quinta-feira, outubro 20, 2005

GÂNGSTERES DA WARNER PARTE 3



Com esses dois filmes, termino de ver os seis primeiros filmes da coleção "Gângsteres", lançada recentemente pela Warner. Já esperava mesmo que eles não fossem tão bons quanto as duas obras-primas de Raoul Walsh, que vi da última vez. ALMA NO LODO (1931) é o menos brilhante de toda a coleção e A FLORESTA PETRIFICADA (1936) é o mais estranho. Os DVDs dos filmes, assim como os demais, contêm um minidocumentário de cerca de 16 minutos, além dos já tradicionais curtas-metragens apresentados por Leonard Maltin.

ALMA NO LODO (Little Caesar)

Engraçado. Edward G. Robinson era um homem que odiava armas. Contam que até usaram fita adesiva nos olhos dele para mantê-los abertos enquanto disparava um revólver no filme. Não sei se isso é lenda ou verdade. Robinson era totalmente oposto à figura do bandido que interpretava. Ele era um colecionador de arte, um intelectual, nada a ver com o grosseiro Rico de ALMA NO LODO. Mas esse foi o filme que o lançou ao estrelato, quase na mesma época que James Cagney também recebia tratamento parecido pela mídia. Só não sei se Robinson era tão bom e tão versátil quanto Cagney. Suspeito que não. Em ALMA NO LODO, ele é um bandido ambicioso, que se aproveita da máfia das bebidas na época da Lei Seca para ganhar um bom dinheiro. Mas a sua principal finalidade era o poder, ele queria se sentir por cima do resto dos mortais. Rico tem um amigo (Douglas Fairbanks Jr.) que não tem a mesma ambição e que até tenta sair da máfia, mudar de vida e se casar com uma moça. O personagem de Rico, ou Little Caesar, foi baseado no Al Capone. Diferente de Cagney em INIMIGO PÚBLICO Nº 1, Robinson não é, nesse filme, um assassino que tem prazer em matar. Ele só mata se necessário, quando se sente traído, mas ainda assim, dá com um pé atrás quando tem que dar cabo da vida de seu amigo. O final, eu achei muito fraco. Direção de Mervyn LeRoy.

A FLORESTA PETRIFICADA (The Petrified Forest)

Claramente inspirado numa peça teatral, A FLORESTA PETRIFICADA até poderia ter ficado de fora dessa coleção da Warner, por ser tão diferente dos outros. Só a partir de sua segunda metade é que o filme vai saindo de uma atmosfera atemporal e poética para dar lugar ao mundo dos gângsteres. A ação se passa quase que totalmente num restaurante localizado no meio do deserto do Arizona. Lá trabalha a jovem Bette Davis (nunca a vi tão bonita), que gosta de poesia e sonha em ir um dia para a França. Chega no restaurante um forasteiro (Leslie Howard) que acaba por conquistar a moça com seu jeitão intelectual. Depois de muito papo entre os dois - vale dizer que o texto da peça é muito bom -, entra em cena o grande fora-da-lei interpretado por Humphrey Bogart. A propósito, esse filme foi fundamental para ajudar a consolidar a carreira de Bogart. Ele ainda não era um protagonista, mas estava chegando lá - seu estrelado só chegaria no começo dos anos 40. O final é excessivamente melodramático. Não que eu não goste de melodrama, é que nesse filme ficou teatral demais. Mas no geral, posso dizer que A FLORESTA PETRIFICADA é um ótimo filme. Agradável do início ao fim. Direção de Archie Mayo

Curtas-metragens presentes no DVD de ALMA NO LODO:

THE HARD GUY (6 min). Pai de família tenta se virar para conseguir botar comida em casa durante a Grande Depressão. Um dos primeiros trabalhos de Spencer Tracy antes da fama.

LADY PLAY YOUR MANDOLIM (7 min). Outro curta daquele ratinho parecido com o Mickey. Esse é bem mais divertido que o presente no DVD de INIMIGO PÚBLICO Nº 1.

Curtas-metragens presentes no DVD de FLORESTA PETRIFICADA:

RHYTHMITIS (19 min). Comédia musical que hoje parece meio cafona. Sobre uma pílula que transforma as pessoas em exímios dançarinos.

THE COO COO NUT GROVE (6 min). Divertidíssimo desenho que traz caricaturas de inúmeras celebridades hollywoodianas. Um ótimo passatempo é ficar adivinhando quem é quem. Eu só reconheci Clark Gable (que orelhonas!), o Gordo e o Magro, Groucho Marx, Edward G. Robinson e Katharine Hepburn.

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