À SOMBRA DE UMA DÚVIDA (Shadow of a Doubt)
O melhor filme que vi no fim de semana foi À SOMBRA DE UMA DÚVIDA (1943), do mestre Alfred Hitchcock, que comprei nessa promoção de DVDs do Hitch a 19,99. O cineasta tinha esse filme como o seu favorito. Não é o meu favorito dele, mas com certeza, está entre os excelentes da bela filmografia que o gordinho ostenta. No filme, Joseph Cotten (CIDADÃO KANE, SOBERBA) é o tio que chega para passar uns dias com a família de sua irmã e é muito bem recebido pela sobrinha, interpretada por Teresa Wright (PÉRFIDA), que o adora. As coisas mudam quando aparecem dois detetives que suspeitam que ele é o procurado assassino das viúvas.
Uma cena em particular é grandiosa: a sobrinha, já suspeitando do tio, liga para o detetive, enquanto a câmera, ameaçadora, a focaliza de cima da casa.
O documentário de 32 minutos que vem no DVD é ótimo e traz informações bem interessantes. Por exemplo, esse filme é considerado o primeiro filme realmente americano de Hitchcock, já que as duas produções americanas anteriores (REBECCA e SUSPEITA) se passavam na Inglaterra. Por isso, Hitch preferiu uma cidadezinha bem típica dos EUA. E é considerado o segundo mais realista de sua filmografia, ficando atrás apenas de O HOMEM ERRADO.
O documentário traz ainda depoimentos de Peter Bogdanovich, da ainda viva Teresa Wright, da filha de Hitchcock e de um dos atores coadjuvantes do filme.
O problema é o trailler, que estraga o final de quem ainda não viu o filme. Talvez não tenha sido idealizado pelo próprio diretor e sim pelos produtores.
O próximo dele que verei será a obra-prima OS PÁSSAROS. Vi uma vez, há um tempão, num corujão da Globo e fiquei babando. Imaginem só o que é ver essa pérola em imagem e som digitais, em widescreen e com documentário de mais de uma hora!!
segunda-feira, maio 19, 2003
AUTORAMAS
Dando um break aqui nos filmes, o destaque do final de semana pra mim foi mesmo o show do Autoramas. Eu estava procurando alguém que quisesse ou pudesse ir comigo pro show. Bom, achei: a Aleksandra, que estava comigo no último Ceará Music e tal. Depois da palhaçada do Fellini (mais detalhes em comentários sobre filmes em breve), fomos para o Hey Ho Rock Bar, que estava vendendo o ingresso por míseros 5 pilas. (Como é que a banda tem coragem de sair do Rio pra cá pra fazer show por cinco pilas em lugar com pouca gente?) Por falar em grana, eu errei feio em não contar o pouco dinheiro que eu tinha e em não perceber que meu saldo no Banco do Brasil era apenas de R$ 1,90. Mas o dinheiro deu pra entrada e a Alê ainda pagou uma cerveja pra mim lá dentro. Heheheh.. O pior é que eu estou perdendo a vergonha pra esse tipo de situação. Tanto é que na volta, ainda liguei pra minha irmã pedindo dinheiro pra ela pagar o taxi da volta do North Shopping pra minha casa. Hehehe.
Bom, chega de falar de liseira. O show foi bem legal. Algumas bandas desconhecidas tocando músicas desconhecidas tocaram antes. A primeira, tocando punk rock obscuro (qualquer punk que não seja Sex Pistols, The Clash ou Ramones pra mim é obscuro). A segunda banda tocou umas coisas mais diferentes, mais pra anos 80, mas igualmente barulhento. A excessão foi a belezura de "Please, please, please, let me get what I want" dos Smiths. Até chamei a Alê pra dançar a música comigo, como no filme NUNCA FUI BEIJADA. (Lembram?). "Good times for a change, see the luck I've had, would make a good man turn bad..." Puxa, isso foi o hino da minha fase deprê quando eu tinha 18 anos.
Bom, entram os Autoramas! Que legal. Estavam lá Gabriel (ex-Little Quail and the Mad Birds), Simone e Bacalhau (ex-batera do Planet Hemp). A Simone estava super-sexy com uma blusinha vermelha com o símbolo do Demolidor (dois D's) e de mini-saia branca. Uau!! Eu me amarro em mulheres baixistas. Elas ficam poderosas como as meninas que passaram pelos Smashing Pumpkins, por exemplo. A primeira canção que a banda tocou eu não conhecia. (Só conheço o primeiro disco.) Mas a terceira foi sensacional: um dos "hits" da banda - "Carinha triste". Pra quem não sabe o Autoramas é uma banda que toca punk rock adicionada de jovem guarda e surf music. E "Carinha Triste" é uma das mais "jovem guarda" deles. E o show prosseguia com música que às vezes eu identificava às vezes não. Eles tocaram "Ex-amigo", "Autodestruição", "Deus me deu um cérebro", "Agora minha sorte mudou", "Tudo errado" e encerraram o show com a sensacional "Fale mal de mim". Eu pulei feito um condenado - especialmente nessa última canção. E todos saíram felizes cantando o refrão: "fale mal de mim, fale o que quiser de mim..."
Bacana.
Dando um break aqui nos filmes, o destaque do final de semana pra mim foi mesmo o show do Autoramas. Eu estava procurando alguém que quisesse ou pudesse ir comigo pro show. Bom, achei: a Aleksandra, que estava comigo no último Ceará Music e tal. Depois da palhaçada do Fellini (mais detalhes em comentários sobre filmes em breve), fomos para o Hey Ho Rock Bar, que estava vendendo o ingresso por míseros 5 pilas. (Como é que a banda tem coragem de sair do Rio pra cá pra fazer show por cinco pilas em lugar com pouca gente?) Por falar em grana, eu errei feio em não contar o pouco dinheiro que eu tinha e em não perceber que meu saldo no Banco do Brasil era apenas de R$ 1,90. Mas o dinheiro deu pra entrada e a Alê ainda pagou uma cerveja pra mim lá dentro. Heheheh.. O pior é que eu estou perdendo a vergonha pra esse tipo de situação. Tanto é que na volta, ainda liguei pra minha irmã pedindo dinheiro pra ela pagar o taxi da volta do North Shopping pra minha casa. Hehehe.
Bom, chega de falar de liseira. O show foi bem legal. Algumas bandas desconhecidas tocando músicas desconhecidas tocaram antes. A primeira, tocando punk rock obscuro (qualquer punk que não seja Sex Pistols, The Clash ou Ramones pra mim é obscuro). A segunda banda tocou umas coisas mais diferentes, mais pra anos 80, mas igualmente barulhento. A excessão foi a belezura de "Please, please, please, let me get what I want" dos Smiths. Até chamei a Alê pra dançar a música comigo, como no filme NUNCA FUI BEIJADA. (Lembram?). "Good times for a change, see the luck I've had, would make a good man turn bad..." Puxa, isso foi o hino da minha fase deprê quando eu tinha 18 anos.
Bom, entram os Autoramas! Que legal. Estavam lá Gabriel (ex-Little Quail and the Mad Birds), Simone e Bacalhau (ex-batera do Planet Hemp). A Simone estava super-sexy com uma blusinha vermelha com o símbolo do Demolidor (dois D's) e de mini-saia branca. Uau!! Eu me amarro em mulheres baixistas. Elas ficam poderosas como as meninas que passaram pelos Smashing Pumpkins, por exemplo. A primeira canção que a banda tocou eu não conhecia. (Só conheço o primeiro disco.) Mas a terceira foi sensacional: um dos "hits" da banda - "Carinha triste". Pra quem não sabe o Autoramas é uma banda que toca punk rock adicionada de jovem guarda e surf music. E "Carinha Triste" é uma das mais "jovem guarda" deles. E o show prosseguia com música que às vezes eu identificava às vezes não. Eles tocaram "Ex-amigo", "Autodestruição", "Deus me deu um cérebro", "Agora minha sorte mudou", "Tudo errado" e encerraram o show com a sensacional "Fale mal de mim". Eu pulei feito um condenado - especialmente nessa última canção. E todos saíram felizes cantando o refrão: "fale mal de mim, fale o que quiser de mim..."
Bacana.
quarta-feira, maio 14, 2003
SODERBERGH E CATON-JONES

Mesmo durante o Cine Ceará fui conferir os filmes que estrearam no circuito comercial aqui na cidade. Vê-lo no conforto do friozinho e com a qualidade de som e imagem de um cinema de shopping faz a diferença, mesmo quando os filmes não são ótimos. SOLARIS, na versão de Soderbergh, e O ÚLTIMO SUSPEITO, com DeNiro e grande elenco, se não chegam a ser ótimos, valem a conferida. Os comentários:
SOLARIS
Antes de tudo: ainda não vi a primeira versão de SOLARIS, o clássico da ficção científica de Andrei Tarkovski. Logo, não tenho como fazer comparações. E nem acho que seja justo comparar os filmes. Pelo que eu li o filme soviético (ainda existia URSS, na época) é mais complexo, mais elaborado e trata de mais assuntos que a versão de Steven Soderbergh, que centra no relacionamento entre o psicólogo que é mandado para a órbita do planeta Solaris e a esposa morta (Natascha McElhone) que "revive" na nave espacial. Esse tema me lembrou o terceiro ato de A.I., do Spielberg, em que o garotinho revê sua mãe, morta há milhares de anos, graças ao DNA do fio de cabelo. Em SOLARIS, o que o personagem de George Clooney encontra na nave também não é sua esposa, mas resultado das lembranças dele, que chegam para lhe visitar. (Engraçado que depois do filme eu e a Rejane fomos comer uns pastéizinhos e falamos sobre a personalidade que fica depois da morte, de acordo com os ensinamentos da Gnose.)
O clima do filme é um pouco sonolento, mas muito interessante, já que sono tem a ver com sonho e com a atmosfera onírica do filme. Mas a diferença é que eu não fiquei com sono. Hehehhe. SOLARIS tem que ser visto por platéias pacientes, graças à direção lenta de Soderbergh, que confirma ser um grande diretor, mesmo não tendo muitos grandes filmes no currículo. De qualquer maneira, pra mim, seu melhor filme continua sendo o primeirão SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE.
O ÚLTIMO SUSPEITO (City by the Sea)
Filme ok de Michael Caton-Jones com elenco de primeira linha: Robert DeNiro, Frances McDormand, James Franco, Eliza Dushku. No filme, DeNiro é o policial que investiga a morte de um traficante e descobre que o cara que o matou é seu próprio filho (James Franco), viciado em drogas. O filme está mais pra um drama do que pra um policial. Eliza Dushku está linda mesmo de visual junkie, Frances McDormand está muito bem (pra variar) e o DeNiro é o DeNiro, que hoje meio que se repete nos filmes, mas que é sempre bom. Gostei do drama familiar, especialmente da chegada do neto, que ele nem sabia que existia. E o final é até meio piegas, mas a vida às vezes não é??
Mesmo durante o Cine Ceará fui conferir os filmes que estrearam no circuito comercial aqui na cidade. Vê-lo no conforto do friozinho e com a qualidade de som e imagem de um cinema de shopping faz a diferença, mesmo quando os filmes não são ótimos. SOLARIS, na versão de Soderbergh, e O ÚLTIMO SUSPEITO, com DeNiro e grande elenco, se não chegam a ser ótimos, valem a conferida. Os comentários:
SOLARIS
Antes de tudo: ainda não vi a primeira versão de SOLARIS, o clássico da ficção científica de Andrei Tarkovski. Logo, não tenho como fazer comparações. E nem acho que seja justo comparar os filmes. Pelo que eu li o filme soviético (ainda existia URSS, na época) é mais complexo, mais elaborado e trata de mais assuntos que a versão de Steven Soderbergh, que centra no relacionamento entre o psicólogo que é mandado para a órbita do planeta Solaris e a esposa morta (Natascha McElhone) que "revive" na nave espacial. Esse tema me lembrou o terceiro ato de A.I., do Spielberg, em que o garotinho revê sua mãe, morta há milhares de anos, graças ao DNA do fio de cabelo. Em SOLARIS, o que o personagem de George Clooney encontra na nave também não é sua esposa, mas resultado das lembranças dele, que chegam para lhe visitar. (Engraçado que depois do filme eu e a Rejane fomos comer uns pastéizinhos e falamos sobre a personalidade que fica depois da morte, de acordo com os ensinamentos da Gnose.)
O clima do filme é um pouco sonolento, mas muito interessante, já que sono tem a ver com sonho e com a atmosfera onírica do filme. Mas a diferença é que eu não fiquei com sono. Hehehhe. SOLARIS tem que ser visto por platéias pacientes, graças à direção lenta de Soderbergh, que confirma ser um grande diretor, mesmo não tendo muitos grandes filmes no currículo. De qualquer maneira, pra mim, seu melhor filme continua sendo o primeirão SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE.
O ÚLTIMO SUSPEITO (City by the Sea)
Filme ok de Michael Caton-Jones com elenco de primeira linha: Robert DeNiro, Frances McDormand, James Franco, Eliza Dushku. No filme, DeNiro é o policial que investiga a morte de um traficante e descobre que o cara que o matou é seu próprio filho (James Franco), viciado em drogas. O filme está mais pra um drama do que pra um policial. Eliza Dushku está linda mesmo de visual junkie, Frances McDormand está muito bem (pra variar) e o DeNiro é o DeNiro, que hoje meio que se repete nos filmes, mas que é sempre bom. Gostei do drama familiar, especialmente da chegada do neto, que ele nem sabia que existia. E o final é até meio piegas, mas a vida às vezes não é??
terça-feira, maio 13, 2003
AMÉLIA E CINE CEARÁ

Ontem estava planejando ver AMÉLIA,da Ana Carolina, passando aqui perto no Centro Cultural Banco do Nordeste em telão, e em seguida, ir para o Cine Ceará, última noite da Mostra Competitiva, que iria encerrar com AMARELO MANGA. Antes deste, iria passar um documentário: À MARGEM DA IMAGEM. As coisas não saíram bem como eu planejava.
AMÉLIA
Perdi AMÉLIA no cinema e pude conferir agora em vídeo/telão. Uma coisa que eu descobri: eu não gosto de ver filme em telão. Apesar do nome, a tela é pequena e me dá sono. O filme de Ana Carolina é bom, engraçado, ótimo elenco e tal, mas 140 minutos em frente ao telão depois do trabalho é dose. Vejam o que um leitor do site AdoroCinema escreveu:
"Muita fita, 140 minutos. Fico com a do Mário Lago. Aquela sim, é que era mulher de verdade!"
Também achei repetiviva as "piadas" da incomunicabilidade entre os mineiros caipiras e os franceses encabeçados pela atriz Sarah Berhardt. Assim como o filme AS NOVAS ROUPAS DO IMPERADOR, o filme de Ana Carolina é uma farsa histórica. Tudo ficção. E a Amélia do título é Marília Pera, que só aparece em flashbacks rápidos.
Cena de destaque: Betty Goffman de francesa chegando e falando francês para as irmãs da Amélia, que não entendiam bulhufas. Heheheh..
Pena que o filme é mais longo do que deveria. Senão, seria ótimo.
CINE CEARÁ
Nem vi nada. Cheguei atrasado, perdi todos os curtas e vi só um trecho de À MARGEM DA IMAGEM, de Evaldo Mocarzel. O diretor fez bem, durante o discurso, em dar um tapa na cara dos responsáveis pelo som horroroso do cinema. Ele comentou que estava tenso, decepcionado porque mixou o filme nos EUA pra quando chegar aqui ninguém entender quase nada do que se está dizendo. Todo mundo aplaudiu a sua atitude. Mas nem eu aguentei ver o filme sem entender nada e, já muito cansado, fui embora com dez minutos de filme.
Ainda bem que deu tempo de chegar em casa e gravar o episódio de ontem de 24 HORAS. Hehehe
Ontem estava planejando ver AMÉLIA,da Ana Carolina, passando aqui perto no Centro Cultural Banco do Nordeste em telão, e em seguida, ir para o Cine Ceará, última noite da Mostra Competitiva, que iria encerrar com AMARELO MANGA. Antes deste, iria passar um documentário: À MARGEM DA IMAGEM. As coisas não saíram bem como eu planejava.
AMÉLIA
Perdi AMÉLIA no cinema e pude conferir agora em vídeo/telão. Uma coisa que eu descobri: eu não gosto de ver filme em telão. Apesar do nome, a tela é pequena e me dá sono. O filme de Ana Carolina é bom, engraçado, ótimo elenco e tal, mas 140 minutos em frente ao telão depois do trabalho é dose. Vejam o que um leitor do site AdoroCinema escreveu:
"Muita fita, 140 minutos. Fico com a do Mário Lago. Aquela sim, é que era mulher de verdade!"
Também achei repetiviva as "piadas" da incomunicabilidade entre os mineiros caipiras e os franceses encabeçados pela atriz Sarah Berhardt. Assim como o filme AS NOVAS ROUPAS DO IMPERADOR, o filme de Ana Carolina é uma farsa histórica. Tudo ficção. E a Amélia do título é Marília Pera, que só aparece em flashbacks rápidos.
Cena de destaque: Betty Goffman de francesa chegando e falando francês para as irmãs da Amélia, que não entendiam bulhufas. Heheheh..
Pena que o filme é mais longo do que deveria. Senão, seria ótimo.
CINE CEARÁ
Nem vi nada. Cheguei atrasado, perdi todos os curtas e vi só um trecho de À MARGEM DA IMAGEM, de Evaldo Mocarzel. O diretor fez bem, durante o discurso, em dar um tapa na cara dos responsáveis pelo som horroroso do cinema. Ele comentou que estava tenso, decepcionado porque mixou o filme nos EUA pra quando chegar aqui ninguém entender quase nada do que se está dizendo. Todo mundo aplaudiu a sua atitude. Mas nem eu aguentei ver o filme sem entender nada e, já muito cansado, fui embora com dez minutos de filme.
Ainda bem que deu tempo de chegar em casa e gravar o episódio de ontem de 24 HORAS. Hehehe
segunda-feira, maio 12, 2003
CINE CEARÁ: NOITE DE DOMINGO
Ontem fui para o Cine Ceará no cine São Luiz. A noite foi agradável e pude ver duas comédias leves e agradáveis (um curta e um longa metragem). Os problemas de calor e som ruim continuam, mas a gente tenta se acostumar e acaba encontrando meios de aproveitar melhor o tempo no festival.
Tinha ido ver um filme no North Shopping (O ÚLTIMO SUSPEITO) e de lá fui sozinho pro Cine Ceará. Sorte minha que encontrei com o pessoal lá. Legal. Ficamos na Praça do Ferreira um tempo, enquanto os curtas em vídeo iam sendo exibidos, para sentir um pouco da brisa da noite (que brisa? hehehe).
Como perdi a maioria dos curtas, comento o que vi:
OS CURTAS
AÇAI COM JABÁ: UM FILME QUE BATE NA FRAQUEZA
Esse curta de 13 minutos é bem engraçado. Mostra que não é qualquer pessoa que aguenta uma tigelona de açaí. Eu já tomei o meu copo de açaí com guaraná hoje. Heheheh..
ABRY
Curta em vídeo de Joel Pizzini sobre a dona Lúcia Rocha, mãe do Glauber Rocha. Como o som estava ruim (novidade), não deu pra ouvir direito e fiquei perdido no documentário. E vendo o Pizzini filmando-a no hospital, deu até uma sensação de que ele estava achando que ela morreria em breve. Que nada, ela estava lá no cinema, recebeu um troféu e fez piada com Orlando Senna. Uma simpatia essa senhora.
SEJA O QUE DEUS QUISER
Muito divertida essa comédia de Murilo Salles, que ganhou prêmio de melhor longa brasileiro de ficção pelo público no Festival de Cinema do Rio. Essa foi a segunda exibição do filme no Brasil. E ele foi bem recebido pelo público, que riu das situações dos personagens. O filme tem ritmo bom e o diretor já tem ótimos filmes no currículo e experiência em dramas (NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, COMO NASCEM OS ANJOS), suspense (FACA DE DOIS GUMES), documentário (TODOS OS CORAÇÕES DO MUNDO) e agora em comédia. O elenco está ótimo: Rocco Pitanga, Ludmila Rosa, Débora Lamm, Marília Pera, Caio Junqueira, Marcelo Serrado e Nicete Bruno. Presente no cine São Luiz apenas o diretor e Ludmila e Débora, que elogiaram a hospitalidade cearense. Um detalhe: Murilo Salles, antes do filme, falou que colocou duas homenagens ao Glauber Rocha em sua comédia. Difícil é eu dizer onde elas estão, sem ter visto um filme do Glauber completo. Heheheh.. Bem legal o livrinho promocional do filme que a gente recebeu na entrada do cinema, contendo fotos do filme e frases ditas pelos personagens.
Ontem fui para o Cine Ceará no cine São Luiz. A noite foi agradável e pude ver duas comédias leves e agradáveis (um curta e um longa metragem). Os problemas de calor e som ruim continuam, mas a gente tenta se acostumar e acaba encontrando meios de aproveitar melhor o tempo no festival.
Tinha ido ver um filme no North Shopping (O ÚLTIMO SUSPEITO) e de lá fui sozinho pro Cine Ceará. Sorte minha que encontrei com o pessoal lá. Legal. Ficamos na Praça do Ferreira um tempo, enquanto os curtas em vídeo iam sendo exibidos, para sentir um pouco da brisa da noite (que brisa? hehehe).
Como perdi a maioria dos curtas, comento o que vi:
OS CURTAS
AÇAI COM JABÁ: UM FILME QUE BATE NA FRAQUEZA
Esse curta de 13 minutos é bem engraçado. Mostra que não é qualquer pessoa que aguenta uma tigelona de açaí. Eu já tomei o meu copo de açaí com guaraná hoje. Heheheh..
ABRY
Curta em vídeo de Joel Pizzini sobre a dona Lúcia Rocha, mãe do Glauber Rocha. Como o som estava ruim (novidade), não deu pra ouvir direito e fiquei perdido no documentário. E vendo o Pizzini filmando-a no hospital, deu até uma sensação de que ele estava achando que ela morreria em breve. Que nada, ela estava lá no cinema, recebeu um troféu e fez piada com Orlando Senna. Uma simpatia essa senhora.
SEJA O QUE DEUS QUISER
Muito divertida essa comédia de Murilo Salles, que ganhou prêmio de melhor longa brasileiro de ficção pelo público no Festival de Cinema do Rio. Essa foi a segunda exibição do filme no Brasil. E ele foi bem recebido pelo público, que riu das situações dos personagens. O filme tem ritmo bom e o diretor já tem ótimos filmes no currículo e experiência em dramas (NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, COMO NASCEM OS ANJOS), suspense (FACA DE DOIS GUMES), documentário (TODOS OS CORAÇÕES DO MUNDO) e agora em comédia. O elenco está ótimo: Rocco Pitanga, Ludmila Rosa, Débora Lamm, Marília Pera, Caio Junqueira, Marcelo Serrado e Nicete Bruno. Presente no cine São Luiz apenas o diretor e Ludmila e Débora, que elogiaram a hospitalidade cearense. Um detalhe: Murilo Salles, antes do filme, falou que colocou duas homenagens ao Glauber Rocha em sua comédia. Difícil é eu dizer onde elas estão, sem ter visto um filme do Glauber completo. Heheheh.. Bem legal o livrinho promocional do filme que a gente recebeu na entrada do cinema, contendo fotos do filme e frases ditas pelos personagens.
sexta-feira, maio 09, 2003
CINE CEARÁ - ENTRE O CALOR E A VERGONHA
Ontem fui para a segunda noite do Cine Ceará desse ano. Vou começar comentando o que mais me incomodou. O som estava uma merda - às vezes não se conseguia entender nada do que os atores estavam dizendo no filme. Um horror. Outro problema: o ar condicionado péssimo, que dizem que está funcionando, mas não o bastante pra tanta gente. Acho isso um desrespeito para com o público, os realizadores e os jornalistas e uma vergonha para nós. Vejam só o que Luiz Zanin Orochio, do Estado de São Paulo, escreveu hoje no jornal:
"FORTALEZA - Cine São Luiz com gente espirrando pelo ladrão, calor infernal lá dentro, muito povo do lado de fora, e alguns globais causando frisson, como Giovana Antonelli, Murilo Benício e Claudinha Abreu -- este o par principal de O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, filme escolhido para abrir na quarta-feira o 13.º Cine Ceará, hors-concours. "
e mais:
"A cerimônia foi rápida, sintética, de bom gosto. Nada de discursos inúteis e cansativos - que, aliás, cairiam mal sobre uma platéia já bastante incomodada pelo calor. Depois da apresentação de O Homem do Ano, por seu diretor, passou-se logo à projeção que era o que interessava. Projeção, aliás, prejudicada pela má qualidade de som do Cine São Luiz. Alguns diálogos ficaram inaudíveis. Outros se entendiam com dificuldade, o que, convenhamos, não é a melhor condição para se ver um filme."
Não é motivo de vergonha?? O que o Grupo Severiano Ribeiro está fazendo com o dinheiro dos altos preços dos ingressos e da pipoca que não conserta o som e o ar? Por que o Governo do Ceará, vendo o nome do Estado em um evento de projeção nacional, não mexe um dedo pra mudar isso? Por que os inúmeros patrocinadores, incluindo a Petrobrás, não fazem alguma diferença? Uma lástima.
