segunda-feira, janeiro 09, 2006

RAOUL WALSH EM DOIS FILMES



Meu entusiasmo e interesse maior pelos filmes de Raoul Walsh começou há pouco tempo, depois de eu ter visto dus obras-primas dirigidas por ele e estreladas pelo grande James Cagney - HERÓIS ESQUECIDOS (1939) e FÚRIA SANGUINÁRIA (1949). Em dezembro último peguei pra ver mais dois filmes de Walsh: um belo exemplar do filme de gângster e um western de cavalaria, ambos lançados em 1941. Aliás, Walsh era tão invocado que no ano de 1941 foram lançados quatro filmes dele nos cinemas! Abaixo, comentários breves sobre dois belos títulos do "cineasta aventureiro".

O ÚLTIMO REFÚGIO / SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra)

Se na década de 30, Humphrey Bogart ainda não havia alcançado o estrelato, ainda que tenha brilhado como vilão de vários títulos da Warner, nos anos 40 ele finalmente teve a sua vez. Se bem que em O ÚLTIMO REFÚGIO, apesar de ele ser o protagonista, o primeiro nome que aparece nos créditos é o de Ida Lupino, uma estrela na época. Sua personagem é a de uma típica mulher walshiana: sem frescuras e com uma certa vulgaridade. Como em HERÓIS ESQUECIDOS, o herói do filme se apaixona por uma garota que é um exemplo de pureza, pertencente a um outro mundo, alheio ao seu, longe da sujeira do mundo do crime. Bogart, assim como Cagney, quebra a cara com a escolha. No filme, Bogart é recém saído da prisão e já parte para um novo trabalho. Que para ele é encarado como uma profissão, não como uma atividade criminosa. Ele é bom no que faz. Como acontece em grande parte dos filmes do gênero, a história termina em tragédia. O DVD da Warner vem com um mini-documentário bem legal sobre as filmagens.

O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER (They Died with Their Boots On)

Errol Flynn e Olivia de Havilland foram um dos casais mais constantes de Hollywood. O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER foi a oitava e última de suas parcerias. Antes desse filme, os dois estiveram juntos em: CAPITÃO BLOOD (1935), A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA (1936), AS AVENTURAS DE ROBIN WOOD (1938), AMANDO SEM SABER (1938), UMA CIDADE QUE SURGE (1939), MEU REINO POR UM AMOR (1939) e SANTA FE (1940). A maioria deles, aventuras dirigidas por Michael Curtiz. Por isso a cena que mostra o General Custer (Flynn) se despedindo de sua esposa é tão marcante. Tem esse peso a mais o fato de representar a despedida dos dois das telas. Eu que só fui saber disso vendo o documentário do DVD, acabei chorando assim mesmo com a cena. O General Custer de Walsh não é o mesmo mostrado em O PEQUENO GRANDE HOMEM. Não é um malvado matador de índios, mas um homem corajoso e honrado, que via o fato de morrer em batalha uma glória. Aliás, esse negócio de receber glória ao morrer em batalha era bem do espírito da época. Como era 1941 e a Segunda Guerra Mundial rolava na Europa, havia uma tendência a louvar a coragem dos soldados. Para isso, o uso de uma música que despertasse o ânimo para a batalha também é importante. A trilha sonora de Max Steiner desempenha muito bem esse papel. Quanto às cenas de batalha, achei um pouco fracas as que se passam durante a Guerra Civil. Só vemos os soldados cavalgando e umas explosões de lado. Porém, a cena da luta contra os índios é impressionante. A primeira metade do filme é cômica, mostrando o treinamento de Custer e o início do namoro com a filha de um dos oficiais (Olivia); a segunda se aproxima de uma tragédia. Interessante notar a participação de Anthony Quinn no papel de um índio. No DVD, além do mini-documentário, temos os curtas:

SOLDIERS IN WHITE (21 min). Claramente um filme feito para inflar o espírito patriótico diante da guerra.

A TALE OF TWO KITTIES (6 min). Traz o precursor do Piu-piu. Engraçado que até no desenho há momentos inspirados na guerra.

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