quarta-feira, agosto 28, 2013

A VISITANTE FRANCESA (Da-reun na-ra-e-seo)



Uma das graças de A VISITANTE FRANCESA (2012), de Hong Sang-soo, está justamente em algo que também pode ser o seu calcanhar de Aquiles: a repetição, que é um elemento que contribui para acentuar o senso de humor do filme, mas que pode cansar um pouco a audiência.

O filme se estrutura em três histórias imaginadas por uma jovem roteirista de cinema, todas protagonizadas por uma francesa passando uns dias em uma pequena cidade do litoral sul-coreano. A personagem se chama Anne e é vivida nas três histórias pela sempre bela e elegante Isabelle Huppert. Aliás, tantas vezes dizem que ela é linda no filme, que isso acaba sendo um fato e não um mero "achismo".

Um dos aspectos mais interessantes em cineastas que utilizam bastante a câmera parada e investem mais na mise-en-scène é que, quando há um simples movimento, ele é percebido como forte, poderoso até. Por isso os zooms de A VISITANTE FRANCESA são tão desconcertantes. Às vezes fica no ar a pergunta: por que este zoom neste momento?

O ideal seria ver o filme já tendo um pouco de intimidade com a poética de Sang-soo, que já tem mais de uma dúzia de trabalhos no cinema, mas, quando isso ainda não é possível, podemos analisar a obra por ela mesma. Assim, o que percebemos neste filme "três em um" é o quanto os personagens masculinos são ridículos em suas abordagens frente às mulheres. No caso, frente a Anne, a personagem tríplice de Huppert, que passa, ao longo do filme, de diretora de cinema e mulher independente para esposa adúltera e, em seguida, para mulher traída e com sentimento de abandono.

Um aspecto curioso de A VISITANTE FRANCESA é a dificuldade de comunicação. Como o inglês é a língua estrangeira falada pela protagonista com os demais, há, com frequência, ruídos de comunicação e uma preferência óbvia por uma vocabulário bem básico. Principalmente nas cenas envolvendo o divertido salva-vidas. Aliás, tem como não ficar encantado com a cena da canção que ele faz pra ela na barraca?

Um modo de encarar essas diversas histórias é imaginá-las como pequenas variações e repetições de um universo paralelo (adoro a moça da pousada, que sempre empresta a Anne um guarda-chuva). No caso, um universo criado por um deus representado por uma jovem roteirista. Que, não por acaso, é abandonada ao final do filme. Uma espécie de narradora marginal. Isto é, coerente com personagens que se sentem estrangeiros em seu próprio país.

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