Bom, passada a minha revolta, vamos aos eventos de ontem.
OS CURTAS
Cheguei atrasado para o curta em vídeo SILVA, de Beto Sporkens. Os outros curtas foram difíceis de curtir pelas razões que eu já mencionei.
O primeiro, GLAUCES, de Joel Pizzini, documentário de meia hora com edição de imagens de vários filmes com Glauce Rocha, é bem interessante e de montagem excelente, mas com uma duração dessas, ficou cansativo.
CEGO E AMIGO GEDEÃO À BEIRA DA ESTRADA traz Pedro Paulo Rangel como um ceguinho num filme que pretende ser engraçado, mas nem sempre consegue.
TERMINAL, filme em animação de blocos de preto e branco que até lembra "Sin City" de Frank Miller, é excelente técnicamente, mas não conseguiu atrair minha atenção para a narrativa. No fim, acabei não entendendo nada. Talvez porque estivese conversando com as meninas (Rejane e Valéria)
O último curta, CEGA SECA, de Sofia Federico, salvou a mostra. Mesmo com todo o problema de som e calor, o filme tem uma narrativa gostosa, que fez com que o público inteiro parasse pra prestar atenção. O filme traz uma história passada na caatinga nordestina com imagens bonitas e movimentação de cãmera ótima. No final, uma homenagem a O CÃO ANDALUZ, de Luis Buñuel. Sofia Federico tem potencial.
CAMA DE GATO
Finalmente, o longa-metragem da noite: CAMA DE GATO, do paulista Alexandre Stockler. (Caio Blat não veio com o diretor e o elenco jovem para o Cine São Luiz. ) Posso dizer que gostei da primeira meia hora. Depois o filme chega a ser cômico com tantas tragédias aparecendo na vida dos garotos. E se torna um pé no saco na cena final do lixão, excessivamente teatral.
Não vou contar aqui a história pra não estragar a surpresa de quem vai conferir o filme quando ele entrar em circuito comercial, mas adianto que ele contém cenas de sexo quase explícito, estupro, violência e opiniões polêmicas. É filme feito mesmo pra dar o que falar, nem que seja na base da apelação. Nada contra. As principais referências do trabalho de Stockler são mesmo o provocador Mikael Haneken (A PROFESSORA DE PIANO, CÓDIGO DESCONHECIDO, FUNNY GAMES) e os filmes do Dogma 95 (FESTA DE FAMÍLIA, OS IDIOTAS). Aliás, o próprio movimento criado por Stockler, o TRAUMA, é feito de maneira parecida com os filmes do Dogma: câmera digital de baixa qualidade de imagem na mão, muitos diálogos se aproximando do real, temas bombásticos. O que difere é que Stockler não abre mão de uma edição nervosa para dar mais agilidade à narrativa. Vale conferir.
Ontem fui para a segunda noite do Cine Ceará desse ano. Vou começar comentando o que mais me incomodou. O som estava uma merda - às vezes não se conseguia entender nada do que os atores estavam dizendo no filme. Um horror. Outro problema: o ar condicionado péssimo, que dizem que está funcionando, mas não o bastante pra tanta gente. Acho isso um desrespeito para com o público, os realizadores e os jornalistas e uma vergonha para nós. Vejam só o que Luiz Zanin Orochio, do Estado de São Paulo, escreveu hoje no jornal:
"FORTALEZA - Cine São Luiz com gente espirrando pelo ladrão, calor infernal lá dentro, muito povo do lado de fora, e alguns globais causando frisson, como Giovana Antonelli, Murilo Benício e Claudinha Abreu -- este o par principal de O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, filme escolhido para abrir na quarta-feira o 13.º Cine Ceará, hors-concours. "
e mais:
"A cerimônia foi rápida, sintética, de bom gosto. Nada de discursos inúteis e cansativos - que, aliás, cairiam mal sobre uma platéia já bastante incomodada pelo calor. Depois da apresentação de O Homem do Ano, por seu diretor, passou-se logo à projeção que era o que interessava. Projeção, aliás, prejudicada pela má qualidade de som do Cine São Luiz. Alguns diálogos ficaram inaudíveis. Outros se entendiam com dificuldade, o que, convenhamos, não é a melhor condição para se ver um filme."
Não é motivo de vergonha?? O que o Grupo Severiano Ribeiro está fazendo com o dinheiro dos altos preços dos ingressos e da pipoca que não conserta o som e o ar? Por que o Governo do Ceará, vendo o nome do Estado em um evento de projeção nacional, não mexe um dedo pra mudar isso? Por que os inúmeros patrocinadores, incluindo a Petrobrás, não fazem alguma diferença? Uma lástima.
Bom, passada a minha revolta, vamos aos eventos de ontem.
OS CURTAS
Cheguei atrasado para o curta em vídeo SILVA, de Beto Sporkens. Os outros curtas foram difíceis de curtir pelas razões que eu já mencionei.
O primeiro, GLAUCES, de Joel Pizzini, documentário de meia hora com edição de imagens de vários filmes com Glauce Rocha, é bem interessante e de montagem excelente, mas com uma duração dessas, ficou cansativo.
CEGO E AMIGO GEDEÃO À BEIRA DA ESTRADA traz Pedro Paulo Rangel como um ceguinho num filme que pretende ser engraçado, mas nem sempre consegue.
TERMINAL, filme em animação de blocos de preto e branco que até lembra "Sin City" de Frank Miller, é excelente técnicamente, mas não conseguiu atrair minha atenção para a narrativa. No fim, acabei não entendendo nada. Talvez porque estivese conversando com as meninas (Rejane e Valéria)
O último curta, CEGA SECA, de Sofia Federico, salvou a mostra. Mesmo com todo o problema de som e calor, o filme tem uma narrativa gostosa, que fez com que o público inteiro parasse pra prestar atenção. O filme traz uma história passada na caatinga nordestina com imagens bonitas e movimentação de cãmera ótima. No final, uma homenagem a O CÃO ANDALUZ, de Luis Buñuel. Sofia Federico tem potencial.
CAMA DE GATO
Finalmente, o longa-metragem da noite: CAMA DE GATO, do paulista Alexandre Stockler. (Caio Blat não veio com o diretor e o elenco jovem para o Cine São Luiz. ) Posso dizer que gostei da primeira meia hora. Depois o filme chega a ser cômico com tantas tragédias aparecendo na vida dos garotos. E se torna um pé no saco na cena final do lixão, excessivamente teatral.
Não vou contar aqui a história pra não estragar a surpresa de quem vai conferir o filme quando ele entrar em circuito comercial, mas adianto que ele contém cenas de sexo quase explícito, estupro, violência e opiniões polêmicas. É filme feito mesmo pra dar o que falar, nem que seja na base da apelação. Nada contra. As principais referências do trabalho de Stockler são mesmo o provocador Mikael Haneken (A PROFESSORA DE PIANO, CÓDIGO DESCONHECIDO, FUNNY GAMES) e os filmes do Dogma 95 (FESTA DE FAMÍLIA, OS IDIOTAS). Aliás, o próprio movimento criado por Stockler, o TRAUMA, é feito de maneira parecida com os filmes do Dogma: câmera digital de baixa qualidade de imagem na mão, muitos diálogos se aproximando do real, temas bombásticos. O que difere é que Stockler não abre mão de uma edição nervosa para dar mais agilidade à narrativa. Vale conferir.
quinta-feira, maio 08, 2003
FISHER E SCORSESE
Outro final de semana já está chegando e eu ainda não comentei os dois filmes que vi na telinha: AS NOIVAS DO VAMPIRO e SEXY E MARGINAL. Os dois filmes foram gravados pelo chapa Renato do canal Telecine. Então, vamos lá:
SEXY E MARGINAL (Boxcar Bertha)
Um dos primeiros filmes de Martin Scorsese, um dos maiores cineastas do mundo, SEXY E MARGINAL (1972) traz Barbara Hershey no auge da beleza e do frescor, quase 20 anos antes do mesmo Scorsese convidá-la para o papel de Maria Madalena em A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988). Nesse filme, Scorsese ainda não tinha atingido o nível que tem hoje. O filme mostra Hershey como uma moça do interior do Estados Unidos sulista na depressão americana dos anos 30, que ao lado de três rapazes assaltam trens e são perseguidos pela polícia, que na época gostava de perseguir os agitadores de sindicatos, tidos como comunistas. O filme foi produzido por Roger Corman e talvez por isso não seja um filme bem lapidado. Corman gostava de trabalhar com pouca grana, não gostava de gastar muito celulóide e Scorsese filmou tudo em 21 dias. Para os marmanjos, tem a nudez e a sensualidade de Miss Hershey. Não dá pra reclamar.
AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula)
Filme da Hammer de 1960, continuação de O VAMPIRO DA NOITE (1958), que traz novamente Van Helsing de volta à Transilvânia, dessa vez para caçar um outro vampiro, o Barão Meinster e suas vampiretes. Fisher é o mesmo diretor do primeiro filme de Drácula da Hammer (esse de 1958) e do segundo - DRÁCULA, O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Além disso, ele dirigiu outros filmes de monstros de horror clássicos como a Múmia, a criatura de Frankenstein, Dr. Jeckyl & Mr. Hyde, o Fantasma da Ópera, entre outros. Esse AS NOIVAS DO VAMPIRO não é tão bom quanto os dois Dráculas, mas mantém o mesmo clima. Estão lá as moças bonitas, os vampiros dentuços, o castelo amaldiçoado, a comunidade temerosa, os morcegos de borracha e um expert em vampiros (no filme, interpretado por Peter Cushing). Quer dizer, não tem como ser ruim, como diria o Thomaz.
Outro final de semana já está chegando e eu ainda não comentei os dois filmes que vi na telinha: AS NOIVAS DO VAMPIRO e SEXY E MARGINAL. Os dois filmes foram gravados pelo chapa Renato do canal Telecine. Então, vamos lá:
SEXY E MARGINAL (Boxcar Bertha)
Um dos primeiros filmes de Martin Scorsese, um dos maiores cineastas do mundo, SEXY E MARGINAL (1972) traz Barbara Hershey no auge da beleza e do frescor, quase 20 anos antes do mesmo Scorsese convidá-la para o papel de Maria Madalena em A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988). Nesse filme, Scorsese ainda não tinha atingido o nível que tem hoje. O filme mostra Hershey como uma moça do interior do Estados Unidos sulista na depressão americana dos anos 30, que ao lado de três rapazes assaltam trens e são perseguidos pela polícia, que na época gostava de perseguir os agitadores de sindicatos, tidos como comunistas. O filme foi produzido por Roger Corman e talvez por isso não seja um filme bem lapidado. Corman gostava de trabalhar com pouca grana, não gostava de gastar muito celulóide e Scorsese filmou tudo em 21 dias. Para os marmanjos, tem a nudez e a sensualidade de Miss Hershey. Não dá pra reclamar.
AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula)
Filme da Hammer de 1960, continuação de O VAMPIRO DA NOITE (1958), que traz novamente Van Helsing de volta à Transilvânia, dessa vez para caçar um outro vampiro, o Barão Meinster e suas vampiretes. Fisher é o mesmo diretor do primeiro filme de Drácula da Hammer (esse de 1958) e do segundo - DRÁCULA, O PRÍNCIPE DAS TREVAS (1966). Além disso, ele dirigiu outros filmes de monstros de horror clássicos como a Múmia, a criatura de Frankenstein, Dr. Jeckyl & Mr. Hyde, o Fantasma da Ópera, entre outros. Esse AS NOIVAS DO VAMPIRO não é tão bom quanto os dois Dráculas, mas mantém o mesmo clima. Estão lá as moças bonitas, os vampiros dentuços, o castelo amaldiçoado, a comunidade temerosa, os morcegos de borracha e um expert em vampiros (no filme, interpretado por Peter Cushing). Quer dizer, não tem como ser ruim, como diria o Thomaz.
domingo, maio 04, 2003
X-2, LA COMUNIDAD E BELLA MARTHA
X-MEN 2 (X2)
Finalmente, depois de duas tentativas fracassadas, consegui ver X-MEN 2 hoje. A continuação é bem mais resolvida do que o primeiro filme, ainda que a primeira metade do filme, que mostra um pouco mais a personalidade de cada mutante interagindo, me agrade mais do que a segunda metade. A história do filme foi inspirada na história "O Conflito de uma raça" de Chris Claremont e Brett Anderson. Ouvi falar que a Panini vai relançar essa história numa edição caprichada. Tomara.
O começo do filme, apresentando o mutante Noturno, é bem legal. Os efeitos especiais estão tão bons que eu não tenho do que reclamar nesse aspecto. Mais dinheiro na produção, né? Interessante o triângulo amoroso Wolverine-Jean Grey-Ciclope.
Tenho minhas dúvidas se o filme é totalmente compreensível para quem não leu nada dos quadrinhos. Alguns detalhes no filme quem leu vai entender melhor. Por exemplo: a mudança no poder telecinético em Jean Grey, a origem obscura de Wolverine, a aparição de Colossus, a menina que atravessa paredes Kitty Pryde etc. A trama geral não é comprometida por causa disso.
Pelo visto a Marvel está com o pé direito no cinema. Depois do primeiro X-Men, de Homem-Aranha, Demolidor, X-2 e agora vem Hulk, por Ang Lee. E nenhum desses filmes, por mais que tenham os seus problemas, não envergonham ninguém em qualidade de direção, efeitos e história.
Vi o trailler de A LIGA (mudaram o nome da adaptação de "As aventuras da Liga Extraordinária"), mas não deu pra ficar animado. Não é à toa que Alan Moore nem quer ver o filme. Heheheh..
A COMUNIDADE (La Comunidad)
Se X-MEN 2, eu recomendo, A COMUNIDADE então eu digo que é imperdível. Pena que poucas as pessoas tenham ido prestigiar as poucas sessões que exibem mais esse belo trabalho de Álex de la Iglesia. Ainda por cima que o filme é em scope (1: 2,35) e assistir na tela pequena estraga um pouco do impacto visual e de suspense do filme.
A COMUNIDADE é um misto de comédia de humor negro com suspense e uns elementos de filmes de horror. Conta a história de uma corretora imobiliária (Carmen Maura, de MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS) que se apossa de um apartamento de luxo e acaba encontrando 300 milhões no apartamento de cima. O que ela não contava era que todos os moradores do prédio já estavam de olho na grana. É um filme que trata de maneira bizarra o tema da ambição, que tem como filme mais representativo O TESOURO DE SIERRA MADRE, de John Huston.
Infelizmente esse é apenas o segundo filme de La Iglesia que eu vejo. Vi apenas AÇÃO MUTANTE, mas pretendo ir atrás de O DIA DA BESTA e PERDITA DURANGO. Quem sabe nas minhas férias em julho, né?
SIMPLESMENTE MARTHA (Bella Martha)
Mais um exemplo de "cinema gastronômico". Como A FESTA DE BABETTE, COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE e SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL, esse filme é de dar fome, mostrando a culinária alemã e italiana. Na história, Martha é uma chef de um restaurante que vive sozinha até o acidente que mata a sua irmã e a deixa tendo de cuidar da sobrinha, até encontrar o pai da criança, em algum lugar da Itália. Entra em cena um italiano que muda a rotina de Martha. Legal o filme mostrar o contraste entre a cultura alemã (fria) e a cultura italiana (mais passional).
O filme é simpático, mas não assisti-lo não vai fazer muita falta. Recomendado para pessoas que estão sem apetite. Já para as que estão comendo demais e precisam de uma dieta recomendo A COMILANÇA, de Marco Ferreri ou SALÓ - OS 120 DIAS DE SODOMA, do Pasolini. Arghh.. Hehhehe..
X-MEN 2 (X2)
Finalmente, depois de duas tentativas fracassadas, consegui ver X-MEN 2 hoje. A continuação é bem mais resolvida do que o primeiro filme, ainda que a primeira metade do filme, que mostra um pouco mais a personalidade de cada mutante interagindo, me agrade mais do que a segunda metade. A história do filme foi inspirada na história "O Conflito de uma raça" de Chris Claremont e Brett Anderson. Ouvi falar que a Panini vai relançar essa história numa edição caprichada. Tomara.
O começo do filme, apresentando o mutante Noturno, é bem legal. Os efeitos especiais estão tão bons que eu não tenho do que reclamar nesse aspecto. Mais dinheiro na produção, né? Interessante o triângulo amoroso Wolverine-Jean Grey-Ciclope.
Tenho minhas dúvidas se o filme é totalmente compreensível para quem não leu nada dos quadrinhos. Alguns detalhes no filme quem leu vai entender melhor. Por exemplo: a mudança no poder telecinético em Jean Grey, a origem obscura de Wolverine, a aparição de Colossus, a menina que atravessa paredes Kitty Pryde etc. A trama geral não é comprometida por causa disso.
Pelo visto a Marvel está com o pé direito no cinema. Depois do primeiro X-Men, de Homem-Aranha, Demolidor, X-2 e agora vem Hulk, por Ang Lee. E nenhum desses filmes, por mais que tenham os seus problemas, não envergonham ninguém em qualidade de direção, efeitos e história.
Vi o trailler de A LIGA (mudaram o nome da adaptação de "As aventuras da Liga Extraordinária"), mas não deu pra ficar animado. Não é à toa que Alan Moore nem quer ver o filme. Heheheh..
A COMUNIDADE (La Comunidad)
Se X-MEN 2, eu recomendo, A COMUNIDADE então eu digo que é imperdível. Pena que poucas as pessoas tenham ido prestigiar as poucas sessões que exibem mais esse belo trabalho de Álex de la Iglesia. Ainda por cima que o filme é em scope (1: 2,35) e assistir na tela pequena estraga um pouco do impacto visual e de suspense do filme.
A COMUNIDADE é um misto de comédia de humor negro com suspense e uns elementos de filmes de horror. Conta a história de uma corretora imobiliária (Carmen Maura, de MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS) que se apossa de um apartamento de luxo e acaba encontrando 300 milhões no apartamento de cima. O que ela não contava era que todos os moradores do prédio já estavam de olho na grana. É um filme que trata de maneira bizarra o tema da ambição, que tem como filme mais representativo O TESOURO DE SIERRA MADRE, de John Huston.
Infelizmente esse é apenas o segundo filme de La Iglesia que eu vejo. Vi apenas AÇÃO MUTANTE, mas pretendo ir atrás de O DIA DA BESTA e PERDITA DURANGO. Quem sabe nas minhas férias em julho, né?
SIMPLESMENTE MARTHA (Bella Martha)
Mais um exemplo de "cinema gastronômico". Como A FESTA DE BABETTE, COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE e SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL, esse filme é de dar fome, mostrando a culinária alemã e italiana. Na história, Martha é uma chef de um restaurante que vive sozinha até o acidente que mata a sua irmã e a deixa tendo de cuidar da sobrinha, até encontrar o pai da criança, em algum lugar da Itália. Entra em cena um italiano que muda a rotina de Martha. Legal o filme mostrar o contraste entre a cultura alemã (fria) e a cultura italiana (mais passional).
O filme é simpático, mas não assisti-lo não vai fazer muita falta. Recomendado para pessoas que estão sem apetite. Já para as que estão comendo demais e precisam de uma dieta recomendo A COMILANÇA, de Marco Ferreri ou SALÓ - OS 120 DIAS DE SODOMA, do Pasolini. Arghh.. Hehhehe..
quarta-feira, abril 30, 2003
DUAS TRAGÉDIAS ITALIANAS
Antes que eu comece a me esquecer dos filmes, comento a seguir duas tragédias dirigidas por dois grandes cineastas italianos. A primeira, mais famosa, é ROCCO E SEUS IRMÃOS, de Luchino Visconti; a outra, PAIXÃO DE AMOR, é um filme mais obscuro da bela e grande filmografia de Ettore Scola. Vamos aos comentários.
ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco e i Suoi Fratelli)
Tinha assistido ao filme em vhs há muito tempo. Na época já achava a fotografia em preto e branco bastante escura. Em DVD, continua escura. Mas esse é o único problema que eu vejo no filme, que é provavelmente o melhor de Visconti. Na história, a viúva Rosaria muda-se para Milão com seus quatro filhos para tentar a vida na cidade grande. Um deles é Rocco (Alain Delon). Os outros são Vincenzo, Simone, Ciro e Luca. Os irmãos mais importantes na história, no entanto, são Rocco e Simone. Rocco é o irmão bondoso e Simone é a ovelha negra da família. A tragédia do filme acontece graças ao ciúme e inveja de Simone, quando Rocco passa a namorar uma de suas ex-amantes (a ótima atriz Annie Girardot). No filme é mostrada a sociedade italina do pós-guerra, com pessoas passando por dificuldades e lutando pela sobrevivência. Os momentos finais do filme são chapantes e devastadores.
Dos filmes de Visconti vi, além de ROCCO (1960):
- O LEOPARDO (1963), numa histórica sessão no extinto cine Fortaleza. Eu tinha saído da aula da faculdade à noite e encarei esse filme de mais de 3 horas de duração. Saí moído da sessão, mas depois as imagens cresceram na minha mente;
- MORTE EM VENEZA (1971): ótima adaptação de uma obra de Thomas Mann.
- LUDWIG (1972): Vi em VHS um tempo. O filme é muito longo e arrastaaaado...
- O INOCENTE (1976): vi na BAND há mais de dez anos, mas nunca me esqueci do final cruel.
Ah, vendo o documentário de uma hora de duração que vem no DVD duplo da Versátil, vi uma cena de VIOLÊNCIA E PAIXÃO com uma versão em italiano de uma canção do Roberto Carlos na trilha. Deu uma vontade de ver o filme...heheheh..
PAIXÃO DE AMOR (Passione D'Amore)
Mais um Ettore Scola visto. Até agora não vi um filme ruim do veterano cineasta. Esse, de 1981, é adaptado do romance "Fosca" de Tarchetti. É a história de uma mulher feia apaixonada por um capitão do exército italiano. Fiquei imaginando se a atriz (Valeria D'Obici) é feia mesmo ou se colocaram mais maquiagem pra acabar de estragar a aparência da moça. O filme é incômodo, Fosca é incômoda (Scola tem a habilidade de nos colocar na pele do homem perseguido pelo Dragão..hehehe) mas o filme é bem bonito em sua amargura e se encaminha para uma tragédia romântica. Gravado da BAND.
Antes que eu comece a me esquecer dos filmes, comento a seguir duas tragédias dirigidas por dois grandes cineastas italianos. A primeira, mais famosa, é ROCCO E SEUS IRMÃOS, de Luchino Visconti; a outra, PAIXÃO DE AMOR, é um filme mais obscuro da bela e grande filmografia de Ettore Scola. Vamos aos comentários.
ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco e i Suoi Fratelli)
Tinha assistido ao filme em vhs há muito tempo. Na época já achava a fotografia em preto e branco bastante escura. Em DVD, continua escura. Mas esse é o único problema que eu vejo no filme, que é provavelmente o melhor de Visconti. Na história, a viúva Rosaria muda-se para Milão com seus quatro filhos para tentar a vida na cidade grande. Um deles é Rocco (Alain Delon). Os outros são Vincenzo, Simone, Ciro e Luca. Os irmãos mais importantes na história, no entanto, são Rocco e Simone. Rocco é o irmão bondoso e Simone é a ovelha negra da família. A tragédia do filme acontece graças ao ciúme e inveja de Simone, quando Rocco passa a namorar uma de suas ex-amantes (a ótima atriz Annie Girardot). No filme é mostrada a sociedade italina do pós-guerra, com pessoas passando por dificuldades e lutando pela sobrevivência. Os momentos finais do filme são chapantes e devastadores.
Dos filmes de Visconti vi, além de ROCCO (1960):
- O LEOPARDO (1963), numa histórica sessão no extinto cine Fortaleza. Eu tinha saído da aula da faculdade à noite e encarei esse filme de mais de 3 horas de duração. Saí moído da sessão, mas depois as imagens cresceram na minha mente;
- MORTE EM VENEZA (1971): ótima adaptação de uma obra de Thomas Mann.
- LUDWIG (1972): Vi em VHS um tempo. O filme é muito longo e arrastaaaado...
- O INOCENTE (1976): vi na BAND há mais de dez anos, mas nunca me esqueci do final cruel.
Ah, vendo o documentário de uma hora de duração que vem no DVD duplo da Versátil, vi uma cena de VIOLÊNCIA E PAIXÃO com uma versão em italiano de uma canção do Roberto Carlos na trilha. Deu uma vontade de ver o filme...heheheh..
