terça-feira, julho 30, 2013

LUZES DA CIDADE (City Lights)



Confesso que fiquei um tanto decepcionado com a revisão de LUZES DA CIDADE (1931). Pelo menos em comparação com as revisões de O GAROTO (1921) e O CIRCO (1928), que eu considero perfeitos, engraçados e extremamente comoventes. Os três filmes havia visto pela primeira vez em meados dos anos 1990, quando a Rede Globo exibiu um Festival Charles Chaplin, em que foram exibidos todos os seus longas-metragens.

Por mais que tenha achado o filme menos engraçado e menos comovente do que os dois citados acima, há, sem dúvida, momentos inesquecíveis de tão engraçados, como a cena da luta de boxe, perfeita, a cena do macarrão na festa e aquela em que o vagabundo engole um apito.

Aliás, genial essa transição do cinema mudo para o sonoro, sem abrir mão da pantomima. Ao mesmo tempo em que faz troça do cinema falado com a cena da inauguração da estátua, que por sua vez também é uma sutil crítica social ao sistema capitalista, ele abraça os novos recursos sonoros em alguns momentos, sem falar na música que ele mesmo compôs para o filme, dotada de muita beleza.

Talvez o que eu tenha desgostado seja o fato de o filme não parecer tão coeso quanto os antecessores. Embora a principal história seja a de Carlitos e a florista cega, as demais subtramas, como a do milionário bêbado que ele salva e que só é seu amigo enquanto está bêbado, acabam parecendo gags enxertadas. E acaba sendo tão importante quanto a trama principal. A busca de dinheiro para conseguir a operação para recuperar a visão da florista também rende a famosa cena da luta de boxe e fecha com aquele final lindo, com o close no rosto de Carlitos, que passa tantas emoções que fica difícil até enumerá-las.

Pena que a década de 1930 tenha sido bem escassa de trabalhos dele: apenas LUZES DA CIDADE e TEMPOS MODERNOS (1936), este último, a sua despedida do vagabundo e do cinema silencioso. Revi LUZES DA CIDADE pelo DVD da Coleção Folha, que contém textos muito bons de Cássio Starling Carlos e Pedro Maciel Guimarães, além do poema de Carlos Drummond de Andrade "Canto ao Homem do Povo Charles Chaplin".

Gostaria de ter comprado também o LUZES DA RIBALTA (1952), que foi o filme dele que mais me fez chorar, quando o vi (pela única vez) na televisão. Tenho até medo de revê-lo e perder a aura de amor que tenho por esse filme da fase crepuscular de Chaplin. Mas chegará a sua vez um dia.

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