terça-feira, outubro 18, 2005

O JARDINEIRO FIEL (The Constant Gardener)



Muita gente anda falando bem por aí de O JARDINEIRO FIEL (2005), a estréia no mercado internacional de Fernando Meirelles. Embora considere-o um bom filme, não tive o mesmo entusiasmo que a maioria das pessoas parece estar tendo. Achei o filme frio e a montagem, com um narrador onisciente - em vez do ponto de vista do personagem de Ralph Fiennes -, procura confundir o espectador com pistas falsas. Outra coisa que me incomodou no filme foi o fato de se parecer plasticamente com o último de Tony Scott, CHAMAS DA VINGANÇA. Mas isso se deve ao fotógrafo, Cézar Charlone. (Antonio Pinto, o músico que trabalhou com Meirelles em CIDADE DE DEUS (2002), não está no filme; mas ele está em O SENHOR DAS ARMAS, filme também de contestação e que também tem locações na África.)

A trama de O JARDINEIRO FIEL é um pouco complicada de resumir, mas é mais ou menos assim: o filme começa com a morte de Tessa, encontrada morta no deserto do Quênia. O filme vai se estruturando com idas e vindas no tempo. Ao voltar no tempo, ficamos sabendo de como começou o envolvimento amoroso de Tessa, ativista humanitária, com o diplomata inglês interpretado por Fiennes. A coisa se complica quando Tessa procura denunciar o fato de as indústrias farmacêuticas estarem usando os quenianos como cobaias de suas experiências, resultando, às vezes, na morte dessas pessoas.

Entre as qualidades do filme, além da beleza de Rachel Weisz, numa de suas melhores atuações, está o fato de o filme ser uma obra bastante corajosa por mexer com peixes grandes como as indústrias farmacêuticas. Há também um belo trabalho de direção de atores. Gostei bastante da cena de sexo do filme. Ainda que ela seja fria e nada excitante, não deixa de ser muito bonita, com o uso da câmera muito próxima e da montagem fragmentada.

Alguns momentos do filme me deixaram um pouco aborrecido, especialmente nas partes mais políticas, que acontecem logo após o fim das seqüências anteriores à morte de Tessa (personagem de Weisz). Não acho que o filme tenha sido bem sucedido na construção de um clima de suspense. Mas gostei bastante da cena em que Ralph Fiennes desembarca num país da África à procura de Pete Postlethwaite. Esse é talvez o momento de maior suspense do filme. Também não me convenceu o sentimento de Fiennes em relação à esposa. Não me senti contagiado pelo sentimento de amor. Há quem veja isso como uma qualidade, assim o filme não soa melodramático, mas eu não.

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