PAIXÃO DE AMOR (Passione D'Amore)
Mais um Ettore Scola visto. Até agora não vi um filme ruim do veterano cineasta. Esse, de 1981, é adaptado do romance "Fosca" de Tarchetti. É a história de uma mulher feia apaixonada por um capitão do exército italiano. Fiquei imaginando se a atriz (Valeria D'Obici) é feia mesmo ou se colocaram mais maquiagem pra acabar de estragar a aparência da moça. O filme é incômodo, Fosca é incômoda (Scola tem a habilidade de nos colocar na pele do homem perseguido pelo Dragão..hehehe) mas o filme é bem bonito em sua amargura e se encaminha para uma tragédia romântica. Gravado da BAND.
terça-feira, abril 29, 2003
SERIAL EXPERIMENTS LAIN
Continuo conhecendo maravilhas do anime japonês, graças ao Benuel. Dessa vez ele me emprestou um CD-R contendo os treze episódios de uma série pra tv chamada SERIAL EXPERIMENTS LAIN, e já tratei de gravar pra mim. Na história, Lain é uma garotinha que recebe um e-mail de uma menina que havia se suicidado. Nada anormal a não ser o fato de o e-mail ter sido enviado após a morte da menina. A partir daí o filme adquire ares de ficção científica misturada com sobrenatural, que lembra um pouco a história de MATRIX. Engraçado como a tecnologia está tão forte na cultura japonesa que eles misturam tecnologia com sobrenatural com a maior naturalidade. É só lembrar que O CHAMADO (The Ring) é o remake de um filme japonês.
Achei um pouco confuso, mas ainda assim vi dois dos trezes episódios que consegui na tela do computador, tal o poder enigmático de LAIN. Voltarei a comentar uma outra vez assim que tiver assistido todos os 13 episódios. Pretendo, inclusive, rever os dois primeiros pra esclarecer alguns pontos de difícil compreensão.
Na Amazon, há comentários de várias pessoas entusiastas pela série. Em alguns deles, os usuários do site comentam de similiridades da série com ARQUIVO X e os filmes de David Lynch, dada a sua natureza enigmática.
Continuo conhecendo maravilhas do anime japonês, graças ao Benuel. Dessa vez ele me emprestou um CD-R contendo os treze episódios de uma série pra tv chamada SERIAL EXPERIMENTS LAIN, e já tratei de gravar pra mim. Na história, Lain é uma garotinha que recebe um e-mail de uma menina que havia se suicidado. Nada anormal a não ser o fato de o e-mail ter sido enviado após a morte da menina. A partir daí o filme adquire ares de ficção científica misturada com sobrenatural, que lembra um pouco a história de MATRIX. Engraçado como a tecnologia está tão forte na cultura japonesa que eles misturam tecnologia com sobrenatural com a maior naturalidade. É só lembrar que O CHAMADO (The Ring) é o remake de um filme japonês.
Achei um pouco confuso, mas ainda assim vi dois dos trezes episódios que consegui na tela do computador, tal o poder enigmático de LAIN. Voltarei a comentar uma outra vez assim que tiver assistido todos os 13 episódios. Pretendo, inclusive, rever os dois primeiros pra esclarecer alguns pontos de difícil compreensão.
Na Amazon, há comentários de várias pessoas entusiastas pela série. Em alguns deles, os usuários do site comentam de similiridades da série com ARQUIVO X e os filmes de David Lynch, dada a sua natureza enigmática.
domingo, abril 27, 2003
ENCONTRO DE AMOR (Maid in Manhattan)

Os cinemas estão cheios de filmes descartáveis, e a gente fica até sem muito ânimo pra ir ver. Por isso, vi um único filme no cinema no fim de semana. E estava arriscado a nem vê-lo. Mas a companhia agradável e a surpresa do filme fez a diferença. O título foi ENCONTRO DE AMOR, de Wayne Wang, com Jennifer Lopez e Ralph Finnes, que é bem melhor do que eu esperava. O forte do filme é a direção segura de Wang, que dirigiu, em 1993, O CLUBE DA FELICIDADE E DA SORTE. Na época, eu achava que ele e Ang Lee iriam se especializar em cinema chinês made in USA. (Ang Lee dirigiu BANQUETE DE CASAMENTO.) Mas ambos trilharam caminhos diferentes, dirigindo filmes encomendados pelos produtores de Hollywood. Mesmo com todos os problemas que um filme como ENCONTRO DE AMOR pode ter, a direção segura e a competência do elenco o tornam uma diversão divertida e agradável. Na história já conhecida por todos, J.Lo é uma camareira de hotel que é confundida com uma hóspede por um deputado perseguido por paparazzi (Fiennes). Ele se apaixona pela moça e a partir daí rolam as confusões conhecidas dessa típica comédia de situações romântica. Se bem que nesse filme, o forte não é o humor, até um pouco fraco, e sim, o lado mais... PRETTY WOMAN. Na trilha sonora tem uma canção linda da premiada Norah Jones ("Come away with me"), em momentos bonitos do filme.
Depois do cinema, teve a festinha aí da foto, lá na barraca Biruta. O legal é que eu estou me entrosando mais com o pessoal. Antes ainda me comportava como um estranho, mas o tempo trata de trazer mais intimidade e amizade às pessoas. A festa foi boa, com dois ambientes, um de música mais "underground" e outro mais pop de canções dos anos 70 e 80.
No domingo dormi até tarde e não rolou mais nada a não ser ver um filme do Visconti em video pra espantar a onda de filmes ruins. Heheheheh.. Em breve comento essa obra-prima do velho mestre.
Os cinemas estão cheios de filmes descartáveis, e a gente fica até sem muito ânimo pra ir ver. Por isso, vi um único filme no cinema no fim de semana. E estava arriscado a nem vê-lo. Mas a companhia agradável e a surpresa do filme fez a diferença. O título foi ENCONTRO DE AMOR, de Wayne Wang, com Jennifer Lopez e Ralph Finnes, que é bem melhor do que eu esperava. O forte do filme é a direção segura de Wang, que dirigiu, em 1993, O CLUBE DA FELICIDADE E DA SORTE. Na época, eu achava que ele e Ang Lee iriam se especializar em cinema chinês made in USA. (Ang Lee dirigiu BANQUETE DE CASAMENTO.) Mas ambos trilharam caminhos diferentes, dirigindo filmes encomendados pelos produtores de Hollywood. Mesmo com todos os problemas que um filme como ENCONTRO DE AMOR pode ter, a direção segura e a competência do elenco o tornam uma diversão divertida e agradável. Na história já conhecida por todos, J.Lo é uma camareira de hotel que é confundida com uma hóspede por um deputado perseguido por paparazzi (Fiennes). Ele se apaixona pela moça e a partir daí rolam as confusões conhecidas dessa típica comédia de situações romântica. Se bem que nesse filme, o forte não é o humor, até um pouco fraco, e sim, o lado mais... PRETTY WOMAN. Na trilha sonora tem uma canção linda da premiada Norah Jones ("Come away with me"), em momentos bonitos do filme.
Depois do cinema, teve a festinha aí da foto, lá na barraca Biruta. O legal é que eu estou me entrosando mais com o pessoal. Antes ainda me comportava como um estranho, mas o tempo trata de trazer mais intimidade e amizade às pessoas. A festa foi boa, com dois ambientes, um de música mais "underground" e outro mais pop de canções dos anos 70 e 80.
No domingo dormi até tarde e não rolou mais nada a não ser ver um filme do Visconti em video pra espantar a onda de filmes ruins. Heheheheh.. Em breve comento essa obra-prima do velho mestre.
quarta-feira, abril 23, 2003
OS FILMES DO FERIADÃO
Ontem não deu mas hoje pretendo comentar um pouco os filmes do feriado. O que mais achei estranho foi que com todo o tempo que eu tive, eu não aproveitei muito bem. Não foi um feriado produtivo. Não fiz nada muito importante além de descansar. Tem fins de semana normais que vejo mais filmes na telinha. Nesse, só vi dois, que comento a seguir junto com os filmes da telona:
RECÉM-CASADOS (Just Married)
Um dos filmes mais constrangedores do ano. Fui sozinho num sábado à noite pra ver esse filme. Além de o filme ser bem ruinzinho, na sala só tinha casal. Fiquei me sentindo o Steve Martin no filme O RAPAZ SOLITÁRIO. Hehehehe.. Constrangedor também na hora de sair da sala. Sábado não foi um dia bom, passei o dia deprimido e o filme só me fez rir na cena da barata. Acho Brittany Murphy uma gracinha e ela é bem sexy, mas o filme é censura livre. O rapaz, Ashton Kutcher, também não é ruim. Ele estava no bem mais engraçado CARA, CADÊ MEU CARRO. Pelo trailler, achei que o filme era mais comédia besteirol pastelão, mas vendo o filme, vimos que não é bem assim. É uma espécie de FÉRIAS FRUSTRADAS (do Chevy Chase), só que com mais açúcar. Melhor mesmo é rever FÉRIAS FRUSTRADAS NA EUROPA.
FRIDA
Domingo eu já estava melhor de espírito, fui me encontrar com o casal de amigos Santiago e Arisa pra gente ir ver o já arrasado pela crítica FRIDA, de Julie Taymor. É a tal coisa, depois de tanta crítica negativa, acabei gostando do filme mais do que esperava. Salma Hayek pegou o papel da vida dela, sua melhor performace até agora. Sem falar que ela aparece nua algumas vezes. A Frida de verdade não tinha metade da beleza de Salma, que para o bem e para o mal só aparece de bigode no começo e no final do filme. A tragédia da vida dela, o acidente de ônibus na adolescência, é bem contado, mas surte pouco efeito dramático. O filme bem que poderia se dar ao luxo de carregar nas tintas da tragédia, já que o povo mexicano é tão passional e exagerado. Não seria mal. Fico imaginando esse filme nas mãos do Pedro Almodóvar. Seria perfeito. Mesmo assim, FRIDA foi o melhor filme do feriadão.
JOHNNY ENGLISH
Nesse dia fui com uma turma bem legal ver o filme do "Mr. Bean", que nesse filme não é Mr. Bean. O filme com o Rowan Atkinson tem bons momentos, mas o estilo de herói trapalhão querendo se passar por sabichão dá mesmo é saudade do detetive Frank Debrin em CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Mesmo assim, o filme tem piadas irresistíveis que o torna melhor que o último Austin Powers, pra comparar com outro filme que satiriza James Bond. O filme tem participações especiais de John Malkovich e da bela Natalie Imbruglia.
Quanto aos filmes da telinha, como eu disse, o saldo não foi dos melhores:
VAMPYROS LESBOS
Cinema de horror europeu, mesmo tendo muitas obras-primas, às vezes é um samba do crioulo doido. O diretor Jesus Franco, que dizem faz montes de filmes-escremento, dirigiu esse filme-enganação, que é um dos mais conhecidos dele. Agora que já vi o filme, até que guardo uma boa memória e impressão dele. Culpa das mulheres lindas e nuas que ele coloca nesse horror erótico, que não tem clima de horror de jeito nenhum e o erotismo é frio. A história é ridícula e envolve uma vampira que se diz herdeira do Conde Drácula (a lindíssima Soledad Miranda) que atormenta e seduz uma loira. O filme não leva a lugar nenhum. Vejam a quantidade de títulos diferentes que esse filme tem, de acordo com o IMDB:
Las Vampiras (1970)
Heiress of Dracula, The (1970)
Heritage of Dracula, The (1970)
Im Zeichen der Vampire (1970) (West Germany: working title)
Lesbian Vampires (1970)
Lesbian Vampires: The Heiress of Dracula (1970)
Mal des Vampirs, Das (1970) (West Germany: working title)
Schlechte Zeiten für Vampire (1970) (West Germany: working title)
Sign of the Vampire, The (1970)
Signo del vampiro, El (1970)
Strange Adventure of Jonathan Harker, The (1970)
Vampire Women, The (1970)
Vampyros Lesbos: Die Erbin des Dracula (1971) (West Germany)
ENIGMA DO ESPAÇO (The Astronaut's Wife)
O casal de protagonistas eu gosto: Johnny Depp e Charlize Theron. O filme é uma espécia de BEBÊ DE ROSEMARY, só que em vez do demônio é um alienígena que engravida a protagonista. Nem precisa dizer que o filme passa muito longe da obra-prima de Polanski. Não é de todo ruim, já que não aborrece, mas do meio pro final, a história vai ficando mal contada. Depp e Charlize nunca vi piores. Primeiro filme fraco que vi com o Depp. O final é bem clichezão. Falar mais o que??
Como eu disse, o saldo de filmes não foi dos melhores.
Ontem não deu mas hoje pretendo comentar um pouco os filmes do feriado. O que mais achei estranho foi que com todo o tempo que eu tive, eu não aproveitei muito bem. Não foi um feriado produtivo. Não fiz nada muito importante além de descansar. Tem fins de semana normais que vejo mais filmes na telinha. Nesse, só vi dois, que comento a seguir junto com os filmes da telona:
RECÉM-CASADOS (Just Married)
Um dos filmes mais constrangedores do ano. Fui sozinho num sábado à noite pra ver esse filme. Além de o filme ser bem ruinzinho, na sala só tinha casal. Fiquei me sentindo o Steve Martin no filme O RAPAZ SOLITÁRIO. Hehehehe.. Constrangedor também na hora de sair da sala. Sábado não foi um dia bom, passei o dia deprimido e o filme só me fez rir na cena da barata. Acho Brittany Murphy uma gracinha e ela é bem sexy, mas o filme é censura livre. O rapaz, Ashton Kutcher, também não é ruim. Ele estava no bem mais engraçado CARA, CADÊ MEU CARRO. Pelo trailler, achei que o filme era mais comédia besteirol pastelão, mas vendo o filme, vimos que não é bem assim. É uma espécie de FÉRIAS FRUSTRADAS (do Chevy Chase), só que com mais açúcar. Melhor mesmo é rever FÉRIAS FRUSTRADAS NA EUROPA.
FRIDA
Domingo eu já estava melhor de espírito, fui me encontrar com o casal de amigos Santiago e Arisa pra gente ir ver o já arrasado pela crítica FRIDA, de Julie Taymor. É a tal coisa, depois de tanta crítica negativa, acabei gostando do filme mais do que esperava. Salma Hayek pegou o papel da vida dela, sua melhor performace até agora. Sem falar que ela aparece nua algumas vezes. A Frida de verdade não tinha metade da beleza de Salma, que para o bem e para o mal só aparece de bigode no começo e no final do filme. A tragédia da vida dela, o acidente de ônibus na adolescência, é bem contado, mas surte pouco efeito dramático. O filme bem que poderia se dar ao luxo de carregar nas tintas da tragédia, já que o povo mexicano é tão passional e exagerado. Não seria mal. Fico imaginando esse filme nas mãos do Pedro Almodóvar. Seria perfeito. Mesmo assim, FRIDA foi o melhor filme do feriadão.
JOHNNY ENGLISH
Nesse dia fui com uma turma bem legal ver o filme do "Mr. Bean", que nesse filme não é Mr. Bean. O filme com o Rowan Atkinson tem bons momentos, mas o estilo de herói trapalhão querendo se passar por sabichão dá mesmo é saudade do detetive Frank Debrin em CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Mesmo assim, o filme tem piadas irresistíveis que o torna melhor que o último Austin Powers, pra comparar com outro filme que satiriza James Bond. O filme tem participações especiais de John Malkovich e da bela Natalie Imbruglia.
Quanto aos filmes da telinha, como eu disse, o saldo não foi dos melhores:
VAMPYROS LESBOS
Cinema de horror europeu, mesmo tendo muitas obras-primas, às vezes é um samba do crioulo doido. O diretor Jesus Franco, que dizem faz montes de filmes-escremento, dirigiu esse filme-enganação, que é um dos mais conhecidos dele. Agora que já vi o filme, até que guardo uma boa memória e impressão dele. Culpa das mulheres lindas e nuas que ele coloca nesse horror erótico, que não tem clima de horror de jeito nenhum e o erotismo é frio. A história é ridícula e envolve uma vampira que se diz herdeira do Conde Drácula (a lindíssima Soledad Miranda) que atormenta e seduz uma loira. O filme não leva a lugar nenhum. Vejam a quantidade de títulos diferentes que esse filme tem, de acordo com o IMDB:
Las Vampiras (1970)
Heiress of Dracula, The (1970)
Heritage of Dracula, The (1970)
Im Zeichen der Vampire (1970) (West Germany: working title)
Lesbian Vampires (1970)
Lesbian Vampires: The Heiress of Dracula (1970)
Mal des Vampirs, Das (1970) (West Germany: working title)
Schlechte Zeiten für Vampire (1970) (West Germany: working title)
Sign of the Vampire, The (1970)
Signo del vampiro, El (1970)
Strange Adventure of Jonathan Harker, The (1970)
Vampire Women, The (1970)
Vampyros Lesbos: Die Erbin des Dracula (1971) (West Germany)
ENIGMA DO ESPAÇO (The Astronaut's Wife)
O casal de protagonistas eu gosto: Johnny Depp e Charlize Theron. O filme é uma espécia de BEBÊ DE ROSEMARY, só que em vez do demônio é um alienígena que engravida a protagonista. Nem precisa dizer que o filme passa muito longe da obra-prima de Polanski. Não é de todo ruim, já que não aborrece, mas do meio pro final, a história vai ficando mal contada. Depp e Charlize nunca vi piores. Primeiro filme fraco que vi com o Depp. O final é bem clichezão. Falar mais o que??
Como eu disse, o saldo de filmes não foi dos melhores.
sábado, abril 19, 2003
O MUNDO MARAVILHOSO DOS ANIMES

Só recentemente venho conhecendo animes de primeira linha, verdadeiras maravilhas made in Japan. Comento a seguir dois filmes belíssimos, bastante diferentes um do outro, mas que são verdadeiras jóias para quem gosta de cinema, seja ele retratando a realidade na Segunda Guerra Mundial, seja ele um universo de fantasia cheio de lobos e javalis gigantes e falantes. Eis os filmes:
CEMITÉRIO DE VAGALUMES (Hotaru no Haka)
Filme de Isao Takahata, que conta de maneira sensível e realista a história de duas crianças tentando sobreviver no Japão de 1945, ainda em guerra com os aliados e sofrendo bombardeios constantes. O garoto de uns doze anos e a sua irmãzinha pequena têm sua casa bombardeada e sua mãe morta por causa dos bombardeios. Eles partem para outra cidade, onde mora a tia. Mas lá eles não são tratados com o devido respeito, não se alimentam direito e acabam abandonando a casa da tia. A partir daí é só tristeza e o filme vira um melodrama de verter lágrimas. Ver um filme como esse e nos lembrar que aconteceu algo bem parecido em países como Iraque e Afeganistão há pouco tempo, é perceber que o mundo não mudou nada e que continua cada dia mais cruel. Consegui essa fita graças ao Benuel, que já me havia emprestado também LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS, do Miyazaki. Benuel, 'brigadão, velho!
PRINCESS MONONOKE (Mononoke-hime)
Mais um filme de Hayao Miyazaki, PRINCESS MONONOKE é um dos mais cotados filmes do japonês, que agora virou superstar graças aos prêmios de A VIAGEM DE CHIHIRO. Esse filme foi gravado pelo Renato em CD-R e enviado para o Fab Rib, que fez a gentileza de fazer uma cópia em VHS. Bacana. A história cheia de fantasia é fascinante: rapaz luta contra um javali dominado por um demônio e tem o braço ferido na batalha. A sábia do vilarejo diz pra ele que a morte é inevitável, que a ferida no braço irá consumi-lo. A não ser que ele vá de encontro ao mal. Ele abandona o vilarejo e no meio do caminho encontra lobos e javalis gigantes, uma guerreira que quer destruir o espírito da floresta (um animal mágico parecido com um alce), uma menina criada por lobos (a princesa do título), entre outras coisas. O clima de fantasia e o apelo ecológico lembra um pouco O SENHOR DOS ANÉIS, ainda que a semelhança pare por aí. A versão que eu vi é dublada em inglês por um elenco que inclui Billy Crudup, Billy Bob Thornton, Minnie Driver, Claire Danes e Gilliam Anderson; e os diálogos foram adaptados para o inglês por Neil Gaiman.
Agora é esperar pra ver em breve A VIAGEM DE CHIHIRO no cinema e NAUSICÃA, que o Benuel pode conseguir pra mim.
Só recentemente venho conhecendo animes de primeira linha, verdadeiras maravilhas made in Japan. Comento a seguir dois filmes belíssimos, bastante diferentes um do outro, mas que são verdadeiras jóias para quem gosta de cinema, seja ele retratando a realidade na Segunda Guerra Mundial, seja ele um universo de fantasia cheio de lobos e javalis gigantes e falantes. Eis os filmes:
CEMITÉRIO DE VAGALUMES (Hotaru no Haka)
Filme de Isao Takahata, que conta de maneira sensível e realista a história de duas crianças tentando sobreviver no Japão de 1945, ainda em guerra com os aliados e sofrendo bombardeios constantes. O garoto de uns doze anos e a sua irmãzinha pequena têm sua casa bombardeada e sua mãe morta por causa dos bombardeios. Eles partem para outra cidade, onde mora a tia. Mas lá eles não são tratados com o devido respeito, não se alimentam direito e acabam abandonando a casa da tia. A partir daí é só tristeza e o filme vira um melodrama de verter lágrimas. Ver um filme como esse e nos lembrar que aconteceu algo bem parecido em países como Iraque e Afeganistão há pouco tempo, é perceber que o mundo não mudou nada e que continua cada dia mais cruel. Consegui essa fita graças ao Benuel, que já me havia emprestado também LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS, do Miyazaki. Benuel, 'brigadão, velho!
PRINCESS MONONOKE (Mononoke-hime)
Mais um filme de Hayao Miyazaki, PRINCESS MONONOKE é um dos mais cotados filmes do japonês, que agora virou superstar graças aos prêmios de A VIAGEM DE CHIHIRO. Esse filme foi gravado pelo Renato em CD-R e enviado para o Fab Rib, que fez a gentileza de fazer uma cópia em VHS. Bacana. A história cheia de fantasia é fascinante: rapaz luta contra um javali dominado por um demônio e tem o braço ferido na batalha. A sábia do vilarejo diz pra ele que a morte é inevitável, que a ferida no braço irá consumi-lo. A não ser que ele vá de encontro ao mal. Ele abandona o vilarejo e no meio do caminho encontra lobos e javalis gigantes, uma guerreira que quer destruir o espírito da floresta (um animal mágico parecido com um alce), uma menina criada por lobos (a princesa do título), entre outras coisas. O clima de fantasia e o apelo ecológico lembra um pouco O SENHOR DOS ANÉIS, ainda que a semelhança pare por aí. A versão que eu vi é dublada em inglês por um elenco que inclui Billy Crudup, Billy Bob Thornton, Minnie Driver, Claire Danes e Gilliam Anderson; e os diálogos foram adaptados para o inglês por Neil Gaiman.
Agora é esperar pra ver em breve A VIAGEM DE CHIHIRO no cinema e NAUSICÃA, que o Benuel pode conseguir pra mim.
O HORROR DE KASDAN E OS CURTAS DE ANIMATRIX
O APANHADOR DE SONHOS (Dreamcatcher)
Ontem fui ver O APANHADOR DE SONHOS, de Lawrence Kasdan. Estava esperando não uma obra-prima, mas pelo menos um filme bom e cheio de climas. O filme é bom até a aparição dos militares e a quarentena. A partir daí, Kasdan perde o controle e o filme vai ficando chato e o final está tão forçado que dá impressão que o diretor já estava de saco cheio e queria terminar logo o quanto antes.
Lawrence Kasdan até este filme era um cineasta regular e que se deu bem em diversos gêneros: western (WYATT EARP, SILVERADO), drama (O REENCONTRO, O TURISTA ACIDENTAL, GRAND CANYON), comédia (TE AMAREI ATÉ TE MATAR), filme noir (CORPOS ARDENTES). Uma das características marcantes no cinema de Kasdan é a lentidão e a firmeza na direção de cenas e de atores. Cria-se uma atmosfera condizente com o tempo cronológico e a psicologia dos personagens. É como se ele precisasse de mais tempo para contar as suas histórias. Por isso, eu esperava tanto de um filme de terror atmosférico dirigido por Kasdan.
Acredito que O APANHADOR DE SONHOS ficaria melhor se fosse uma mini-série, com Kasdan dirigindo apenas o piloto - exatamente até onde o filme acerta. È claro que o filme tem ótimos momentos. O início com aqueles personagens problemáticos, lidando com poderes especiais, é ótimo. Os flashbacks da infância dos quatro amigos também é intrigante, a aparição do primeiro homem já apresentando as manchas vermelhas também é muito bom. Sem falar nos monstros e o lugar inconveniente de onde eles saíam. Destaco a cena da privada como uma das melhores do filme. Um dos grandes erros do filme é o personagem de Morgan Freeman, que não serve pra muita coisa naquela história furada.
A melhor coisa da sessão acaba sendo o curta-metragem em animação da série ANIMATRIX, que comento a seguir:
O VÔO FINAL DE OSIRIS (The Final Flight of Osiris)
Excelente trabalho de animação dos criadores de FINAL FANTASY. O desenho está super-realista, os traços da garota oriental estão lindos, as cenas de luta estão fantásticas e o filme ainda traz cenas das máquinas perseguindo os rebeldes. O final é chapante e nos faz lembrar o quanto o conceito de Matrix é ousado e inteligente.
Aproveito que estou com mais dois filmes da série ANIMATRIX no meu HD e comento:
PROGRAM
Esse desenho, além de também ter cenas de lutas espetaculares (uma marca da franquia), ainda traz como tema básico o saber a verdade. O personagem masculino planeja voltar para Matrix e levar a companheira, que não admite esquecer tudo o que sabe e voltar para um mundo de mentira, dominado pelas máquinas. Os traços do desenho lembram animes japoneses.
