domingo, janeiro 15, 2006

ESCURIDÃO (The Dark)



Todo mundo está descendo a lenha neste ESCURIDÃO (2005), de John Fawcett. Então, não pretendo me juntar ao coro dos insatisfeitos. Não teria graça. O filme pode até ser mesmo ruim, mas eu vou tentar falar um pouco de seus méritos. Embora seja quase impossível evitar de falar de seus vários defeitos.

Na verdade, logo que eu vi o trailer, eu sabia que se tratava de uma picaretagem das grandes. Notei que a cena em que uma pessoa se joga de um precipício é idêntica a uma cena de O CHAMADO. Não contente em copiar essa cena, Fawcett ainda copia um pouco da trama de O CHAMADO 2.

Antes de continuar a falar sobre ESCURIDÃO, vamos dar uma checada no diretor. Quem é John Fawcett? Esse diretor canadense tem um filme de terror muito bom no currículo: POSSUÍDA (2000), título subestimado pela platéia em geral, mas descoberto pelos fãs de cinema de horror nas locadoras. Trata-se de um dos melhores filmes de lobisomem já feitos. Teve duas continuações não dirigidas por Fawcett, que eu não cheguei a ver. O restante do currículo do diretor foi dedicado principalmente a séries de televisão. Fawcett pode não ser um mestre do gênero, mas tem experiência na direção e um ótimo filme do gênero em sua filmografia.

Voltando a ESCURIDÃO, com meia hora de filme, eu confesso que já queria que ele terminasse. Já estava pensando no que eu iria comer quando saísse do cinema, entre outras coisas que aparecem na cabeça da gente quando o filme não nos fisga. Na trama, mulher (Maria Bello) vai visitar o ex-marido (Sean Bean) em companhia da filha, numa região meio desolada do País de Gales. Ao chegar lá, ela já começa a perceber que o lugar é bem sinistro e a partir de um pesadelo teme pela morte da filha. Não deu outra, mal ela tira os olhos da menina, ela desaparece. Seu corpo não é encontrado.

Maria Bello se esforça bastante para dar credibilidade ao filme, no papel da mãe desesperada para encontrar a filha. A coisa começar a ganhar forma quando ela encontra uma menina misteriosa parecida com sua filha. Fazendo algumas pesquisas (bem típicas desse tipo de filme), ela descobre que essa menina havia morrido há mais de cinqüenta anos. E a tal menina diz que sabe onde está sua filha.

No meio de um monte de sustos fáceis e irritantes e uns flashbacks mais irritantes ainda, quem não desistiu do filme ainda pode perceber que ele melhora a partir de seu terço final. O final, aliás, é assustador, especialmente se tivermos a sensibilidade de nos colocarmos no lugar da protagonista. A cena em que Maria Bello vai parar no mundo dos mortos é um dos destaques. A fotografia fica mais escura e embaçada, criando uma atmosfera toda especial.

ESCURIDÃO é o tipo de filme que, se o diretor tivesse um maior cuidado, se tivesse evitado os tais sustos fáceis e as cópias de cenas de outros filmes recentes, poderia ter um resultado bem mais satisfatório e não seria motivo de chacota para a maioria dos críticos.

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