terça-feira, outubro 25, 2005

DOUTORES DA ALEGRIA



Não deixei de ficar um pouco decepcionado com esse DOUTORES DA ALEGRIA (2005). Aliás, no começo, nem cogitava ver o filme por ser dirigido por Mara Mourão, a diretora da horrorosa comédia romântica AVASSALADORAS (2002). Depois de ter lido várias críticas favoráveis foi que comecei a me interessar. A sessão de sábado pela manhã no Iguatemi foi curiosa. Alguns pais levaram os filhos para ver o filme, achando, talvez, que eles fossem gostar por causa das cenas de palhaço brincando com crianças. Não sei se todas as crianças curtiram o filme, já que um garoto sentado perto de mim ficava o tempo todo perguntando pro adulto ao seu lado se faltava muito para acabar, se o filme era só aquilo mesmo etc. Legal que foi convidado um palhaço para ficar fazendo gracinha antes do filme. O palhaço faz parte do grupo Trupe do Riso, o equivalente cearense do Doutores da Alegria.

Minha decepção se deu porque eu achava que ia me emocionar mais, que o filme teria mais momentos tocantes de criancinhas doentes se alegrando - fazer o quê se eu gosto de PATCH ADAMS? Outro aspecto negativo do documentário é a indecisão entre abordar o belo trabalho dos atores/palhaços ou dissertar sobre a natureza subversiva do palhaço, contando um pouco da história dos palhaços desde os tempos dos bobos da côrte.

Ainda assim, DOUTORES DA ALEGRIA não deixa de ser um bom filme. Pode até aborrecer em alguns momentos as crianças, mas os adultos vão curtir tanto as cenas que captam a espontaneidade e a inocência das crianças, quanto as cenas com os depoimentos de membros do grupo. Para tornar o filme mais dinâmico, Mara Mourão optou por variar na forma como é documentado cada depoimento: ora o entrevistado está andando de bicicleta, ora sentado na praia, ora amamentando o filho etc.

Porém, a maior graça do filme está nos momentos de aplicação da "besteirologia", técnica utilizada pelos "doutores" para medicar os pacientes enfermos e torná-los mais alegres, facilitando sua recuperação. O momento mais triste do filme é deixado para o final, com um garotinho esquelético, e respirando com ajuda de aparelhos, balançando-se ao som da música dos doutores.

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