THE SECOND RENAISSANCE - PART 1
Os traços do desenho achei meio borrados e pouco claros, mas a história é bastante interessante: mostra como as máquinas começaram a dominar os homens e criar o mundo de Matrix. Infelizmente essa é só a primeira parte. Agora que comecei a ver, quero ver a segunda também.
Pra quem está interessado em ver os curtas, alguns deles já estão disponíveis no site www.intothematrix.com .
O APANHADOR DE SONHOS (Dreamcatcher)
Ontem fui ver O APANHADOR DE SONHOS, de Lawrence Kasdan. Estava esperando não uma obra-prima, mas pelo menos um filme bom e cheio de climas. O filme é bom até a aparição dos militares e a quarentena. A partir daí, Kasdan perde o controle e o filme vai ficando chato e o final está tão forçado que dá impressão que o diretor já estava de saco cheio e queria terminar logo o quanto antes.
Lawrence Kasdan até este filme era um cineasta regular e que se deu bem em diversos gêneros: western (WYATT EARP, SILVERADO), drama (O REENCONTRO, O TURISTA ACIDENTAL, GRAND CANYON), comédia (TE AMAREI ATÉ TE MATAR), filme noir (CORPOS ARDENTES). Uma das características marcantes no cinema de Kasdan é a lentidão e a firmeza na direção de cenas e de atores. Cria-se uma atmosfera condizente com o tempo cronológico e a psicologia dos personagens. É como se ele precisasse de mais tempo para contar as suas histórias. Por isso, eu esperava tanto de um filme de terror atmosférico dirigido por Kasdan.
Acredito que O APANHADOR DE SONHOS ficaria melhor se fosse uma mini-série, com Kasdan dirigindo apenas o piloto - exatamente até onde o filme acerta. È claro que o filme tem ótimos momentos. O início com aqueles personagens problemáticos, lidando com poderes especiais, é ótimo. Os flashbacks da infância dos quatro amigos também é intrigante, a aparição do primeiro homem já apresentando as manchas vermelhas também é muito bom. Sem falar nos monstros e o lugar inconveniente de onde eles saíam. Destaco a cena da privada como uma das melhores do filme. Um dos grandes erros do filme é o personagem de Morgan Freeman, que não serve pra muita coisa naquela história furada.
A melhor coisa da sessão acaba sendo o curta-metragem em animação da série ANIMATRIX, que comento a seguir:
O VÔO FINAL DE OSIRIS (The Final Flight of Osiris)
Excelente trabalho de animação dos criadores de FINAL FANTASY. O desenho está super-realista, os traços da garota oriental estão lindos, as cenas de luta estão fantásticas e o filme ainda traz cenas das máquinas perseguindo os rebeldes. O final é chapante e nos faz lembrar o quanto o conceito de Matrix é ousado e inteligente.
Aproveito que estou com mais dois filmes da série ANIMATRIX no meu HD e comento:
PROGRAM
Esse desenho, além de também ter cenas de lutas espetaculares (uma marca da franquia), ainda traz como tema básico o saber a verdade. O personagem masculino planeja voltar para Matrix e levar a companheira, que não admite esquecer tudo o que sabe e voltar para um mundo de mentira, dominado pelas máquinas. Os traços do desenho lembram animes japoneses.
THE SECOND RENAISSANCE - PART 1
Os traços do desenho achei meio borrados e pouco claros, mas a história é bastante interessante: mostra como as máquinas começaram a dominar os homens e criar o mundo de Matrix. Infelizmente essa é só a primeira parte. Agora que comecei a ver, quero ver a segunda também.
Pra quem está interessado em ver os curtas, alguns deles já estão disponíveis no site www.intothematrix.com .
quinta-feira, abril 17, 2003
AMOR À SEGUNDA VISTA (Two Weeks Notice)
O expediente na empresa acabou mais cedo - véspera de feriado - e aí não resisti a um cineminha esperto antes de vir pra casa. O filme que eu escolhi - AMOR À SEGUNDA VISTA - foi mais pelo horário e pela distância da sala do que propriamente porque este era "o" filme que eu queria ver. Tinha esnobado esse filme, que já tá há um tempão em cartaz.
Não sei porque esnobamos tanto as comédias. Repararam que tirando as comédias clássicas de Charles Chaplin, Billy Wilder, irmãos Marx etc quase a crítica e os cinéfilos pouco se lembram de comédias em listas de filmes mais importantes? Até mesmo Howard Hawks é mais respeitado pelos filmes de gângster e westerns do que por suas comédias. Dos anos 80 pra cá, alguns atores se especializaram em comédias - e com bom resultado. Nesse caso, me refiro às "comédias românticas", sub-gênero meio bobinho, mas que às vezes é irresistível. Eu mesmo tenho uma comédia romântica entre os meus cinco filmes favoritos de todos os tempos. Nem preciso dizer qual é o filme.
AMOR À SEGUNDA VISTA traz dois dos melhores atores desse gênero. Hugh Grant está cada dia melhor. No ano passado ele protagonizou o delicioso UM GRANDE GAROTO, um dos melhores filmes do ano. Fora isso, o cara já fez um monte de comédias acima da média: QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL, NOTTING HILL, TRAPACEIROS, O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, NOVE MESES. Sandra Bullock, ainda que não desfrute da mesma qualidade de filmes, tem uma marca registrada, e acabou se tornando uma atriz do gênero com o belo ENQUANTO VOCÊ DORMIA, até agora o melhor filme que ela já fez. Os outros (MISS SIMPATIA, FORÇAS DO DESTINO) não são lá grande coisa.
O filme é até legal. Quer dizer, tem um monte de clichês, o final é previsível, Miss Bullock está repetindo os papéis anteriores, e por aí vai. Mas ainda assim, saí do cinema com um sorriso no rosto, mesmo sabendo que o efeito dura pouco. A história: Sandra Bullock é uma advogada "do bem", sempre defendendo os interesses dos mais necessitados e apoiando causas ecológicas e tal. Hugh Grant é o empresário que divide com o irmão a liderança de uma grande empresa imobiliária. Os dois se encontram, ela passa a trabalhar pra ele, e o resto todo mundo já sabe. É o tipo do filme pra ir ver sem esperar muita coisa, mas as risadas estão garantidas e dá pra alimentar um pouco aquele nosso lado que quer mesmo é estar com a menina da sua preferência tomando sorvete e andando de mãos dadas, depois do cineminha.
terça-feira, abril 15, 2003
O CRIME DO PADRE AMARO (El Crimen del Padre Amaro)
O segundo filme do final de semana que vi foi esse filme de Carlos Carrera, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro esse ano. O filme só aborrece um pouco nas partes políticas, mas no geral é um filme bom. O problema que ele é um pouco venenoso, um desses filmes que não tem fé na natureza humana, sempre mostrada de maneira ruim. Inclusive o personagem principal de Gael Garcia, o Padre Amaro do título, é egoísta e cúmplice da lavagem de dinheiro e dos pecados dos outros membros do clero. Logo quando ele chega na cidadezinha, ele conhece Amélia, uma jovem muito bonita, que logo o conquista. O romance se encaminha para uma tragédia. O filme tem algumas contradições: ao mesmo tempo que critica a igreja e a hipocrisia da sociedade católica, ele traz como fundo musical músicas sacras inapropriadas para os momentos. O negócio é sair do cinema e procurar algum lugar pra cuspir.
ROGER E EU (Roger and Me)
Finalmente, depois de tantas vezes que passou no SBT, dessa vez eu pude gravar esse interessante documentário de Michael Moore, o cineasta que chamou o Bush de presidente fictício na festa do Oscar. O cara é mesmo muito bom e o trabalho árduo e longo de feitura desse documentário demonstra que ele quando quer mesmo uma coisa, ele vai atrás. ROGER E EU é a tentativa de Michael Moore de falar com Roger Smith, presidente da GM, empresa de carros que fechou fábricas na cidade natal de Moore, Flint. A situação virou uma tragédia, já que a base financeira e toda a riqueza da cidade existia graças à fábrica. Resultado: demissões em massa, pessoas abandonando a cidade, outras despejadas por não poder pagar o aluguel etc. Taí um bom exemplo de filme de esquerda e que exige uma atitude de responsabilidade do governo e dos empresários para com o povo, em detrimento da política neo-liberal reinante.
ROCCO PAPALEO ( Permete? Rocco Papaleo)
Filme de 1971 de Ettore Scola, um dos grandes cineastas ainda em atividade na Itália. Nesse filme, Marcelo Mastroianni é o Rocco Papaleo do título. Ele é um sujeito bem bobão, que se apresenta pra todo mundo na rua, dizendo "muito prazer, Rocco Papaleo". O filme se passa na Nova York psicodélica do início dos anos 70. Rocco se apaixona por uma modelo e fica obcecado pela moça. Ao mesmo tempo encontra mendigos, prostitutas e homossexuais, sempre agindo de maneira bondosa ou ingênua com as pessoas que encontra. Engraçada a cena em que ele conhece um rapaz e só vai perceber que ele é gay depois de alguns minutos num clube gay com homem dançando com homem. Heheheh.. Um dos filmes mais simpáticos e, ao mesmo tempo, mais amargos de Scola. Gravado da BAND.
Meu top 5 de filmes do Scola:
1. UM DIA ESPECIAL (1977)
2. OS NOVOS MONSTROS (1978)
3. A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO (1991)
4. CONCORRÊNCIA DESLEAL (2001)
5. FEIOS, SUJOS E MALVADOS (1976)
NA MIRA DA MORTE (Targets)
Estréia de Peter Bogdanovich no cinema de ficção (1968), NA MIRA DA MORTE é excelente. Traz Boris Karloff como o velho ator de filmes de terror que está cansado da profissão e quer se aposentar. Paralelamente, um atirador maluco inicia sua carreira de crimes na cidade, praticando tiro ao alvo em pessoas. O final é espetacular. É interessante ver esse filme nos dias de hoje, assombrados por loucos como o assassino do shopping durante a sessão de CLUBE DA LUTA aqui no Brasil, ou o atirador misterioso nos EUA. Gravado da BAND. Quem não viu, não deixem de ver ou gravar essa preciosidade na próxima oportunidade.
MAHLER
Antes de dirigir a opera rock TOMMY, Ken Russel fez MAHLER (1974), cinebiografia pouco ortodoxa do músico Gustav Mahler. Os filmes de Ken Russel tem um gostinho de diferente sempre. Não sou muito fã do trabalho dele, mas alguns filmes são realmente notáveis. Esse não é dos melhores, mas só em ser uma experiência que foge da mesmice das cinebiografias comportadas, já vale ver. Russel gosta muito de música. Em sua filmografia há filmes sobre Lisz, Tchaikovski, sobre música folk, opera rock etc. Gravado do canal Mundo.
O segundo filme do final de semana que vi foi esse filme de Carlos Carrera, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro esse ano. O filme só aborrece um pouco nas partes políticas, mas no geral é um filme bom. O problema que ele é um pouco venenoso, um desses filmes que não tem fé na natureza humana, sempre mostrada de maneira ruim. Inclusive o personagem principal de Gael Garcia, o Padre Amaro do título, é egoísta e cúmplice da lavagem de dinheiro e dos pecados dos outros membros do clero. Logo quando ele chega na cidadezinha, ele conhece Amélia, uma jovem muito bonita, que logo o conquista. O romance se encaminha para uma tragédia. O filme tem algumas contradições: ao mesmo tempo que critica a igreja e a hipocrisia da sociedade católica, ele traz como fundo musical músicas sacras inapropriadas para os momentos. O negócio é sair do cinema e procurar algum lugar pra cuspir.
ROGER E EU (Roger and Me)
Finalmente, depois de tantas vezes que passou no SBT, dessa vez eu pude gravar esse interessante documentário de Michael Moore, o cineasta que chamou o Bush de presidente fictício na festa do Oscar. O cara é mesmo muito bom e o trabalho árduo e longo de feitura desse documentário demonstra que ele quando quer mesmo uma coisa, ele vai atrás. ROGER E EU é a tentativa de Michael Moore de falar com Roger Smith, presidente da GM, empresa de carros que fechou fábricas na cidade natal de Moore, Flint. A situação virou uma tragédia, já que a base financeira e toda a riqueza da cidade existia graças à fábrica. Resultado: demissões em massa, pessoas abandonando a cidade, outras despejadas por não poder pagar o aluguel etc. Taí um bom exemplo de filme de esquerda e que exige uma atitude de responsabilidade do governo e dos empresários para com o povo, em detrimento da política neo-liberal reinante.
ROCCO PAPALEO ( Permete? Rocco Papaleo)
Filme de 1971 de Ettore Scola, um dos grandes cineastas ainda em atividade na Itália. Nesse filme, Marcelo Mastroianni é o Rocco Papaleo do título. Ele é um sujeito bem bobão, que se apresenta pra todo mundo na rua, dizendo "muito prazer, Rocco Papaleo". O filme se passa na Nova York psicodélica do início dos anos 70. Rocco se apaixona por uma modelo e fica obcecado pela moça. Ao mesmo tempo encontra mendigos, prostitutas e homossexuais, sempre agindo de maneira bondosa ou ingênua com as pessoas que encontra. Engraçada a cena em que ele conhece um rapaz e só vai perceber que ele é gay depois de alguns minutos num clube gay com homem dançando com homem. Heheheh.. Um dos filmes mais simpáticos e, ao mesmo tempo, mais amargos de Scola. Gravado da BAND.
Meu top 5 de filmes do Scola:
1. UM DIA ESPECIAL (1977)
2. OS NOVOS MONSTROS (1978)
3. A VIAGEM DO CAPITÃO TORNADO (1991)
4. CONCORRÊNCIA DESLEAL (2001)
5. FEIOS, SUJOS E MALVADOS (1976)
NA MIRA DA MORTE (Targets)
Estréia de Peter Bogdanovich no cinema de ficção (1968), NA MIRA DA MORTE é excelente. Traz Boris Karloff como o velho ator de filmes de terror que está cansado da profissão e quer se aposentar. Paralelamente, um atirador maluco inicia sua carreira de crimes na cidade, praticando tiro ao alvo em pessoas. O final é espetacular. É interessante ver esse filme nos dias de hoje, assombrados por loucos como o assassino do shopping durante a sessão de CLUBE DA LUTA aqui no Brasil, ou o atirador misterioso nos EUA. Gravado da BAND. Quem não viu, não deixem de ver ou gravar essa preciosidade na próxima oportunidade.
MAHLER
Antes de dirigir a opera rock TOMMY, Ken Russel fez MAHLER (1974), cinebiografia pouco ortodoxa do músico Gustav Mahler. Os filmes de Ken Russel tem um gostinho de diferente sempre. Não sou muito fã do trabalho dele, mas alguns filmes são realmente notáveis. Esse não é dos melhores, mas só em ser uma experiência que foge da mesmice das cinebiografias comportadas, já vale ver. Russel gosta muito de música. Em sua filmografia há filmes sobre Lisz, Tchaikovski, sobre música folk, opera rock etc. Gravado do canal Mundo.
sábado, abril 12, 2003
CARANDIRU
"Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido."
Salmo 91.7
Acabei de vir de uma sessão de cinema que vai entrar pra história. Isto é, entre os melhores momentos que eu tive dentro de uma sessão de cinema. Não sei ainda porque há tanta gente falando mal do filme. Teve gente que disse que Babenco fez isso pelo dinheiro; outros disseram que a fotografia de Walter Carvalho deixava o filme meio...pasteurizado; outros chamaram até de novela mexicana de má qualidade. O que é isso, meu povo? CARANDIRU é foda, muito foda. Nem sei por onde começar pra falar sobre o filme. Posso começar falando que 2003 está sendo um ano bem sangrento, é verdade. Depois de um sensacional filme que cospe sangue de Mr. Scorsese (GANGS DE NOVA YORK), de uma guerra imoral que está se desenrolando no Golfo, que já é motivo pra mais onzes de setembro acontecerem, chega o filme do Babenco dando porrada na concorrência.
Interessante que foi nesse filme que eu mais senti a distância entre o filme que eu assisti e o filme que as outras pessoas que estavam na sala assistiram. Vi gente rindo pra caramba dos personagens gays, principalmente do casal formado por Lady Di (Rodrigo Santoro) e Sem Chance (Gero Camilo). E até vi gente dançando com a música final que tocou (acho que era "Aquarela do Brasil"). Eu não. Eu chorei pra caramba. Senti todo o carinho que Babenco (e acredito que Dráuzio Varela também) sentiram por todos aqueles personagens, cheios de tragédias pessoais. Até mesmo os evangélicos, sempre mostrados de forma preconceituosa em filmes e novelas, são tratados com respeito no filme. Há duas passagens realmente emocionantes envolvendo o tema: a conversão do pistoleiro "Peixeira" e aquele trecho da Bíblia lá de cima. Aquele Salmo eu sabia decorado há um tempo atrás. Hoje em dia esqueço trechos, troco os versículos. As palavras são poderosas.
Os atores do filme não poderiam estar melhor. Como o filme tem muitos personagens, costumam sempre comparar com SHORT CUTS, do Altman. Bom, ainda bem que a comparação é com um filme ótimo. Mas tirando essa semelhança, não há muita coisa em comum entre os dois filmes. O universo é outro, sem dúvida. Há personagens mais fáceis de a gente se identificar, como o garoto Deusdete (Caio Blat), que mesmo não sendo um bandido, foi parar lá no presídio. Mas há personagens fortes como o pirado Zico (Wagner Moura ), o xará Ailton Graça fazendo o papel do malandro Majestade (o cara parece com o Denzel Washington, vejam vocês!); o Barba (André Cecatto); Antonio (Floriano Peixoto); Ezequiel (Lázaro Ramos, que já tinha mostrado o seu talento em MADAME SATÃ); o médico vivido por Luiz Carlos Vasconcelos; Dalva (Maria Luiz de Mendonça); Peixeira (Milhem Cortaz); Seu Chico (o grande Milton Gonçalves); Claudiomiro (Ricardo Blat, que já tinha feito um papel brilhante em O PRÍNCIPE). Entre outros.
Mas se o elenco está de parabéns, o que de dizer de Hector Babenco? Ele é o cara que driblou a morte, sobrevivendo a um transplante de medula, prestou contas com ela no belo e enigmático CORAÇÃO ILUMINADO, e está aí pra trazer de volta os excluídos pra esse Brasil que não tem mais vergonha de mostrar que a prioridade é combater a fome.
E sabe de uma coisa? CARANDIRU é o melhor filme de 2003 até agora. Quero saber qual vai ser o outro filme que vai peitar.
Grande abraço!
"Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido."
Salmo 91.7
Acabei de vir de uma sessão de cinema que vai entrar pra história. Isto é, entre os melhores momentos que eu tive dentro de uma sessão de cinema. Não sei ainda porque há tanta gente falando mal do filme. Teve gente que disse que Babenco fez isso pelo dinheiro; outros disseram que a fotografia de Walter Carvalho deixava o filme meio...pasteurizado; outros chamaram até de novela mexicana de má qualidade. O que é isso, meu povo? CARANDIRU é foda, muito foda. Nem sei por onde começar pra falar sobre o filme. Posso começar falando que 2003 está sendo um ano bem sangrento, é verdade. Depois de um sensacional filme que cospe sangue de Mr. Scorsese (GANGS DE NOVA YORK), de uma guerra imoral que está se desenrolando no Golfo, que já é motivo pra mais onzes de setembro acontecerem, chega o filme do Babenco dando porrada na concorrência.
Interessante que foi nesse filme que eu mais senti a distância entre o filme que eu assisti e o filme que as outras pessoas que estavam na sala assistiram. Vi gente rindo pra caramba dos personagens gays, principalmente do casal formado por Lady Di (Rodrigo Santoro) e Sem Chance (Gero Camilo). E até vi gente dançando com a música final que tocou (acho que era "Aquarela do Brasil"). Eu não. Eu chorei pra caramba. Senti todo o carinho que Babenco (e acredito que Dráuzio Varela também) sentiram por todos aqueles personagens, cheios de tragédias pessoais. Até mesmo os evangélicos, sempre mostrados de forma preconceituosa em filmes e novelas, são tratados com respeito no filme. Há duas passagens realmente emocionantes envolvendo o tema: a conversão do pistoleiro "Peixeira" e aquele trecho da Bíblia lá de cima. Aquele Salmo eu sabia decorado há um tempo atrás. Hoje em dia esqueço trechos, troco os versículos. As palavras são poderosas.
Os atores do filme não poderiam estar melhor. Como o filme tem muitos personagens, costumam sempre comparar com SHORT CUTS, do Altman. Bom, ainda bem que a comparação é com um filme ótimo. Mas tirando essa semelhança, não há muita coisa em comum entre os dois filmes. O universo é outro, sem dúvida. Há personagens mais fáceis de a gente se identificar, como o garoto Deusdete (Caio Blat), que mesmo não sendo um bandido, foi parar lá no presídio. Mas há personagens fortes como o pirado Zico (Wagner Moura ), o xará Ailton Graça fazendo o papel do malandro Majestade (o cara parece com o Denzel Washington, vejam vocês!); o Barba (André Cecatto); Antonio (Floriano Peixoto); Ezequiel (Lázaro Ramos, que já tinha mostrado o seu talento em MADAME SATÃ); o médico vivido por Luiz Carlos Vasconcelos; Dalva (Maria Luiz de Mendonça); Peixeira (Milhem Cortaz); Seu Chico (o grande Milton Gonçalves); Claudiomiro (Ricardo Blat, que já tinha feito um papel brilhante em O PRÍNCIPE). Entre outros.
Mas se o elenco está de parabéns, o que de dizer de Hector Babenco? Ele é o cara que driblou a morte, sobrevivendo a um transplante de medula, prestou contas com ela no belo e enigmático CORAÇÃO ILUMINADO, e está aí pra trazer de volta os excluídos pra esse Brasil que não tem mais vergonha de mostrar que a prioridade é combater a fome.
E sabe de uma coisa? CARANDIRU é o melhor filme de 2003 até agora. Quero saber qual vai ser o outro filme que vai peitar.
Grande abraço!
terça-feira, abril 08, 2003
DRÁCULA - PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula - Prince of Darkness)
No final de semana assisti DRÁCULA - PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula - Prince of Darkness), de Terence Fisher, de 1965. O filme é ótimo, mas como o primeiro Drácula da Hammer a gente nunca esquece, acabei gostando mais do menos cotado O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula), de Roy Ward Baker, de 1970. Apesar de os dois filmes terem o mesmo Drácula, interpretado por Christopher Lee, no filme de Fisher ele é mais misterioso, e assim como no NOSFERATU de Murnau, permanece mudo o filme inteiro. Isso torna o personagem mais misterioso, claro. Sem falar que PRINCE OF DARKNESS é mais sério, ainda não tinha se transformado em uma caricatura, graças a repetição. Os dois filmes tem tramas bem parecidas: um irmão volta ao castelo para caçar o vampiro e vingar a morte do outro; uma das moças é seduzida (nesse filme, mais correto seria hipnotizada) pelo Conde; há sempre um padre ou conhecedor dos vampiros que auxilia na caça à criatura; a carruagem e os cavalos são uma constante nos filmes e um charme que não se pode deixar de lado. Mas o que me agradou mais em SCARS OF DRACULA foi o tom das cores, mais vermelhas, o sangue mais exposto e a nudez das mulheres. Mas deixando um pouco a comparação e centrando mais em PRINCE OF DARKNESS, o filme começa bem com cara de continuação, mostrando o final do filme VAMPIRO DA NOITE (Horror of Dracula), o primeiro da série, de 1958, antes de iniciar com os créditos de abertura. O mordomo do Conde é tão sinistro quanto o seu mestre e aparece até mais que ele no filme. A maneira de ressucitar o vampiro, derramando sangue nas cinzas, é bem melhor do que o mostrado em SCARS, com um vampiro de borracha cuspindo sangue no cadáver. Ainda pretendo ver os outros filmes da série de Dráculas da Hammer. E quem sabe um dia eu ponho aqui um ranking, quando tiver visto todos. Ainda bem que tem gente boa colocando esses filmes no mercado de DVD no Brasil.
