quarta-feira, maio 08, 2013

A DATILÓGRAFA (Populaire)



Dentre as boas surpresas presentes no Festival Varilux de Cinema Francês está a comédia A DATILÓGRAFA (2012), primeiro longa-metragem de ficção de Régis Roinsard. Coloquei-o na minha programação só para fazer sessão dupla com O HOMEM QUE RI e acabou me agradando mais do que a nova adaptação do romance de Victor Hugo. A DATILÓGRAFA se passa no final dos anos 1950 e há todo um cuidado com a reconstituição de época, de um tempo mais ingênuo, mas que já apontava para maiores conquistas profissionais para as mulheres e uma mudança social que estava prestes a surgir, com a revolução sexual.

Assim, o filme tanto lembra o estilo charmoso, machista e tenso de MAD MEN, como também o de uma comédia musical recente de Christophe Honoré, BEM AMADAS. Mas isso se deve à época em que se passa o filme, que se concentra inicialmente na paixão de uma jovem por uma máquina de escrever. Isso a levará a procurar um emprego de secretária, que na época era ideal para uma mulher moderna, apesar de ainda não ser bem visto pela sociedade mais tradicional.

Déborah François, a jovem belga que estreou no cinema com o premiado A CRIANÇA, dos irmãos Dardenne, e uma das alegrias de FAÇA-ME FELIZ, de Emmanuel Mouret, está especialmente encantadora como a moça interessada no emprego de secretária e que só o ganha graças à rapidez com que consegue datilografar um texto. E usando apenas um dedo de cada mão! Romain Duris, no papel do chefe, está ótimo como o sujeito arrogante que tem a ideia de levar a moça para um concurso que definirá a mais rápida datilógrafa do país.

Assim, A DATILÓGRAFA acaba se transformando num divertido filme de competição, mas sem perder o interesse no relacionamento entre a secretária Rose e o chefe Louis; é bem-sucedido tanto como história de amor quanto como filme de competição; e dentro de um registro que passa a impressão de estarmos vendo uma comédia leve produzida na década de 50. No elenco de apoio, destaque para Bérénice Bejo (O ARTISTA), como a ex-amante de Louis e mulher de seu melhor amigo, e Frédéric Pierrot (série LES REVENANTS), no papel do pai de Rose.

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