terça-feira, maio 14, 2013

O PECADO MORA AO LADO (The Seven Year Itch)



Nunca fui muito fã de Billy Wilder. Mas também vi poucos filmes de sua filmografia de 27 títulos. Mesmo com tantos anos de cinefilia nunca tinha visto O PECADO MORA AO LADO (1955), estrelado por Marilyn Monroe. Só ela, aliás, já seria motivo mais do que suficiente para eu já tê-lo visto. Sem falar que a cena em que ela passa pelo duto de ventilação do metrô e sua saia sobe é um dos momentos mais célebres da história do cinema.

O problema do filme, pra mim, foi que desde o início eu não gostei do protagonista, vivido por Tom Ewell. Provavelmente também pelo fato de o enredo ser construído a partir dos pensamentos neuróticos do personagem, que entra em parafuso quando a mulher e o filho pequeno viaja, e ele fica sozinho no apartamento, tentado a dar em cima de uma loira de arrasar quarteirões recém-surgida no bloco. Sem falar que ela é sempre uma simpatia.

E é realmente impressionante o quanto o filme melhora quando Marilyn aparece. Ela tinha mesmo um encanto, uma espécie de feitiço. E não importa se ela exagerava na sensualidade; o que importa é que funcionava (e muito). Além do mais, o filme deve ter deixado muita gente louca na época, por causa de algumas cenas sutilmente eróticas, como aquela em que ela está na parte de cima do prédio, nua, mas coberta pelos vasos de plantas, conversando com o protagonista.

Billy Wilder não consegue esconder a origem teatral do filme (talvez não quisesse mesmo). Aliás, acredito que se eu soubesse que o filme seria assim tão teatral eu teria me preparado melhor para vê-lo e talvez gostasse mais. Por conta disso, O PECADO MORA AO LADO utiliza poucos close-ups para uma comédia. Há muitas cenas do apartamento inteiro, como se estivéssemos vendo num palco mesmo.

É um filme que foi pensado para ser visto no cinema, aproveitando a novidade da tela larga, que surgia para tirar um pouco o povo de casa, por causa da concorrência com a televisão. Aliás, a proporção do filme é de 2,55: 1, quer dizer, ainda mais larga do que o scope tradicional. Por isso é um tanto prejudicado, se visto numa televisão pequena.

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