No final de semana assisti DRÁCULA - PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula - Prince of Darkness), de Terence Fisher, de 1965. O filme é ótimo, mas como o primeiro Drácula da Hammer a gente nunca esquece, acabei gostando mais do menos cotado O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula), de Roy Ward Baker, de 1970. Apesar de os dois filmes terem o mesmo Drácula, interpretado por Christopher Lee, no filme de Fisher ele é mais misterioso, e assim como no NOSFERATU de Murnau, permanece mudo o filme inteiro. Isso torna o personagem mais misterioso, claro. Sem falar que PRINCE OF DARKNESS é mais sério, ainda não tinha se transformado em uma caricatura, graças a repetição. Os dois filmes tem tramas bem parecidas: um irmão volta ao castelo para caçar o vampiro e vingar a morte do outro; uma das moças é seduzida (nesse filme, mais correto seria hipnotizada) pelo Conde; há sempre um padre ou conhecedor dos vampiros que auxilia na caça à criatura; a carruagem e os cavalos são uma constante nos filmes e um charme que não se pode deixar de lado. Mas o que me agradou mais em SCARS OF DRACULA foi o tom das cores, mais vermelhas, o sangue mais exposto e a nudez das mulheres. Mas deixando um pouco a comparação e centrando mais em PRINCE OF DARKNESS, o filme começa bem com cara de continuação, mostrando o final do filme VAMPIRO DA NOITE (Horror of Dracula), o primeiro da série, de 1958, antes de iniciar com os créditos de abertura. O mordomo do Conde é tão sinistro quanto o seu mestre e aparece até mais que ele no filme. A maneira de ressucitar o vampiro, derramando sangue nas cinzas, é bem melhor do que o mostrado em SCARS, com um vampiro de borracha cuspindo sangue no cadáver. Ainda pretendo ver os outros filmes da série de Dráculas da Hammer. E quem sabe um dia eu ponho aqui um ranking, quando tiver visto todos. Ainda bem que tem gente boa colocando esses filmes no mercado de DVD no Brasil.
segunda-feira, abril 07, 2003
THE CORE, CINEMA DE RUA, FESTA DOS 80'S E DILÚVIO

Cine São Luiz
O final de semana não foi dos mais produtivos em se tratando de quantidade de filmes. O único filme que vi no cinema foi O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The core). Minha intenção no sábado era assistir A TEIA DE CHOCOLATE, de Claude Chabrol pela manhã. Acontece que eu perdi a hora, a chuva me confundiu cobrindo o sol e não pude conferir mais uma performance de Isabelle Huppert. Aí foi quando tive a infeliz idéia de ir ao Centro da cidade ver O NÚCLEO. Infeliz por dois motivos: 1) o filme não é bom e 2) A sala do centro da cidade está entregue às baratas. Uma pena, já que foi lá no Cine São Luiz que assisti meu primeiro filme no cinema. Era um filme dos Trapalhões. O lugar é um palácio. Infelizmente não tenho nenhuma foto do interior do lugar pra mostrar pras pessoas que não conhecem. Mas como todo cinema de rua das grandes cidades brasileiras, esse está em decadência faz tempo. A última vez que eu tinha ido ver um filme lá foi na época do Cine Ceará do ano passado. Pretendo voltar lá novamente durante a edição desse ano, mas a coisa está triste. O preço é o melhor da cidade: 6,00 inteira; 3,00 meia. Mas não vale muito a pena: o som está ruim e estridente e a imagem não tem a mesma nitidez da vista nos cinemas de shopping. O ar condicionado está tão fraco que a cabeça da gente esquenta e o suor toma conta do corpo. Assim não dá. É um verdadeiro descaso o que eu vi ontem. Sei que eu sou um pouco culpado de o cinema estar em decadência, mas uma coisa leva a outra. Se eu não tivesse me decepcionado ontem, eu iria mais vezes ao lugar. Mas a gente vai ao cinema pra esquecer coisas como qualidade de som e de ar condicionado e curtir o espetáculo.
O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The Core)
O filme não ajudou muito. THE CORE é um filminho onde mais uma vez os americanos salvam o planeta Terra. Muito bonito ver um filme desses em plena era Bush. Mas esquecendo esse "detalhe", o filme até que convence como um filme de aventura. Quer dizer, o roteiro tem coisas absolutamente inverossímeis disfarçadas de física nuclear, mas esquecendo esse outro detalhe, dá pra assistir o filme. O fime tem um elenco até bom. Tem o Delroy Lindo, que está a cara do Martinho da Vila, tem a oscarizada Hilary Swank e Aaron Eckhart e Stanley Tucci. O personagem de Tucci é o mais interessante, já que ele é o único que é egoísta e não está a fim de se sacrificar pra salvar o mundo. Mas no final vimos que ele também é gente fina. É uma pena o filme não ser bom, já que a idéia é bem bacana. E em alguns minutos o fime faz lembrar aquelas ficções científicas dos anos 60. Acredito que se eu tivesse visto o fime numa sala de cinema melhor teria gostado mais. Ah, o filme traz uma citação explícita de OS PÁSSAROS.
A festa
À noite, teve uma festinha anos 80 pra eu ir. A festa foi muito legal. A banda não era lá grande coisa - Hanoi Hanoi - mas ela até que é representativa. A banda já tinha acabado e só se reuniu exclusivamente para essa festa. Parece que foi o melhor que conseguiram arranjar. Heheheh.. O som que rolava era: Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Michael Jackson, Madonna, Gretchen, Sidney Magal ("Meu sangue serve por você" me fez lembrar da infância, quando eu me balançava na rede com a minha irmã, ao som do vinil dele..heheheh), Technotronics, C+C Music Factory, Information Society, Paralamas etc. Mas a parte mais engraçada da noite foi quando eu, o Murilo e o Guerra jogamos uma garrafa de cachaça do outro lado da festa pra pegar de volta quando entrarmos. Mas os seguranças não deixaram. Heheheh..Ainda bem que não tinha mais muita cana na garrafa. Outro destaque da festa foi a grande quantidade de mulheres bonitas por lá. A parte ruim é voltar com o dia amanhecendo e sem ter agarrado ninguém. Vida de solteiro às vezes é dolorosa..heheh
O dilúvio
No domingo pretendia ir ver um filme italiano - O ÚLTIMO BEIJO - no Espaço Unibanco, mas bateu uma chuva tão forte que pra sair de casa eu teria que arranjar um barco. A chuva foi tão grande que aconteceram três mortes na cidade por ocasião do dilúvio: um menino de 9 anos e um senhor de 64 anos cairam dentro de um bueiro e morreram afogados, outra morte foi de uma moça que estava com a família e o carro caiu dentro de um canal. Maior tragédia. Por isso talvez tenha sido melhor ter ficado em casa. O mar de água suja não tava nem pra peixe.
Cine São Luiz
O final de semana não foi dos mais produtivos em se tratando de quantidade de filmes. O único filme que vi no cinema foi O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The core). Minha intenção no sábado era assistir A TEIA DE CHOCOLATE, de Claude Chabrol pela manhã. Acontece que eu perdi a hora, a chuva me confundiu cobrindo o sol e não pude conferir mais uma performance de Isabelle Huppert. Aí foi quando tive a infeliz idéia de ir ao Centro da cidade ver O NÚCLEO. Infeliz por dois motivos: 1) o filme não é bom e 2) A sala do centro da cidade está entregue às baratas. Uma pena, já que foi lá no Cine São Luiz que assisti meu primeiro filme no cinema. Era um filme dos Trapalhões. O lugar é um palácio. Infelizmente não tenho nenhuma foto do interior do lugar pra mostrar pras pessoas que não conhecem. Mas como todo cinema de rua das grandes cidades brasileiras, esse está em decadência faz tempo. A última vez que eu tinha ido ver um filme lá foi na época do Cine Ceará do ano passado. Pretendo voltar lá novamente durante a edição desse ano, mas a coisa está triste. O preço é o melhor da cidade: 6,00 inteira; 3,00 meia. Mas não vale muito a pena: o som está ruim e estridente e a imagem não tem a mesma nitidez da vista nos cinemas de shopping. O ar condicionado está tão fraco que a cabeça da gente esquenta e o suor toma conta do corpo. Assim não dá. É um verdadeiro descaso o que eu vi ontem. Sei que eu sou um pouco culpado de o cinema estar em decadência, mas uma coisa leva a outra. Se eu não tivesse me decepcionado ontem, eu iria mais vezes ao lugar. Mas a gente vai ao cinema pra esquecer coisas como qualidade de som e de ar condicionado e curtir o espetáculo.
O NÚCLEO - VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (The Core)
O filme não ajudou muito. THE CORE é um filminho onde mais uma vez os americanos salvam o planeta Terra. Muito bonito ver um filme desses em plena era Bush. Mas esquecendo esse "detalhe", o filme até que convence como um filme de aventura. Quer dizer, o roteiro tem coisas absolutamente inverossímeis disfarçadas de física nuclear, mas esquecendo esse outro detalhe, dá pra assistir o filme. O fime tem um elenco até bom. Tem o Delroy Lindo, que está a cara do Martinho da Vila, tem a oscarizada Hilary Swank e Aaron Eckhart e Stanley Tucci. O personagem de Tucci é o mais interessante, já que ele é o único que é egoísta e não está a fim de se sacrificar pra salvar o mundo. Mas no final vimos que ele também é gente fina. É uma pena o filme não ser bom, já que a idéia é bem bacana. E em alguns minutos o fime faz lembrar aquelas ficções científicas dos anos 60. Acredito que se eu tivesse visto o fime numa sala de cinema melhor teria gostado mais. Ah, o filme traz uma citação explícita de OS PÁSSAROS.
A festa
À noite, teve uma festinha anos 80 pra eu ir. A festa foi muito legal. A banda não era lá grande coisa - Hanoi Hanoi - mas ela até que é representativa. A banda já tinha acabado e só se reuniu exclusivamente para essa festa. Parece que foi o melhor que conseguiram arranjar. Heheheh.. O som que rolava era: Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Michael Jackson, Madonna, Gretchen, Sidney Magal ("Meu sangue serve por você" me fez lembrar da infância, quando eu me balançava na rede com a minha irmã, ao som do vinil dele..heheheh), Technotronics, C+C Music Factory, Information Society, Paralamas etc. Mas a parte mais engraçada da noite foi quando eu, o Murilo e o Guerra jogamos uma garrafa de cachaça do outro lado da festa pra pegar de volta quando entrarmos. Mas os seguranças não deixaram. Heheheh..Ainda bem que não tinha mais muita cana na garrafa. Outro destaque da festa foi a grande quantidade de mulheres bonitas por lá. A parte ruim é voltar com o dia amanhecendo e sem ter agarrado ninguém. Vida de solteiro às vezes é dolorosa..heheh
O dilúvio
No domingo pretendia ir ver um filme italiano - O ÚLTIMO BEIJO - no Espaço Unibanco, mas bateu uma chuva tão forte que pra sair de casa eu teria que arranjar um barco. A chuva foi tão grande que aconteceram três mortes na cidade por ocasião do dilúvio: um menino de 9 anos e um senhor de 64 anos cairam dentro de um bueiro e morreram afogados, outra morte foi de uma moça que estava com a família e o carro caiu dentro de um canal. Maior tragédia. Por isso talvez tenha sido melhor ter ficado em casa. O mar de água suja não tava nem pra peixe.
CHAPLIN E MONSIEUR VERDOUX
Recentemente, lendo no blog da Fernanda, vi que ela colocou o Chaplin entre os diretores/atores que mais odeia. Coincidentemente acabei de assistir MONSIEUR VERDOUX, ótimo filme de Chaplin a partir de idéia de Orson Welles, e resolvi fazer uma espécie de homenagem a ele, como uma resposta a ela. Mas antes de escrever sobre ele, vou falar um pouco sobre os filmes dele que já tinha visto. O meu preferido, talvez por provocar mais emoção, mais choro, é LUZES DA RIBALTA(1952), filme auto-biográfico mostrando a decadência de um comediante. É um filme triste que fala sobre a velhice, a decadência, o suicídio, o sentido da vida. É um filme que eu gostaria muito que lançassem em DVD pra eu poder rever. Depois desse vem LUZES DA CIDADE(1931), o melhor filme da fase muda de Chaplin. A cena clássica da cega que se apaixona pelo vagabundo Carlitos é fantástica. E aquilo é cinema puro. Chaplin evitou a todo custo se utilizar de explicações escritas. Uma obra-prima. O mais engraçado, no entanto, é O CIRCO (1928). Nele, o humor visual está em seu auge. E toda a herança de palhaços de circo encontra na telona do cinema uma verdadeira declaração de amor. (Aqui no Brasil algo muito bonito foi feito em OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES.) Outro da fase muda, que traz tanto cenas engraçadas quanto tristes e melodramáticas é O GAROTO (1921), filme curtinho e que dá um gosto de "quero mais" que só vendo. Outro clássico do cinema mudo é EM BUSCA DO OURO (1925), em que aparece a célebre cena do jantar: Carlitos se esforçando para comer uma bota. Chaplin era sempre preocupado com os problemas sociais e acreditava piamente na humanidade. Era um humanista, criticava os governos e sociedades que tratavam as pessoas como máquinas ou, pior ainda, apenas como uma peça na grande máquina. Um dos melhores filmes sobre o tema é TEMPOS MODERNOS (1936), que também marca o fim da fase muda e a despedida do personagem Carlitos. Um filme memorável da fase falada é UM REI EM NOVA YORK (1957), destaque para a cena em que Chaplin, após uma cirurgia plástica, não se aguenta de rir. Nunca vi completo O GRANDE DITADOR (1940), mas pretendo ver em breve.
Mas como o meu estoque de filmes de Chaplin vistos acaba por aqui, comento um pouco o filme que está mais fresco em minha memória: MONSIEUR VERDOUX (1947). Nesse filme, o humor de Chaplin está afiadíssimo. Há uma mistura de humor negro e uma afeição estranha pelo personagem central. Chaplin é Verdoux, um verdadeiro Barba-Azul. Ele casava com as mulheres, as matava e ficava com a grana. Ele encarava isso como um negócio, já que tinha perdido tudo quando trabalhava de bancário. O que torna o filme bastante interessante é o fato de Chaplin estar mostrando um assassino como alguém digno de nossa compreensão e até estima. E o pior é que ele consegue. Uma das cenas de maior destaque é uma em que Chaplin quer testar um veneno que mata sem deixar vestígios no cadáver; escolhe uma mulher que está na rua, sem dinheiro, sem teto e sem comida para ser a cobaia do experimento. O humor desastrado e os trejeitos um pouco efeminados de Chaplin continuam presentes ainda nesse filme da fase madura. Chovendo no molhado: MONSIEUR VERDOUX é mais uma obra-prima de um dos maiores cineastas do mundo.
Recentemente, lendo no blog da Fernanda, vi que ela colocou o Chaplin entre os diretores/atores que mais odeia. Coincidentemente acabei de assistir MONSIEUR VERDOUX, ótimo filme de Chaplin a partir de idéia de Orson Welles, e resolvi fazer uma espécie de homenagem a ele, como uma resposta a ela. Mas antes de escrever sobre ele, vou falar um pouco sobre os filmes dele que já tinha visto. O meu preferido, talvez por provocar mais emoção, mais choro, é LUZES DA RIBALTA(1952), filme auto-biográfico mostrando a decadência de um comediante. É um filme triste que fala sobre a velhice, a decadência, o suicídio, o sentido da vida. É um filme que eu gostaria muito que lançassem em DVD pra eu poder rever. Depois desse vem LUZES DA CIDADE(1931), o melhor filme da fase muda de Chaplin. A cena clássica da cega que se apaixona pelo vagabundo Carlitos é fantástica. E aquilo é cinema puro. Chaplin evitou a todo custo se utilizar de explicações escritas. Uma obra-prima. O mais engraçado, no entanto, é O CIRCO (1928). Nele, o humor visual está em seu auge. E toda a herança de palhaços de circo encontra na telona do cinema uma verdadeira declaração de amor. (Aqui no Brasil algo muito bonito foi feito em OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES.) Outro da fase muda, que traz tanto cenas engraçadas quanto tristes e melodramáticas é O GAROTO (1921), filme curtinho e que dá um gosto de "quero mais" que só vendo. Outro clássico do cinema mudo é EM BUSCA DO OURO (1925), em que aparece a célebre cena do jantar: Carlitos se esforçando para comer uma bota. Chaplin era sempre preocupado com os problemas sociais e acreditava piamente na humanidade. Era um humanista, criticava os governos e sociedades que tratavam as pessoas como máquinas ou, pior ainda, apenas como uma peça na grande máquina. Um dos melhores filmes sobre o tema é TEMPOS MODERNOS (1936), que também marca o fim da fase muda e a despedida do personagem Carlitos. Um filme memorável da fase falada é UM REI EM NOVA YORK (1957), destaque para a cena em que Chaplin, após uma cirurgia plástica, não se aguenta de rir. Nunca vi completo O GRANDE DITADOR (1940), mas pretendo ver em breve.
Mas como o meu estoque de filmes de Chaplin vistos acaba por aqui, comento um pouco o filme que está mais fresco em minha memória: MONSIEUR VERDOUX (1947). Nesse filme, o humor de Chaplin está afiadíssimo. Há uma mistura de humor negro e uma afeição estranha pelo personagem central. Chaplin é Verdoux, um verdadeiro Barba-Azul. Ele casava com as mulheres, as matava e ficava com a grana. Ele encarava isso como um negócio, já que tinha perdido tudo quando trabalhava de bancário. O que torna o filme bastante interessante é o fato de Chaplin estar mostrando um assassino como alguém digno de nossa compreensão e até estima. E o pior é que ele consegue. Uma das cenas de maior destaque é uma em que Chaplin quer testar um veneno que mata sem deixar vestígios no cadáver; escolhe uma mulher que está na rua, sem dinheiro, sem teto e sem comida para ser a cobaia do experimento. O humor desastrado e os trejeitos um pouco efeminados de Chaplin continuam presentes ainda nesse filme da fase madura. Chovendo no molhado: MONSIEUR VERDOUX é mais uma obra-prima de um dos maiores cineastas do mundo.
segunda-feira, março 31, 2003
SPIDER E OS FILMES DO FIM DE SEMANA
As coisas andam meio brabas aqui no trabalho. Já sabia antes de chegar aqui que hoje seria um dia de cão. O último dia útil de cada mês geralmente é assim. Mas estou dando um tempinho nos serviços pra escrever sobre o final de semana. No cinema, apenas um filme: SPIDER, do Cronenberg, visto num sábado chuvoso e melancólico; em vídeo, alguns filmes bem legais. No domingo ensolarado fui conhecer a Blockbuster, recém inaugurada aqui. Aluguei dois DVDs. Um deles (SEM DESTINO), estava com defeito e vou ver se consigo trocar hoje. Outra coisa ruim do fim de semana foi que a porcaria do PC que eu comprei já está com defeito. Uma merda. Seguem os comentários dos filmes:
SPIDER - DESAFIE SUA MENTE (Spider)
O novo Cronenberg é de dar sono. Me esforcei muito pra conseguir ficar acordado até o fim do filme. Sei que isso não é lá critério pra se dizer se um filme é bom ou ruim, mas pelas experiências que eu tive anteriormente com o cinema de David Cronenberg, acredito que isso até pode ser um critério. EXISTENZ e CRASH dão um prazer enorme em se assistir, A MOSCA e GÊMEOS: MÓRBIDA SEMELHANÇA, idem. Até THE NAKED LUNCH, que foi um filme que me deu uma sensação bastante incômoda, eu respeito mais do que esse SPIDER, insosso que só ele. Li recentemente o livro "Spider", de Patrick McGrath, e é um livro muito interessante. A parte do meio do livro, que é quando acontece o assassinato da mãe de Dennis, é empolgante e faz com que a gente grude na história como poucos livros fazem. Sem falar na narração em primeira pessoa, que é um delícia. No filme, isso foi bem desperdiçado. Cronenberg preferiu não pôr uma narração em off, pra que o filme fosse mais "cinema" e menos literatura, mas a maneira como ele compensou isso não foi feliz. Ele colocou Ralph Fiennes de corpo presente em todas as cenas de recordações que ele teve. E ainda fez a besteira de colocar ele balbuciando certas palavras pra que o público "voador" não confunda, achando que ele está visível para os outros personagens. O maior destaque do filme é Miranda Richardson, fazendo papel duplo - de mãe do menino Dennis e de amante de seu (Gabriel Byrne). De Cronenberg, fiquei curioso pra ver CAMERA, um curta-metragem bastante elogiado por muita gente boa. Difícil é conseguir conseguir vê-lo. Alguém tem esse filme?
A NOIVA DO RE-ANIMATOR (The Bride of the Re-Animator)
Já vi esse filme faz mais de uma semana e esqueci de comentar. É bastante conhecido e costuma passar várias vezes na Band. É um filme de terror cheio de humor negro de Brian Yuzna, feito com o mesmo elenco de RE-ANIMATOR, de Stuart Gordon. É tão cheio de sangue quanto o primeiro. O filme é uma versão moderna de A NOIVA DE FRANKESTEIN. O problema é que sempre achei a história de Mary Shelley, ou pelo menos, as adaptações para o cinema bem inverossímeis. Por que diabos, o cientista maluco tem que pegar partes de corpos totalmente diferentes ? Deve ser porque ele é maluco mesmo. Heheheh. Nesse filme a coisa não é diferente. Mas o tom de humor compensa um pouco.
FEITIÇO DO RIO (Blame it on Rio)
Por falar em tranqueiras, imperdível esse filme com sabor de chanchadas brasileiras, com direito a meninas andando de top less nas praias. Bacana. Outro atrativo do filme é ver Demi Moore, lindinha nos anos 80. Esse filme (de 1984) ainda não traz ela no auge - ela pegou um papel fraco no filme - mas vale ver. No filme, Michael Caine e um amigo viajam para o Rio de Janeiro para passar as férias com suas respectivas filhas. As meninas, ao chegarem na praia, tratam logo de tirar as partes de cima dos bikinis, para desespero dos pais. A coisa fica engraçada mesmo quando uma das meninas se envolve com o pai da outra. A garota que faz a amiga de Demi Moore (Valerie Harper) dá um show de sensualidade. E, a título de curiosidade, o filme traz alguns atores brasileiros fazendo pontas e José Lewgoy como coadjuvante. Gravado da TNT, que - milagre! - não cobriu com bolinhas os seios das moças.
SUBLIME DEVOÇÃO (Call Northside 777)
Ótimo filme de Henry Hathaway, um dos grandes cineastas americanos de estilo narrativo clássico, como John Ford. Aqui no Brasil parece que ele é um pouco subestimado, mas dos filmes que vi dele (TORRENTES DE PAIXÃO, com Marilyn Monroe e FÚRIA NO ALASKA, com John Wayne), gostei bastante e não pretendo perder os próximos que passarem na tv. Esse filme, de 1948, trazendo James Stewart como um jornalista que investiga e reabre um caso de um assassinato de mais de dez anos, é emocionante e prende a atenção do começo ao fim. Eis um filme prazeiroso que equilibra bem o lado dramático e o suspense. É filme pra se ganhar o dia. Uma obra-prima? Gravado da Band.
AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi-Yi)
Sensível filme de Edward Yang, co-produção Taiwan-Japão, que foi sucesso de crítica em todo o mundo. O filme esteve nas listas de melhores do ano de vários críticos brasileiros. É mesmo um filme muito bonito. Mostra a sociedade de Taiwan, já bem desenvolvida economicamente e que lida com outros problemas, como o vazio e a insatisfação de seus habitantes. São várias histórias realistas interligadas num filme de quase 3 horas de duração. Tem a história do pai de família que reencontra a paixão da adolescência, o garotinho que experimenta fotografias estranhas, a menina que se apaixona pelo namorado da amiga, a velhinha em coma. Um grande destaque do filme é a música, quase sempre no piano, trazendo composições de Bach e Beethoven. A fotografia enche os olhos. Interessante como o cinema oriental tem uma fotografia tão bonita atualmente. Uma beleza plástica impressionante. A cena mais emocionante é a parte final, com o garotinho recitando o que escreveu durante o funeral da avó. O DVD da Europa está em fullscreen, mas a imagem está cristalina e o som de ótima qualidade.
As coisas andam meio brabas aqui no trabalho. Já sabia antes de chegar aqui que hoje seria um dia de cão. O último dia útil de cada mês geralmente é assim. Mas estou dando um tempinho nos serviços pra escrever sobre o final de semana. No cinema, apenas um filme: SPIDER, do Cronenberg, visto num sábado chuvoso e melancólico; em vídeo, alguns filmes bem legais. No domingo ensolarado fui conhecer a Blockbuster, recém inaugurada aqui. Aluguei dois DVDs. Um deles (SEM DESTINO), estava com defeito e vou ver se consigo trocar hoje. Outra coisa ruim do fim de semana foi que a porcaria do PC que eu comprei já está com defeito. Uma merda. Seguem os comentários dos filmes:
SPIDER - DESAFIE SUA MENTE (Spider)
O novo Cronenberg é de dar sono. Me esforcei muito pra conseguir ficar acordado até o fim do filme. Sei que isso não é lá critério pra se dizer se um filme é bom ou ruim, mas pelas experiências que eu tive anteriormente com o cinema de David Cronenberg, acredito que isso até pode ser um critério. EXISTENZ e CRASH dão um prazer enorme em se assistir, A MOSCA e GÊMEOS: MÓRBIDA SEMELHANÇA, idem. Até THE NAKED LUNCH, que foi um filme que me deu uma sensação bastante incômoda, eu respeito mais do que esse SPIDER, insosso que só ele. Li recentemente o livro "Spider", de Patrick McGrath, e é um livro muito interessante. A parte do meio do livro, que é quando acontece o assassinato da mãe de Dennis, é empolgante e faz com que a gente grude na história como poucos livros fazem. Sem falar na narração em primeira pessoa, que é um delícia. No filme, isso foi bem desperdiçado. Cronenberg preferiu não pôr uma narração em off, pra que o filme fosse mais "cinema" e menos literatura, mas a maneira como ele compensou isso não foi feliz. Ele colocou Ralph Fiennes de corpo presente em todas as cenas de recordações que ele teve. E ainda fez a besteira de colocar ele balbuciando certas palavras pra que o público "voador" não confunda, achando que ele está visível para os outros personagens. O maior destaque do filme é Miranda Richardson, fazendo papel duplo - de mãe do menino Dennis e de amante de seu (Gabriel Byrne). De Cronenberg, fiquei curioso pra ver CAMERA, um curta-metragem bastante elogiado por muita gente boa. Difícil é conseguir conseguir vê-lo. Alguém tem esse filme?
