terça-feira, abril 20, 2010

CORAÇÃO LOUCO (Crazy Heart)



A má qualidade das projeções digitais já virou um lenga-lenga sem fim. Vi que o problema não está apenas nas salas daqui de Fortaleza, mas muita gente de São Paulo e de outras cidades tem reclamado também. Mas qual não foi a minha surpresa quando, em Sampa, tive o prazer de conferir a melhor projeção digital até o momento. Tão boa que parecia película! E era um filme em scope. Pra quem quer saber em que sala foi, não lembro exatamente o número, mas foi numa das salas do Espaço Unibanco da Rua Augusta. O filme abençoado foi CORAÇÃO LOUCO (2009), de Scott Cooper. Aquele que deu o Oscar a Jeff Bridges.

E ele realmente está ótimo. Quem leu o meu post sobre ONDE VIVEM OS MONSTROS deve ter reparado quando eu falei que estava me identificando mais com filmes de velhos em fim de carreira do que com filmes sobre crianças. Isso porque eu ainda estava com CORAÇÃO LOUCO na cabeça. E no desempenho maravilhoso do "Dude" Jeff Bridges, que faz o papel de um cantor de música country que tem sérios problemas com alcoolismo e está com a saúde bastante debilitada. Lembra bastante o personagem de Clint Eastwood em HONKYTONK MAN. Mas os rumos dos filmes são bem distintos.

A vida do velho Bad Blake – é esse o seu nome artístico – ganha novo sopro quando ele conhece uma bela jornalista que tem interesse em sua obra, vivida pela sempre adorável Maggie Gyllenhaal. Eu adoro a entrega de Maggie aos seus personagens. Há uma cena de sexo muito bonita no filme onde podemos ver uma expressão de prazer no rosto da atriz, que excita mais do que qualquer cena de nudez. Porque lida também com sentimentos. Mas o filme não enfoca o sexo, embora tenha sido importante, fundamental até, ter mostrado.

O enfoque é no quanto aquela bela e doce mulher é boa demais para aquele velho bêbado, que não compõe mais novas canções, vivendo dos hits de outrora em barzinhos de cidades do interior. E como seguimos o ponto de vista de Bad Blake, meio que nos fundimos a ele na vontade de estar com aquela mulher, de refazer a vida. De repente, a felicidade ainda é possível. Mas a vida (e o cinema) é uma caixinha de surpresas. O final que nos aguarda é agridoce, melancólico e realista. E o interessante desse tipo de filme é nos deixar ao mesmo tempo tristes, com um sentimento de perda vindo da empatia com o personagem, e também felizes, por estarmos vivenciando emoções, digamos, legítimas. De bônus, a bela trilha sonora de canções country.

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