domingo, fevereiro 16, 2014

PHILOMENA



Dentre os indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar, PHILOMENA (2013) era, talvez, o menos esperado. Novo trabalho de Stephen Frears, o filme representa uma volta a uma visibilidade maior do cineasta inglês, depois de alguns trabalhos pouco inspirados após o ótimo A RAINHA (2006). Se bem que CHÉRI (2009) é um belo e amargo filme. Pena ter sido tão pouco visto e comentado. PHILOMENA ainda estabelece um link com um dos primeiros trabalhos de maior repercussão de Frears, MINHA ADORÁVEL LAVANDERIA (1985), que aborda a questão da homossexualidade.

Em PHILOMENA, essa questão não é aprofundada, mas é elemento essencial. O que mais importa, no entanto, é a jornada desta senhora irlandesa, Philomena (Judi Dench) que quando jovem teve o filho tomado de si por freiras sádicas e desumanas, na época em que era tida como uma espécie de prisioneira em um convento. Ela havia engravidado depois de uma aventura amorosa e só tinha permissão de ver o filho uma hora durante o dia. Ainda criança, o menino foi levado por uma família, assim como outros filhos frutos do "pecado" de outras jovens do convento.

A história de Philomena cruza com a do jornalista Martin Sixsmith (Steve Coogan), que foi recentemente demitido de um jornal de prestígio e se encontra desempregado. Sua ideia é escrever um livro sobre a História da Rússia, mas lhe surgiu esta história investigativa sobre uma mulher que deseja encontrar o filho. Depois de hesitar e subestimar o valor daquela história, ele aceita ajudar e também lucrar com isso.

Ao contrário de Philomena, que é uma senhora que ainda respeita e crê em Deus e no Catolicismo, Martin é um homem cético e que não consegue entender como Philomena ainda respeita uma instituição que lhe tomou a criança, sem falar em todo o histórico de sangue nas mãos. Mas é esse tipo de diferença entre os dois que cria um interessante relacionamento durante a jornada.

Talvez falte ao filme de Frears mais momentos realmente emocionantes, mas é um trabalho muito agradável de ver e os dois protagonistas estão muito bem, representam de fato os personagens, numa história inspirada em fatos reais. A descoberta, por parte de Martin, do paradeiro e de quem se tornou o filho de Philomena é talvez o momento de maior emoção do filme, mas o confronto com as velhas freiras do convento fecham com chave de ouro este bom trabalho.

PHILOMENA foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, atriz (Judi Dench), roteiro adaptado e trilha sonora original.

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