segunda-feira, julho 01, 2013

GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths of Glory)



Com um empurrãozinho da Liga dos Blogues Cinematográficos (fui convidado a fazer um pequeno texto sobre GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957) para o Ranking Mondo Kubrick), senti-me na obrigação de rever esta obra-prima maravilhosa que ainda continua abalando nossos corações do início ao fim, seja pela direção absurdamente espetacular de Stanley Kubrick, seja pelo apelo contestatório à guerra, ao mostrar o quanto o ser humano pode ser desumano. Aliás, vai ver ser desumano é uma "qualidade" do ser humano.

O absurdo da guerra é elemento de contestação por parte de Kubrick em pelo menos mais dois filmes: DR. FANTÁSTICO (1964) e NASCIDO PARA MATAR (1987). Mas ainda prefiro GLÓRIA FEITA DE SANGUE e as cenas intoxicantes nas trincheiras e as missões suicidas a que são submetidos os soldados, pelos generais, que agem como se estivessem exercitando um jogo de xadrez ou algo parecido.

Na trama, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial, os franceses estão em situação de resistência perante os alemães, mas não conseguem avançar muito mais diante do inimigo. Sob ordens de dois generais, o Coronel Dax, vivido por Kirk Douglas, efetua uma tentativa de se aproximar dos alemães com seus homens. A câmera de Kubrick, que já havia passeado em travelling lindo por entre as trincheiras de uma divisão, agora nos leva ao olho do furacão, em uma missão tão suicida quanto a do Dia "D" mostrada por Spielberg no início de O RESGATE DO SOLDADO RYAN. O Coronel Dax consegue sair vivo daquele inferno na terra, mas o recuo custaria a vida de alguns dos soldados sobreviventes, que iriam à corte marcial sob acusação de covardia.

A cena no tribunal é outro grande momento do filme, assim como os momentos pós-tribunal e a execução de doer o coração e de indignar o nosso espírito. E o que dizer da sequência final, na taverna, com os soldados ouvindo e se emocionando com uma jovem alemã que canta para eles e lhes dá algo que precisam para lembrarem que ainda existe beleza neste mundo, por mais cruel que ele seja?

Rever GLÓRIA FEITA DE SANGUE, agora em cópia ripada de um blu-ray, foi uma maravilha, já que agora a bela fotografia em preto e branco, que impressiona com sua beleza do início ao fim, só tem a ganhar com essa restauração e transferência para a alta definição. Obras-primas como esta merecem esse tipo de tratamento.

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