A NOIVA DO RE-ANIMATOR (The Bride of the Re-Animator)
Já vi esse filme faz mais de uma semana e esqueci de comentar. É bastante conhecido e costuma passar várias vezes na Band. É um filme de terror cheio de humor negro de Brian Yuzna, feito com o mesmo elenco de RE-ANIMATOR, de Stuart Gordon. É tão cheio de sangue quanto o primeiro. O filme é uma versão moderna de A NOIVA DE FRANKESTEIN. O problema é que sempre achei a história de Mary Shelley, ou pelo menos, as adaptações para o cinema bem inverossímeis. Por que diabos, o cientista maluco tem que pegar partes de corpos totalmente diferentes ? Deve ser porque ele é maluco mesmo. Heheheh. Nesse filme a coisa não é diferente. Mas o tom de humor compensa um pouco.
FEITIÇO DO RIO (Blame it on Rio)
Por falar em tranqueiras, imperdível esse filme com sabor de chanchadas brasileiras, com direito a meninas andando de top less nas praias. Bacana. Outro atrativo do filme é ver Demi Moore, lindinha nos anos 80. Esse filme (de 1984) ainda não traz ela no auge - ela pegou um papel fraco no filme - mas vale ver. No filme, Michael Caine e um amigo viajam para o Rio de Janeiro para passar as férias com suas respectivas filhas. As meninas, ao chegarem na praia, tratam logo de tirar as partes de cima dos bikinis, para desespero dos pais. A coisa fica engraçada mesmo quando uma das meninas se envolve com o pai da outra. A garota que faz a amiga de Demi Moore (Valerie Harper) dá um show de sensualidade. E, a título de curiosidade, o filme traz alguns atores brasileiros fazendo pontas e José Lewgoy como coadjuvante. Gravado da TNT, que - milagre! - não cobriu com bolinhas os seios das moças.
SUBLIME DEVOÇÃO (Call Northside 777)
Ótimo filme de Henry Hathaway, um dos grandes cineastas americanos de estilo narrativo clássico, como John Ford. Aqui no Brasil parece que ele é um pouco subestimado, mas dos filmes que vi dele (TORRENTES DE PAIXÃO, com Marilyn Monroe e FÚRIA NO ALASKA, com John Wayne), gostei bastante e não pretendo perder os próximos que passarem na tv. Esse filme, de 1948, trazendo James Stewart como um jornalista que investiga e reabre um caso de um assassinato de mais de dez anos, é emocionante e prende a atenção do começo ao fim. Eis um filme prazeiroso que equilibra bem o lado dramático e o suspense. É filme pra se ganhar o dia. Uma obra-prima? Gravado da Band.
AS COISAS SIMPLES DA VIDA (Yi-Yi)
Sensível filme de Edward Yang, co-produção Taiwan-Japão, que foi sucesso de crítica em todo o mundo. O filme esteve nas listas de melhores do ano de vários críticos brasileiros. É mesmo um filme muito bonito. Mostra a sociedade de Taiwan, já bem desenvolvida economicamente e que lida com outros problemas, como o vazio e a insatisfação de seus habitantes. São várias histórias realistas interligadas num filme de quase 3 horas de duração. Tem a história do pai de família que reencontra a paixão da adolescência, o garotinho que experimenta fotografias estranhas, a menina que se apaixona pelo namorado da amiga, a velhinha em coma. Um grande destaque do filme é a música, quase sempre no piano, trazendo composições de Bach e Beethoven. A fotografia enche os olhos. Interessante como o cinema oriental tem uma fotografia tão bonita atualmente. Uma beleza plástica impressionante. A cena mais emocionante é a parte final, com o garotinho recitando o que escreveu durante o funeral da avó. O DVD da Europa está em fullscreen, mas a imagem está cristalina e o som de ótima qualidade.
terça-feira, março 25, 2003
8 MILE - RUA DAS ILUSÕES (8 Mile)

Ontem saí do trabalho e fui conferir 8 MILE. Gostei do filme. O filme tem um probleminha: a história que leva a lugar algum. Quer dizer, até leva, mas deixa aquela sensação de "só isso?" ou "e daí?". Mas, por outro lado, revela o talento de Curtis Hanson em saber contar uma história e dirigir atores muito bem. Eminem está ótimo, assim como Kim Basinger (está meio velha, hein?) e Brittany Murphy, muito gata com aquele visual desleixado. Aliás, ela consegue ser sexy até mostrando o dedo indicador. A cena de sexo entre ela e o Eminem também ficou boa. Uma utilidade do filme é apresentar para pessoas de fora do meio o habitat dos rappers. Inclusive, achei muito parecido com os repentes dos cantadores aqui do nordeste do Brasil, com seus duelos verbais e à base de muito talento e criatividade. Tem que ser muito talentoso mesmo pra arranjar rimas e palavras certeiras e amedrontar o adversário. Todo mundo saiu do cinema com as batidas da oscarizada "Lose Yourself" e balançando um pouco a cabeça, ou o corpo, com vontade de dançar como os rappers. Se bem que se tirar a música, o final se torna decepcionante. Mas quem liga pra isso, com aquelas batidas?
Ontem saí do trabalho e fui conferir 8 MILE. Gostei do filme. O filme tem um probleminha: a história que leva a lugar algum. Quer dizer, até leva, mas deixa aquela sensação de "só isso?" ou "e daí?". Mas, por outro lado, revela o talento de Curtis Hanson em saber contar uma história e dirigir atores muito bem. Eminem está ótimo, assim como Kim Basinger (está meio velha, hein?) e Brittany Murphy, muito gata com aquele visual desleixado. Aliás, ela consegue ser sexy até mostrando o dedo indicador. A cena de sexo entre ela e o Eminem também ficou boa. Uma utilidade do filme é apresentar para pessoas de fora do meio o habitat dos rappers. Inclusive, achei muito parecido com os repentes dos cantadores aqui do nordeste do Brasil, com seus duelos verbais e à base de muito talento e criatividade. Tem que ser muito talentoso mesmo pra arranjar rimas e palavras certeiras e amedrontar o adversário. Todo mundo saiu do cinema com as batidas da oscarizada "Lose Yourself" e balançando um pouco a cabeça, ou o corpo, com vontade de dançar como os rappers. Se bem que se tirar a música, o final se torna decepcionante. Mas quem liga pra isso, com aquelas batidas?
segunda-feira, março 24, 2003
UM JACK VALE MAIS QUE DOIS CAGES
O final de semana foi um pouquinho diferente. Menos angustiante que o anterior, mas teve também as suas perturbações. No sábado, fui com minha irmã comprar um computador. (Não dá mais pra ficar sem, quando a gente é viciado.) Vão ser muitas preocupações futuras pra pagar as parcelas, mas eu consigo. Já venci obstáculos maiores. No sábado, um amigo dos tempos do 1º grau ligou pra mim. Há tempos não o via, mas sei que ele andava com a vida bem complicada. Fui tomar uns chopes com ele e o homem parece que saiu de um filme do Scorsese. Disse qeu cheirou cocaína até ficar tão fissurado que cheirou até areia da praia, que ganhou muuuito dinheiro, que foi pra Nova York, que viajou o Brasil todo, que passou 6 meses numa clínica de reablitação em Curitiba, que teve 5 mulheres, que comprou vários carros e que estava esperando pra receber 500 notebooks, que vendendo tudo vai ficar com dois milhões... é tanta coisa que já me enxeu o saco. Vá à merda. Seja isso mentira ou não. Hehehe..
Bom, como o sábado foi pro brejo, no domingo vi dois filmes: AS CONFISSÕES DE SCHMIDT e ADAPTAÇÃO. Jack Nicholson versus Nicholas Cage. Os dois estavam concorrendo ao Oscar de melhor ator. Perderam para Adrien Brody. Eis os comentários:
AS CONFISSÕES DE SCHMIDT (About Schmidt)
O filme traz uma das melhores interpretações de Jack Nicholson. Nos últimos anos, ele vinha meio que se repetindo. Mas esse papel é muito bom. A direção de atores de Alexander Payne é ótima. E o filme lembra alguns filmes ótimos como CHUVAS DE VERÃO, de Cacá Diegues (a história de um homem que sente o baque da aposentadoria); HISTÓRIA REAL, de David Lynch (um road movie de um velho, conhecendo pessoas durante o percurso); MORANGOS SILVESTRES, de Ingmar Bergman (um velho reavaliando a sua vida e tendo recordações de suas origens). Além de ter todo esse potencial dramático, o filme é também uma comédia muito inteligente. A história: Schmidt se aposenta, fica triste, se sentindo inútil, fica mais irritado com a mulher e passa a mandar cheques para um menino carente na África, junto com cartas contando de sua vida pessoal. É a partir das cartas que ficamos mais íntimos dele. E mesmo com todos os seus defeitos, passamos até a nos identificar com ele. Tem momentos de tristeza e de alegria. E eu que nem gostava mais de Jack, fiquei fã dele novamente. Ah, e o filme também tem coadjuvantes ótimos, destaque para Kathy Bates. Filmão.
ADAPTAÇÃO (Adaptation.)
Já o filme de Spike Jonze não fez a minha cabeça. Desde o primeiro filme dele (QUERO SER JOHN MALKOVICH), que eu acho as idéias melhores que o resultado final. Logo, como as idéias são de Charlie Kaufman o crédito talvez seja dele. Os dois filmes de Jonze são interessantes, mas me dão uma agonia sem tamanho depois de uma hora de filme. Nicolas Cage está bem, interpretando dois irmãos gêmeos. Quando quer, até que consegue ser menos canastrão. Mas ainda assim, o Jack Nicholson lá de cima dá de dez em dois Cages. Gostei do filme sim, mas acho que ele tem tantas idéias que elas se perdem lá pelo final. Talvez o drama de Kaufman seja bem parecido com o drama do personagem do filme, que também se chama Charlie Kaufman. É um exercício de metalinguagem que não encontra o caminho.
Té mais!!
O final de semana foi um pouquinho diferente. Menos angustiante que o anterior, mas teve também as suas perturbações. No sábado, fui com minha irmã comprar um computador. (Não dá mais pra ficar sem, quando a gente é viciado.) Vão ser muitas preocupações futuras pra pagar as parcelas, mas eu consigo. Já venci obstáculos maiores. No sábado, um amigo dos tempos do 1º grau ligou pra mim. Há tempos não o via, mas sei que ele andava com a vida bem complicada. Fui tomar uns chopes com ele e o homem parece que saiu de um filme do Scorsese. Disse qeu cheirou cocaína até ficar tão fissurado que cheirou até areia da praia, que ganhou muuuito dinheiro, que foi pra Nova York, que viajou o Brasil todo, que passou 6 meses numa clínica de reablitação em Curitiba, que teve 5 mulheres, que comprou vários carros e que estava esperando pra receber 500 notebooks, que vendendo tudo vai ficar com dois milhões... é tanta coisa que já me enxeu o saco. Vá à merda. Seja isso mentira ou não. Hehehe..
Bom, como o sábado foi pro brejo, no domingo vi dois filmes: AS CONFISSÕES DE SCHMIDT e ADAPTAÇÃO. Jack Nicholson versus Nicholas Cage. Os dois estavam concorrendo ao Oscar de melhor ator. Perderam para Adrien Brody. Eis os comentários:
AS CONFISSÕES DE SCHMIDT (About Schmidt)
O filme traz uma das melhores interpretações de Jack Nicholson. Nos últimos anos, ele vinha meio que se repetindo. Mas esse papel é muito bom. A direção de atores de Alexander Payne é ótima. E o filme lembra alguns filmes ótimos como CHUVAS DE VERÃO, de Cacá Diegues (a história de um homem que sente o baque da aposentadoria); HISTÓRIA REAL, de David Lynch (um road movie de um velho, conhecendo pessoas durante o percurso); MORANGOS SILVESTRES, de Ingmar Bergman (um velho reavaliando a sua vida e tendo recordações de suas origens). Além de ter todo esse potencial dramático, o filme é também uma comédia muito inteligente. A história: Schmidt se aposenta, fica triste, se sentindo inútil, fica mais irritado com a mulher e passa a mandar cheques para um menino carente na África, junto com cartas contando de sua vida pessoal. É a partir das cartas que ficamos mais íntimos dele. E mesmo com todos os seus defeitos, passamos até a nos identificar com ele. Tem momentos de tristeza e de alegria. E eu que nem gostava mais de Jack, fiquei fã dele novamente. Ah, e o filme também tem coadjuvantes ótimos, destaque para Kathy Bates. Filmão.
ADAPTAÇÃO (Adaptation.)
Já o filme de Spike Jonze não fez a minha cabeça. Desde o primeiro filme dele (QUERO SER JOHN MALKOVICH), que eu acho as idéias melhores que o resultado final. Logo, como as idéias são de Charlie Kaufman o crédito talvez seja dele. Os dois filmes de Jonze são interessantes, mas me dão uma agonia sem tamanho depois de uma hora de filme. Nicolas Cage está bem, interpretando dois irmãos gêmeos. Quando quer, até que consegue ser menos canastrão. Mas ainda assim, o Jack Nicholson lá de cima dá de dez em dois Cages. Gostei do filme sim, mas acho que ele tem tantas idéias que elas se perdem lá pelo final. Talvez o drama de Kaufman seja bem parecido com o drama do personagem do filme, que também se chama Charlie Kaufman. É um exercício de metalinguagem que não encontra o caminho.
Té mais!!
OSCAR 2003
Salve, fellas!
Viram o Oscar ontem? Foi uma cerimônia sem muitas atrações e com a duração um pouco menor. Bem que podiam ter feito um trabalho mais especial, já que era a 75a edição do prêmio. Mas com essa história de guerra, fica meio sem graça mesmo. Eis os destaques:
1. Steve Martin estava bem como o apresentador. Fez aquela brincadeira com Jack Nicholson (gay) com as mulheres e com o Michael Moore.
2. Mulheres lindas: As três Jennifers (Jennifer Garner, Jennifer Connelly, Jennifer Lopez), Kate Hudson (talvez a mais bonita da noite), Salma Hayek e Diane Lane.
3. Catherine Zeta-Jones canta bem, hein. Mesmo eu odiando CHICAGO, gostei da apresentação dela com a chefe do presídio. E está bonita mesmo com aquela barrigona. Só que Oscar pra ela, é meio exagerado, né?
4. Paul Simon está só o bagaço.
5. A feia da noite: Rennée Zelwegger.
6. Caetano Veloso, mesmo nervoso, mandou bem. Só que a voz dele é muito suave e não combinou com a da cantora que fez dueto com ele.
7. Viva Michael Moore!! O cara ganhou o Oscar de documentário e meteu bronca no pulha do George Bush, na "eleição fictícia" e na guerra imoral. Valeu!
8. Ótima a performance do U2. Mas perder pro Eminem, que nem foi cantar nem assistir, é brincadeira. Vai ver foi só mesmo pra não darem nenhum prêmio pro filme do Scorsese.
9. Surpresa 1: Adrien Brody ganhou o prêmio de melhor ator por O PIANISTA. Legal. Eu estava torcendo pelo Day-Lewis, mas o narigudo é ótimo. Sem falar que mandou a musiquinha de expulsão parar pra protestar contra a guerra. E ele que fez um filme como O PIANISTA entende um pouco disso, né?
10. Supresa 2: Almodóvar ganhou roteiro original por FALE COM ELA. Aliás, filme nenhum dali é melhor que essa obra-prima do Almodóvar.
11. Surpresa 3: Melhor diretor para Roman Polanski. Legal. O pedófilo merece. Hehehe.
12. Nada para GANGS DE NOVA YORK.
Ah, pra quem sintonizou na Tv Cultura antes de começar o Oscar, ontem teve entrevista com o nosso querido Carlão Reichenbach no programa Provocações do Abujamra. O foda é que esse apresentador fala mais que o entrevistado. E 30 minutos é muito pouco. Mas valeu!
Salve, fellas!
Viram o Oscar ontem? Foi uma cerimônia sem muitas atrações e com a duração um pouco menor. Bem que podiam ter feito um trabalho mais especial, já que era a 75a edição do prêmio. Mas com essa história de guerra, fica meio sem graça mesmo. Eis os destaques:
1. Steve Martin estava bem como o apresentador. Fez aquela brincadeira com Jack Nicholson (gay) com as mulheres e com o Michael Moore.
2. Mulheres lindas: As três Jennifers (Jennifer Garner, Jennifer Connelly, Jennifer Lopez), Kate Hudson (talvez a mais bonita da noite), Salma Hayek e Diane Lane.
3. Catherine Zeta-Jones canta bem, hein. Mesmo eu odiando CHICAGO, gostei da apresentação dela com a chefe do presídio. E está bonita mesmo com aquela barrigona. Só que Oscar pra ela, é meio exagerado, né?
4. Paul Simon está só o bagaço.
5. A feia da noite: Rennée Zelwegger.
6. Caetano Veloso, mesmo nervoso, mandou bem. Só que a voz dele é muito suave e não combinou com a da cantora que fez dueto com ele.
7. Viva Michael Moore!! O cara ganhou o Oscar de documentário e meteu bronca no pulha do George Bush, na "eleição fictícia" e na guerra imoral. Valeu!
8. Ótima a performance do U2. Mas perder pro Eminem, que nem foi cantar nem assistir, é brincadeira. Vai ver foi só mesmo pra não darem nenhum prêmio pro filme do Scorsese.
9. Surpresa 1: Adrien Brody ganhou o prêmio de melhor ator por O PIANISTA. Legal. Eu estava torcendo pelo Day-Lewis, mas o narigudo é ótimo. Sem falar que mandou a musiquinha de expulsão parar pra protestar contra a guerra. E ele que fez um filme como O PIANISTA entende um pouco disso, né?
10. Supresa 2: Almodóvar ganhou roteiro original por FALE COM ELA. Aliás, filme nenhum dali é melhor que essa obra-prima do Almodóvar.
11. Surpresa 3: Melhor diretor para Roman Polanski. Legal. O pedófilo merece. Hehehe.
12. Nada para GANGS DE NOVA YORK.
Ah, pra quem sintonizou na Tv Cultura antes de começar o Oscar, ontem teve entrevista com o nosso querido Carlão Reichenbach no programa Provocações do Abujamra. O foda é que esse apresentador fala mais que o entrevistado. E 30 minutos é muito pouco. Mas valeu!
sexta-feira, março 21, 2003
AUDITION (Odishon)
Finalmente assisti AUDITION, de Takashi Miike. Tinha comprado o DVD importado lá de Hong Kong, preciosa dica do mestre em cultura oriental Leandro Ichi the Killer. A loja, DDD House, é competente, entrega o produto em sua casa em menos de 15 dias e o preço é em dólar de Hong Kong, bem mais baixo que o dólar americano. Sem falar, que não há imposto de importação adicional. Uma boa.
Quanto ao filme, é ótimo. Estou tirando o atraso dos filmes japoneses que não conhecia. Só conhecia Akira Kurosawa, que nem é um cineasta que eu gosto muito, mas aprecio alguns trabalhos. E Takeshi Kitano eu não gosto nem um pouco. Vim começar a simpatizar com os filmes de lá vendo o anime LAPUTA, de Hayao Miyazaki, Em breve, verei PRINCESA MONONOKE, quando a fita chegar por aqui.
Mas, voltando a AUDITION, o filme é um thriller/terror de primeira. Conta a história de Aoyama, um cara que fica viúvo e depois de algum tempo, começa a pensar em arranjar outra esposa. Aproveita a idéia do amigo, que vai fazer um filme e fazer uns testes com algumas pretendentes ao papel, e a partir das entrevistas, ele vai escolher uma mulher para ser sua esposa. O problema é que ele escolhe a garota errada.
O filme começa bem lento, com o som muito baixo, quase sem trilha sonora. Tanto é que quando o som aumenta, nas partes assustadoras, toma-se um baita de um susto. Não apenas pelo som, mas também pela força das imagens. Não vou comentar aqui o que acontece pra não estragar pra quem ainda vai ver o filme. Mas adianto que o negócio é barra pesada.
O engraçado é o nome de um dos personagens: Shibata. Hehehehe.
Agora é ir atrás de outros filmes do diretor, como CITY OF LOST SOULS, FUDOH e ICHI THE KILLER.
Finalmente assisti AUDITION, de Takashi Miike. Tinha comprado o DVD importado lá de Hong Kong, preciosa dica do mestre em cultura oriental Leandro Ichi the Killer. A loja, DDD House, é competente, entrega o produto em sua casa em menos de 15 dias e o preço é em dólar de Hong Kong, bem mais baixo que o dólar americano. Sem falar, que não há imposto de importação adicional. Uma boa.
Quanto ao filme, é ótimo. Estou tirando o atraso dos filmes japoneses que não conhecia. Só conhecia Akira Kurosawa, que nem é um cineasta que eu gosto muito, mas aprecio alguns trabalhos. E Takeshi Kitano eu não gosto nem um pouco. Vim começar a simpatizar com os filmes de lá vendo o anime LAPUTA, de Hayao Miyazaki, Em breve, verei PRINCESA MONONOKE, quando a fita chegar por aqui.
Mas, voltando a AUDITION, o filme é um thriller/terror de primeira. Conta a história de Aoyama, um cara que fica viúvo e depois de algum tempo, começa a pensar em arranjar outra esposa. Aproveita a idéia do amigo, que vai fazer um filme e fazer uns testes com algumas pretendentes ao papel, e a partir das entrevistas, ele vai escolher uma mulher para ser sua esposa. O problema é que ele escolhe a garota errada.
O filme começa bem lento, com o som muito baixo, quase sem trilha sonora. Tanto é que quando o som aumenta, nas partes assustadoras, toma-se um baita de um susto. Não apenas pelo som, mas também pela força das imagens. Não vou comentar aqui o que acontece pra não estragar pra quem ainda vai ver o filme. Mas adianto que o negócio é barra pesada.
O engraçado é o nome de um dos personagens: Shibata. Hehehehe.
Agora é ir atrás de outros filmes do diretor, como CITY OF LOST SOULS, FUDOH e ICHI THE KILLER.
quinta-feira, março 20, 2003
ZWAN - "MARY STAR OF THE SEA"

Billy Corgan falou no Jornal da MTV que não dá pra fingir felicidade. Você pode fingir tristeza - tem muitas bandas ganhando dinheiro com isso por aí - mas felicidade não dá pra fingir.
"Mary Star of the Sea", o disco do Zwan, a nova banda de Corgan, traz isso, essa vontade de cantar, de exaltar a vida, expor a alegria. Isso é até corajoso de se fazer - há o risco de se ficar superficial, mas Corgan tem inteligência e sorte para escrever letras inspiradas.
Na faixa "El Sol", uma das mais belas do disco, ele diz:
"soon i'll be feeling left for dead
sometimes someone saying yes
changes what you'll bet"
Isso abre as portas para um futuro excitante, onde dizer "sim" muda todo o curso da situação. Há uma consciência do que é passageiro, de que essa alegria é passageira, mas, ao mesmo tempo, há uma supervalorização desse momento. No álbum MACHINA, Billy Corgan já manifestava essa alegria em algumas faixas.
O som das guitarras também funciona como agente "exaltador". Esse som lembra o que foi feito no álbum SIAMESE DREAM dos Smashing Pumpkins. Aliás, esse disco é um raio de sol na discografia dos Pumpkins, que tem disco angustiante (GISH), melancólico e existencialista (MELLON COLIE AND THE INFINITE SADNESS), obscuro (ADORE) e enigmático (MACHINA). No documentário presente no DVD VIEUPHORIA, Corgan fala das diferentes guitarras usadas para se produzir sons tristes e angustiantes, como em GISH ou alegres como em SIAMESE DREAM.
No novo projeto, Corgan abandona um pouco os enigmas de MACHINA e traz letras mais simples e de fácil assimilação, ainda que o lado de religiosidade deixe algumas pessoas um pouco confusas.
Uma das coisas mais surpreendentes no disco do Zwan é a religiosidade. Desde o U2 não se via uma super-banda se utilizar da fé e do Cristianismo como elementos principais da obra. A faixa mais abertamente cristã é "Jesus, I", que faz dobradinha com a faixa título ("Mary Star of the Sea"), somando um épico viajante de mais de 10 minutos.
O desapego às coisas materias está presente em "Desire" e "Ride a Black Swam"; a fé chegando pra abalar em "Lyric", "Settle Down" e "Declaration of Faith"; a alegria de estar junto de quem se ama no primeiro single "Honestly"; a balada relaxante em "Of a broken heart"; a canção que fala por si mesma em "Heartsong"; o carpe diem de "Endless Summer"; a auto-estima elevada em "Baby, let´s rock"; o poder da vontade em "Yeah". O disco termina com a chamada de Corgan em "Come with me", ao som de gaitas que lembram folk.
Um super-disco. Pra ouvir, preferecialmente, quando se estiver feliz.
