quarta-feira, outubro 09, 2013

MUITO BARULHO POR NADA (Much Ado about Nothing)



Começo a suspeitar de que não gosto dos trabalhos de Joss Whedon. Senão vejamos: comecei a ver FIREFLY (2002-2003) e não consegui ir até o fim, de tão chata que achei; não gostei de OS VINGADORES – THE AVENGERS (2012); não gostei do piloto de AGENTS OF S.H.I.E.L.D. (2013), embora tenham dito que o segundo episódio foi melhor. E, finalmente, não embarquei na brincadeira despretensiosa (ou quase) de filmar Shakespeare na própria casa, com os amigos e sem usar figurino de época que é MUITO BARULHO POR NADA (2012).

Em conversa com amigos ontem, soube que fãs de BUFFY (1996-2003) e ANGEL (1999-2004) tendem a gostar, talvez pela familiaridade com o elenco e com o estilo do diretor. Para não dizer que não gostei de nada dele, adoro o trabalho que ele fez na série Surpreendentes X-Men, especialmente o primeiro volume, lançado pela Panini há algum tempo. Mas aí já estamos falando de quadrinhos.

Voltando a MUITO BARULHO POR NADA, não é que o filme seja ruim. Na verdade, é que leva algum tempo para superarmos a estranheza do texto de Shakespeare naquele universo e são muitos personagens envoltos na trama de amor e intriga. Só aos poucos é que vamos sabendo quem são os protagonistas, qual a importância de cada um. E até dá para simpatizar com o verdadeiro casal de protagonistas, aqueles que só se juntam por causa dos amigos cupidos, os personagens Beatrice (Amy Acker) e Benedick (Alexis Denisof).

A opção pela fotografia em preto e branco parece uma chamada para o mundo indie, para a exibição em cinemas alternativos. Em certos momentos, passa a impressão de que falta ao filme respiro, com diálogos tão rápidos. Tanto é que, em certo momento, quando o filme deixa um pouco de lado o texto do bardo e mostra imagens de uma festa, dá até um certo alívio, dá pra relaxar um pouco o cérebro.

Quando o filme termina, por mais que seja bem desenvolvido o desfecho, tanto pelo texto original quanto pelos atores, resta apenas a impressão de ter visto uma obra um tanto descartável, que se utiliza do prestígio de Shakespeare e de uma fotografia mais usada em filmes "de arte" para disfarçar sua falta de força e graça.

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