição. Os demais personagens também são devidamente apresentados: Jennifer Aniston é a stripper que mora no mesmo prédio que o protagonista e está passando por um sufoco financeiro feio; Will Poulter é o jovem rapaz que foi abandonado pela família e passa longe da figura de um malandro; e, finalmente, Emma Roberts é a rebelde sem causa que prefere viver nas ruas a ter que voltar para a casa dos pais. Os quatro formariam a família perfeita para um transporte de maconha do México para os Estados Unidos que o personagem de Sudeikis precisa fazer.

Há uma boa química entre a família falsa, que funciona bem a partir do momento em que os quatro estão juntos. No começo, a junção do grupo até parece um tanto forçada, mas depois fica tudo bem e uma série de cenas antológicas viria. Caso da cena da aranha, a da aula de beijo, a da cabana, a do policial corrupto mexicano, a do bebê-maconha. E o curioso é notar que em quase todas elas está presente o jovem Will Poulter, que com sua cara de boboca interpreta muito bem o virgem que se sente feliz em estar dentro daquela família degenerada.

Desta forma, FAMÍLIA DO BAGULHO é também um filme cujo final até já prevemos. Mas até chegar lá tem muito chão pela frente e a própria ideia do road movie carrega em si a alegoria da mudança espiritual de cada um ao chegar ao final do percurso. Mas tudo muito leve e despretensioso, claro. No mais, a última das cenas-surpresa pós-créditos é a cereja do bolo.

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