sexta-feira, agosto 02, 2013

O CAVALEIRO SOLITÁRIO (The Lone Ranger)



Aqueles que não curtem as aventuras inchadas e maçantes da franquia PIRATAS DO CARIBE (como eu) provavelmente festejaram o fracasso comercial de O CAVALEIRO SOLITÁRIO (2013), nova parceria do ator Johnny Depp com o diretor Gore Verbinski e o produtor Jerry Bruckheimer. Afinal, são 250 milhões investidos em um filme bobo, ainda que traga algumas ousadias no roteiro.

São elas: colocar o índio Tonto (Depp) na mesma posição de importância do protagonista, vivido pelo apagado Armie Hammer. Isso pode ser visto como uma inversão do que Hollywood costumava fazer nos antigos westerns, relegando o índio em posição inferior ou como um vilão cruel e selvagem. Os índios do filme são conscientes do fim iminente de sua raça e são mostrados como seres sábios. Há também inversão no modo como a cavalaria é mostrada, representada por homens corruptos e inescrupulosos. Há também críticas ao governo, desacreditando totalmente os responsáveis pela ordem e entregando o papel de ordenador a um homem mascarado.

Porém, por mais que isso possa contar pontos a favor do filme, não é suficiente para justificar sua própria existência, principalmente levando em consideração a sua longa duração (149 minutos). Talvez se tivesse uma hora a menos, descesse melhor. Do jeito que está, é uma obra insuportavelmente chata. Desses filmes que se assiste ora olhando para o relógio, ora cochilando, principalmente nas cenas de ação, que supostamente seriam as mais animadoras.

Johnny Depp continua reprisando seus personagens parecidos. Tonto nada mais é do que uma variação do pirata Jack Sparrow, com a maquiagem no rosto e um corvo morto na cabeça para diferenciar. Além do mais, a ligação de Depp com Helena Bonham Carter só contribui para a sensação de déjà vu, já que os dois costumam aparecer bastante nos filmes de Tim Burton. Diria que se a personagem fosse interpretada por outra atriz, seria uma das mais interessantes do filme: uma dona de uma casa de prostituição que usa uma perna de pau com armas de fogo embutidas.

Outra coisa: essa intenção de Verbinski e Bruckheimer de revitalizar ou trazer de volta o gênero western para o grande público não cola, assim como a franquia PIRATAS DO CARIBE também não trouxe de volta os filmes de aventuras nos mares. O filme, apesar de se passar no velho oeste e ter alguns dos clichês do gênero americano por excelência, não tem a beleza ao mesmo tempo grandiosa e simples dos grandes westerns. Que entreguem a tarefa a quem entende: gente como Clint Eastwood ou Kevin Costner, estes sim representantes de alguns dos poucos e ótimos westerns realizados nas últimas décadas.

O CAVALEIRO SOLITÁRIO é, portanto, só mais uma produção barulhenta que Hollywood teima em despejar, mas que depois de quebrar a cara, precisar pensar duas vezes antes de investir tão alto.

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