Billy Corgan falou no Jornal da MTV que não dá pra fingir felicidade. Você pode fingir tristeza - tem muitas bandas ganhando dinheiro com isso por aí - mas felicidade não dá pra fingir.
"Mary Star of the Sea", o disco do Zwan, a nova banda de Corgan, traz isso, essa vontade de cantar, de exaltar a vida, expor a alegria. Isso é até corajoso de se fazer - há o risco de se ficar superficial, mas Corgan tem inteligência e sorte para escrever letras inspiradas.
Na faixa "El Sol", uma das mais belas do disco, ele diz:
"soon i'll be feeling left for dead
sometimes someone saying yes
changes what you'll bet"
Isso abre as portas para um futuro excitante, onde dizer "sim" muda todo o curso da situação. Há uma consciência do que é passageiro, de que essa alegria é passageira, mas, ao mesmo tempo, há uma supervalorização desse momento. No álbum MACHINA, Billy Corgan já manifestava essa alegria em algumas faixas.
O som das guitarras também funciona como agente "exaltador". Esse som lembra o que foi feito no álbum SIAMESE DREAM dos Smashing Pumpkins. Aliás, esse disco é um raio de sol na discografia dos Pumpkins, que tem disco angustiante (GISH), melancólico e existencialista (MELLON COLIE AND THE INFINITE SADNESS), obscuro (ADORE) e enigmático (MACHINA). No documentário presente no DVD VIEUPHORIA, Corgan fala das diferentes guitarras usadas para se produzir sons tristes e angustiantes, como em GISH ou alegres como em SIAMESE DREAM.
No novo projeto, Corgan abandona um pouco os enigmas de MACHINA e traz letras mais simples e de fácil assimilação, ainda que o lado de religiosidade deixe algumas pessoas um pouco confusas.
Uma das coisas mais surpreendentes no disco do Zwan é a religiosidade. Desde o U2 não se via uma super-banda se utilizar da fé e do Cristianismo como elementos principais da obra. A faixa mais abertamente cristã é "Jesus, I", que faz dobradinha com a faixa título ("Mary Star of the Sea"), somando um épico viajante de mais de 10 minutos.
O desapego às coisas materias está presente em "Desire" e "Ride a Black Swam"; a fé chegando pra abalar em "Lyric", "Settle Down" e "Declaration of Faith"; a alegria de estar junto de quem se ama no primeiro single "Honestly"; a balada relaxante em "Of a broken heart"; a canção que fala por si mesma em "Heartsong"; o carpe diem de "Endless Summer"; a auto-estima elevada em "Baby, let´s rock"; o poder da vontade em "Yeah". O disco termina com a chamada de Corgan em "Come with me", ao som de gaitas que lembram folk.
Um super-disco. Pra ouvir, preferecialmente, quando se estiver feliz.
DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO (Daredevil)
Ontem foi feriado aqui na cidade. Dia de São José. Dizem que todo dia 19 de março chove aqui. E ontem não foi excessão. Aproveitei pra ver DEMOLIDOR: O HOMEM SEM MEDO. Como eu estava esperando uma bomba, graças ao trailler ridículo, acabei gostando do filme. O filme tem problemas, principalmente para quem leu as maravilhosas histórias criadas por Frank Miller nos anos 80. O fato de o filme não ser fiel aos quadrinhos do herói incomoda quem vai ver o filme, tendo lido as HQs. Mas como eu já sabia que no filme o Rei do Crime é negro e que o uniforme da Elektra e do Mercenário são bem diferentes dos quadrinhos, já fui não esperando muita coisa. Inclusive, a forma como o menino Matt Murdock fica cego é diferente dos quadrinhos. Nos quadrinhos, ele fica cego tentando salvar uma velhinha de ser atropelada e um caminhão vaza produtos químicos em seus olhos. No filme, a cena acabou ficando mais verossímil. A forma como ele conhece a Elektra, é que no filme, foi piorada. Foi muito brusca e aquele diálogo entre Matt e ela, se encaminhando para a luta não ficou legal. A parte boa é que, diferente do HOMEM-ARANHA, o filme não se entope de efeitos especiais CGI e tem cenas de luta mais realistas. Ben Affleck está competente e Jennifer Garner está ótima. Mas não gostei do Michael Clark Ducan como o Rei. Aquela cena dele brigando com o nosso herói cego ficou a desejar. Mas o filme é ótimo entretenimento e uma bela surpresa.
No cinema vi o trailler de X-2, que parece que está legal. E ainda esse ano tem o filme do HULK, do Ang Lee. A Marvel está invadindo as telonas. Por enquanto não está fazendo feio.
Depois do filme, fui encontrar com uma turma, a convite da Valéria, pra ver (no meu caso rever) PRENDA-ME SE FOR CAPAZ, do Spielberg. Fui mais pra encontrar com o pessoal - tô precisando de um novo ciclo de amizade - do que pela vontade de rever o filme. Mas revendo, deu pra perceber que o filme é mesmo muito bom. Não cansa, é ágil. A pegadinha foi que a tal turma que a Valéria convidou só tinha mulheres (quatro). E depois fui ao bar com as meninas, que até que não me oprimiram, são todas legais. Heheheh..
Ah, voltando ao Demolidor, o cara gosta muito de chuva. Ele deve ter gostado do dia de São José.
Ontem foi feriado aqui na cidade. Dia de São José. Dizem que todo dia 19 de março chove aqui. E ontem não foi excessão. Aproveitei pra ver DEMOLIDOR: O HOMEM SEM MEDO. Como eu estava esperando uma bomba, graças ao trailler ridículo, acabei gostando do filme. O filme tem problemas, principalmente para quem leu as maravilhosas histórias criadas por Frank Miller nos anos 80. O fato de o filme não ser fiel aos quadrinhos do herói incomoda quem vai ver o filme, tendo lido as HQs. Mas como eu já sabia que no filme o Rei do Crime é negro e que o uniforme da Elektra e do Mercenário são bem diferentes dos quadrinhos, já fui não esperando muita coisa. Inclusive, a forma como o menino Matt Murdock fica cego é diferente dos quadrinhos. Nos quadrinhos, ele fica cego tentando salvar uma velhinha de ser atropelada e um caminhão vaza produtos químicos em seus olhos. No filme, a cena acabou ficando mais verossímil. A forma como ele conhece a Elektra, é que no filme, foi piorada. Foi muito brusca e aquele diálogo entre Matt e ela, se encaminhando para a luta não ficou legal. A parte boa é que, diferente do HOMEM-ARANHA, o filme não se entope de efeitos especiais CGI e tem cenas de luta mais realistas. Ben Affleck está competente e Jennifer Garner está ótima. Mas não gostei do Michael Clark Ducan como o Rei. Aquela cena dele brigando com o nosso herói cego ficou a desejar. Mas o filme é ótimo entretenimento e uma bela surpresa.
No cinema vi o trailler de X-2, que parece que está legal. E ainda esse ano tem o filme do HULK, do Ang Lee. A Marvel está invadindo as telonas. Por enquanto não está fazendo feio.
Depois do filme, fui encontrar com uma turma, a convite da Valéria, pra ver (no meu caso rever) PRENDA-ME SE FOR CAPAZ, do Spielberg. Fui mais pra encontrar com o pessoal - tô precisando de um novo ciclo de amizade - do que pela vontade de rever o filme. Mas revendo, deu pra perceber que o filme é mesmo muito bom. Não cansa, é ágil. A pegadinha foi que a tal turma que a Valéria convidou só tinha mulheres (quatro). E depois fui ao bar com as meninas, que até que não me oprimiram, são todas legais. Heheheh..
Ah, voltando ao Demolidor, o cara gosta muito de chuva. Ele deve ter gostado do dia de São José.
segunda-feira, março 17, 2003
O CEARENSE APERREADO
Passar o final de semana sem internet é perturbador. Especialmente quando a gente fica em casa e está acostumado com a bendita. Meu computador quebrou - parece que é grave - e eu estou já pensando em arranjar um jeito de comprar um novo. O problema é a falta de grana. O pior é que eu nem estou conseguindo enxergar a saída. Mas minha astróloga favorita falou esse mês: "This is a good time to upgrade your computer or telephone equipment." Impressionante como essa mulher acerta...
O final de semana em se tratando de filmes foi pouco proveitoso. No sábado, eu estava angustiado ouvindo Radiohead em casa ("Ok, Computer", apesar de o computador não estar ok..hheheheh), quando o Santiago liga combinando pra gente tomar umas no Dragão do Mar. Good. Eu estava mesmo a fim de tomar um porre. Matei a saudade dos chopes de vinho, uma bebida que pega ligeirinho. No segundo copo a gente já fica tonto. Heheheh.. Maravilha. Acompanhado de mais duas moças, a noite foi divertida. Não tanto quanto eu queria, mas "nem sempre se pode ser Deus" (Titãs) ou "you can´t always get what you want" (Rolling Stones). Mas tá bom. Acabei indo dormir lá na casa do Santiago, mais perto da Praia de Iracema. Voltar pra casa de manhã respirando o ar fresco (o tempo estava nublado) foi bom. E haja dormir.
O AMERICANO TRANQÜILO (The Quiet American)
O único filme visto no cinema foi O AMERICANO TRANQUILO (The Quiet American), mas, ou eu ando muito dispersivo e inquieto pra ver filmes, ou o filme é muito ruim. Apesar de eu desconfiar da primeira hipótese, a segunda eu tenho certeza. Pra quem achava Philip Noyce um diretor fraco, precisa ver o quanto ele está pior nesse filme (mal) feito para ganhar Oscar. Se filmes como TERROR A BORDO e INVASÃO DE PRIVACIDADE, até podem ser considerados bons filmes, nada mais que isso, O AMERICANO TRANQUILO não deixa a gente nem um pouco tranquilo. Dá vontade de sair na metade. Ou antes disso. A trama política envolvendo os Vietnãs do sul e o do norte, a França e os EUA é um saco. Os personagens de Michael Caine (gosto dele) e Brendan Fraser não conquistam o espectador e o filme é muito leeento, arrastado. Nada contra filmes assim, o problema é que o diretor é Phillip Noyce. O cara não é nenhum Visconti.
O filme acentuou ainda mais o meu espírito inquieto, que só foi se acalmar depois do Big Brother, perto de dormir.
Passar o final de semana sem internet é perturbador. Especialmente quando a gente fica em casa e está acostumado com a bendita. Meu computador quebrou - parece que é grave - e eu estou já pensando em arranjar um jeito de comprar um novo. O problema é a falta de grana. O pior é que eu nem estou conseguindo enxergar a saída. Mas minha astróloga favorita falou esse mês: "This is a good time to upgrade your computer or telephone equipment." Impressionante como essa mulher acerta...
O final de semana em se tratando de filmes foi pouco proveitoso. No sábado, eu estava angustiado ouvindo Radiohead em casa ("Ok, Computer", apesar de o computador não estar ok..hheheheh), quando o Santiago liga combinando pra gente tomar umas no Dragão do Mar. Good. Eu estava mesmo a fim de tomar um porre. Matei a saudade dos chopes de vinho, uma bebida que pega ligeirinho. No segundo copo a gente já fica tonto. Heheheh.. Maravilha. Acompanhado de mais duas moças, a noite foi divertida. Não tanto quanto eu queria, mas "nem sempre se pode ser Deus" (Titãs) ou "you can´t always get what you want" (Rolling Stones). Mas tá bom. Acabei indo dormir lá na casa do Santiago, mais perto da Praia de Iracema. Voltar pra casa de manhã respirando o ar fresco (o tempo estava nublado) foi bom. E haja dormir.
O AMERICANO TRANQÜILO (The Quiet American)
O único filme visto no cinema foi O AMERICANO TRANQUILO (The Quiet American), mas, ou eu ando muito dispersivo e inquieto pra ver filmes, ou o filme é muito ruim. Apesar de eu desconfiar da primeira hipótese, a segunda eu tenho certeza. Pra quem achava Philip Noyce um diretor fraco, precisa ver o quanto ele está pior nesse filme (mal) feito para ganhar Oscar. Se filmes como TERROR A BORDO e INVASÃO DE PRIVACIDADE, até podem ser considerados bons filmes, nada mais que isso, O AMERICANO TRANQUILO não deixa a gente nem um pouco tranquilo. Dá vontade de sair na metade. Ou antes disso. A trama política envolvendo os Vietnãs do sul e o do norte, a França e os EUA é um saco. Os personagens de Michael Caine (gosto dele) e Brendan Fraser não conquistam o espectador e o filme é muito leeento, arrastado. Nada contra filmes assim, o problema é que o diretor é Phillip Noyce. O cara não é nenhum Visconti.
O filme acentuou ainda mais o meu espírito inquieto, que só foi se acalmar depois do Big Brother, perto de dormir.
quinta-feira, março 13, 2003
TSUI HARK
Ultimamente ando me interessando mais por cinema e cultura asiática. Depois de ter adorado o anime LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS do japonês Miyazake, de ter chorado com o chinês TEMPOS DE VIVER, de Zhang Yimou, de ter ficado impressionado com o coreano MENTIRAS, filme de s&m de Sun-Woo Jung e de ter ficado fã das piruetas de Jackie Chan, meu interesse aumentou ainda mais. Sem falar que conhecendo os amigos Renato Doho e Leandro "Ichi the Killer" a gente aprende muito mais. Mas tudo isso é pra comentar de dois filmes de Tsui Hark que eu vi recentemente. Eis os comentários:
O TEMPO E A MARÉ (Seunlau Ngaklau / Time and Tide)
Taí um filme impressionante. As fotografias nítidas e bonitas, os vôos de câmera de Hark, a simpatia dos personagens de Nicholas Tse, Wu Bai e das meninas do filme e cenas de ação de primeira fazem de O TEMPO E A MARÉ um marco nos filmes de ação vindos lá de Hong Kong. Uma pena eu ter me enrolado pra entender a história intrincada. É ai que eu fico imaginando se o problema foi comigo, que fui burro demais e deixei escapar detalhes importantes para a compreensão da história, ou alguma deficiência da edição do filme ou do roteiro. Mas, independente disso, as imagens falam mais forte. Tsui Hark tem mesmo é que ficar lá no oriente, em vez de ficar passando vergonha dirigindo filmes do Van Damme (IMPACTO FULMINANTE e A COLÔNIA). Destaque para a cena em que uma das mulheres, prestes a dar à luz, vai parar no meio de um tiroteio.
A história é mais ou menos assim, tirada do site ASIA-CINEDIE :
Tyler (Tse), trabalha no balcão de um bar, onde conhece Ma Hoi-ming (Tsui), uma jovem que acaba de discutir com a namorada. Os dois acabam por embarcar num lamentável e infantil concurso alcoólico e terminam a noite juntos, acordando de manhã com sérios problemas de memória. Tyler (ou Kwow-ching), entretanto, começa a trabalhar numa empresa de segurança não licenciada, chefiada pelo “Tio” Ji (Wong). Um dos seus serviços é assegurar a segurança de Hong, um milionário que gere actividades não inteiramente claras. Uma das filhas de Hong, Hui (Lo), saiu de casa e casou com "Jack" (Wu), actualmente a trabalhar como talhante, sem a aprovação do pai. Um grupo de criminosos vindo da América do Sul, procura cobrar uma divida a Jack, propondo-lhe, em alternativa, um “serviço”.
Pena que o DVD brasileiro vem em tela cheia e sem nada de extras, além do trailer.
GUERREIROS À PROVA DE BALAS (Wong Fei-Hung / Once upon a time in China)
Se a história de O TEMPO E A MARÉ me deu um nó na cabeça, a de GUERREIROS À PROVA DE BALAS é uma beleza de clareza. E olha que eu assisti gravado da televisão (Record) e, dizem, está com cortes de 40 minutos! Tem nada não. Um dia eu vejo a versão integral em DVD e em widescreen decente. Mas deu pra perceber a beleza do filme. Na história, Jet Li é um mestre de kung fu que lidera uma escola de artes marciais e, ao mesmo tempo, oferece os serviços de segurança para uma cidade, na China do final do século 19. Jet Li tem que enfrentar as gangues rivais, um cara que quer ser o melhor mestre do kung fu e os ocidentais (americanos e ingleses) que querem dominar a China. Ótimas cenas de lutas usando cabos.
Estou com outro filme emprestado com produção de Tsui Hark chamado MÁSCARA NEGRA, lançado em DVD de banca. Comento quando o ver.
Ultimamente ando me interessando mais por cinema e cultura asiática. Depois de ter adorado o anime LAPUTA: O CASTELO NAS NUVENS do japonês Miyazake, de ter chorado com o chinês TEMPOS DE VIVER, de Zhang Yimou, de ter ficado impressionado com o coreano MENTIRAS, filme de s&m de Sun-Woo Jung e de ter ficado fã das piruetas de Jackie Chan, meu interesse aumentou ainda mais. Sem falar que conhecendo os amigos Renato Doho e Leandro "Ichi the Killer" a gente aprende muito mais. Mas tudo isso é pra comentar de dois filmes de Tsui Hark que eu vi recentemente. Eis os comentários:
O TEMPO E A MARÉ (Seunlau Ngaklau / Time and Tide)
Taí um filme impressionante. As fotografias nítidas e bonitas, os vôos de câmera de Hark, a simpatia dos personagens de Nicholas Tse, Wu Bai e das meninas do filme e cenas de ação de primeira fazem de O TEMPO E A MARÉ um marco nos filmes de ação vindos lá de Hong Kong. Uma pena eu ter me enrolado pra entender a história intrincada. É ai que eu fico imaginando se o problema foi comigo, que fui burro demais e deixei escapar detalhes importantes para a compreensão da história, ou alguma deficiência da edição do filme ou do roteiro. Mas, independente disso, as imagens falam mais forte. Tsui Hark tem mesmo é que ficar lá no oriente, em vez de ficar passando vergonha dirigindo filmes do Van Damme (IMPACTO FULMINANTE e A COLÔNIA). Destaque para a cena em que uma das mulheres, prestes a dar à luz, vai parar no meio de um tiroteio.
A história é mais ou menos assim, tirada do site ASIA-CINEDIE :
Tyler (Tse), trabalha no balcão de um bar, onde conhece Ma Hoi-ming (Tsui), uma jovem que acaba de discutir com a namorada. Os dois acabam por embarcar num lamentável e infantil concurso alcoólico e terminam a noite juntos, acordando de manhã com sérios problemas de memória. Tyler (ou Kwow-ching), entretanto, começa a trabalhar numa empresa de segurança não licenciada, chefiada pelo “Tio” Ji (Wong). Um dos seus serviços é assegurar a segurança de Hong, um milionário que gere actividades não inteiramente claras. Uma das filhas de Hong, Hui (Lo), saiu de casa e casou com "Jack" (Wu), actualmente a trabalhar como talhante, sem a aprovação do pai. Um grupo de criminosos vindo da América do Sul, procura cobrar uma divida a Jack, propondo-lhe, em alternativa, um “serviço”.
Pena que o DVD brasileiro vem em tela cheia e sem nada de extras, além do trailer.
GUERREIROS À PROVA DE BALAS (Wong Fei-Hung / Once upon a time in China)
Se a história de O TEMPO E A MARÉ me deu um nó na cabeça, a de GUERREIROS À PROVA DE BALAS é uma beleza de clareza. E olha que eu assisti gravado da televisão (Record) e, dizem, está com cortes de 40 minutos! Tem nada não. Um dia eu vejo a versão integral em DVD e em widescreen decente. Mas deu pra perceber a beleza do filme. Na história, Jet Li é um mestre de kung fu que lidera uma escola de artes marciais e, ao mesmo tempo, oferece os serviços de segurança para uma cidade, na China do final do século 19. Jet Li tem que enfrentar as gangues rivais, um cara que quer ser o melhor mestre do kung fu e os ocidentais (americanos e ingleses) que querem dominar a China. Ótimas cenas de lutas usando cabos.
Estou com outro filme emprestado com produção de Tsui Hark chamado MÁSCARA NEGRA, lançado em DVD de banca. Comento quando o ver.
segunda-feira, março 10, 2003
MAIS DOIS OSCARIZÁVEIS
Tive um final de semana bem chato. Pra completar o estrago meu computador quebrou ontem. Deu pra ver dois filmes no cinema dos filmes indicados ao Oscar. O PIANISTA adorei. CHICAGO quase me fez dormir. Seguem os comentários.
O PIANISTA (The Pianist)
Polanski continua fazendo ótimos filmes. E esse pode agradar a muito mais gente do que o anterior dele (O ÚLTIMO PORTAL). É mais um filme sobre o holocausto, a 2a Guerra Mundial, o sofrimento dos judeus. Adrien Brody é o pianista do título, um judeu polonês que toca piano divinamente bem. Até que começam as perseguições aos poloneses e aos judeus pelos nazistas. Acredito que seja necessário muitos filmes sobre o assunto para que a gente se lembre que esse absurdo realmente aconteceu. É quase inacreditável. No início, os judeus não podiam arranjar emprego, entrar em restaurantes e nem passear nas praças. Depois os proibiram de andar até pela calçada. Depois, trabalho forçado em campos de concentração e morte em câmeras de gás ou tiros na cabeça. E tudo isso por que ? Por que são judeus. Mas ainda acredito que toda essa raiva de Hitler para com o povo judeu tem uma explicação ainda oculta. Não pode ser apenas por razões econômicas. E é foda ter que sobreviver catando comida em casas em ruínas. Outra coisa interessante: quando começam os créditos finais do filme, as pessoas não arredam o pé da sala até o último instante, para ouvir o belo solo de piano. Maravilha a trilha sonora com Chopin, Beethoven, Bach e outros. Excelente.
CHICAGO
Nunca bocejei tanto no cinema. Não que eu me lembre. Acho que é porque eu não tenho paciência para esses musicais à moda antiga. Só pra se ter uma idéia meus filmes musicais favoritos são: TODOS DIZEM EU TE AMO (onde atores cantam desafinado), HEDWIG AND THE ANGRY INCH (rock and roll!!!!!) e MOULIN ROUGE (filme que inova o musical). O musical tradicional geralmente não me agrada ou, na melhor das hipóteses, gosto de alguns números de CANTANDO NA CHUVA e A NOVIÇA REBELDE. A melhor coisa do fime é a beleza de Catherine Zeta-Jones exibindo o rosto lindo e as pernas maravilhosas. Mas os personagens são odiosos. A Renee Zellweger está bem feinha. Richard Gere está bem, levando em consideração que o sujeito é muito tímido e, mesmo assim, topou fazer musical. Mas o filme não é ruim, é bem realizado, tem coreografias boas, tem "All that jazz" do Bob Fosse, mas, mesmo assim, com menos de uma hora de filme, eu estava olhando pro relógio. Resta saber se o problema era com o filme ou comigo mesmo. Mas na dúvida, melhor deixar esse tipo de filme pro Rubens Ewald ver.
Agora que vi os cinco filmes da categoria melhor filme do Oscar, vai o meu ranking na ordem de favoritos:
1. GANGS DE NOVA YORK
2. O PIANISTA
3. O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES
4. AS HORAS
5. CHICAGO.
Tive um final de semana bem chato. Pra completar o estrago meu computador quebrou ontem. Deu pra ver dois filmes no cinema dos filmes indicados ao Oscar. O PIANISTA adorei. CHICAGO quase me fez dormir. Seguem os comentários.
O PIANISTA (The Pianist)
Polanski continua fazendo ótimos filmes. E esse pode agradar a muito mais gente do que o anterior dele (O ÚLTIMO PORTAL). É mais um filme sobre o holocausto, a 2a Guerra Mundial, o sofrimento dos judeus. Adrien Brody é o pianista do título, um judeu polonês que toca piano divinamente bem. Até que começam as perseguições aos poloneses e aos judeus pelos nazistas. Acredito que seja necessário muitos filmes sobre o assunto para que a gente se lembre que esse absurdo realmente aconteceu. É quase inacreditável. No início, os judeus não podiam arranjar emprego, entrar em restaurantes e nem passear nas praças. Depois os proibiram de andar até pela calçada. Depois, trabalho forçado em campos de concentração e morte em câmeras de gás ou tiros na cabeça. E tudo isso por que ? Por que são judeus. Mas ainda acredito que toda essa raiva de Hitler para com o povo judeu tem uma explicação ainda oculta. Não pode ser apenas por razões econômicas. E é foda ter que sobreviver catando comida em casas em ruínas. Outra coisa interessante: quando começam os créditos finais do filme, as pessoas não arredam o pé da sala até o último instante, para ouvir o belo solo de piano. Maravilha a trilha sonora com Chopin, Beethoven, Bach e outros. Excelente.
CHICAGO
Nunca bocejei tanto no cinema. Não que eu me lembre. Acho que é porque eu não tenho paciência para esses musicais à moda antiga. Só pra se ter uma idéia meus filmes musicais favoritos são: TODOS DIZEM EU TE AMO (onde atores cantam desafinado), HEDWIG AND THE ANGRY INCH (rock and roll!!!!!) e MOULIN ROUGE (filme que inova o musical). O musical tradicional geralmente não me agrada ou, na melhor das hipóteses, gosto de alguns números de CANTANDO NA CHUVA e A NOVIÇA REBELDE. A melhor coisa do fime é a beleza de Catherine Zeta-Jones exibindo o rosto lindo e as pernas maravilhosas. Mas os personagens são odiosos. A Renee Zellweger está bem feinha. Richard Gere está bem, levando em consideração que o sujeito é muito tímido e, mesmo assim, topou fazer musical. Mas o filme não é ruim, é bem realizado, tem coreografias boas, tem "All that jazz" do Bob Fosse, mas, mesmo assim, com menos de uma hora de filme, eu estava olhando pro relógio. Resta saber se o problema era com o filme ou comigo mesmo. Mas na dúvida, melhor deixar esse tipo de filme pro Rubens Ewald ver.
