quinta-feira, abril 29, 2010

IWO JIMA - O PORTAL DA GLÓRIA (Sands of Iwo Jima)



Comecei a ver a minissérie THE PACIFIC, produção da Dreamworks para a HBO, e fiquei tão entusiasmado e curioso com o destaque da guerra no Pacífico que quis conferir algum filme a respeito. Só tinha visto sobre o tema, até então, os dois ótimos trabalhos que Clint Eastwood realizou (A CONQUISTA DA HONRA e CARTAS DE IWO JIMA). O filme que eu tinha à mão no momento era este IWO JIMA - O PORTAL DA GLÓRIA (1949), dirigido por um dos cineastas pioneiros de Hollywood, Allan Dwan. Abrindo um parênteses: acabei de checar que UM PUNHADO DE BRAVOS, de Raoul Walsh, também lida com o combate dos americanos com os japoneses no Pacífico. E eu tenho uma cópia dele!

Mas voltando a Dwan, engraçado que quando eu comprei o livro de entrevistas "Afinal, Quem Faz os Filmes", o seu nome era o único que eu não conhecia. Ficava me perguntando: quem será esse cara no meio de cineastas tão nobres? E acabei gostando muito da entrevista dele, que é uma viagem aos primórdios do cinema. Ele era contemporâneo de D.W. Griffith e o diretor predileto de Gloria Swanson e de Shirley Temple. E tem mais: foi graças a ele que surgiu a primeira tomada de grua - Griffith foi ao seu auxílio, quando queria fazer uma cena mais ousada tecnicamente em INTOLERÂNCIA. E quem quiser saber mais das várias contribuições de Dwan para o cinema que leia o prólogo de sete páginas que Bogdanovich dedicou a ele, antes de iniciar a entrevista. É uma aula de cinema das mais prazerosas.

Quanto a IWO JIMA - O PORTAL DA GLÓRIA, o filme parece uma versão menos inspirada dos grandes épicos de John Ford. Tem, inclusive, alguns momentos de humor à Ford que o tornam meio bobo. Talvez na época, aquelas gags envolvendo os dois irmãos que vivem brigando tivessem alguma graça. Não resisti a comparação com THE PACIFIC, que começa com dois episódios destacando a guerra em si, mostrando os personagens logo no cenário de tiros e morte, para só no terceiro episódio dar um tempo e nos apresentar com mais calma os personagens, quando eles dão uma pausa e descansam na Austrália.

No filme de Dwan, a aposta é no caminho inverso, o que já era comum nos demais filmes de guerra do período. Há, no início, uma apresentação dos personagens, para só mais tarde podermos vê-los no olho do furacão, a partir do desembarque na hoje famosa ilha. Nesse momento, já temos nos afeiçoado ao personagem de John Wayne, o sargento linha-dura que se mostra mais gente fina do que aparenta e que aos poucos vai ganhando o respeito e o carinho de seus soldados. O filme, inclusive, aposta mais na construção dos personagens do que na linha narrativa, o que eu vejo como um ponto positivo.

Vale notar a participação no filme dos três homens que ficaram famosos pela fotografia de hasteamento da bandeira quando os americanos finalmente conseguiram vencer os japoneses. São os três personagens de A CONQUISTA DA HONRA, de Clint Eastwood. Eles ficaram tão famosos que até cinema fizeram. Mas confesso que não soube identificá-los no filme. Na entrevista de Dwan, o diretor conta das bebedeiras de John Wayne e de como os atores ficaram putos quando eles os entregou a um sargento do exército para fazê-los ficarem mais parecidos com soldados. Isso, depois de uma noite de bebedeira e com uma ressaca braba. No fim das contas, temos um bom filme com cenas boas de combate e algumas imagens verdadeiras do conflito enxertadas para dar um ar de cinema-verdade.

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