sexta-feira, maio 10, 2013

UMA LADRA SEM LIMITES (Identity Thief)



Comédia que não faz rir quando a intenção é fazer rir é uma das coisas mais tristes que podemos presenciar. E no caso de UMA LADRA SEM LIMITES (2013), de Seth Gordon, muito da culpa de o resultado não ter dado certo é de Melissa McCarthy. Ou de sua personagem, se culparmos o roteiro, que não é mesmo dos mais inteligentes. E uma vez que não se gosta ou não se vê graça na personagem que avacalha com a vida do contador vivido por Jason Bateman fica difícil se comover quando o filme tenta usar de sentimentalismo barato. Com direito a pianinho de fundo e tudo.

Na história, Bateman é o sujeito que tem sua identidade roubada por uma mulher que confecciona cartões de crédito falsos para sair gastando adoidado. Enquanto isso, o nome do rapaz, que por acaso é "unissex", Sandy, fica sujo na praça. Até porque a doida, que mora em outro estado, apronta confusões que também fazem com que ela ganhe uma ficha na polícia. Assim, como a polícia do estado de Sandy não pode fazer nada por não ser de sua jurisdição, ele sai na missão de voltar com a criminosa dos cartões, para poder reaver também o seu emprego.

Achá-la é muito fácil. Difícil é passar pelo que ele passa quando eles precisam ir de carro, já que não podem ir de avião, por terem o mesmo nome na identidade. Aliás, uma desculpa muito da esfarrapada, já que ela podia ter a identidade que quisesse. Assim, o filme vira um road movie do tipo ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO, com a diferença que nenhum dos astros consegue tornar o filme minimamente divertido. Além dos mais, as tentativas de humanizar a personagem de McCarthy só tornam tudo ainda mais constrangedor.

É importante lembrar que a participação de Melissa McCarthy no bem-sucedido MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO não foi exatamente a melhor coisa do filme. Ela acabou se destacando por causa das demais e pelo roteiro esperto de Kristen Wiig e Annie Mumolo. Em UMA LADRA SEM LIMITES, vejam só quem é o roteirista: Craig Mazin, que contém no currículo filmes como SEM SENTIDO, TODO MUNDO EM PÂNICO 3 e 4 e os dois últimos SE BEBER, NÃO CASE!. Quer dizer, é um roteirista de comédias bem pouco inteligentes.

Só não digo que a melhor coisa de UMA LADRA SEM LIMITES é quando as luzes do cinema se acedem e a gente pode ir embora porque a sensação de ter visto o filme ainda fica incomodando durante um bom tempo. Sinceramente, não sei o que o público americano viu nessa produção para torná-la um sucesso de bilheteria. E o pior é que, no Brasil, na falta de outras estreias de peso nesta sexta-feira, é bem possível que ele fique bem posicionado no ranking. Lamentável.

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