terça-feira, agosto 11, 2009

CONFISSÕES PROIBIDAS DE UMA FREIRA ADOLESCENTE (Die Liebesbriefe einer Portugiesischen Nonne / Love Letters of a Portuguese Nun)



Fiquei surpreso ao ler numa review de um dvd de CONFISSÕES PROIBIDAS DE UMA FREIRA ADOLESCENTE (1977), mais conhecido como LOVE LETTERS OF A PORTUGUESE NUN, e saber que o filme foi inspirado nas famosas "Cartas Portuguesas", de Sóror Mariana Alcoforado. A não ser pelo fato de a protagonista ser uma freira atormentada, as histórias não têm nada a ver. O filme de Jess Franco lembra mais uma obra adaptada de Marquês de Sade. O que salta aos olhos nesta obra de Franco é o cuidado com a produção, com capricho na fotografia, na direção de arte, na música e até nas interpretações. Apesar de ser um nunsploitation, o filme até que economiza nas cenas eróticas e de nudez, dando ênfase na perturbadora história da jovem de quinze anos que é levada para um mosteiro gerenciado por um padre e uma freira satanistas.

Trata-se de um dos trabalhos mais respeitados do prolixo Franco. Até aqueles que não curtem muito o trabalho do diretor reconhecem que LOVE LETTERS OF A PORTUGUESE NUN é uma de suas mais felizes obras. O início do filme mostra a jovem experimentando o prazer natural de sua sexualidade que desabrochava junto a um rapaz num bosque florido. Até ser interrompida pelo padre satanista, que além de deixar a pobrezinha com complexo de culpa, ainda leva dinheiro da mãe da jovem e leva a menina para o mosteiro, onde ela come o pão que o diabo amassou, além de perder a virgindade para o próprio Satanás, numa das melhores cenas do filme. Franco imprime uma atmosfera de pesadelo misturado à excitação provocada pelo fetiche daquelas mulheres seminuas vestidas de freira junto à música "quase" religiosa que toca ao fundo, que provoca emoções contraditórias no espectador.

Pena que a cópia que eu consegui do filme tinha falhas na imagem. Mas nos momentos em que a imagem se estabilizava dava para perceber a sua beleza. E como o filme anterior de Franco que eu havia visto tinha sido HISTORIA SEXUAL DE O (1984), com aquele final bem perturbador, em LOVE LETTERS OF A PORTUGUESE NUN, Franco parece ter mais piedade da protagonista, mas não sem antes fazê-la sofrer e experimentar um pouco do que sofreu Joana D'Arc na fogueira. Aliás, se tem uma morte que mexe comigo é morte de fogueira. Sofri muito em filmes como O PROCESSO DE JOANA D'ARC, de Robert Bresson, e DIAS DE IRA, de Carl T. Dreyer. O mal que a igreja inflingiu no ser humano deixou feridas que demorarão muito a cicatrizar.

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