quinta-feira, julho 11, 2013

MARCELO CAMELO – MORMAÇO



O DVD MARCELO CAMELO – MORMAÇO (2013) é constituído de duas partes: uma é o show acústico de Marcelo Camelo, AO VIVO NO THEATRO SÃO PEDRO, que rendeu também um CD, com menos faixas do que as presentes no DVD; e a outra parte é o documentário em curta-metragem DAMA DA NOITE, de Jack Coleman. Este documentário é bem descartável. É constituído basicamente de imagens caseiras com alguns efeitos meio bestas para passar uma impressão "artística". Ora tenta emular um filme velho e arranhado, ora mostra imagens borradas. Não sei quem é esse Jack Coleman, mas eu nem quero saber o que esse sujeito faz da vida.

Quanto ao show, no começo confesso que não estava gostando muito do registro só em voz e violão do Camelo, mas aos poucos fui gostando. Principalmente a partir da segunda metade. Como já vi show dele com a banda Hurtmold e pude presenciar uma maravilha no tratamento de som, uma busca por algo mais rústico (ainda que cuidadosamente límpido) diminui um pouco o impacto de algumas canções que dependem bastante da banda e dos metais. Mas, das vezes que participa da apresentação com rabeca e batedeira, Thomas Rohrer manda muito bem. Tanto é que, na canção que finaliza o show, "Além do que se vê", fase Los Hermanos, ele substitui os metais de maneira linda. De arrepiar mesmo.

Mas, antes de chegar a este momento lindo da apresentação, podemos lembrar de outros destaques. Um deles é "Porta de cinema", bela canção composta pelo avô de Camelo, Luiz de Souza. A utilização do termo "morena" dedicado à suposta amada da canção pode ter sido uma influência para Camelo e combina muito bem com sua poética. As outras faixas inéditas, compostas por Camelo, são "Luzes da cidade" (muito boa) e "Dois em um" (preciso ouvir novamente para checar).O DVD também dá a chance de se ter um registro "oficial" do Camelo cantando "Cara valente", até então só existente na voz de Maria Rita.

Uma coisa que poderia ter ficado ainda melhor é o momento em que ele chama sua mulher para cantar com ele "Sambinha bom", a bela canção que Mallu Magalhães fez para o seu terceiro álbum. Faltou técnica e sobrou improviso e timidez por parte de Mallu. Acho que ele ajudou um pouco a estragar a canção, mal deixando a moça ficar à vontade com o microfone. Mesmo assim, dá pra dizer que foi um dos momentos mais bonitos do show.

Aliás, a presença de Mallu na vida de Camelo mudou demais tanto o seu estilo quanto o estilo dela. Diria que ela saiu ganhando na assimilação, enquanto ele, ao adotar um estilo de letra mais "espontânea", acabou fazendo umas canções com letra ruim, coisa que não ocorria na época da banda. Ainda assim, algumas faixas da fase solo são lindas, como "Vermelho", que ele deixa pra perto do final, de modo a criar uma boa impressão do show. E funciona. Ela, por outro lado, ao adotar canções mais dolorosas, pessoais e em português, acabou por superá-lo em qualidade de música e letra. Na fase solo, claro.

Dessa leva de canções com letras pouco interessantes, a música pode se sobressair muito bem, como no caso de “Saudades”, que funciona lindamente no formato acústico. No mais, ver a participação do público junto é também prazeroso, principalmente quando essa participação é mais intensa, o que ocorre principalmente nas canções do Los Hermanos. É, certamente, um registro que tende a melhorar com mais audições. Que as férias de Camelo sejam inspiradoras e que o disco solo de Rodrigo Amarante, tantas vezes adiado, saia logo. Por enquanto é o que temos do que sobrou da banda brasileira mais cultuada dos anos 2000.

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