quinta-feira, agosto 22, 2013

GODZILLA, O MONSTRO DO MAR (Gojira)



Depois de me decepcionar um pouco (ou bastante, na verdade) com CÍRCULO DE FOGO, do Del Toro, bateu aquela vontade de finalmente conferir um dos filmes mais importantes do gênero kaiju, ou seja, os filmes de monstros gigantescos que se tornaram tão populares no Japão a partir da década de 1950, quando os japoneses ainda estavam curando as feridas das bombas atômicas despejadas cruelmente sobre duas cidades em 1945. Quando do lançamento de GODZILLA, O MONSTRO DO MAR (1954), de Ishirô Honda, esse sentimento de medo e trauma da radioatividade ainda estava os assombrando.

Se até os americanos andavam paranoicos com a bomba (por causa da Guerra Fria), espelhados em seus filmes de ficção científica e horror, é muito mais fácil imaginar o que esse período representou para o povo japonês. Assim nasceu este filme que se destaca não apenas por apresentar um monstro icônico, pré-histórico e que chega à superfície por causa da radioatividade, mas também porque é um filme que destaca o drama do povo, seu desespero diante de tanta destruição e morte.

Há quatro figuras de destaque entre os personagens: o velho zoólogo, que não quer que matem o Godzilla, mas que o capturem para fins de estudo; o cientista com tapa-olho, que descobre uma forma de destruir os átomos de oxigênio e, consequentemente, trazer uma única arma possível para deter, isto é, matar a criatura; e o casal de namorados, um militar e a filha do zoólogo.

Mas o filme dá espaço também para outros personagens anônimos, que ganham voz e dramaticidade, como na cena da mãe com os filhos na rua, dizendo para os pequenos que em breve eles se juntarão ao pai, enquanto o monstro passeia pelas ruas, deixando um rastro de destruição.

Vale destacar também os efeitos especiais, que hoje estão naturalmente um tanto datados, mas que, devido ao potencial dramático do filme, acabam se tornando tão eficientes quanto o atual CGI. Assim, é possível perceber as maquetes de casas, trens e helicópteros , as cenas em que Godzilla é um homem vestido com uma roupa de borracha, as back projections, tão necessárias para criar as cenas envolvendo os homens e o monstro. E há até mesmo utilização de imagem de arquivo da marinha japonesa, na cena em que os militares lançam mísseis no mar, na tentativa de matar o monstro.

No fim das contas, GODZILLA, O MONSTRO DO MAR é um filme poderoso, que sobreviveu ao tempo e que hoje em dia tem um charme ainda maior – na época deve ter causado muito alvoroço. E há o tradicional sacrifício do herói no final, um tanto já esperado lá pela metade do filme. Ao final, o gosto de vitória é amargo, com o velho zoólogo prevendo que outros godzillas poderão surgir, que o pesadelo ainda não acabou. E que tudo isso é culpa do homem.

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