Agora que vi os cinco filmes da categoria melhor filme do Oscar, vai o meu ranking na ordem de favoritos:
1. GANGS DE NOVA YORK
2. O PIANISTA
3. O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES
4. AS HORAS
5. CHICAGO.
quinta-feira, março 06, 2003
HITCHCOCK ANOS 30
Continuando a série de filmes seguidos que estou vendo do mesmo diretor (já vi 4 Argentos, 3 Bergmans, 3 Spielbergs e 2 Buñuels seguidos), comento agora três filmes da década de 30 da fase inglesa de Alfred Hitchcock. É até bom ver esses filmes mais antigos depois das obras-primas feitas a partir dos anos 40 pra ver os diamantes ainda em estado bruto. Os três filmes foram lançados num único DVD nas bancas. A qualidade da imagem e do som não é excelente, mas quebra o galho e pelo menos não vai mofar como uma fita VHS. Alguns comentários rápidos:
SABOTAGEM (Sabotage)
As imagens escuras de Londres à noite ficam ainda mais escuras quando a cidade sofre um blecaute, seguido de um crime. Um agente secreto disfarçado de verdureiro investiga o caso. A sequência de maior suspense do filme é uma cena em que um garoto leva uma bomba dentro de um ônibus, enquanto o relógio corre. Não é um grande filme do Hitchcock, mas ainda assim é prazeroso. A cena inicial com Londres na escuridão e uma bilheteira de cinema tentando acalmar o público que quer o seu dinheiro de volta é um belo começo.
AGENTE SECRETO (Secret Agent)
Talvez o filme da fase inglesa de Hitch que reúne o mais famoso elenco. No filme estão John Gielgud, Peter Lorre e Robert Young. Achei que fosse um filme chato como CORTINA RASGADA, filme mais recente de Hitch e que tem um enredo político, mas eu me enganei. O filme traz uma cena que serve de embrião para JANELA INDISCRETA. Nela, John Gielgud olha sem poder fazer nada um assassinato ser cometido à distância através de lentes de aumento. Talvez não existissem alguns filmes de Brian DePalma se não fosse por esse filme, também. Ainda assim, é o que eu menos gosto dos três filmes.
ASSASSINATO (Murder!)
Esse é talvez o melhor dos 3 apesar de ser mais velho (esse é de 1930, os outros, de 1936). O filme trata do assassinato de uma atriz. Uma amiga é considerada culpada pelo crime e um dos jurados resolve investigar o caso. O filme está bem gasto e cheio de pulos. Não pelo dvd, mas por causa da matriz original, já bem desgastada. Há problemas no som também - é o filme que tem o som mais baixo - mas vale a pena ser visto. Destaque para a cena em que o investigador - um escritor de peças de teatro - convida o assassino pra interpretar um...assassino.
Continuando a série de filmes seguidos que estou vendo do mesmo diretor (já vi 4 Argentos, 3 Bergmans, 3 Spielbergs e 2 Buñuels seguidos), comento agora três filmes da década de 30 da fase inglesa de Alfred Hitchcock. É até bom ver esses filmes mais antigos depois das obras-primas feitas a partir dos anos 40 pra ver os diamantes ainda em estado bruto. Os três filmes foram lançados num único DVD nas bancas. A qualidade da imagem e do som não é excelente, mas quebra o galho e pelo menos não vai mofar como uma fita VHS. Alguns comentários rápidos:
SABOTAGEM (Sabotage)
As imagens escuras de Londres à noite ficam ainda mais escuras quando a cidade sofre um blecaute, seguido de um crime. Um agente secreto disfarçado de verdureiro investiga o caso. A sequência de maior suspense do filme é uma cena em que um garoto leva uma bomba dentro de um ônibus, enquanto o relógio corre. Não é um grande filme do Hitchcock, mas ainda assim é prazeroso. A cena inicial com Londres na escuridão e uma bilheteira de cinema tentando acalmar o público que quer o seu dinheiro de volta é um belo começo.
AGENTE SECRETO (Secret Agent)
Talvez o filme da fase inglesa de Hitch que reúne o mais famoso elenco. No filme estão John Gielgud, Peter Lorre e Robert Young. Achei que fosse um filme chato como CORTINA RASGADA, filme mais recente de Hitch e que tem um enredo político, mas eu me enganei. O filme traz uma cena que serve de embrião para JANELA INDISCRETA. Nela, John Gielgud olha sem poder fazer nada um assassinato ser cometido à distância através de lentes de aumento. Talvez não existissem alguns filmes de Brian DePalma se não fosse por esse filme, também. Ainda assim, é o que eu menos gosto dos três filmes.
ASSASSINATO (Murder!)
Esse é talvez o melhor dos 3 apesar de ser mais velho (esse é de 1930, os outros, de 1936). O filme trata do assassinato de uma atriz. Uma amiga é considerada culpada pelo crime e um dos jurados resolve investigar o caso. O filme está bem gasto e cheio de pulos. Não pelo dvd, mas por causa da matriz original, já bem desgastada. Há problemas no som também - é o filme que tem o som mais baixo - mas vale a pena ser visto. Destaque para a cena em que o investigador - um escritor de peças de teatro - convida o assassino pra interpretar um...assassino.
terça-feira, março 04, 2003
AS HORAS (The Hours)
Como estão todos? Curtindo o carnaval? Eu estou com dor no corpo todo. E com um desânimo daqueles. Sofri aquilo tudo depois da cirurgia e continuo com problemas de garganta inflamada. Uma merda. Parece que não tem jeito mesmo. Mas quem sabe, né? Pode ser que um dia eu volte a ser um sujeito saudável de novo. Vendo o horóscopo da Susan Miller, no Astrologyzone.com, vi que Urano, o planeta das surpresas, saiu da minha casa de "dinheiro dos outros" e está ingressando na casa de viagens e estudos avançados. E vai permanecer por sete anos. De repente, nesse período, coisas boas aparecem.
Por falar em coisas chatas, fui ver AS HORAS há pouco. Gostei, pero no mucho. Prefiro filmes que me fazem chorar a filmes que me fazem ver pessoas chorando. Nesse sentido, AS HORAS lembra MAGNÓLIA, com pessoas atribuladas e deprimidas ao som de música incidental perturbadora. No caso de AS HORAS, sai Aimée Mann, entra Philip Glass, que é um cara muito bom. Nunca esqueci o que ele fez em A CATEDRAL, de Michele Soavi. Fico pensando se a trilha sonora dele serve pra ouvir em casa, também. (Mas é claro que AS HORAS não é tão bom quanto MAGNOLIA, né?)
AS HORAS é um filme que tem um monte de qualidades. A começar pelo trio excepcional de atrizes. Nicole Kidman, irreconhecível como Virginia Woof; Juliane Moore fazendo a dona de casa insatisfeita que está lendo o livro Mrs. Dalloway, de Virginia; e Merryl Streep, a própria Mrs. Dalloway, mulher que por trás de uma aparente auto-confiança, tem uma pessoa prestes a desmoronar. Ela tem um amigo que está morrendo de AIDS (o ótimo Ed Harris). Por falar em AIDS, acho que no livro de Virginia não tinha nada disso. Ela é do início do século XX...
O elenco de apoio do filme também é um luxo: além de Ed Harris, tem Claire Danes, Miranda Richardson, John C. Reilly, Toni Collete e Jeff Daniels.
Pois é, mas com tantas qualidades, o que falta no filme? Não sei, mas alguma coisa falta.
A propósito, vejam o que a Band irá exibir na sexta-feira, às 22h15:
SRA. DALLOWAY
(Mrs. Dalloway)
Inglaterra, 1997, 100', cor. Dir.: Marleen Gorris. Int.: Vanessa Redgrave, Natascha McElhone, Rupert Graves, Michael Kitchen, Alan Cox, Sarah Badel, Lena Headey.
Em 1920, em meio à agitação dos preparativos para uma grande festa em sua mansão em Londres, a Sra. Clarissa Dalloway (Vanessa Redgrave) toma conhecimento de que Peter (Michael Kitchen), um antigo pretendente, retornara da Índia. A chegada de Peter desvia a atenção da Sra. Dalloway, trazendo-lhe recordações do verão de 1890, quando era jovem, bela e muito cortejada.
Baseado em romance da escritora inglesa Virginia Woolf.
Uma boa pra quem quer entrar no clima de AS HORAS, conhecer mais a obra de Virginia Woolf, sem precisar de pegar o livro pra ler.
Como estão todos? Curtindo o carnaval? Eu estou com dor no corpo todo. E com um desânimo daqueles. Sofri aquilo tudo depois da cirurgia e continuo com problemas de garganta inflamada. Uma merda. Parece que não tem jeito mesmo. Mas quem sabe, né? Pode ser que um dia eu volte a ser um sujeito saudável de novo. Vendo o horóscopo da Susan Miller, no Astrologyzone.com, vi que Urano, o planeta das surpresas, saiu da minha casa de "dinheiro dos outros" e está ingressando na casa de viagens e estudos avançados. E vai permanecer por sete anos. De repente, nesse período, coisas boas aparecem.
Por falar em coisas chatas, fui ver AS HORAS há pouco. Gostei, pero no mucho. Prefiro filmes que me fazem chorar a filmes que me fazem ver pessoas chorando. Nesse sentido, AS HORAS lembra MAGNÓLIA, com pessoas atribuladas e deprimidas ao som de música incidental perturbadora. No caso de AS HORAS, sai Aimée Mann, entra Philip Glass, que é um cara muito bom. Nunca esqueci o que ele fez em A CATEDRAL, de Michele Soavi. Fico pensando se a trilha sonora dele serve pra ouvir em casa, também. (Mas é claro que AS HORAS não é tão bom quanto MAGNOLIA, né?)
AS HORAS é um filme que tem um monte de qualidades. A começar pelo trio excepcional de atrizes. Nicole Kidman, irreconhecível como Virginia Woof; Juliane Moore fazendo a dona de casa insatisfeita que está lendo o livro Mrs. Dalloway, de Virginia; e Merryl Streep, a própria Mrs. Dalloway, mulher que por trás de uma aparente auto-confiança, tem uma pessoa prestes a desmoronar. Ela tem um amigo que está morrendo de AIDS (o ótimo Ed Harris). Por falar em AIDS, acho que no livro de Virginia não tinha nada disso. Ela é do início do século XX...
O elenco de apoio do filme também é um luxo: além de Ed Harris, tem Claire Danes, Miranda Richardson, John C. Reilly, Toni Collete e Jeff Daniels.
Pois é, mas com tantas qualidades, o que falta no filme? Não sei, mas alguma coisa falta.
A propósito, vejam o que a Band irá exibir na sexta-feira, às 22h15:
SRA. DALLOWAY
(Mrs. Dalloway)
Inglaterra, 1997, 100', cor. Dir.: Marleen Gorris. Int.: Vanessa Redgrave, Natascha McElhone, Rupert Graves, Michael Kitchen, Alan Cox, Sarah Badel, Lena Headey.
Em 1920, em meio à agitação dos preparativos para uma grande festa em sua mansão em Londres, a Sra. Clarissa Dalloway (Vanessa Redgrave) toma conhecimento de que Peter (Michael Kitchen), um antigo pretendente, retornara da Índia. A chegada de Peter desvia a atenção da Sra. Dalloway, trazendo-lhe recordações do verão de 1890, quando era jovem, bela e muito cortejada.
Baseado em romance da escritora inglesa Virginia Woolf.
Uma boa pra quem quer entrar no clima de AS HORAS, conhecer mais a obra de Virginia Woolf, sem precisar de pegar o livro pra ler.
segunda-feira, março 03, 2003
FILMES DO CARNAVAL
Comentários de alguns filmes que vi nesse feriadão:
O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula)
Não tinha idéia de como eram bons os filmes de Drácula da Hammer. Caramba! Esse foi o meu primeiro contato com Christopher Lee fazendo o vampirão. E dizem que os filmes dirigidos por Terence Fisher (O VAMPIRO DA NOITE, DRÁCULA - O PRÍNCIPE DAS TREVAS) são ainda melhores. Esse, de 1970, é dirigido por Roy Ward Baker e o resultado é excelente. O filme começa com um morcego jogando sangue em cima do cadáver (?!) de Drácula, fazendo com que ele volte à vida. Entre os outros persoangens do filme estão dois irmãos e uma belíssima mulher. Aliás, mulher bonita é o que não falta nesse filme. Os caras da Hammer sabiam o que o público queria e gostava de ver. Mas a mais bela de todas no filme é Jenny Hanley, que desperta a paixão até do ajudante de Drácula. Taí um filme irresistível.
MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA (Marnie)
Filme de Hitchcock que parte para o campo psicológico. Tippi Hedren é Marnie, uma ladra que sofre de problemas vindos de seu passado. Sean Connery é o homem que surge em seu caminho para causar mudanças. O DVD vem com imagem em fullscreen, mas em compensação vem com um documentário generoso de 1 hora de duração sobre os bastidores do filme. O trailler que vem no disquinho também é bem interessante. Aliás, Hitchcock sabia fazer traillers diferentes e divertidos. A história de início lembra PSICOSE, já que nesse filme também somos cúmplices de um roubo logo de início. Mas o filme é bem diferente e menos aterrorizante do que o clássico de 1960, mas ainda assim é Hitchcock dos bons.
O ESTRANHO (The Limey)
Não é tudo que eu esperava esse filme do Soderbergh, mas é melhor do que boa parte do que ele tem feito ultimamente. A história parece filme do Charles Bronson (pai quer se vingar de quem matou a filha), mas o jeito do diretor contar a história faz toda a diferença. A edição do filme é de videoclipe, mas ao mesmo tempo, o filme tem um andamento lento, remetendo aos policiais da década de 70. Outra coisa muito interessante é o elenco: Terence Stamp, como o justiceiro, arrasa, mas Peter Fonda como o responsável pela morte da filha também está muito bom - ele nem parece um vilão, parece apenas um playboy que está sendo perseguido por um louco.
BARBARELLA
Esse eu achei que fosse mais divertido. Lembro que fiquei excitado quando vi há muito tempo numa sessão de gala da Globo. Jane Fonda faz a personagem sexy Barbarella, que descobre que fazer sexo à moda antiga é muito melhor. Eu não tinha visto o filme completo na época. Dessa vez, vi que depois de meia hora o filme cai, fica chato e desinteressante. Na história, Barbarella tem que deter o Duran Duran (sim, o nome da banda veio do personagem do filme), o vilão do filme, em um planeta distante. No caminho, encontra bonecas que mordem, um anjo cego, um esquimó que a ensina a fazer sexo e uma diabólica rainha. O destaque do fime é mesmo o strip tease no espaço que abre o filme. Jane Fonda estava em plena forma. E o ano era 1968, ano magíco que nos deu o melhor filme (2001, do Kubrick) e o melhor disco (o álbum branco dos Beatles) de todos os tempos. O DVD está em widescreen.
LIVING WITH MICHAEL JACKSON
A Sony exibiu no domingo o documentário sensacionalista que tenta de todo jeito puxar informações bombásticas sobre a vida privada de Michael Jackson. O repórter tentou - mas não conseguiu - revelar tudo sobre Michael. Mas ainda assim, o que o documentário mostra é bizarro. Um cara que não tem relacionamentos com mulheres, prefere a companhia de meninos, coloca máscaras em seus filhos (todos de encomenda), muda de rosto e de pele misteriosamente, compra uma loja inteira de artigos caríssimos e manda construir um parque de diversões só pra ele, não pode ser normal. Michael Jackson deve ter se arrependido de ter dado a entrevista.
Aluguei também no pacote O TEMPO E A MARÉ mas ainda falta eu ver. Comento depois.
Comentários de alguns filmes que vi nesse feriadão:
O CONDE DRÁCULA (Scars of Dracula)
Não tinha idéia de como eram bons os filmes de Drácula da Hammer. Caramba! Esse foi o meu primeiro contato com Christopher Lee fazendo o vampirão. E dizem que os filmes dirigidos por Terence Fisher (O VAMPIRO DA NOITE, DRÁCULA - O PRÍNCIPE DAS TREVAS) são ainda melhores. Esse, de 1970, é dirigido por Roy Ward Baker e o resultado é excelente. O filme começa com um morcego jogando sangue em cima do cadáver (?!) de Drácula, fazendo com que ele volte à vida. Entre os outros persoangens do filme estão dois irmãos e uma belíssima mulher. Aliás, mulher bonita é o que não falta nesse filme. Os caras da Hammer sabiam o que o público queria e gostava de ver. Mas a mais bela de todas no filme é Jenny Hanley, que desperta a paixão até do ajudante de Drácula. Taí um filme irresistível.
MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA (Marnie)
Filme de Hitchcock que parte para o campo psicológico. Tippi Hedren é Marnie, uma ladra que sofre de problemas vindos de seu passado. Sean Connery é o homem que surge em seu caminho para causar mudanças. O DVD vem com imagem em fullscreen, mas em compensação vem com um documentário generoso de 1 hora de duração sobre os bastidores do filme. O trailler que vem no disquinho também é bem interessante. Aliás, Hitchcock sabia fazer traillers diferentes e divertidos. A história de início lembra PSICOSE, já que nesse filme também somos cúmplices de um roubo logo de início. Mas o filme é bem diferente e menos aterrorizante do que o clássico de 1960, mas ainda assim é Hitchcock dos bons.
O ESTRANHO (The Limey)
Não é tudo que eu esperava esse filme do Soderbergh, mas é melhor do que boa parte do que ele tem feito ultimamente. A história parece filme do Charles Bronson (pai quer se vingar de quem matou a filha), mas o jeito do diretor contar a história faz toda a diferença. A edição do filme é de videoclipe, mas ao mesmo tempo, o filme tem um andamento lento, remetendo aos policiais da década de 70. Outra coisa muito interessante é o elenco: Terence Stamp, como o justiceiro, arrasa, mas Peter Fonda como o responsável pela morte da filha também está muito bom - ele nem parece um vilão, parece apenas um playboy que está sendo perseguido por um louco.
BARBARELLA
Esse eu achei que fosse mais divertido. Lembro que fiquei excitado quando vi há muito tempo numa sessão de gala da Globo. Jane Fonda faz a personagem sexy Barbarella, que descobre que fazer sexo à moda antiga é muito melhor. Eu não tinha visto o filme completo na época. Dessa vez, vi que depois de meia hora o filme cai, fica chato e desinteressante. Na história, Barbarella tem que deter o Duran Duran (sim, o nome da banda veio do personagem do filme), o vilão do filme, em um planeta distante. No caminho, encontra bonecas que mordem, um anjo cego, um esquimó que a ensina a fazer sexo e uma diabólica rainha. O destaque do fime é mesmo o strip tease no espaço que abre o filme. Jane Fonda estava em plena forma. E o ano era 1968, ano magíco que nos deu o melhor filme (2001, do Kubrick) e o melhor disco (o álbum branco dos Beatles) de todos os tempos. O DVD está em widescreen.
LIVING WITH MICHAEL JACKSON
A Sony exibiu no domingo o documentário sensacionalista que tenta de todo jeito puxar informações bombásticas sobre a vida privada de Michael Jackson. O repórter tentou - mas não conseguiu - revelar tudo sobre Michael. Mas ainda assim, o que o documentário mostra é bizarro. Um cara que não tem relacionamentos com mulheres, prefere a companhia de meninos, coloca máscaras em seus filhos (todos de encomenda), muda de rosto e de pele misteriosamente, compra uma loja inteira de artigos caríssimos e manda construir um parque de diversões só pra ele, não pode ser normal. Michael Jackson deve ter se arrependido de ter dado a entrevista.
Aluguei também no pacote O TEMPO E A MARÉ mas ainda falta eu ver. Comento depois.
sábado, março 01, 2003
O BURACO (The Hole)
Primeiro dia de carnaval e eu estou aqui em casa tentando fingir que é um sábado normal. Fui ao cinema, aluguei uns filmes em DVD/VHS e estou aqui ouvindo o disco do Cake que comprei ontem. Bacana. É mais do mesmo de Cake mas é bom pra caramba.
O filme que vi hoje foi O BURACO (The Hole) . Eu não estava esperando muita coisa, mas até que eu me surpreendi e dei de cara com um bom filme de terror. O filme tem problemas, é claro, mas ele têm mais qualidades que defeitos. O que incomoda logo de cara é a burrice dos personagens. Parece que todo jovem americano é burro pra se meter em situações perigosas, vide aqueles garotos de OLHOS FAMINTOS (filme que eu gostei), que escorregam dentro daquele buraco. No caso de O BURACO, quatro jovens estão presos num buraco por alguns dias. Thora Birch, a atriz principal, é apaixonada por um dos caras mais populares da escola e faz de tudo pra ficar com ele. É uma subversão dos romances adolescentes, num filme de terror sem elementos sobrenaturais. O terror está na situação deles e no que eles são capazes de fazer ou sentir. É um filme que merece a atenção, especialmente de quem curte o gênero.
Os filmes que aluguei foram:
BARBARELLA, de Roger Vadim (DVD)
MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA, do Hitch (DVD)
O TEMPO E A MARÉ, de Tsui Hark (DVD)
O CONDE DRÁCULA, de Roy Ward Baker (DVD)
O ESTRANHO, de Steven Soderbergh (VHS) - Esse filme tá disponível em DVD???
Fora isso estou com o DVD de AUDITION, do Takeshi Miike, que chegou ontem lá de Hong Kong. Até que chegou rápido (uns dez dias).
Ah, hoje vi o documentário do George Romero da TNT. O cara é muito simpático, hein. E me interessei por alguns filmes que ainda não vi dele: MARTIN (filme de vampiro fora do comum), INSTINTO ASSASSINO (o filme do macaquinho), CREEPSHOW (só passa a parte 2 na tv), e um filme do início dos anos 80 inspirado nos cavaleiros de Camelot.
A outra novidade é que recebi o meu guia de tv por assinatura e eles estão com uma promoção: um test drive do canal de filmes pornográficos (CineSex) durante um final de semana. Acho que vou deixar pra próxima semana pra conferir. Alguém tem esse canal? Que tipo de filmes passam? Vou aproveitar pra me abastecer de pornôs gravando umas três fitas de 6 horas. Hahahah!
Até mais!
Primeiro dia de carnaval e eu estou aqui em casa tentando fingir que é um sábado normal. Fui ao cinema, aluguei uns filmes em DVD/VHS e estou aqui ouvindo o disco do Cake que comprei ontem. Bacana. É mais do mesmo de Cake mas é bom pra caramba.
O filme que vi hoje foi O BURACO (The Hole) . Eu não estava esperando muita coisa, mas até que eu me surpreendi e dei de cara com um bom filme de terror. O filme tem problemas, é claro, mas ele têm mais qualidades que defeitos. O que incomoda logo de cara é a burrice dos personagens. Parece que todo jovem americano é burro pra se meter em situações perigosas, vide aqueles garotos de OLHOS FAMINTOS (filme que eu gostei), que escorregam dentro daquele buraco. No caso de O BURACO, quatro jovens estão presos num buraco por alguns dias. Thora Birch, a atriz principal, é apaixonada por um dos caras mais populares da escola e faz de tudo pra ficar com ele. É uma subversão dos romances adolescentes, num filme de terror sem elementos sobrenaturais. O terror está na situação deles e no que eles são capazes de fazer ou sentir. É um filme que merece a atenção, especialmente de quem curte o gênero.
Os filmes que aluguei foram:
BARBARELLA, de Roger Vadim (DVD)
MARNIE - CONFISSÕES DE UMA LADRA, do Hitch (DVD)
O TEMPO E A MARÉ, de Tsui Hark (DVD)
O CONDE DRÁCULA, de Roy Ward Baker (DVD)
O ESTRANHO, de Steven Soderbergh (VHS) - Esse filme tá disponível em DVD???
Fora isso estou com o DVD de AUDITION, do Takeshi Miike, que chegou ontem lá de Hong Kong. Até que chegou rápido (uns dez dias).
Ah, hoje vi o documentário do George Romero da TNT. O cara é muito simpático, hein. E me interessei por alguns filmes que ainda não vi dele: MARTIN (filme de vampiro fora do comum), INSTINTO ASSASSINO (o filme do macaquinho), CREEPSHOW (só passa a parte 2 na tv), e um filme do início dos anos 80 inspirado nos cavaleiros de Camelot.
A outra novidade é que recebi o meu guia de tv por assinatura e eles estão com uma promoção: um test drive do canal de filmes pornográficos (CineSex) durante um final de semana. Acho que vou deixar pra próxima semana pra conferir. Alguém tem esse canal? Que tipo de filmes passam? Vou aproveitar pra me abastecer de pornôs gravando umas três fitas de 6 horas. Hahahah!
Até mais!
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