terça-feira, abril 13, 2010

ONDE VIVEM OS MONSTROS (Where the Wild Things Are)



Gostar ou não gostar de um filme depende de uma série de fatores. Pode ser o melhor western ou o melhor filme de kung fu, mas se o sujeito não gosta nenhum pouco desse tipo de filme, fica complicado. Não que seja impossível ele encontrar um exemplar que vá finalmente abrir os seus olhos para a beleza desses gêneros. Eu, ultimamente, não tenho gostado muito de filmes de fantasia. Acho que os últimos que vi e gostei foram os da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Em geral, esses filmes me causam sono e desinteresse. Outra coisa: não sei se é a idade, mas tenho gostado mais de filmes de homens velhos em fim de carreira do que de crianças levadas.

Já dei dois motivos que meio que justificam o fato de eu não ter gostado tanto assim de ONDE VIVEM OS MONSTROS (2009), de Spike Jonze. Deixo claro, porém, que não nego as qualidades do filme, sua abordagem fora do convencional, suas belas imagens e sua sensibilidade no trato com a psicologia infantil. O filme mostra a necessidade de atenção da criança e o quanto ela se sente desprezada quando vê que os outros não ligam para ela. Até porque todo mundo tem o seu próprio mundo e os seus próprios problemas. Mas ter filho é saber que dar atenção à criança é uma obrigação que ela carregará por vários anos. No mínimo. Isso vale tanto para a mãe quanto para o pai.

Na trama, o garotinho Max (Max Records), indignado por não receber a devida atenção da mãe (Catherine Keener), dá uma de bad boy e acaba sendo perseguido por ela para levar uma surra. Num acesso de negação da realidade, que já se mostrava em seu mundo de faz de conta, ele pega um barco e vai parar numa ilha habitada por monstros. Mas monstros de filmes de criança ou como naqueles de desfile de blocos de carnaval. Chegando lá, ele tenta convencer os ingênuos monstros que ele já foi um rei e que tem superpoderes. Assim ele evita ser devorado por eles. Aos poucos, as máscaras vão caindo e é quando o filme vai ficando mais interessante e emocionante até.

Não pra mim, pra ser sincero. Mas assisti o filme junto com um grupo de amigos e uma de minhas amigas tem um filho adolescente que está morando longe dela. Foi inevitável ela não se identificar com a situação, sentir uma profunda saudade do filho – que estaria aniversariando em poucos dias -, e sabe-se lá o que mais passava pela sua cabeça. E ela chorou copiosamente. Quer dizer, no final, eu me emocionei com as emoções dela, com o mundo real, pois o filme não me pegou diretamente. O que me levou mais uma vez a pensar no quanto a identificação é importante – ainda que não essencial - para que se entenda uma obra de arte. Ou pelo menos, entenda-se por uma ótica própria. Afinal, apreciar um filme (ou qualquer outra manifestação artística) é uma experiência totalmente distinta para cada um de nós.

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