quinta-feira, julho 04, 2013

GUERRA MUNDIAL Z (World War Z)



Eu diria que os bastidores das filmagens de GUERRA MUNDIAL Z (2013) daria um filme muito melhor do que essa produção com roteiro fraco, zumbis que parecem saídos de um videogame, uma falta de gore que beira ao bunda-molismo e que, no entanto, é o mais caro filme de zumbis já feito. Não que os bastidores sejam lá o de um APOCALYPSE NOW, mas teve muita briga, muita gente caindo fora, muita tensão no ar. Aliás, ler depois sobre a produção ajuda a entender, por exemplo, porque as imagens de uma hora pra outra passam de boa para ruim: uma boa resposta seria a substituição do excelente diretor de fotografia Robert Richardson, notável parceiro de Martin Scorsese e Quentin Tarantino, por um menos célebre, Ben Seresin, que adota seu "gosto" por tomadas escuras, como em LINHA DE AÇÃO.

O que eu achei mais curioso foi o fato de Brad Pitt não falar mais com o diretor Marc Forster durante as filmagens, por culpá-lo pelo desastre que estava sendo a produção. Que, no fim, até que não foi tão ruim assim para os dois, já que GUERRA MUNDIAL Z não foi tão malhado assim e rendeu uma ótima abertura nos Estados Unidos. De qualquer maneira, não deixa de ser uma pena Forster, que começou a carreira com umas produções bem interessantes, como GRITOS NA NOITE (2000) e A ÚLTIMA CEIA (2001), ter se tornando mais um diretor sem personalidade, como a maioria dos que trabalham em Hollywood, na verdade.

Quanto a GUERRA MUNDIAL Z, o filme é claramente uma produção oportunista, usando a popularização dos zumbis para capitalizar. E isso não chega a ser exatamente um demérito. Afinal, quantos filmes legais de zumbis não foram produzidos na Itália, depois do sucesso de DESPERTAR DOS MORTOS, de George A. Romero? O que acontece aqui é que já estamos muito acostumados a tripas e sangue em filmes de zumbis para ver um filminho tão covarde em mostrar qualquer cena de violência ou gore. Tudo para que a classificação indicativa seja baixa o suficiente para render mais e seja um programa para toda a família.

O que indica que cada vez mais o cinemão hollywoodiano vai seguindo um padrão de bom mocismo que contrasta até mesmo com a televisão, já que mostrar zumbis comendo pescoços e braços pode ser visto semanalmente e com muito mais emoção na série THE WALKING DEAD, da AMC. Mas o principal problema é que o filme não compensa isso com um roteiro esperto. Não há nada impressionante neste filme. E se há um momento de tensão, é o da cena que se passa no laboratório, perto do final. Mas isso se deve muito à montagem alternada, com fins de criar suspense. E esse tipo de montagem já é usado desde os pioneiros do cinema mudo, como Edwin S. Porter e D.W. Griffith. É uma cena eficiente, mas pouco marcante.

Outra coisa que já incomoda desde o começo é a falta da construção de uma simples cena familiar, que serviria para dar intensidade à missão do personagem de Brad Pitt, quando ele se separa de sua esposa e filhos para integrar o exército e ajudar a combater a epidemia de zumbis. Quando aparece na televisão o mundo acabando e notícias sobre epidemias e lei marcial, a família vai para o trabalho como se nada estivesse acontecendo. E o curto papo dentro do carro é uma bobagem. Enfim, é o caso de filme que quer partir logo para a ação. É uma opção aceitável quando a ação é boa o suficiente. Pelo menos, não dá pra reclamar que o filme é tedioso. Dá para assistir numa boa. E tem a cena do muro de Israel, que foi uma boa sacada, ainda que, no final, mal executada. Como todo o filme, aliás.

Observação: o orçamento estimado de GUERRA MUNDIAL Z, segundo o IMDB, é de 400 milhões de dólares. Dá pra imaginar quantos filmes legais poderiam ser feitos com este dinheiro?

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